31.1.06

O EFEITO BROKEBACK

Brokeback Mountain



A esta altura do ano passado, depois das indicações do Oscar serem divulgadas, só se falava em Closer. A bola da vez em 2006 é O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee, que estréia nos cinemas do Brasil esta semana. Coincidentemente ou não, ambos são filmes de impacto emocional inegáveis. Enquanto que o mérito de Closer é o texto, o de Brokeback é o subtexto, aquilo que não é dito, o que se sente. Garanto que o incauto expectador saído do cinema vai guardar muita coisa para si, depois de estimulado pelo amor em conserva que é este filme. Sim, voce leu bem, em conserva, armazenado a vácuo no peito, pronto para servir quando for conveniente ou possível, viável.

Com 8 indicações aos prêmios da Academia, Brokeback Mountain conta a história de dois homens que se conhecem no confinamento social da vastidão que é a montanha Brokeback, no Wyoming, enquanto precisam tomar conta de um rebanho de ovelhas. O isolamento traz a necessidade de se estabelecer uma certa intimidade que, num momento de embriaguez, leva ao sexo. Poderia ficar só nisso, como ficam inúmeras relações da vida cotidiana, mas, nesta história, sexo é a menor das coisas. Se voce pensar bem, sexo é raramente um problema, ele apenas acontece, por instinto ou necessidade. Já o amor, meus amigos, quando chega, a gente não pode fazer que não o vê ou sente. E aqui ele chega sem avisar e se recusa a partir.

A narrativa começa nos anos 60 e se extende por mais de 20 anos, lançando luz sobre a clandestinidade de uma relação que, a princípio, nos parece fadada ao fracasso. Ennis, o cowboy calado, durão e problemático, é interpretado por Heath Ledger com uma precisão comparável àquela de Steve McQueen em seus áureos tempos, ao passo que Jake Gyllenhaal confere a seu personagem, Jack, uma delicadeza inerte e corajosa. A colisão destes elementos tão antagônicos, somada à marginalidade da relação entre dois homens, faz de Brokeback um filme sobre a impossibilidade prática do amor, muito mais do que um filme a respeito dois cowboys gays, como nos sugere a mídia.

Ang Lee consegue tirar dos atores, especialmente Michelle Williams (da extinta série Dawson's Creek), atuações silenciosas e contidas, porém eficazes. E é exatamente no silêncio e no subtexto que o roteiro é mais poético e verdadeiro. Quando não se fala nada, se diz muito mais. Por isso agora me calo.

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29.1.06

MAD COLD

Mad Hot Ballroom



Uma das coisas mais imprescindíveis numa cidade como Londres, ainda mais neste frio de 2 a 10 graus negativos, é o aquecimento central. Pois digo-lhes que o nosso estragou. Meus pés congelados e os deles em Mad Hot Ballroom (documentário americano de 2005), dançam como se tivessem asas. O professor em mim chorou copiosamente, colegas. Altamente recomendável. Assista ao trailer aqui.

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Ô, meu povo, estou adorando os e-mails de voces! Leio tudo e respondo na medida do possível, viram?

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28.1.06

YOU GONNA WANT ME

Em Seu Lugar


I carry your heart with me(I carry it in
my heart)I am never without it(anywhere
I go you go, my dear; and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
i fear no fate(for you are my fate,my sweet)
I want
no world(for beautiful you are my world,my true)
and it?s you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you

here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that?s keeping the stars apart

I carry your heart(I carry it in my heart)

E.E. Cummings

Mais uma daquelas coisas que a gente não espera, Em Seu Lugar não é mais uma comédia romantica. O diretor de Garotos Incríveis consegue, mais uma vez, tirar de seus atores performaces inesperadamente boas, numa história que poderia ter ficado bobinha e, no entanto, se mostra surpreendente e tocante.

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Tiga SexorOuvindo sem parar o novo de DJ Tiga, Sexor a ser lançado dia 6 de fevereiro. Bom de doer, meus amigos.

Produzido por Tiga e Soulwax, o álbum tem, inclusive, uma versão (mais) electro de Burning Down The House, do Talking Heads.

O primeiro singe, You Gonna Want Me já toca em Londres e tem remixes de Jasper Dahlback e Isolée. Os vocais são de Jake Shears, do Scissor Sisters.

Ouça Burning Down The House aqui. No site oficial tem o vídeo, fantástico, diga-se de passagem.

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27.1.06

BREAK

Caros leitores,

Eu preciso de uma pausa. De, pelo menos um dia, dormir como gente. Por isso, neste exato momento, estou desligando tudo e ouvindo este álbum:




Depois de acordar, tomo uma café com voces, combinado?

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26.1.06

COM O DIABO NO CORPO

Laura Linney


Eu tenho aqui uma pilha de filmes para ver. A insônia amiga já não pede mais licensa para entrar e não vai embora tão cedo. Resolvi então assistir a O Exorcismo de Emily Rose porque miséria pouca é bobagem.

Primeiro porque tem a Laura Linney, que só faz coisa boa e acerta sempre no tom da interpretação. Segundo porque me interessam muito filmes a respeito do sobrenatural baseados em fatos reais. A verdade é que Emily Rose é muito bom e certeiro na sua visão contemporânea e pé-no-chão deste tema já cansado de ser revisto pelo cinema b desde que Linda Blair (em O Exorcista) vomitou seu primeiro jatinho verde, em 1973.

Um dos aspectos que distingue este filme dos outros sobre exorcismos é o fato de a narrativa se desenvolver a partir de um julgamento e a história nos ser revelada através de flashbacks muito bem dosados. Interessante também que em momento algum nos é negado o benefício da dúvida. Nosso conhecimento a respeito do caso Emily Rose se constrói junto com o da advogada de defesa Erin Bruner, na foto do post.

A quem se interessar, aqui conta a história de Anneliese Michel, a verdadeira Emily Rose.

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O fim de semana vai ser bom, meus filhos. Tem Brokeback Mountain, o filme e o conto (gentilmente enviado por Adelaide, a maloqueira mais bem informada que eu conheço), Manderlay, de Lars Von Trier e mais uns outros, ainda a caminho.

Ouvindo non-stop:






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25.1.06

DID YOU KNOW THAT TRUE LOVE ASKS FOR NOTHING?

In Stereo



Sim, já estava bem na hora de eu fazer mais uma compilation para a série Megeras In Stereo. Estava na hora, porque sim, porque as mulheres são um bafo e representam muitas mais. Também já não era sem tempo porque sabe-se lá o que o corpo de uma megera abriga nessas noites quentes de verão. E, mais ainda, porque, entre radinho fm e uma CALEXIco. Compilation, eu sou mais eu, meus filhos.

1. Barry White - Im Gonna Love Just A Little More (7:04)
2. Millie Jackson - (If Loving You Is Wrong) I Don't Want to Be Right (3:37)
3. Issac Hayes - The Look Of Love (11:14)
4. Minnie Riperton - Inside My Love (4:47)
5. Nina Simone - The Way I Love You (4:27)
6. Leela James - Don't Speak (4:46)
7. Kid Abelha - Parole, Parole (4:39)
8. Madeleine Peyroux - You're Gonna Make Me Lonesome (3:24)
9. Texas - Sleep (Feat. Paul Buchanan) (4:08)
10. Locust - Master And Servant (3:40)
11. Tori Amos - Thank you (3:49)
12. Diana Krall - How insensitive (3:33)
13. Tina Turner f. Barry White - In Your Wildest Dreams (3:52)
14. Stevie Wonder - As (3:28)

Vozes negras aconchegantes, sonoridade quente, parole, parole, parole. D'amore, come di consueto!

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24.1.06

As CQGNE

E. Hopper



As coisas que a gente não espera às vezes chegam de mansinho, como quem não quer nada, e nos beijam carinhosamente num afago terno. Ou não. Vêm como um furacão, varrendo tudo que há pela frente, e nos esbofeteiam irrascíveis.

As coisas que a gente não espera são faca de dois gumes, tanto podem trazer cafezinho recém passado, como pisar com botas barrentas no teu chão de madeira, tapume.

As CQGNE (assim as chamaremos) podem vir do estranho, cruzando teu caminho, fatalidade brutal; ou do colega aqui do lado, chamego normal.

As CQGNE são leituras diversas do que o espelho não nos diz, porção da gente que nunca ninguém quis, confissão do dia-a-dia, cabelo, peito, nariz.

As CQGNE nem sempre rimam, mas frequentemente me deixam feliz. Ou não, já que as CQGNE vivem de fazer surpresa e tem por regra nos acertar por um triz.

As CQGNE não têm tradução. Chegam em inglês, espanhol, catalão. Vire-se você para entender então.

As CQGNE são bonitas, horrendas, gostosas, fecundas, imaginativas. Bizarrice de loucura comum, sandice sem motivo algum.

As CQGNE por piores que sejam, salvam um dia de pieguice, de chorar no cantinho, de "...e meus amigos cadê?" e nos ocupam em resolver, entender, nos param no vácuo, apertando a tecla pause da coisa de viver.

CQGNE é a minha colega espanhola parar me olhando e depois suspirando dizer "Eres tan guapo, cariño..."

"Soy guapo en tu mirada y a mi me basta."

Me basta.

23.1.06

CV

She Reads



Fuçando aqui e acolá pela rede, descobri que em 2002 havia entre os blogs a febre do Jogo do Currículo, ao que me parece iniciado por Marina W. Nele, os blogueiros listavam seus feitos bizarros, extremos, cotidianos e sabe-se lá o que mais.
Como eu sou um desocupado de plantão, faço o mesmo.


*Quando eu nasci, o médico me deu por morto. Só fui dar o primeiro suspiro fora da sala de parto, quando tudo parecia estar perdido.

*Eu sou leão com ascendente em peixes e lua em sagitário. Meus amores mais dolorosos e duradores foram com peixes e minhas paixões mais rápidas e divertidas, com sagitário. Ao contrário do que dizem a respeito de leoninos, eu não sou egocêntrico nem gosto de aparecer.

*Aos 8 anos de idade me disseram que eu não deveria ser mais criança. Me recusei e me recuso até hoje. Ser criança é um privilégio do qual eu não abro mão.

*Eu tenho diarréia nervosa crônica, assim como meu irmão do meio e minha tia solteirona.

*Uma das coisas que me deixam mais enfurecido é gente sem educação.

*Quando pequeno (já que não me deixavam ser criança e sim "pequeno") eu preparava sanduíches de carne moída, dados por meu pai aos mendigos que batiam a nossa porta na hora do Jornal Nacional.

*Podem dizer o que disserem de mim, se tem uma coisa que eu faço bem é ser amigo.

*Eu nunca esqueço do olhar da minha mãe quando dançamos a valsa na minha formatura. Assista aos 15 minutos finais de O Sexto Sentido e voce saberá porque.

*Me chamaram de "opinativo demais" e sou mesmo.

*Eu tenho, normalmente, uma paciência quase inesgotável para aqueles que precisam de atenção. Mas eu detesto, desprezo quem a exige.

*Eu nunca tirei carteira de motorista.

*No Brasil, eu tenho centenas de cds.

*Aos 12 anos eu já lia Machado de Assis e José de Alencar. Não entendia nada , mas eu queria ler. Desde então, eu leio de tudo, insisto até que faça sentido. E, quando faz, eu choro.

*De vez em quando eu sinto e ouço espíritos.

*Eu não acho nada demais no Rio de Janeiro.

*Conheço pouca gente que conhece música e cinema como eu. Procuro ficar amigo de todos.

*O meu sonho é ganhar para escrever.

*Não como frutos do mar.

*Sou intuitivo demais. Faço quase tudo por instinto.

*Já escrevi artigos que foram publicados com os nomes dos meus professores.

*Eu vivo lendo pessoas. O tempo todo.

*Eu beijo muito bem. Transo muito bem. Quando estou com vontade.

*Um dia me disseram que eu não tenho noção do meu potencial. Eu respondi fazendo sotaque e entonação de cantora bahiana "Eu vou te contar que você não me conhece."

*Eu só tenho disciplina para amar. Para todo o resto, eu sou um caso perdido.

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22.1.06

TONY MONTANA

Scarface



Logo que eu cheguei em Londres, era muito difícil para mim entender a sujeira desta cidade. Afinal de contas, a gente chega aqui pensando que tudo será imaculado e colorido como nos filmes e fotografias. Depois de passar mais algum tempo convivendo com esta entidade que é a capital inglesa, a gente entende que esta não é mais uma cidade da Gran-Bretanha e sim uma colônia do mundo dentro da Inglaterra. Palestinos, indianos, asiáticos em geral, latinos e muitos, muitos brasileiros. A grande maioria, estrangeiros aqui de passagem, por meses ou anos, não cuida da cidade como se fosse sua casa e, curiosamente, nao trata sua casa como lar.


Aqui em casa moram duas polonesas, um chinês e um malasiano, cada qual com seu próprio quarto. As únicas áreas de uso comum são o banheiro e a cozinha e, assim como acontece com a cidade, ninguém limpa, porque, mesmo sendo de todos ( por isso o termo "área comum"), na verdade não é de ninguém. Assim é Londres em geral. Os donos da casa limpam e os convidados só sujam. Depois a gente tem má fama e não sabe porque.

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A frase mais legal e marcante de Scarface (na foto acima) é dita por Tony Montana logo no início do filme: "This city is like a pussy waiting to be fucked", referindo-se às possibilidades oferecidas por Miami a imigrantes latinos. Com roteiro pungente de Oliver Stone e direção de Brian de Palma, esta refilmagem do original de 1932 talvez seja o primeiro registro cinematográfico do gangster moderno. Imbatível na virtuosidade da fotografia e nas atuações, foi nele que Michelle Pfeiffer mostrou a que veio.


No Brasil há uma edição especial com 2 discos e extras para divertir qualquer fanático por horas a fio.

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21.1.06

ZODIAC




Foram divulgadas recentemente as primeiras fotos das filmagens de Zodiac, o aguardado filme de David Fincher (o mesmo de S7ven e Fight Club). No elenco, os dois queridinhos do cinema alternativo que em 2005 ganharam status de mainstream, Jake Gyllenhaal, de Donnie Darko e Brokeback Mountain e Mark Ruffalo, do lindo Minha Vida Sem Mim e Colateral. Jake faz o papel do jornalista Robert Graysmith que, infernizando a vida do policial Ruffalo, pretende investigar os crimes brutais do maníaco que se intitulou Zodiac, ocorridos em São Francisco entre os anos 60 e 70. Baseado na história real do serial killer que nunca foi descoberto, o filme ainda traz Robert Downey Jr. e Chloe Sevigny no elenco e não tem data oficial de estréia, muito embora tudo indica que ele seja lançado entre junho e julho de 2006. Esperemos, então, que o diretor volte a acertar a mão depois do fiasco de Panic Room.

Só para constar, David Fincher, antes de dirigir S7even, fazia comerciais e video clips. É ele o responsável por Freedom 90, de George Michael, Express Yourself e Vogue, de Madonna, talvez os vídeos mais marcantes na cultura pop da década passada.


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19.1.06

Laura Mars



Bom, só para deixar bem claro, hoje eu comprei laranjas. Muitas delas.

Cortei o cabelo. Abaixo de chuva.
Passei aspirador na casa. Deixei meu quarto arrumado e cheiroso.
Lavei uma tonelada de roupas.
Assisti O Melhor de Molly Shannon no Saturday Night Live, que eu amo. Morri de rir.
Escutei o remix novíssimo de Sorry, que Madonna praticamente implorou para os Pet Shop Boys fazerem.
Detonei uma caixa de pastilhas para a dor de garganta.
Senti saudade.
Falei com M. e fiquei feliz.
Falei com L. e fiquei triste.
Falei com E. e deu saudade.
Falei com J. e deu saudade.
Não achei R.
Não achei S.
Faz tempo que não falo com F.

**

Pelo menos o sol ja está se pondo um poquinho mais tarde, às 16h.

Quer dizer, a claridade some às 16h, porque o sol mesmo a gente não vê.

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17.1.06

CADÊ A MYRIAN RIOS?

Vai lacraiah



E o Dennis Carvalho? Eu sei, eu sei, é outro Globo de Ouro. Todos os anos a Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood se reúne para premiar os mais mais do cinema e da TV.

A categoria cinema é dividida em drama e musical\comédia, com os respectivos atores que representam filmes destes gêneros.

O melhor filme de drama foi Brokeback Mountain, mas poderia ter sido Match Point ou A History of Violence que eu já estaria igualmente feliz. Na verdade, para ser honesto, acho que este ano os Globos de Ouro foram bem justos. No entando, Matt Dilon em Crash dá de 10 a zero em tudo que o George Clooney fez, faz e irá fazer na vida. Da mesma forma, acho a Laura Linney de uma categoria que Reese Witherspoon sequer sonha em ter. Mas fazer o quê?

Veja a lista com indicados e ganhadores aqui.

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16.1.06

TOUT LE RESTE EST LITTÉRATURE

Jules et Jim



Do nada, de nada, alguém te estende a mão, no escuro, e te mostra a saída. Uma saída pelo menos. Te lê - um poema, te canta - uma canção, alivia um pouco da angústia. Te manda dormir, te mostra outro que não aquele que pensavas ser. Te mostra, ainda que muito sutilmente, que não precisas ser muitos para ser tu mesmo. Mais amado, esperado, estimado. Mais livre. Mais.

"O mundo não é dos espertos, é dos amigos.", deixou de testemunho para mim no Orkut o meu amigo Fuji. Eu viajo nesta frase de tempos em tempos.

Isto é só para te dizer que é assim mesmo. Um dia eu ajudo e no outro é a tua vez. Estamos combinados?

Asas de papelão, leitores. Asas de papelão. Nem queira entender. Um dia você ainda há de saber quê.

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Não, eu não estou sob influência de alucinógenos, só com preguiça de traduzir tudo que sinto e penso. Entenda como quiser, mas com carinho, pode ser?

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A foto do post mostra Jeannne Moreau, Oskar Werner e Henri Serre, em Jules et Jim, de Françoise Truffaut, um dos pais da Nouvelle Vague, a Onda Nova do cinema. Para Truffaut, sem a palavra não rola. Tem que ter diálogo, narração, explicação. E beleza, muita beleza.

Voilà, Truffaut!

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15.1.06

TROUBLE ME

Eu estou começando a cansar desta vida de diabético em confeitaria.

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Há situações,caro leitor, que...

ATENÇÃO: lá vem mais momento revelação cafeína, ou você não está só, como preferir.

Como eu estava dissertando, há situações em que o mais digno é rir. Só porque o mundo já está superpopulado de gente estressada, mal-amada, perdida, invejosa. Só porque a pressão é uma merda. Só porque você tem mais o que fazer da vida do que perder seu tempo (e seus nervos) por tão pouco. Só porque não vale a pena.

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Voltando à confeitaria, eu quero comer quindin e só me oferecem cocada dietética. Eu não quero! Não como! Não insiste! Gente chata... Se não for quindin, eu não como e pronto. I just won't go for second best, baby. Cocada diet não tem gosto de nada. Quindin é molhadinho, amarelinho, meladinho, docinho, gostosinho. É ou não é? É.

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E os brasileiros que moram no exterior têm o hábito constrangedor de achar que entendem inglês e espanhol como ninguém.
Meu colega trabalha de faxineiro num complexo de escritórios em Canary Wharf, centro executivo de Londres. A chefe é colombiana e fala aquele inglês de border jumper, por isso resolve que usar sua língua materna facilita as coisas com os brasileiros, seus subalternos. E eles concordam, justamente por causa da tal "habilidade" poliglota vigente aqui. Eis que la jefa ordena:

- Ponga toda la basura fuera!

E não é que a criatura joga fora todas as vassouras???

Ele conta dando risada. Isto só serve para provar a minha teoria do riso.

**

Ando ouvindo sem parar esta coletânea recém lançada dos 10.000 Maniacs. Um cd com os sucessos e outro com raridades delicosas, molhadinhas, meladinhas, docinhas, amarelinhas, do jeito que eu gosto.

No repeat, I Hope That I Don't Fall in Love with You, Do cd de raridades e Trouble me do cd de hits. Altamente recomendável!

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14.1.06

2 PÁGINAS

night listener



No próximo dia 21, estréia no Festival de Sundance, a premiação do cinema indie norte-americano, a adaptação do livro The Night Listener, o mais recente de Armistead Maupin, de que eu falei aqui. Nos comentários do meu post, Nino já cantou a pedra, fazendo seu habitual papel de Adido Cultural Cafeína, ao reportar em primeira mão que Toni Collette, de O Casamento de Muriel, faria o papel feminino principal.

Curiosos os efeitos da literatura em nossa vida. Mais curioso ainda que há momentos em que determinada obra te toca e você devora aquele livrinho, louco para saber até que ponto, ou melhor, a que ponto a hitória chega. Lembro bem que, a duas páginas do final de The Night Listener me deu uma dor. Talvez por saber que aqueles personagens, de quem eu havia ficado tão próximo, deixariam de me acompanhar nas minhas viagens de metrô, de me surpreender com seu distanciamento da obviedade, de me fazer chorar (pela beleza das palavras).

Acho que na vida é assim, quando a gente está a duas páginas do adeus é que a saudade aperta. E vamos lendo cada palavra procurando um sentido subliminar, passível de nos revelar mais amados. A gente volta para o início da história, ri, se comove, faz de tudo para não chegar no fim.

Para todos que me abraçaram apertado a duas páginas do adeus.Alguém me abraça, fazendo o obséquio?

13.1.06

ESTAÇÕES

Stations



Alain de Botton, escritor favorito daqueles que sabem o que é bom, é adorador de estações desertas, escuras. Habitadas por estranhos que em comum só têm a solidão. Segundo ele, estes desertos de dentro (nós) se atraem justamente por que mais vale ver no outro a mesma dor do que a miséria de estarmos sozinhos meio de gente "feliz". Talvez seja por isso que olhar um Edward Hopper nos enche de alegria dolorida, perene e tocante. Melhor dizendo, "enxergar" um Hopper.



O que eu quero dizer é que a vida, cidade grande de esquinas solitárias e luz baixa, por vezes nos revela vielas de felicidade e, em momentos mais brutos, nos aprisiona em becos escuros. Em um ou outro, te garanto, haverá um estranho calado, que carrega no sangue o mesmo DNA da tua dor.

**

O Caminho

Bebel Gilberto

Não quero mais seguir
Um só caminho
Tanta mágua, tanta dor
Dia após dia, sem parar

Prá que chorar
Com a mesma dor, tanta dor
Não quero mais pensar
No que vai ser

Somente com a dor
Eu te entendo melhor
Sabendo o bom da dor
Eu vou te guardar com muito amor

Capaz de um dia achar você
Sem nem mesmo esperar
E vou dizer não quero mais pensar
No que vai ser

Capaz de um dia achar você
Sem nem mesmo esperar
E vou dizer não quero mais pensar
No que vai ser

E vou dizer
Não quero mais pensar
No que vai ser

Escute amigo ouvinte.


12.1.06

HAPPY ENDINGS

Happy Endings



Finais Felizes. Todo mundo quer um.

Assista, urgentemente, dê um jeito, pirateire, passe no camelô ( ou camelot) mais próximo, baixe da rede, vá ao cinema. Minta, engane, faça maldade, dissimule, bata, esbofeteie, engravide, chantageie, venda o corpo, vire hippie, venda batique, lave roupa pra fora, sirva cafezinho, esfregue chão, lave, passe, cozinhe, toque oboé no metrô, faça grafite no calçadão, rifa na escola, jogue no bingo, no cavalo, no viado, cante em concurso de karaokê, compre a tele-sena, o bolão do Inter, raspadinha, depile, faça unha, pé e mão, seja calista, massagista, chantagista, maniqueísta, maquinista, chauvinista, vanguardista. Maconheiro, mochileiro, pedreiro, padeiro, patrulheiro, bagaceiro, fuzileiro, estanceiro, não importa, você vai gostar.

É o primeiro filme que eu vejo este ano já sabendo de antemão que vai ser bom e terminar bem.


HAPPY

***

11.1.06

HERE COMES THE SUN

BB



...e Tacel, meu amigo leonino favorito, me manda o poema em que Adrienne Rich (outra viciada em cafeína) menciona Nina Simone.

Ei-lo:

"I come home from you through the early light of Spring
flashing off ordinary walls, the Pez Dorado,
the Discount Wares, the shoe-store...I'm lugging my sack
of groceries, I dash for the elevator
where a man, taut, elderly, carefully composed
lets the door almost close on me. - For God sake hold it!
I croak at him - Hysterical, - he breathes my way.
I let myself into the kitchen, unload my bundles,
make coffee, open the window, put on Nina Simone
singing Here Comes the Sun...I open the mail,
drinking delicious coffee, delicious music,
my body still both light and heavy with you. The mail,
lets fall a Xerox of something written by a man
aged 27, a hostage, tortured in prison:
My genitals have been the object of such a sadistic display
they keep me constantly awake with the pain...
Do whatever you can to survive.
You know, I think men love wars...
And my incurable anger, my unmendable wounds
break open further with tears, I am crying helplessly,
and they still control the world, and you are not in my arms."


De Twenty-One Love Poems - Adrienne Rich
The Dream of A Common Language

Quem quiser ler os 21 poemas,
aqui.

**

Credo. Que coisa mais linda.

**

Falando em coisas de beleza triste, alguém que me lê teria à mão QUANDO SETEMBRO CHEGAR, crônica de Caio Fernando Abreu, do livro Pequenas Epifanias? Pode ser um scan das páginas em formato de foto, desde que legível. Pode ser pdf, pode ser digitado, qualquer coisa. A verdade é que meu livro tomou seu rumo nas mãos de não-sei-quem, não importa. Acho mesmo que livros, quando bons, têm que seguir adiante, assim como nós. Mas esta crônica em especial me faz uma falta danada aqui em London, London. Haveria uma alma boa, caridosa, descolada que me pudesse saciar a sede dele?

Muito obrigado!



**

Falando em tristeza, ando me achando muito injusto com meu coração. Por isso:

Eu Vou Rifar Meu Coração

Eu vou rifar meu coração
Vou fazer leilão
Vou vendê-lo a alguém
Não vou deixar o coitadinho
Viver sempre sem carinho
Ficar sempre sem ninguém


Amanhã mesmo eu vou sair
Sem saber aonde ir
Pelo mundo à procurar
Não me interessa a riqueza
Não me importa a pobreza
Quero alguém que saiba amar


Eu vou rifar meu coração
Vou fazer leilão
Vou vendê-lo a quem der mais
Eu vou rifar meu coração
Vou fazer leilão
Por amor carinho e paz

Do poeta, Lindomar Castilho. Escute aqui.

***

SEM FÔLEGO

Breathless



Há certas condutas que eu ainda vou precisar nascer de novo para compreender sem fazer julgamento de valor, negativo, no caso.

Meu amor,

Me corta o coração de saber que estás em casa sozinha, aos prantos e no teu apartamento novo só entram o bafo quente do verão invencível e a estagnação das idéias. De nada serve te mandar dormir, prometendo que amanhã tudo passa, porque, na verdade, fica. Tua dor é tua e dela só tu sabes.

Basta eu te dizer que da distância se tira que ela, mesmo implacavelmente tentando, não consegue nos desconetar? E que eu, por consequência, não me desliguei de ti um só momento desde que li teu e-mail? Basta?

Não. Eu sei que não basta. Também sei que nada que eu disser aqui vai te juntar os pedaços. Mas eu precisava te dizer.

Tá?

1000 Oceans


these tears i've cried
i've cried 1000 oceans
and if it seems i'm
floating in the darkness

well, i can't believe
that i would keep
keep you from flying
and i would cry 1000 more
if that's what it takes
to sail you home
sail you home
sail you home

i'm aware what the rules are
but you know that i will run
you know that i will follow you
over silbury hill
through the solar field
you know that i will follow you

and if i find you
will you. still remember
playing at the trains
or does this
little blue ball
just fade away

over silbury hill
through the solar field
you know that i will follow you
i'm aware what the rules are
but you know that i will run
you know that i will follow you

Ouve aqui e começa teu dia com ela para te fazer companhia.

**

Making Love

*Este post tem o selo de qualidade Making Love, garantia de amor e dedicação. "Making Love" e suas variações tipográficas são esclusividade de Megeras Magérrimas e CALEXIco. Unlimited e só pode ser utilizado perante expressa permissão do autor (eu, no caso).

*A foto acima é do filme A Bout de Souffle, ou Sem Fôlego, sucesso do cinema françês, sob a direção de Jean-Luc Godard, que abriu os anos 60 mostrando de antemão o carisma de Jean Paul Belmondo e a beleza de Jean Seberg, que, pasmem, era americana, mas morreu de overdose de barbitúricos em 1979. Em Paris, porque ela não era palhaça.

***

9.1.06

I GOT MY MOUTH

Nina Simone



Muito frequentemente, na tv o que presta mesmo são os comerciais. Na Inglaterra, "lead a Müller life", campanha da fabricante de sobremesas "saudáveis" Müller é um show de imagens na voz de Nina Simone, que canta (ain't got no) I Got Life. Aqui tem o anúncio para você assistir. Se quiser, óbvio. Não estou obrigando ninguém. Mas eu acho que se você veio até o meu blog, nao custa clicar no link para ver como é linda a propaganda com a música, igualmente linda. Custa? Mas, insisto, só assista se for de sua vontade, se você tiver tempo, paciência, disponibilidade. Não quero forçar a barra. Vale lembrar, no entanto, que passamos horas e mais horas vendo porcarias descartáveis na televisão, daí quando alguém quer te mostrar algo inovador, bonito, positivo, para cima, você faz esta cara de impaciente... isso é coisa que se faça?

Ah. Não falo mais. Ser insistente não é um dos meus muitos defeitos. Cada um faz o que a sua consciência lhe permite. Mas depois não me venha pedir o link de novo, por que eu tenho mais o que fazer.

Tô só avisando.

Ain't Got No/I Got Life
(1968) Gerome Ragni, James Rado, Gal McDermot

Ain't got no home, ain't got no shoes
Ain't got no money, ain't got no class
Ain't got no friends, ain't got no schoolin'
Ain't got no wear, ain't got no job
Ain't got no man

Ain't got no father, ain't got no mother
Ain't got no children, ain't got no
Ain't got no earth, ain't got no water
Ain't got no ticket, ain't got no token
Ain't got no love

I got my hair, I got my head
I got my brains, I got my ears
I got my eyes, I got my nose
I got my mouth, I got my smile

I got my tongue, I got my chin
I got my neck, I got my tits
I got my heart, I got my soul
I got my back, I got my sex

I got my arms, I got my hands
I got my fingers, Got my legs
I got my feet, I got my toes
I got my liver, Got my blood

Got life , I got my life

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8.1.06

Ele (eu, no caso) chega em casa às 6 da manhã, podre de cansado e pensa "agora eu capoto!". Ledo engano. Já são 11 horas, as polonesas flatmates já foram trabalhar, vááários relógios na vizinhança despertaram, o cachorro já latiu, o gato já miou, o galo já se recolheu e nada do sono vir.

Mente vazia, morada do diabo. Então vamos nos ocupar escrevendo.

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Ando viciado em Leela James. Tá certo que eu sou dependente químico de cantoras soul, mas esta abusou. Se a Joss Stone é uma branca com voz negra, Leela é uma negra com voz idem e atitude ibidem. Não bastasse gravar um dos álbums mais "vem-cá-me-beija" que eu escutei este ano, a mulher ainda mostra para aquela "camarada" do No Doubt como é que se canta "Don't Speak". Ouça
aqui e me diga se você não concorda.

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Enquanto no Brasil começa o Big Brother, aqui na Inglaterra o Channel 4 inventa um tal de Celebrity Big Brother, que estreiou na quarta-feira. Não se iluda. As supostas celebridades daqui equivalem àquelas do calão da Casa dos Artistas, ou seja, gente que "quase" foi alguma coisa, com seus 15 minutos de tablóide. Os ingleses adoram.

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Não dá para dizer que nisso que chamam de primeiro mundo t.o.d.o.s. são honestos e não há corrupção. Mas a gente sente que a grande maioria das pessoas se esforça para fazer tudo da forma mais justa e direita possível. Te dá mais gosto de fazer a tua parte, digo por experiência.

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Eu tenho medo de personalidade bipolar!

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Será que eu sou borderline?

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Faça um leonino feliz. Deixa um oizinho aí nos comentários, vai!



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7.1.06

THERE'S A HOME

Sacada



Uma das coisas (veja bem, COISAS) das quais eu mais tenho saudade aqui em Londres é o sol. Mais especificamente aquele sol que banhava minha sacada em Florianópolis. O mesmo sol que eu detestava por não me deixar assistir televisão à tarde, pois imponha seu reflexo na tela. Aí em cima, você vê registrado um dos meus últimos momentos no apartamento 701, do condomínio Valparaíso, na rua Fernando Machado, centro de Floripa.

Não é bucolismo hipócrita não. É real, palpável e autêntica a saudade que eu tenho da minha sacada iluminada. E do sol.

Confesso que eu gosto mais do sol da manhã. Alguém já pecebeu que de manhã o sol tem cheiro de novo? De grama recém aparada, café passado na hora, pão saindo do forno, "bom dia" de quem te ama, acordar com beijo, pão de queijo no caminho de praia, bronzeador em gel?

De manhã o sol ainda não deu conta de iluminar todas as paredes e a gente vê aquelas marcas da umidade que se escondem embaixo de uma marquise. Mais ou menos assim estamos nós a esta hora, frios da noite anterior ainda em processo de tirar o bolor.

Por estas bandas de cá, o bolor se mantém firme porque o sol não me alcança, porém aqueço a alma com o sol da minha sacada que queima aqui dentro."Ahhhhhhhhh. Como ele é chavão!"Tô nem aí proceis, detratores! Eu quero é sol!***

6.1.06

MORDENDO A LÍNGUA

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...e Cláudia Tajes, a moça que escreveu o livro de que eu falei aqui, achou este blog e deixou um comentário querido.

Cláudia, se tu ainda vens aqui, não me leva a sério não, viu. O que importa é que teu livro é divertidíssimo e está passando de mão em mão em Londres. Gaúchos, em especial, adoram.

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Cyndi Lauper
Cyndi Lauper lançou um cd acústico. Quem é "das antigas" vai adorar. No repeat Time After Time com Sarah Mclachlan.

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Também nos meus ouvidos, Collaborations, de Sinéad O'Connor, álbum que, como diz o nome, reúne colaborações da cantora com Massive Attack, Moby, U2, Peter Gabriel, Bom The Bass, Afro Celt Sound System e Asian Dub Foundation. Imperdível. O melhor do melhor de Sinéad.

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E o Marcelo tem me achado "confessional" demais nas coisas que escrevo. Daí, para piorar as coisas, me manda Behind The Wheel, do Depeche, tocada por Maxence Cyrin, uma coisa quase Eric Satie, suicidável, digamos assim.



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4.1.06

FOME

apenas uma laranja




Eu estou com fome. Eu sempre ouvi, desde pequeno, que não se faz nada de barriga vazia. "Saco vazio na pára em pé", me diziam meu pais. Mas escrever com fome te bagunça os sentidos e disso eu gosto muito. Hoje eu comi 2 torradas e tomei muito café. Há 6 horas. Então esta leveza do estômago vazio me deu vontade de escrever e de fazer balanços. Por incrível que possa parecer, não consigo evitar de lembrar que eu preciso comprar laranjas. Explico. Eu me gripo com facilidade, por conta da sinusite crônica, e umas 3 ou 4 laranjas por dia me mantêm saudável. Não vou filosofar dizendo que laranjas são simples e perfeitas, no formato, gosto e cor. Nem dizer que a gente gosta delas porque já sabe o que vai encontrar, porque é familiar e confortável, previsível. Eu preciso delas, gosto delas, assim, simples.

Também abundam na minha lista de coisas para fazer, ir ao correio, mandar cartões, cortar o cabelo etc. Cortar o cabelo é sempre uma decisão postergada ao limite. Síndrome de Sansão, me disseram uma vez. A verdade é que eu sempre saio mais leve depois de passada a tesoura. A coisa chegou no limite da razão e do bom gosto. Virou emergênca. Não há mais gel, mousse, cera ou pasta que segure. Então tá, amanhã!

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Por que é que o Nino tinha que lembrar no msn que eu estou sozinho tempo demais? Me diz! Bateu carência. Não de sexo. De conversar no escuro. De dormir abraçado. Daquela angústia de saber se o celular está com sinal bom. De brilharem os olhos quando se sabe que alguém tem o mesmo nome.

Passou.

Então, só depois de comprar laranjas é que vou procurar a metade da minha.

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Mary J

E o novo de Mary J. Blige, heim? Maravilhoso.

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Quando entre nós só havia
uma carta certa
a correspondência
completa
o trem os trilhos
a janela aberta
uma certa paisagem
sem pedras ou
sobressaltos
meu salto alto
em equilíbrio
o copo d'água
a espera do café

Ana C. comme d'habitude.

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ADIEU, LES ENFANTS!

Bárbara, Heliodora e Cordelie



...e lá se vão nossas heroínas. Bárbara, heliodora e Cordelie darão um breve adeus aos fãs, porque toda carreira de sucesso precisa um descanso para ressurgir com a devida grandeza.

Até mais ver, bonecas!

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Claro,em seu último post, nos deixam a dica: Altrove non importa dove, ou "em algum lugar, não importa onde",ou a nova casa de Cordelie K., um blog que promete. Leia o que ela escreveu sobre Brokeback Mountain, eu recomendo.

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2.1.06

FAREWELL,2005

Julia

O que sobrou de julia. 9 da manhã de domingo, 01/01/06, Soho, Londres.

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Restou muito pouco de mim.

Estou juntando os destroços.

A caixa-preta ainda não foi encontrada.

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