23.3.05

BREGA CHIC

Depois de formatar o pc, resolvi escutar alguns cds de mp3 para ver o que eu tinha armazenado em meu arsenal, uma vez que depois do primeiro milhar, qualquer um perde a conta. Um cd vermelho com as iniciais BH escritas me chamou a atenção e resolvi colocar. Pois não é que era o Brega Hits? Recheado de clássicos do brega nacional, de Sidney Magal a Lindomar Castilho, passando por Tremendo e Kátia (a cega).

Vamos deixar uma coisa bem clara: brega não é qualquer porcaria que toca no Faustão não, ok? Tem que ser engraçado, peculiar, exagerado e, de preferência, antigo.

Há várias categorias de breguice musical, dentre elas:

O Brega Vintage: aquele antigão, dos anos 60 ou anterior. Destacando: Cauby Peixoto.

O Brega Clássico: de longe meu favorito, este sub-estilo teve seu ápice nos anos 70, mas seguiu embalando domésticas e caminhoneiros na década de 80, nas vozes de Lindomar Castilho, Waldick Soriano, Evaldo Braga, Gretchen, Sidney Magal, Odair José, Aguinaldo Timóteo, Carlos Alexandre, Perla, Rosana, Vanusa, Trio Los Angeles, Angelo Máximo, Giliard, Jane & Herondy, Kátia, Ovelha, Wando...

O Brega Dançante: querendo ser disco, alguns de nossos artistas, sem querer, produziram verdadeiras pérolas. Exemplos: Lady Zu, Sidney Magal, Gretchen, Frenéticas, Vanusa (que gravou I Will Survive em português)e a rainha Perla (com as versões de Abba, Culture Club, Baccara e Bonney M.).

Para ser considerado brega de raiz, é necessário que a lembrança do artista ou música assente por algumas décadas em nossa memória, de uma forma que desenvolvamos um certo carinho saudosista com relação a ela, diferente da irritação e desprezo que temos pelo dito brega que rola hoje em dia.

Na sala de espera para ganhar a coroa de brega:

Sara Jane (Vamos abrir a roda)
Carrapicho
Tremendo
Dominó
Via Negromonte
Tetê Espíndola
Luiz Caldas

A partir desta data vou, de vez em quando, destacar alguns vultos do brega nacional merecedores de nossa respeitosa lembrança.

O primeiro destaque é a aquela coisa... tem que ser especial, significativo, vultuoso e inesquecível. Não tive dúvida. Deu Pimpinela na cabeça!

Pimpinela

Esta dupla de irmãos argentinos (Joaquín e Lucía Galán) fez o maior sucesso por aqui nos anos 80, inclusive vertendo suas próprias canções para o português. A mais emblemática delas é sem dúvida OLVÍDAME Y PEGA LA VUELTA ou SIGA SEU RUMO, revitalizada, anos mais tarde, pela engraçadíssima Banda Vexame, de Marisa Orth.

Siga Seu Rumo

Ela:
Faz tanto que ele não liga pra mim,
Faz tanto tempo que tudo deixou de existir,
Agora que eu aprendi a viver, esquecendo este amor,
Ele aparece bem tarde da noite, e me diz que voltou...

Ela: Quem é??
Ele: Sou eu!
Ela: O que é que você quer??
Ele: Você!
Ela: É tarde!!
Ele: Por que?
Ela: Porque hoje sou eu quem não quer mais você!!

Por isso fora, esqueça meu nome, meu rosto, esta casa,
E siga seu rumo
Ele: Não consigo compreender!
Ela: Fora! Esqueça os meus olhos, meu corpo, os meus beijos e todo o meu mundo!!
Ele: Está mentindo posso ver!!
Ela: Fora!! Tá tudo acabado, esqueça que eu vivo, e não se surpreenda!
Esqueça de mim, que afinal pra esquecer você tem experiência!!

Ele:
Fui procurar emoções e por isso parti, em busca de sensações que nunca senti,
Ao descobrir que isso tudo era só fantasia, voltei!!
Pois, na verdade, o que eu quero e preciso é somente você!

Ela: Adeus!!!
Ele: Olhe pra mim!
Ela: Não, não quero mais falar!
Ele: Pensa em mim!
Ela: Adeus!!!
Ele: Por que?
Ela: Porque hoje sou eu quem não quer mais você!!

Por isso fora, esqueça meu nome, meu rosto, esta casa,
E siga seu rumo
- Não consigo compreender!
Fora! Esqueça os meus olhos, meu corpo, os meus beijos e todo o meu mundo!!
- Está mentindo posso ver!!
Fora!! Tá tudo acabado, esqueça que eu vivo, e não se surpreenda!
Esqueça de mim, que afinal pra esquecer você tem experiência!!
- Não dá, não dá, não dá!!!


E para quem gosta da coisa, no e-mule tem o vídeo desta música e também o mp3 da version dance. Corra lá!


4 comentários:

  1. Concordo plenamente, o brega perdeu o seu valor, hoje em dia. Nem Kelly Chaves, nem a Sandy e Juner conseguem se incluir no movimento brega. O neo-brega ou pos-brega não existe!

    Se um dia eu for fazer mestrado em sociologia essa seria o meu tema da dissertação.

    Pimpinela é o que há! O monitor daqui de casa deu pau, dois meses e dois taxis depois, voltando com o monitor, o motorista tipo bronco-careca-peludo estava ouvindo uma estação duvidosa. Não é que toca a dupla Pimpinela!

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  2. Refletindo sobre o assunto...

    O movimento brega-kitsch morreu com a cantora Rosana "Como uma deusa". Depois dela, ninguém mais!

    Saudades do Chacrinha e do Globo de Ouro!

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  3. Peloarmodedeus, Caféxico, você acabou de matar grande parte da minha pré-adolescência colocando os deuses do Dominó na sua lista de brega. Não que não seja. Mas é hoje. Antes era tudo de bom. Diferente de Rosana, que é rainha honorária! E maravilhosa! :)

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  4. Ai, eu amo tudo isso aí! E tem aquelas músicas italianas de fins de anos setenta, sabe? minhas tias solteironas tinham um disco chamado "Década Explosiva" que era uma mina de ouro. Anfã. Vou correndo! :)

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