27.4.06

O MEDO DOS OUTROS

Psicose


No dia 11, a Ticcia me recrutou junto com mais alguns bloggeiros a falar dos meus piores medos.

Eu tenho verdadeiro pânico de passagens estreitas, poços, túneis e qualquer estrutura, natural ou confeccionada pelo homem, que sufoque, permita entalar, encerre. Não sei se é de tanto ler Edgar Allan Poe ou de tanto me meter em passagens estreitas, poços e túneis quando criança. ho ho ho.

Claro que eu tenho medo da morte. Muito mais da morte dos outros do que da minha, eu acho. Ficar é sofrer. E eu tenho mais medo de sofrer do que morrer.

Tem me acometido ultimimamente um medo absolutamente impensável para mim em outros tempos: o de perder a fé. Quando eu falo em fé eu quero dizer aquela esperança iluminada que a gente tem no Brasil, de que tudo vai dar certo, de que Deus é bom, de que o sol sempre brilha no amanhã, de que depois das torrentes nós sempre encontramos um abrigo. Aqui na Inglaterra existe um pensamento frio de toma lá, dá cá, que te bagunça o conceito de fé. Eu vivo pedindo sinais e os interpretando conforme eles aparecem.

Eu tenho medo de não amar mais. De não ser mais visceral no amor como antes, por já saber que não existe uma rede de proteção me impedindo de me espatifar no chão. Porque eu sou um namorado dedicado, apaixonado, meio grude. Quer dizer, fui. Será que na próxima continuarei sendo? Não sei.

Eu tenho medo de pessoas egoístas. De pessoas rudes, mal-amadas, não-amadas, recalcadas, amargas e daqueles que pensam que todos são um bando de idiotas e só eles sabem fazer direito. Pessoas assim passam por cima de quem for e só deixam feridas. Eu tenho pena deles também. Ninguém os quer porque eles são assim e eles assim são porque ninguém os quer, um caso triste do efeito Tostines. Eu tenho medo de objetos que se movem sozinhos. Não precisa explicar, não é?Não vou passar adiante para ninguém em especial. Se você leu e ficou com vontade de fazer, só deixe um aviso aí nos comentários. Pode ser legal. **Voltaremos em breves instantes com nossa programação normal.



6 comentários:

  1. Honestos os teus medos, mas fiquei pensando nessa coisa de temer a morte dos outros mais do que a própria. Comigo não é assim. Acho que vou esticar o assunto lá na obra.
    Abração!
    [PS: tu conheces www.pandora.com, né? pra teu conhecimento, tu és meu guia e pastor por lá.]

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  2. Adorei a foto, ela ilustra bem o medo. Quando eu era criança tinha medo do E.T. Medo de querer me esconder em baixo da cama...

    tô aqui deixando um oi, porque eu sei que você gosta que comentem e eu sei que você saberia da minha entrada aqui mesmo se eu não te deixasse comentário. eu sei que você sabe porque eu leio você.

    já viu Junebug?

    um carinho pra ti

    Jr

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  3. Agora me diz: a pessoa gosta até dos medos da outra, sem nunca ter visto. É praticamente um caso de internação. Fartura de risos.
    Beijos.
    Agora são as últimas menos de 24h.
    Vou me puxar.
    Mas antes vou lá ver o que tá passando no cabeção sagitariano do Marcelo. Mais risada. Acho que tô rindo de nervosa...

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  4. Anônimo10:01 PM

    negrinho
    eu tenho medo de:
    1- ficar doente e cair num hospital lotado onde eu tenha que ficar sofrendo numa maca no corredor (tipo o inicio das Invasões Bárbaras (o filme), lembra?)
    2- tenho medo de ser assaltado (ja fui 3 vezes)
    3- de alguem da minha familia ou algum amigo morrer
    4- tambem tenho medo de nao conseguir amar como antes.
    5- medo de que o mundo fique cada vez pior ( e parece que isso já ta acontecendo)....
    felizmente eu tenho amigos que eu amo, como vc....
    seu...taz.

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  5. Me identifiquei com alguns dos medos (quem não tem medo de sofrer a perda da morte?), mas o de perder a fé foi imbatível. Deve ser alguma síndrome que acomete quem fica muito tempo longe do Brasil.

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  6. De todos os teus medos eu já tive o de não amar mais...era tão intenso que tornara-se uma verdade. Mas a gente tá vivo. A rede de proteção não existe mesmo. Já não tenho mais esse medo.

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