31.3.06

O CAÇULA ASSASSINO

Moloko Velocet



Tem horas que não sei, não...

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Eu sou tão cínico, tão crítico que...

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Putz, está difícil terminar um pensamento. Vamos fazer um trato? Deixe você alguma coisa de útil, bonita, gostosa de ler, interessante pra mim. Eu estou exausto de tudo, desculpem.

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The youngest was the most loved
The youngest was the shielded
We kept him from the world's glare
And he turned into a killer
Retroussé nose
Turned up and mischievous
Forget-me-not eyes that cried if we ever left his side
There is no such thing in life as normal
There is no such thing in life as normal


Morrissey - The Youngest Was The Most Loved - do álbum novo, Ringleader of the Tormentors


Hoje eu estou perigoso.


30.3.06

ONDE ANDARÁ MAIAKOVSKI?

Quatro


Roberta e Gláucia fizeram posts elogiando o template novo. Agradicido. Vocês são Cafeína até a alma.

E Nino custa a postar. Mas a espera é sempre bem recompensada. Ontem ele, na sua habitual nonchalance, deixou um tapa para quem tivesse face a oferecer:

"Amar não é aceitar tudo. Aliás: onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor."
(Vladimir Maiakovski)

E o leitor se pergunta "Quem é este tal de Maiakovski?". Ele é apenas um dos expoentes maiores da poesia moderna Russa - quem em sã consciência não conhece literatura russa, meu pai do céu?? . Óbvio, Vlad era revolucionário de plantão. Nascido no dia 19 de julho, não poderia ser outra coisa que não um encrenqueiro barraquento, não é Cristina?

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E a De fez um post imperdível sobre a dita bissexualidade de Ana Carolina, o jamantão a 500 por hora.

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E você leitor assíduo, que acessa este blog do trabalho, depois do almoço e no final do expediente, baixa as músicas, ouve os cedês de que eu falo, vê se deixa um comentário, eu não mordo.

Se não quiser deixar, também, problema seu.

TORMENTORS

Há blogs muito bons na internet. Tem uns assim, como diria, intelectualizados, politizados, papo-cabeçados, socialmente-pertinentezados, conscientizados que também são ótimos, mas os posts são looongos, o que os torna chaaaatos demais.

Puramordedeus, criaturas, onomatopéias de risadas, além de um recurso pobre, são irritantes ao extremo, denotam completa falta de noção do(a) autor(a). Ex: HauHauHauHau ou rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs. Dentro de um texto fica péssimo. Nos comentários, tudo bem.

Eu sei, tem gente pensando "mas quem é ele pra falar???", né? Mas eu falo assim mesmo.

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Ringleader of the Tormentors é o álbum novo de Morrissey. O primeiro single é You Have Killed Me. Como diria meu pai a respeito de Charles Bronson, "Ele é meu fã!" Coisa muito fina, mes amis!

Para Taz, meu velho amigo, Life is a Pigsty. Baixe e lembre de nossas conversas a respeito de certas pessoas.








28.3.06

O GRANDE T


Terminar um relacionamento, seja ele com quem a gente namora, tem amizade, trabalha, tico-tico no fubá, etc, não é das coisas mais fáceis, muito embora seja o mais coerente e correto a ser feito, pelo menos a longo prazo. E a gente sofre, eita como sofre!

Chega uma hora que dá um estalo, do nada, e você se dá conta que está melhor assim, do jeito que for.

A verdade é que os relacionamentos amorosos andam cada vez mais frágeis e aquela corda na qual nos equilibramos para manter - juntos - o namoro, ultimamente anda esticando muito pouco antes de arrebentar.

Não, nem venha, eu não namoro há um tempão. Falo isto tudo por ouvir daqui e de lá resmungos e choromingos. As pessoas já não sabem mais se amam, nem se "vale a pena".

"Suspiro tanto quando penso em você, chorar só choro às vezes, e é tão freqüente. Caminho mais devagar, certo que na próxima esquina, quem sabe. Não tenho tido muito tempo ultimamente mas penso tanto em você que na hora de dormir vezenquando até sorrio e fico passando a ponta do meu dedo no lóbulo da sua orelha e repito, repito em voz baixa te amo tanto dorme com os anjos."
Caio F. Carta Anônima - Pequenas Epifanias

Sim, eu vivi amores assim. Já chorei lendo isso, escrevendo atrás de um postal - ou seria um cartão? - não importa. Eu chorei porque o meu amor era tão grande, tão maior que qualquer bobagem, que grifes, chatices, manhas, dinheiro, trabalho, cotidiano, ciúmes, obrigação. Chorei porque alguém já havia sentido o mesmo e escrito de forma tão delicada e sem fru-frus que eu queria demais compartilhar. Hoje menos coisas me fazem chorar, não que menos coisas me comovam, mas é preciso um pouco mais pra me fazer chorar.

CHA-CHA-CHANGES



Sim, está tudo diferente aqui. Mudamos para melhor atendê-lo, caro leitor!

Espero que gostem!

Não, eu não vou ficar explicando o porquê do visual novo, acho bem óbvio e não subestimo meu leitor inteligente, sacou?

26.3.06

O FUSO, O TROUXA E A HUMANIDADE




*Deixa eu dizer que estou me sentindo um otário de ser bonzinho e querido com todo mundo. Tem horas que a gente precisa mostrar até aonde os outros podem ir.

*Ontem começou o horário de verão na Inglaterra, ou seja, estamos - eu e você - a 4 horas de distância agora.

*Finalmente a primavera chegou, a temperatura está mais amena, e não está mais tão desumano sair de casa.

*É tanto artista bom saindo em turnê, que eu vou ter que liquidar o corpitcho pra pagar os ingressos.

*Em entrevista à Folha, Lima Duarte lascou: "Odeio Lula porque faz uma glamourização da ignorância, contra o que tenho lutado a vida toda". A gente entende, claro, que Sassá Mutema e outros personagens da carreira do ator de forma alguma glamurizam a ignorância. Aliás, telenovela é uma forma de cultura que jamais glamurizou a ignorância. Tem cada uma, viu?!

*Eu queria pegar um avião para bem longe. Só que o lugar para onde eu quero ir não existe.

*O problema não é o Brasil, é a humanidade. Não se queixem. Aqui não é tão melhor.


***

25.3.06

MEIO ASSIM

Blues Away
Written by Clarke / Bell


Can you see this prediliction rushing through my head?
Was a morning full of circumstance
I was seeing red
Put my blues away

Navigation gone astray, went any way I could
Haven't got the time of day
Cannot see why I should
Put my blues away

I can hope
I can pray
Until you find me someday

Always had my reservations, who am I to blame?
Walked in to the ring of fire
Heart in a wall of flames
Put my blues away

My emotion running riot, through the neighborhood
Screaming in the dead of night
I wish to be understood
Put my blues away

I can hope
I can pray
Until you find me someday

I can hope
I can pray
Until you find me someday

Navigation gone astray, went any way I could
Haven't got the time of day
Cannot see why I should
Put my blues away

I can hope
I can pray
Until you find me, someday

I can hope
I can pray
Until you find me someday

Tell me where you are, hey little darling
'Cause I ain't got twenty-twenty vision
And I know you're here somewhere
And it's nearly bedtime
And I'm getting lonely

Hey little darling, tell me where you are
'Cause I ain't got twenty-twenty vision
And I know you're here somewhere
And it's nearly bedtime
And I'm getting lonely

Ouça.

***

23.3.06

SIM, ADRIANA, CONCORDAMOS


Eu não gosto do bom gosto
Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu aguento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos
Eu hospedo infratores e banidos
Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de maus tratos


Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto


Eu aguento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas
E suas verdades perfeitas


O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto


Eu aguento até os estetas
Eu não julgo competência
Eu não ligo pra etiqueta
Eu aplaudo rebeldias
Eu respeito tiranias
E compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades


O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Não, não gosto dos bons modos
Não gosto


Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem...



Senhas - Adriana Calcanhotto - 1992

***

22.3.06

EXPERIMENTA EXPERIMENTA

17 de março foi o dia do santo padroeiro da Irlanda, Saint Patrick, ou São Patrício em bom português. Eles comemoram este dia aqui da mesma forma que nós comemoramos o carnaval no Brasil. Quer dizer mais ou menos. Depois da parada que termina em Trafalgar Square, eles se jogam para os pubs de Leiceser Square e Soho para beber até cair.

A bebida mais consumida no dia de São Patrício é a Guinness, cerveja irlandesa importada, escura e que, para ser servida como manda o figurino, é necessário que se encha o copo até mais ou menos 3\4, esperar de um a dois minutos para que se forme um colarinho consistente e finalizar com o desenho do trevo, símbolo da Irlanda, na espuma, como ilustra a foto.

Agora ponha-se você no lugar do bartender quem serve a Guinness, melhor dizendo "as" Guinness, sim porque neste feriado os clientes não chegam dizendo "uma Guinness, por favor". Na-na-ni-na-não! É "12 Guinness, 4 Fosters, 2 Strongbow (uma cidra com gosto de sabão líquido) e 3 JD duplos, um com coca, outro com coca-light e limão, e outro com limonada e uma rodela de lima, por favor. E ai de você, bartender lazarento, se não fizer a porra do trevo na Guinness. E tem que fazer direito!

E um pub que geralmente arrecada 30 mil Libras num sábado lotadíssimo, ganha 78 mil no dia do santo. Pergunta quanto EU ganhei a mais. Zilch.

Vem, vem pra inglaterra ter sub-emprego pra você ver o que é bom para a tosse, vem!

**

Mas, verdade seja dita, nem tudo é tão podre no reino de Beth, a pálida. Só que o melhor de Londres não é de Londres, entendeu? Enfim, a gente se ajeita como pode.

***

20.3.06

SERÁ????

"A inclinação de sua letra mostra que você parece ser uma pessoa equilibrada, educada. Mas é um pouco "fria" com quem acaba de conhecer. A ligação de sua letra revela raciocínio lógico, dinamismo, método e uma tendência à rotinas. A direção de sua letra indica otimismo, criatividade e impulsividade na realização das tarefas cotidianas. A pressão de sua escrita sinaliza um gasto pequeno de energia nas suas tarefas diárias. uma economia de energia nas suas tarefas diárias. Diz também de seu bom gosto, sensibilidade, e de sua facilidade em sucumbir ao cansaço físico e mental. As áreas valorizadas na sua escrita destacam controle emocional, tolerância, um certo imediatismo e tendência ao comodismo. A forma de sua letra demonstra conservadorismo, formalidade e uma certa frieza em seus relacionamentos sociais. Tende a esconder sentimentos."

Será?? Teste-se aqui e me conte depois.

***

16.3.06

NÃO DISCUTO

MM

Ela e sua menina
Ela e seu tricô
Ela e sua janela, espiando
Com tanta moça aí
Na rua o seu amor
Só pode estar dançando
Da sua janela
Imagina ela
Por onde hoje ele anda
E ela vai talvez
Sair uma vez
Na varanda

Ela e um fogareiro
Ela e seu calor
Ela e sua janela, esperando
Com tão pouco dinheiro
Será que o seu amor
Ainda está jogando
Da sua janela
Uma vaga estrela
E um pedaço de lua
E ela vai talvez
Sair outra vez
Na rua


Ela e seu castigo
Ela e seu penar
Ela e sua janela, querendo
Com tanto velho amigo
O seu amor num bar
Só pode estar bebendo
Mas outro moreno
Joga um novo aceno
E uma jura fingida
E ela vai talvez
Viver duma vez
A vida


Ela e sua janela, Chico Buarque - 1966

Este outro moreno te deseja um muito feliz aniversário, enquanto aquele outro não volta do bar, viu?

Grande beijo, Ticcia!

14.3.06

INFINITOAOMEUREDOR UNIVERSOPARTICULAR


Marisa vezes dois


Eu sou meio burrinho. Me iluminem neste momento, ok? A coisa no Brasil não anda preta? Não está tudo muito caro? Comprar cd original não está virando luxo? Quanto custa um cd no Brasil? Numa loja on line que costumava ser bem baratinha, um álbum recém lançado, daqueles super cobiçados, custa 35 Reais em média. Bem, aqui isto seria mais ou menos 9 Libras Esterlinas, o mesmo preço. Mas, péra lá! É assim que funciona? Uma garrafa de 2 litros de refrigerante custa 3.50 Reais, ou seja, custa 0.90 Libras, certo? Errado. Um shampoo - daqueles 2 em 1 sem muita frescura - custa 6 ou 7 Reais, se comprado num supermercado brasileiro, mas aqui ele custa de 6 a 7 Libras. Como pode?

O que acontece, acho eu, é que a indústria fonográfica no Brasil precisa compensar o prejuízo gerado pelo mercado negro dos cds piratas de camelô e trocados pela internet. Elas são todas subsidiárias de grandes gravadoras do exterior e precisam prestar contas, como todo mundo que vende a alma para o diabo. Daí o que fazem? Colocam o preço lá em cima fazendo da cultura mais e mais inacessível para quem precisa dela.

Daí, bem neste momento, como já havia feito Caetano Veloso nos anos 80, Marisa Monte resolve lançar dois álbuns ao mesmo tempo. Ou seja, se você quiser ter Infinito Particular e Universo ao Meu Redor - os últimos da cantora - vai precisar desembolsar mais de 70 Reais. Isto se você achar uma promoção boa.

Tal como Caetano, Marisa tem aquele apelo popular imbatível, além - óbvio - de uma qualidade musical sem concorrência no mercado. E vende muito, mas muito mesmo. Os álbuns antigos de MM vendem demais ainda hoje, desde o primeiro ao vivo, passando por Cor de Rosa e Carvão e Memórias e Declarações de Amor, tudo que a cantora faz não pára nas prateleiras das lojas por muito tempo. E grande parte de seu público é daquele tipo de pessoa que quer ter o cd, com encarte original e tudo bonitinho para escutar com a/o namorada/o, presentear o irmão, ou para deixar em cima do cd player para os convidados da casa morrerem de inveja ao suspirar "Você já tem o novo da Marisa?" Todo mundo se acha culto com um cd da Marisa tocando no carro. Marisa é status cultural para a classe média ascendente. Marisa, inevitavelmente, vira hype, suas músicas não precisam tocar no rádio ou na novela das oito para ficarem populares. Não há nada de intelectualmente desafiador num álbum novo de Marisa. Mesmo assim é bom demais.

O Infinito Particular é o mais Marisa, o que mais vai tocar em rádio fm, o que vai ter música em propaganda. Não pense que isto é demérito, de forma alguma. Com arranjos de gente como Eumir Deodato, Philip Glass e João Donato, as composições do infinito são perfeitas, especialmente Pelo Tempo Que Durar, co-escrita por Adriana Calcanhotto, no repeat há dias aqui.

Universo ao meu Redor é o disco que Gal Costa nunca gravou, mas deveria. Uma deliciosa viagem pelo samba de raíz, choroso, triste e terno. Meu favorito dos dois.

Vale 70 Reais? Claro que vale. Cada centavo e muito mais. Nem precisa mais se preocupar com o presente do dia 12 de junho. Taí.

**

Babycakes

E eu leio sem parar a quarta prestação dos Contos da Cidade, de Armistead Maupin, intitulada Babycakes. Nele, o protagonista Michael (Mouse) Tolliver vem morar em Londres.

**

Ah, se a vida fosse feita só de coisas assim...

***

12.3.06

TUDO PODE SER



Vamos combinar que este blog já viu dias melhores. Tudo bem, minha culpa, total. Talvez por preguiça ou quem sabe porque as coisas que povoam a minha cabeça são íntimas demais para o escrutínio público. Eu sei, vocês já são de casa, não teria porque eu usar a palavra "escrutínio".

Enfim, eu tenho pensado muitas coisas. Aquela angústia profuuuuunda, sabe? Aquele vazio existencial, aquela distância, aquele exílio sentimental, aquela superficialidade revestida de palavras bonitas. Eu cansei disto tudo.

Pode ser que a hipocrisia sintomática que acomete este país esteja me drenando as esperanças, cansando a beleza mesmo.

Pode ser (e isto é teoria de muita gente) que eu esteja precisando de - perdoem o baixo calão - uma boa trepada para deixar de pensar besteira.

Pode ser, e eu não duvido nada, que a minha cabeça esteja sempre no lado oposto da fronteira e de lá eu só observe, sem nunca cruzar a linha.

Quem sabe não vai ser assim sempre? Quem me garante que eu não vou passar a vida de galho em galho, vivendo de saudade?

Pode ser.

**

Na noite passada eu sonhei que pedia para a minha mãe ajustar uma camisa, demasiadamente larga. Psicóligos e médiuns de plantão, seus comentários para voandoalto@gmail.com .

***

9.3.06

A MADRUGADA FRIA

Shortcut



Sonho meu
(Yvonne Lara/Délcio Carvalho)

Sonho meu
Sonho meu
Vai buscar quem mora longe
Sonho meu
Vai mostrar essa saudade
Sonho meu
Com a sua liberdade
Sonho meu
No meu céu a estrela guia se perdeu
A madrugada fria só me traz melancolia
Sonho meu

Sinto o canto da noite
Na boca do vento
Fazer a dança das flores
No meu pensamento
Traz a pureza de um samba
Sentido, marcado de mágoas de amor
Um samba que mexe o corpo da gente
E o vento vadio embalando a flor
Sonho meu.

***

8.3.06

VOLVER ES CANTAR LA MISMA CANCION

Volver



Amigos, amigos, não se sabe ao certo se vai ter Madonna, mas confirmadíssimo o show do New Order em Porto Alegre, dia 17 de maio.

**

Cartaz



Eu cantei a pedra há muuuuito tempo. Só agora está saindo do forno o novo do Almodóvar, Volver. Porque aqui a gente não brinca em serviço, amigo ouvinte da Cafeína FM. Já temos a trilha e tudo. E nem conto que música toca no filme. Nem te conto. Vai estragar a surpresa. Só posso dizer que Chavella Vargas canta "uno vuelve siempre a los viejos sitios donde amó la vida".

Falando nelas, o cartaz do filme (lindíssimo, trés Frida Kahlo) eu vi no blog do Nino, que está de volta. Não é só porque ele é o meu amigo number one, não, mas ele só ouve, lê, assiste os discos, livros e filmes certos.

Joan

BEBA CAFÉ BEBA CAFÉ BEBA CAFÉ

7.3.06

CREATURE COMFORTS

Em 1990, o estúdio de animação inglês Aardman fez um curta de "stop motion" chamado Creature Comforts. A idéia era a seguinte: utilizava-se vozes de pessoas de verdade em pesquisas do tipo vox populi/ibope para animar bonecos de massinha. O mais engraçado é que o texto combina demais com o animal representando. Tanto foi o sucesso que ganhou Oscar de melhor curta de animação naquele ano e virou - hoje em dia - uma das séries mais populares na Ingleterra. O mesmo estúdio produziu Fuga das Galinhas, todos Wallace & Grummit e várias animações de vanguarda para o canal Nickelodeon, além daquele clip de My Baby Just Cares for Me que eu postei domingo.

Detalhe: preste atenção ao brasileiro com sotaque carregdíssimo falando inglês.


6.3.06

INTERFERÊNCIA

É triste o que vou lhes contar, mas eu tenho uma facilidade absurda de imitar vozes e trejeitos alheios, principalmente se a criatura for deveras caricata. Não sei se isto se dá por eu ser exageradamente observador do comportamento dos outros ou se por eu simplesmente ser adaptável ao meio como camaleão. A verdade é que eu entro na onda mesmo, começo a falar igual, andar igual, ao ponto de bastar eu fazer um gesto para quem estiver perto dizer:"estás imitando _______, né?" A minha especialidade são maconheiros gaúchos, sexagenárias fumantes e cariocas falando inglês com sotaque do Rio.

**

Proteja-se da febre aviária, leitora amiga. Use luvas se for entrar em contato com seu namorado galinha.

**

Na televisão, no cinema e nas fotos de jornais, revistas e blogs as pessoas são mais bonitas do que na realidade. Não pense que você precisa atingir este ideal, leitor amigo. É tudo ilusão. A luz, o ângulo, a pós-produção é tudo armação do demo para acabar com a nossa auto-estima. Porque quanto mais comunzinhos e meia-boca nos acharmos, mas próximos da perfeição eles chegam. Todos temos pele oleosa ou ressecada, olheiras, gordura (des)localizada, nariz grande, pequeno, torto, com um caroço em cima, com uma verruga na ponta, pêlos demais, de menos, pernas compridas, curtas. No mundo real, os mocinhos e mocinhas são mais gordos do que nas novelas, ou mais feios do que nos filmes. O que vai fazer de você alguém diferente é personalidade e estilo.

Pensei nisso voltando pra casa, no ônibus. Não interessa por quê.


BOM, MUITO BOM

Oscar Se você é muito jovem para saber, aquilo que chamam de Dolly Parton não é um travesti, viu? É uma senhora que canta música country há muuuuuitos anos e é tão popular nos Estados Unidos ao ponto de ter seu próprio parque temático chamado Dollywood.

A noite do Oscar não tinha como dar muito errado, afinal de contas, não havia nenhuma "bomba" concorrendo. A única categoria que abriu espaço à mediocridade foi a de co-adjuvante, mas aí já é a minha opinião, pois eu não gostei nada de O Jardineiro Fiel e acho que a Michele Williams, mesmo tendo tão pouco tempo de tela em Brokeback Mountain, dá um banho de atuação. O prêmio de ator co-adjuvante é daqueles casos em que a Academia fica com pena do cidadão que concorre a três prêmios e resolve dar o menorzinho para ele não ir pra casa de mãos abanando. Só pode ser. Matt Dillon, se o mundo fosse justo, teria seu trabalho irretocável em Crash coroado ontem à noite.

E Robert Altman? Merece ou não merece reconhecimento ao conjunto da obra? Demais. Deu até vontade de rever Short Cuts e Gosford Park.

A Marcha dos Pinguins estava já cotadíssimo para melhor documentário, muito embora Murderball tenha um apelo popular muito forte, por causa da violência. Wallace & Grummit bateu a Noiva Cadáver, porque eles são o que há.

É uma vergonha, mas este ano eu não consegui ver um indiciado sequer ao prêmio de melhor filme de língua estrangeira. Mas Gavin Hood, o diretor de Tsotsi, deu um dos agradecimentos mais espontâneos da história.


gavin Hood

"Deus abençoe a Africa. Uau!. Eu tenho um discurso, está no meu bolso, mas aquela coisa ali na frente (o teleprompter) diz que eu tenho 38 segundos. Mas o meu discurso é muito mais longo que isso. Entre em tsotsi.com e lá tem uma longa lista de gente. Porque eu não estou aceitando isto por mim. Isto é para melhor filme em língua estrangeira. Eu vou começar por quem está sentado lá (aponta para a platéia). Por favor, levantem Presley Chweneyagae e Terry Pheto. Meus dois fantásticos jovens protagonistas. Mirem as câmeras neles, por favor. Viva a África. Eu tenho dez segundos. Dez segundos. Eu quero agradecer aos outros indicados, de quem eu fiquei amigo. Nós podemos ter filmes de língua estrangeira, mas nossas histórias são as mesmas. Elas são todas a respeito do coração e das emoções humanas. Ali diz "por favor, termine". Muito obrigado. Obrigado à Academia. Obrigado."

O que mais importa?

Crash é o melhor filme, com o melhor roteiro original e Ang Lee é o melhor diretor, cujo filme tem o melhor roteiro adaptado. E Phillip Seymour Hoffman é o melhor ator.

Eu não vi Walk The Line, por isso não vou comemorar nem criticar. ***

3.3.06

CORTE

Este cabelo comprido de amante latino está me agoniando. Vou lá cortar beeeeem curto e já volto.

***

2.3.06

BURNING DOWN THE HOUSE

Você já ouviu porto-alegrense falando inglês? Mas eu digo porto-alegrense de raiz, nascido no Hospital de Clínicas, ex-aluno do Rosário, que chama São Leopoldo de São de Léo e as pessoas de "magrão". Já? É mais ou menos o mesmo quando ele ou ela fala inglês. Entonação idêntica. Comigo foi assim:

Eu estava no meu canto, fazendo meu "sirviço", minding my own bussiness, quando me chega a colega mineira no ouvido e sussurra:

"Meniiiiiino, cê viu as duas minina no mór amasso ali?"
"Onde?"
"Ali ó!" Apontando

Nisso, a garota levanta e vem conversar comigo em ingles "naquele sotaque". Eu, sem nem perguntar nada mais já solto em português:

"De onde tu és no RS?"
Ouve-se um grito estérico.
"Baaaaaaaah, como é que tu adivinhou???"
Sorrio.
"Guriiiiii, que bom conhecer um gaúcho aqui. Eu tava com a minha mina ali sentada e pensando se não tinha mais brasileiro aqui."
Sorrio de novo.
"Ai, guri, te adorei!!! Eu sou louca assim mesmo, não repara! Me dá um papel pra eu te deixar meu telefone e e-mail. Me procura viu? Vamu saí na night juntos!"

E o nome no papel? Roberta.

É tudo louca!

***

1.3.06

EU QUERO QUE VOCÊ ME VEJA A MIM

"Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue."

Pois então, Marcelo, aqui está. Imaginem vocês se um leonino com ascendente em peixes e lua em sagitário não teria uma penca de manias e esquisitices. Escolher só cinco é que fica difícil, mas vamos lá:

1. Eu tenho mania de, depois de comer salgadinhos , dobrar os pacotes e dar um nó para que eles não ocupem espaço. Mania esta adquirida durante a adolescência, em que eu comia de nervoso e precisava me livrar das provas do crime. Ao dar o nó, não apenas o pacotinho fica menor, como também evita fazer sujeira com os farelos restantes no fundo, precaução que vem muito a calhar quando você come na cama, trancado no quarto, escondido para não saberem que você está compensando sua ansiedade na comida engordativa. O vazio doloroso de dentro, aprendi mais tarde, não se preenche com comida.

2. Eu tenho a compulsão de andar rápido, muito rápido, quase correndo. Principalmente quando preciso passar por lugares muito populosos. Fobia de gente. Medo do olhar do outro. Sei lá. Perco de ver muita coisa, sempre passando deste jeito, assim, correndo. Por isso tenho tentado desacelerar e viver o momento da passada com mais placidez e menos pressa.

3. Eu P.R.E.C.I.S.O. de música o tempo todo. No banho, por exemplo, fica faltando alguma coisa se não tiver trilha sonora. Mas tem que ser daquelas que a gente pode fazer show de calouros embaixo do chuveiro. Cantar, se esguelar, fazer vibrato, falsete e tudo mais que se tem direito. Sim, eu sou um palhaço.

4. Eu tenho mania de abandonar o que não está bom. Virar as costas e sumir assim do nada. Sou leão ao extremo nesta hora, eu preciso voltar pra minha caverna para refletir, me recarregar para depois voltar à luta.

5. Eu tenho pena de quem me namora. Eu sou manhoso demais de manhã, ao acordar, demasiadamente devagar, antes do café eu não presto pra nada. Fico pedindo massagem, cafuné, até acordar direito.

Agora é a vez deste povo fazer o mesmo:

Roberta
Ticcia
Gláucia
Rou
Belly

Virem-se!

***

NÃO ADIANTA




Tem coisas que só uma megera faz por você! Acredite ou não, Mr. Postman me vem com 2 pacotes, um do Brasil e outro de Portugal, ambos trazendo preciosidades musicais e literárias. O do Brasil veio cheio de blues, na forma da trilha da série produzida por Martin Scorsese para a rede de tv PBS em 2003: The Blues - A Musical Journey. Nela, Scorsese chamou outros diretores do bem ( dentre eles Wim Wenders e Clint Eastwood) para realizarem longas inspirados no blues. Na trilha tem Cassandra Wilson, que eu amo demais, cantando Vietnam Blues especialmente para o longa.

De Portugal, mais especificamente Estoril, me chegam não um, nem dois, muito menos 3, mas quatro romances policiais de Francisco José Viegas, "o homi da Ticcia", autografados com palavras gentilíssimas e elegantes como sua escrita.


To todo bobo, me sentindo. Mais uma das CQGNE. É por estas e outras que estas mulheres são bafo total.

***