28.2.06

MORE THAN ONE CARESS



Agorinha mesmo, lendo um e-mail desta mulher, deu um arrepio na espinha e uma vontade de sair correndo e colocar o pé na grama, sentir um solzinho na moleira, ouvir cachorros latindo, coisas assim meio triviais mesmo, ainda que raras no meu dia-a-dia.

Fui para Hampstead Heath, aqui na frente de casa, um parque enorme, de onde pode-se ver Londres inteira, dependendo de onde você estiver. Tirei fotos para turistas, assisti a cães exageradamente educados correndo de um lado a outro, sem coleira, e velhinhas passeando com seus casacos de gola de pele, espremidinhas, com as mãos enfiadas nos bolsos.

No Heath há vários lagos, inclusive um exclusivamente para senhoras e outro para cavalheiros. Acredite ou não, no verão a regra é rigidamente obedecida pelos frequentadores. Mas existem também os lagos que não são de ninguém. Fui frente a um desses que sentei. Distraído, pensando no que poderá ser, levanto despropositadamente os olhos e me dou de cara com este cisne grande e altivo flutuando placidamente pelo tal lago, encrespado pelo vento.
Culpa dela que me lembra dessas coisas:

"8 de fevereiro

Chorei três horas, depois dormi dois dias. Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite. E não ter nada além deste amplo vazio que poderei preencher como quiser ou deixá-lo assim, sozinho em si mesmo, completo, total. Até a próxima morte, que qualquer nascimento pressagia."

Caio F. do conto Lixo e Purpurina, de Ovelhas Negras.

Nina Simone, canta para voces, Caio e Glau, Wild is the Wind. ***

27.2.06

LIKE REAL LEATHER


Eu tenho um instinto que me sopra no ouvido sempre que ouço falar de alguma modinha que assola as rodas mudéééérrrnas. Ele sopra a seguinte frase "don't believe the hype", ou seja, não acredite que tudo isso é isso tudo que dizem. Tem sido assim com os ecstasy há anos. Eu ouço falar, as pessoas me contam da maravilha que é dançar sob o efeito do "e" ou da "bala", que a tua pele fica sensibilíssima, todos os sentidos ativados e aguçados, de que só se pensa em amar, em coisas boas ... os olhos brilham, como se lembrassem de uma visita ao paraíso.

O que eu posso falar, assim como expectador que vê este povo de longe, é que eles carregam uma expressão meio patética e lisérgica no semblante. E pulam. E pulam. E pulam. O ecstasy é uma droga que eleva a temperatura do corpo, desidrata e dá um sensação de aumento da resistência física. Aqui na Inglaterra, alguns morrem desidratados, já que água é artigo de luxo nos clubes, custa por volta de 10 Reais a garrafinha de 300 ml. No Brasil já me contaram de gente que morreu afogada porque virou a garrafa d'água muito bruscamente goela abaixo, o que me soa anedota pura.

Mas, enfim, o efeito do ecstasy que me preocupa mais é outro, afinal, pode-se morrer de qualquer bizarrice. É o efeito social que todas as drogas acabam surtindo, aquela seleção nem um pouco natural que se dá quando um determinado grupo descobre as maravilhas de se usar certo alucinógeno. Tudo bem, não estou aqui para julgar, mas quando o hype é muito, o santo desconfia.

Eu tenho saudade de quando não se precisava de nada disso para se divertir. Por isso, ouço a Ride a White Hourse, o single novo de Goldfrapp. Tão bom, ativa os sentidos, dá uma sensação de poder, uma vontade de amar...

RIDE A WHITE HOURSE

NOW TAKE ME DANCING
AT THE DISCO
WHEN YOU BUY YOUR WINNIEBAGO I WANNA RIDE ON A WHITE HORSE
I WANT TO RIDE ON A WHITE HORSE

WHEN THE LIGHT TURNS INTO DARKNESS
WILL HE TURN UP TO EXPLAIN US

I WANNA RIDE ON A WHITE HORSE
I WANT TO RIDE ON A WHITE HORSE

LEND ME A WHOLE NEW WORLD
ALL NIGHT
FEEL LIFE
WHEN IS THERE EVER SENSE
TO LOVE
THIS WORLD
IN THE WHIRLPOOL
WE'LL GO DEEPER
IN THIS WORLDS THAT'S
GETTING CHEAPER

I WANNA RIDE ON A WHITE HORSE
I WANT TO RIDE ON A WHITE HORSE

I LIKE DANCING
AT THE DISCO
I WANT BLISTERS
YOUR MY LEADER

I WANNA RIDE ON A WHITE HORSE
I WANT TO RIDE ON A WHITE HORSE

OH I LOVE THIS FEELING FEELS LIKE FOREVER
OH I LOVE THIS FEELING FEELS LIKE REAL LEATHER

DA SÉRIE MMs



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23.2.06

QUE U2, QUE NADA!

E a grande estrela do show do U2 em São Paulo não foi nenhum integrante da banda e sim Katilce Miranda. Só ganhar um beijo do Bono bastou para Katilce virar estrela da internet, tendo seu perfil no Orkut invadido por milhares de pessoas, que deixaram quase um milhão de scraps, desde declarações de amor a solicitações de detalhes a respeito da higiene bucal de Bono Vox.

Nós brasileiros somos um povo genial mesmo. Em que outro lugar do mundo alguém se chamaria Katilce?

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22.2.06

CHIQUE É SER INTERNACIONAL

Brega Hits Internacional



Bom, como toda trilha de novela, o Brega Hits estava pedindo pela sua edição internacional com clássicos do brega gringo. Algumas delas, para alguns, não são consideradas brega. Vai ter gente dizendo que faltou esta ou aquela. Vai ter neguinho ofendido. E também haverá que não ache graça nenhuma. Não importa, está aí para quem quiser.

1. Bonnie Tyler - it's A Heartache (3:30)
A Bonnie é a rainha mor do brega internacional. Não há o que comentar.


2. Air Supply - All Out of Love (4:02)
A favorita de 11 entre 10 domésticas apaixonadas.

3. Glen Medeiros - Nothing's Gonna Change My Love (3:47)
Da novela Bebê a Bordo, lembra?

4. Double - The Captain Of Her Heart (4:29)
Clássica do repertório da Antena 1.

5. Jennifer Rush - The Power Of Love (6:02)
Versão original de O Amor e o Poder, da Rosana.

6. Sandra - Maria Magdalena (3:57)
Ah....quem nunca dançou esta que jogue a primeira pedra.

7. Lionel Richie - Hello (4:09)
"Hello, is it me you're looking for?"

8. George Michael - Careless whisper (5:03)
O que era o permanente? E os reflexos? E as mechas??

9. Brian Adams - Heaven (4:03)
Tema de Jô Penteado, personagem de Christiane Torloni, na novela A Gata Comeu. Ai, como eu sou velho...

10. Gloria Estefan - Don't wanna lose you (4:11)
Primeiro hit solo de Gloria, depois do Miami Sound Machine, teve versão em português e tudo.

11. Dolly Parton - Jolene (2:37)
A Jolene era uma caixa de banco que deu em cima do marido da Dolly na época, impagável.

12. Bonnie Tyler - Total Eclipse Of The Heart (6:58)
"Turn around, bright eyes!"

13. Bette Midler - Wind Beneath My Wings (4:51)
Do filme Amigas para Sempre, numa época em que as pessoas morriam muito de câncer no cinema.

14. Baccara - Yes Sir I Can Boogie (4:28)
Brega e divertido, o sotaque das duas cantando inglês é o que há!

15. Desireless - Voyage Voyage (4:21)
Ahhhhh... Uma amiga minha namorava um cara casado que tinha um Voyage. Cada vez que tocava isso no rádio ela enlouquecia.

16. Europe - The Final Countdown (5:09)
Trilha de reportagem do fantástico. Breeeeeeeeeega!

17. Jimmy Cliff - Reggae Night (5:24)
Ai, a Rose (funcionária lá de casa) escreveu uma carta para a RCC FM Estéreo, de Rio Grande pedindo Régui Nait, do Dimy Clifi. Ela pediu para eu corrigir...

18. Laura Branigan - Gloria (3:53)
Segunda diz a letra, Glória era mulher ocupadíssima, todos chamavam seu nome...

19. Locomia - Locomia (3:54)
Ah, pois é... aqueles leques gigantes e os modelos rococó...sei não...

20. Rod Stewart - Da Ya Think Im Sexy? (5:27)
Existe coisa mais brega que isso?? O vídeo também é um primor...

Baixe aqui.

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21.2.06

TROPICÁLIA E FLOCOS DE NEVE

Tropicalia



De 16 de fevereiro a 21 de maio acontece no Barbican Centre, aqui em Londres, a mostra Tropicália, com exposições de arte, shows de música, dança e teatro. O mesmo de sempre, shows de Gilberto Gil e Gal Costa, o "antropofágico" Macunaíma representando nosso cinema , aquele lero-lero de sempre, pra gringo ver. O mais legal da programação é Nó, de Déborah Colker em abril. Este eu não perco por nada.

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Deu no Sunday Times do domingo passado que Aeon Flux, o novo de Charlize Theron, é uma mistura de Matrix com Teletubbies. Ganhou meia estrela na classificação geral e, segundo o jornal, pode dar a Charlize sua primeira Framboesa de Ouro, o Oscar do mundo bizarro.

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E o show dos Rolling Stones no Rio foi notícia em todos os jornais aqui, ao que parece, eles acham estranhíssimo que a banda ainda lote shows em algum lugar.

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No Brit Awards, semana passada, Madonna agradeceu aos grupos e artistas ingleses pela inspiração, ao receber o prêmio de melhor artista internacional. Pet Shop Boys, Goldfrapp, Stewart Price, todo mundo menos Guy Ritchie. Hum.

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Diz a lenda que um garçon brasileiro encontrou Dannii Minogue no restaurante do hotel onde trabalha e perguntou "Você não tem uma irmã famosa?". Parece que ela não gostou.

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O Celebrity Big Brother é um lixo, infinitamente mais desclassificado que a Casa dos Artistas. Deveria se chamar Casa de Repouso para ex-celebridades Senis.

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Hoje nevou. O melhor de tudo é que eu estava atravessando a rua e os flocos de neve começaram a chover, embranquecendo o asfalto.


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Eu ando carente, mais do que o normal. Só para constar.


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20.2.06

DON'T ASK ME WHY

Isto, meus amigos, é um vídeo de 1989. Música e imagem imbatíveis até hoje.



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MUNICH

Munich



Em setembro de 1972, durante as Olimpíadas de Munique, 11 atletas Israelitas foram sequestrados e assassinados no que seria o primeiro ataque terrorista da era das transmissões ao vivo. O filme de Steven Spielberg conta a história do que aconteceu depois do atentado, suas implicações diplomáticas e os meandros do terrorismo internacional.

Um filme de qualidade impecável, mas com um roteiro um pouco arrastado e lento. A reconstrução do figurino da época é precisa e marcante, desde os óculos Ray-Ban às camisas ajustadas e calças boca de sino. Spielberg caprichou também no casting. A nata dos atores europeus está aqui, Daniel Craig (o novo James Bond), Mathieu Kassovitz (de Amelie Poulain)e Mathieu Amalric. Há também uma inegável sofisticação nas cores e na fotografia. Ao contrário de Guerra dos Mundos, Munich pertence a um diretor de identidade estética própria. De vez em quando ele acerta.***

17.2.06

NOSSA SENHORA DO FIM DE SEMANA



Orai por nós.

Perdoai quem nos queimar com cigarro.
Perdoai nossas ofensas alcóolicas,
assim como perdoamos a quem nos tem ofendido.
Não nos deixei cair em tentação,
nem permita que a tentação caia em nós.
Livrai-nos do mal.

Amém.

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15.2.06

SUFFER WELL

Sempre que eu me confesso fã do Depeche Mode, inevitavelmente me perguntam se eles lançaram alguma coisa depois de Enjoy The Silence que, veja bem, é de 1990. Lançaram sim, amigo. Depois de Violator ( o álbum que tem Enjoy), eles lançaram mais quatro álbuns de estúdio, um ao vivo, um greatest hits e uma coletânea de remixes.

E é do último deles, Playing the Angel, que sai Suffer Well, o terceiro single do álbum. As capas das três versões são um primor de auto-humor, muito bem-vindo, principalmente numa época que as bandas andam se levando tão a sério.

Eu, a princípio não sou muito fã de bandas, acho todas muito cliché, muito iguais. Não gosto de Coldplay, nem de U2, muito menos de velhos alcóolatras que se acham radicais. Mas, Depeche, Placebo, Hole, Nine Inch Nails, Manic Street Preachers e The Killers são bandas que soam diferente das outras, por isso me agrada muito ouví-los.

Aqui na Inglaterra geralmente os singles saem em 3 partes. O Cd1 com a musica original e um lado-b inédito, um CD2 com remixes e um DVD-Single, com o vídeo e mais uma ou duas faixas.

No CD2 de Suffer Well tem remixes de Tiga e Narcotic Thrust, razão suficiente para tê-lo.

Sai só dia 10 de março, mas eu já estou ouvindo desde sábado.

"Just hang on
Suffer well
Sometimes it's hard
It's hard to tell"


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14.2.06

GOOD NIGHT, AND GOOD LUCK


Mais uma vez George Clooney acerta a mão na direção. Good Night, and Good Luck é um filme pertinente e sagás com atuações marvilhosas, especialmente de David Strathairn ( no papel do jornalista Ed Murrow), sério concorrente de Phillip Seymour Hoffman ao Oscar de melhor ator. Só que este é um daqueles filmes corretos, bem feitinhos, mas que, no entanto, deixam aquela sensação de que falta alguma coisa. Sim, falta profundidade, complexidade, ousadia, mas não chega a comprometer.

A trilha sonora, toda cantada por Dianne Reeves é um capítulo a parte, com standards do jazz de Cole Porter e Nat King Cole inseridos na trama em momentos estratégicos.

Como ator, George Clooney está...bem...George Clooney, igual a tudo que ele já fez.

Para quem não sabe, o senador Joseph McCarthy e sua trupe instalaram o terror durante a "caça às bruxas", no período pós-guerra nos Estados Unidos. Para eles, até que se provasse o contrário, todos eram comunistas e subversivos. Mais ou menos da mesma forma que as coisas funcionavam no Brasil com o AI-5, durante a ditadura militar, patrocinada pelo mesmo governo, a fim de estabelecer o pânico, evitando que o ideal comunista de espalhasse pela América Latina. Edward R. Murrow, repórter da CBS, foi o primeiro jornalista vultuoso a colocar no ar matérias que expunham os métodos reacionários do senador McCarthy.**

Guerolito

Ouvindo sem parar, Guerolito, o álbum de remixes de Guero, um dos melhores de Beck, lançado em 2005. Quase melhor que o original. E olha que isso é raríssimo em se tratando de álbum de remixes.

No repeat: Terremoto Tempo (Earthquake Weather) [Mario C Remix]Se você gosta de música eletrônica, escute.

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13.2.06

TORREMOLINOS 73

Torremolinos


Nos anos 70, um vendedor de enciclopédias ( Javier Cámara, o Benigno de Fale com Ela) acaba, por eventos inesperados, levado a dirigir a esposa ( Candela Peña, de Tudo Sobre Minha Mãe) em filmes pornôs caseiros em Super 8. Ele almeja o sucesso como diretor de cinema, como seu ídolo, Igmar Bergmann. Ela quer ter um filho mais do que tudo na vida e está disposta a qualquer sacrifício para tanto.

Torremolinos 73 é um filme de humor sutil, roteiro inteligente e estética impecável, especialmente na riqueza de detalhes. Leve e sem pretenções, ele acaba te pegando justamente porque não se espera muito dele. A direção, no entanto, poderia ter tirado mais de atores tão bons quanto estes. Muitas piadas que fazem referência a clássicos do cinema ficam perdidas, esperando serem melhor desenvolvidas e a trilha sonora poderia ser mais variada. Mas o saldo é bom. Assista.


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Já A History of Violence, de David Cronenberg, era tudo que eu estava esperando para dizer que Crash não foi o filme do ano. Cronenberg (diretor daquele outro Crash, o de 1996) gosta de dirigir esquisitices, nem sempre tão geniais como aquelas de David Lynch, mas sempre provocantes e contemporâneas. Violência é o que não falta aqui, desde cabeças explodindo a criancinhas sendo assassinadas a sangue frio, espere ver de tudo. Os norte-americanos adoraram, aplaudiram, o que é bem compreensível, já que eles andam numa época em que é necessário refletir muito a respeito da sua prórpria violência. Ou seja, Crash é, de fato, o filme de 2005. E não me interessa o que digam no dia 5 de março.

10.2.06

CAPOTE



"Até uma manhã, em meados de novembro de 1959, poucos americanos - na verdade, poucos moradores do Kansas - tinham ouvido falar de Holcomb. Como as águas do rio, como os motoristas na autoestrada, e como os trens amarelos que voam pelos trilhos de Santa Fe, drama, na forma de acontecimentos excepcionais, nunca havia parado aqui." (de A Sangue Frio)

A National Society of Film Critics (NSFC) elegeu Capote o melhor filme de 2005 , no famoso restaurante Sardi's de Nova York, dia 07 de janeiro. O Globo de Ouro de melhor ator de drama foi para Phillip Seymour Hoffman, então não se espante se alguns Oscars forem adicionados aos méritos deste filme.

Eu só acho que Capote não deveria ter este nome, porque te leva a pensar que é um filme sobre a vida de Truman Capote. Não é. Na verdade, o enredo se limita ao período em que Truman escreve seu revolucionário "romance de não-ficção" A Sangue Frio, um estudo sobre a tragédia que abalou a cidade de Halcomb, Kansas, quando uma família inteira foi executada por dois sociopatas. O autor na época (1959) trabalhava para a revista The New Yorker e pretendia escrever uma reportagem a respeito do crime, porém, ao conhecer os supostos assassinos, identifica-se com sua miséria e enxerga em sua tragédia o que há de humano e faltoso em si próprio.

Truman Capote escreveu a peça Breakfast at Tiffany's, que virou o filme Bonequinha de Luxo com Audrey Hepburn, e vários roteiros para Vittorio de Sica, John Huston e Jack Clayton. Junto com Gore Vidal e Tennessee Williams, Capote faz parte do triunvirato gay/intelectual da era do macartismo, cujos enredos homossexuais eram inteligentemente travestidos para se adequarem à moral vigente.Morreu antes de completar 60 anos, em agosto de 1984, de overdose de drogas e sozinho.Phillip Seymour Hoffman está tão impressionantemente bem no papel principal, que a gente esquece que existiu outro Capote na vida real. É Oscar fácil, fácil.
**

E Madonna com Gorillas no Grammy, heim? Alguém aí lembra de quem ganhou o que na premiação? Nem importa.

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Ouvindo: Touch do Eurythmics, edição remasterizada recém lançada, com a faixa extra Who's That Girl acústica. Ouça aqui.



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8.2.06

Cafeína Classics - COM A MALDADE NA ALMA

Bette Hush


Depois do estrondoso sucesso de O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (1963), foi solicitado ao diretor Robert Aldrich que repetisse o duelo estelar de Bette Davis e Joan Crawford. Bette, que havia sido indicada ao Oscar em 63, escolheu o projeto, Whatever Happened to Causin Charlotte?, do mesmo autor de Baby Jane, Henry Farell. Só que, enquanto a Sra. Davis estava por cima da carne seca, Joan Crawford teve de se submeter a condições de trabalho humilhantes durante as filmagens, obrigando-se a abandonar o projeto pouco mais de um mês após seu início. Foi logo substituída por Olivia de Havilland.


Na foto ao lado, Joan fazendo os testes de cabelo e figurino para o papel da prima Miriam. Ao assistir a Com a Maldade na Alma (sim, este é o título em português, vá entender...) a gente fica constantemente imaginando como Joan seria perfeita para o papel da prestativa Miriam, que volta para o sul dos Estados Unidos a fim de ajudar a prima Charlotte, aparentemente assombrada pelo namorado assassinado.

Na minha opinião, falta a Olivia de Havilland (a mesma de ...E o Vento Levou) aquela loucura cortez que Joan Crawford conferia tão facilmente a seus personagens, deixando sempre uma dúvida a respeito de sua integridade mental e emocional.Mas o resultado continua sendo fantástico. É divertido ver como o gênero do terror/suspense evoluiu através dos anos. Este, meus caros, foi o primeiro filme de terror na história a ser indicado a 7 Oscars.

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5.2.06

FAST CAR

Taxi



A caminho da casa nova, o taxista pergunta:

- Que língua vocês falam no Brasil?
- Português.
- Porque?
- Por que fomos colonizados por portugueses e absorvemos seu idioma.
- hum.

Passados 20 minutos:

- O Brasil é na Europa?
- É. Entre Portugal e Espanha.


Ah. Hoje eu não tive paciência de ficar explicando.

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E o flat novo tem uma cama enoooooooorme. E tudo mais de bom que deveria ter. Ao entrar, já vi de cara, dois cds: "Getz & Gilberto" e "Songs for distingué lovers" de Billie Holiday. Tô em casa. Mesmo.


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GOODBYE

Los Amantes del circulo Polar

Eu nunca pensei que a vida fosse tão louca. Que as vezes a gente precisa tirar a felicidade (arrastada pelos cabelos, se debatendo)de momentos. Daqueles bem breves, ora provenientes das coisas que a gente não espera, ora previsíveis como a xícara de café fumegante que eu preparo todos os dias. Eu não sabia que ela (a felicidade), assim como café no inverno, esfria num piscar de olhos se a gente não aproveitá-la enquanto está fumegante. E identificar este momento ideal é um exercício de deslocamento, deste vulto que por vezes nos tornamos, para fora da sombra.

Nem eu sei bem do que estou falando, não se preocupe.

Falando em deslocamento, amanhã eu me mudo. Na verdade venho me mudando há tempos, só que a de amanhã é uma mudança do tipo deslocamento geográfico na mesma cidade.

Eu preciso empacotar tudo (que na verdade não é muito), só que empacotar é fazer malas, jogar coisa fora, projetar as fomes de amanhã, ter sonhos estranhos, informar endereço novo, limpar, limpar, limpar, sem deixar vestígio.

Mas como Deus raramente erra a mão, o lado b deste disco é mais alegre. Tem o êxtase de casa nova, quarto novo, de tela branca esperando a primeira pincelada, o primeiro espreguiçar na cama nova, o primeiro banho de banheira (ah, isso aqui é tão bom, esta coisa de estar frio de temperaturas negativas lá fora e você cercado de água quente por todos os lados), o primeiro café passado na cozinha mais clara e espaçosa, tudo parece simples e fácil. E possível. Quem sabe alguma CQGNE não me dá uma chance de pegar aquela felicidade pelos cabelos e levar para a casa nova?
Quem sabe?

**

Quem sabe?




Ouvindo sem parar o novo do Placebo, Meds, a ser lançado em 13 de março.
Eu não esperava menos deles. Bom de cortar o coração. Tem dueto com Michael Stipe, do R.E.M. e VV do The Kills.
No
repeat, Song to Say Goodbye. Porque, neste blog, dizer adeus faz parte do nosso show.


Na foto que ilustra o post, um dos filmes que eu mais adoro de Julio Medem, o mesmo de Lúcia e o Sexo, Os Amantes do Círculo Polar, bonito que dói.

***

3.2.06

CHIC É TER BOM HUMOR


Para você, leitor amigo, começar um fim de semana divertido, nós aqui da redação (eu, no caso) compilamos pérolas do cancioneiro brega brasileiro, daquelas que você ouvia na rádio AM, enquanto lava a louça. E você, motorista amigo, já amargou muita dor de cotovelo e tomou muita cachaça ao som destes clássicos, é ou não é?

Aqui estão:

CD 1 - As Românticas

1. Wilson e Soraia - Total eclipse do amor (4:47)

Sim, esta é uma versão de Total Eclipse of the Heart, de Bonnie Tyler.

2. Jane & Herondy - Não Se Vá (4:17)

Súplica clássica pela volta do amor perdido das tardes de sábado no Chacrinha.

3. Amado Batista - Amor Perfeito (3:09)

"No hospital, na sala de cirurgia, pela vidraça eu via você sofrendo a sorrir"

4. Pimpinela - Siga seu rumo (3:03)

"Esqueça meu nome, meu rosto, esta casa/ e siga seu rumo!"

5. Carlos Alexandre - Nosso Amor Virou um Lixo (2:29)

Que Roberto, que nada! Carlos Alexandre é o Rei!

6. Marcio José - O Telefone Chora (3:57)

Só ouvindo para crer

7. Perla - Fernando (3:39)

Versão para.... Fernando do Abba!

8. Wanderléa - Foi Assim (4:18)

Tema de Nissinha, personagem de Marisa Orth, em Rainha da Sucata. Lembra?

9. Rosana - Nem Um Toque(5:11)

"Olho pro casal da mesa ao lado/ beijos e abraços apertados/ e eu querendo te dizer "muito prazer"

10. Vanusa - Paralelas (3:08)

Clássica da Vanusa, eu lembro dela num conversível pelas ruas do Rio no clip que passou no Fantástico.

11. Wando - Safada (3:45)

"Vem minha safada / vem minha bandida, minha descarada"

12. Eliana De Lima - Undererê (3:27)

Precisa comentar?

13. Cesar Sampaio - Secretária da beira do cais (2:49)

Dá pra sentir a vibe, né?

14. Bartô Galeno - No Toca Fita do Meu Carro (3:54)

Outro clássico inegável que pouca gente conhece.

15. Angela Maria e Agnaldo Timóteo - Nuvem de lagrimas (4:24)

Ahhhhhhh...pra cantar em coro com os amigos no churrasco!

16. Perla - Pequenina (4:30)

Na voz da Perla, tudo vira ouro! Chiquitita, do Abba.

17. Bonus Track - Pinpinela - Solo Hay Un Ganador.mp3

Outra versão do Abba. Adivinhe. Ora pois, é The Winner Takes It all, en español!

**CD2 - Discotéque!

1. Vanusa - I Will Survive (Eu Sobrevivo) (3:59)
No início dos anos 80, Paulo Coelho, o imortal, lavava chão e servia cafezinho na indústria da música. Para sobreviver, escreveu esta versão de I Will Survive para Vanusa.

2. Perla - Rios da Babilonia (3:12)
Sucesso do Boney M. (per)vertido por Perla (quem mais??)

3. Banda Vexame - Siga seu rumo (3:23)
Aquela mesma do Pimpinela, só que aqui cantada por Marisa Orth, nos tempos da Banda Vexame.

4. Frenéticas - Vingativa (2:35)"
Você fez de mim uma hipróquita/uma mulherrrrr sem larrrr"

5. Angelo Máximo - Dia feliz (3:00)
Tão boa, mas tão boa, que você vai esquecer que é brega!

6. As Marcianas - Vou Te Amarrar na Minha Cama (3:32)
"... só vai fazer amor comiiiigo"

7. Carlos Alexandre - Vá pra cadeia (2:17)
Mais uma do Rei. "Estou arrependido de um dia ter sofrido por uma mulher tão feia"

8. Lindomar Castilho - Nós somos dois sem vergolha (3:28)
"em matéria de amar, eu te amo, tu me amas, mas brigamos sem parar"

9. Lady Zu - A Noite Vai Chegar (3:56)
A Donna Summer brasileira em seu hino mor.

10. Gretchen - Conga Conga (3:21)
heheheheheh

11. Perla - Como, como posso (4:18)
Mais uma que a Perla apronta. Mas esta é tão boa que eu vou fazer suspense.

12. Gretchen - Freak le boom boom (3:44)
:D

13. Rosana - O Amor e O Poder (4:10)
"Como uma deusaaaaaaa, você me mantééééééémmm"

14. Sidney Magal - Tenho (Remix) (3:40)
Magal é rei, ô ô ô!

15. Perla - Eu Sei Tudo Professor(3:23)
Versão de Yes, Sir ( I Can Boogie), do Baccara, que já era brega em inglês.

16. Gretchen - Melô do Piripiri(2:52)
Não iam me perdoar se eu deixasse esta de fora.

17. Evaldo Braga - Sorria, Sorria (3:12)
Sorria, meu bem, Sorrrrriiiia

18. Banda Vexame - Vingativa (3:54)
Bonus track: a mesma das Frenéticas, porém impagável com a Banda Vexame.

19. Fabio Junior e Bonnie Tyler - Sem Limites pra Sonhar (4:20)
Fechando com chave de ouro, este chill out brega, dueto de Fábio Jr e Bonnie tyler.

**Tá eu sei, ficou muita coisa boa de fora. E você deve estar torcendo o nariz para aquelas que nem sequer conhece. Mas confie no meu taco, vale a pena!

2.2.06

CORRENTE DO BEM

1. Pegue o livro mais próximo de você
2. Abra-o na página 23
3. Ache a quinta frase
4. Poste o texto em seu blog junto com estas instruções

"Ela disse a Louis B. Mayer que não apenas se comportaria e seria uma lady a partir daquele dia, mas, com a sua bênção, ela tinha intenção de se tornar a maior e mais brilhante estrela que a Metro-Goldwyn-Mayer jamais produzira."

A respeito de Joan Crawford, do livro Joan & Bette - The Devine Feud, de Shaun Considine.

Juro por Deus que só o que eu precisei fazer foi passar a mão embaixo da cama pra encontrar este livro.



Corrente iniciada pela Fal e continuada pela Ro.


***