13.1.06

ESTAÇÕES

Stations



Alain de Botton, escritor favorito daqueles que sabem o que é bom, é adorador de estações desertas, escuras. Habitadas por estranhos que em comum só têm a solidão. Segundo ele, estes desertos de dentro (nós) se atraem justamente por que mais vale ver no outro a mesma dor do que a miséria de estarmos sozinhos meio de gente "feliz". Talvez seja por isso que olhar um Edward Hopper nos enche de alegria dolorida, perene e tocante. Melhor dizendo, "enxergar" um Hopper.



O que eu quero dizer é que a vida, cidade grande de esquinas solitárias e luz baixa, por vezes nos revela vielas de felicidade e, em momentos mais brutos, nos aprisiona em becos escuros. Em um ou outro, te garanto, haverá um estranho calado, que carrega no sangue o mesmo DNA da tua dor.

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O Caminho

Bebel Gilberto

Não quero mais seguir
Um só caminho
Tanta mágua, tanta dor
Dia após dia, sem parar

Prá que chorar
Com a mesma dor, tanta dor
Não quero mais pensar
No que vai ser

Somente com a dor
Eu te entendo melhor
Sabendo o bom da dor
Eu vou te guardar com muito amor

Capaz de um dia achar você
Sem nem mesmo esperar
E vou dizer não quero mais pensar
No que vai ser

Capaz de um dia achar você
Sem nem mesmo esperar
E vou dizer não quero mais pensar
No que vai ser

E vou dizer
Não quero mais pensar
No que vai ser

Escute amigo ouvinte.


3 comentários:

  1. Anônimo12:34 PM

    O senhor anda muito melancólico.
    Me aguarde...
    Ro

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  2. Melão-Cólico

    Ai, ai, a Bebel é tudo!!!Não é mesmo. Eu gosto dessa aí tumbém.

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  3. Carminha - a gorda9:22 PM

    Lindo!!! Que tristeza linda!!!

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