22.1.06

TONY MONTANA

Scarface



Logo que eu cheguei em Londres, era muito difícil para mim entender a sujeira desta cidade. Afinal de contas, a gente chega aqui pensando que tudo será imaculado e colorido como nos filmes e fotografias. Depois de passar mais algum tempo convivendo com esta entidade que é a capital inglesa, a gente entende que esta não é mais uma cidade da Gran-Bretanha e sim uma colônia do mundo dentro da Inglaterra. Palestinos, indianos, asiáticos em geral, latinos e muitos, muitos brasileiros. A grande maioria, estrangeiros aqui de passagem, por meses ou anos, não cuida da cidade como se fosse sua casa e, curiosamente, nao trata sua casa como lar.


Aqui em casa moram duas polonesas, um chinês e um malasiano, cada qual com seu próprio quarto. As únicas áreas de uso comum são o banheiro e a cozinha e, assim como acontece com a cidade, ninguém limpa, porque, mesmo sendo de todos ( por isso o termo "área comum"), na verdade não é de ninguém. Assim é Londres em geral. Os donos da casa limpam e os convidados só sujam. Depois a gente tem má fama e não sabe porque.

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A frase mais legal e marcante de Scarface (na foto acima) é dita por Tony Montana logo no início do filme: "This city is like a pussy waiting to be fucked", referindo-se às possibilidades oferecidas por Miami a imigrantes latinos. Com roteiro pungente de Oliver Stone e direção de Brian de Palma, esta refilmagem do original de 1932 talvez seja o primeiro registro cinematográfico do gangster moderno. Imbatível na virtuosidade da fotografia e nas atuações, foi nele que Michelle Pfeiffer mostrou a que veio.


No Brasil há uma edição especial com 2 discos e extras para divertir qualquer fanático por horas a fio.

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Um comentário:

  1. Lindo, teu comentário foi certeiro. Me senti verdadeiramente abraçado. O Rio está um inferno, eu estou cozinhando enquanto te escrevo, não sei por qual razão as máquinas não param. Verão, como se vende em revistas e o coração enrolado, em estrada de curvas que me levam sempre ao mesmo lugar. E eu descobri que eu posso mudar. Nãs as direções ou o conteúdo. Mas posso mudar a atitude. Dizer basta, chega, não, siga adiante. E assim tem sido. No fervor da temperatura, prefiro cortar do que deixar sobrar. Adoro Sacarface. Já te disse que esse teu retorno é luxuoso e é um prazer ler você e saber que sou lido. Essa troca, duas vias, como disse a Ro pra Solineuza, me deixa feliz. um beijo pra ti

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