31.5.06

SE EU FOSSE UM BESOURO


Certo dia, me procura a Megera rebelde querendo que fizéssemos uma coletânea de artistas dos mais variados estilos cantando músicas dos Beatles. Óbvio que ela me mandou uma listinha que depois virou duas e foi mudando com o passar das semanas.

Não tenho conhecimento nem competência para dizer se eles eram tão bons quanto se alardeia por aí, nem estava lá pra ver se era o Lennon mesmo que escrevia todas as músicas e registrava Lonnon-Mcartney por camaradagem como diz a lenda. Nem ousaria sugerir que Yoko Ono seja o quinto Beatle, muito menos seria petulante o bastante para constatar que depois dela o grupo gravou discos fantásticos como Revolver e Let It Be. Não mesmo, não será da minha boca que vocês vão ouvir tais despautérios.

E eu preciso confessar que na minha ignorância musical eu só sei dizer que as composições são muito lindas e que as melodias são meio antiquadas. Por isso é que vale muito a pena, conhecer grandes músicas do grupo re-interpretadas por artistas que habitam outros estilos, menos lisérgicos, para sentir que a boa música continua boa em qualquer embalagem.

Durante as negociações a respeito de quem deveria estar na lista, a Megera brigava pelo U2 e eu pela Tori Amos. Algumas muito conhecidas do público, outras nem tanto. Dionne Farris (ex vocalista da finada banda Arrested Development) cantando Blackbird, de um jeitão muito folk sulista americano é leve e iluminada, Sarah McLachlan canta a mesma e dá seu toque delicado inconfundível. Da mesma forma, Diana Krall e a já falecida cantora soul Esther Phillips cantam And I Love Him (uma variação de And I Love Her), cada qual com sua coolzice.

Aretha Franklin e Karen Carpenter na minha opinião tomam as composições para si. Depois de ouví-las, concordamos silenciosamente que Eleanor Rigby foi feita para Aretha e Ticket to Ride teve sua versão definitiva na voz de Karen.

Optamos por 2 cds, porque são duas atmosferas diferentes. Uma mais old school, virtuosa e outra mais descontraída e moderna.

Quem não gostar da capa aí em cima, pode ir no Megeras, que lá tem outra.

CD1

1. Carpenters - Ticket To Ride (4:07)
2. Esther Phillips - And I Love Him (2:43)
3. Dionne Farris - Blackbird (3:10)
4. Nina Simone - Here Comes The Sun (3:34)
5. aimee mann - two of us (3:32)
6. Aretha Franklin - Eleanor Rigby (2:34)
7. Heather Nova - we can work it out (2:16)
8. Sarah Vaughn - Something (4:19)
9. Rita Lee - I Want to Hold Your Hand (2:21)
10.Fiona Apple - Across the Universe (5:07)
11.Tori Amos - Happiness Is a Warm Gun (9:55)

CD2

1. u2 - Help (2:14)
2. Belle & Sebastian - Here Comes the Sun (3:16)
3. J. Quest - I Want To Hold Your Hand (2:36)
4. Eddie Vedder - You've Got to Hide Your Love Away (2:09)
5. Nei Lisboa - Norwegian Wood (3:10)
6. Nick Cave - Let it be (3:30)
7. Paul Westerberg - Nowhere Man (3:30)
8. John Pizzarelli - When I'm 64 (2:45)
9. Radiohead - Something 3:16)
10.Diana Krall - And I Love Him (5:52)
11.Lynden David Hall - All You Need Is Love (3:30)
12.sarah mclachlan - blackbird (2:21)



30.5.06

WAVE

Lendo coisa aqui e acolá, não pude evitar que a questã em questã me roubasse os momentos de reflexão do dia. E fiquei cantarolando "é impossível ser feliz sozinho" e me perguntando se seria mesmo. Acho que não, talvez por um tempo quem sabe. Aliás, eu acredito piamente que há fases da vida em que é imperativo ser feliz sozinho. Até porque condicionar a felicidade a estar acompanhado prenuncia um céu tempestuoso para os solteiros.

E ser solteiro(a) é uma condição contemporânea. Não há nada que a sua irmã mais velha possa fazer a respeito, nem seu pai, nem sua avó. Nossa geração anda mais tempo solteira. Talvez porque já não se tenha mais tanto medo de ficar estigmatizado ou quem sabe andamos mais senhores dos nossos silêncios, das nossas panelas, nossos cafés, sacadas, jazz, cigarro. Estar sozinho não significa necessariamente sentir-se só.

E quando você (principalmente aqueles de 30 anos ou mais) chega numa festa, aniversário, formatura, jantar, reunião, happy hour, mesmo quando as pessoas têm a discreção de não verbalizar qualquer comentário desagradável, fica claro no olhar delas o "ainda não?". Como se casar, estar numa relação signifique que você é maduro, adulto, pessoa mais decente.

Decente, maduro, adulto, na minha modesta opinião, é entrar numa relação para fazer o bem e permitir que te façam bem, pegar na mão suada no verão, beijar a testa num momento de ternura, ajeitar o cabelo que cai na testa, ser bom amigo, fiel, segurar a ira, o ciúme, conversar com franqueza e, acima de todas as coisas, respeitar.

Afinal de contas, quem é feliz o tempo todo? Quem está acompanhado pode ficar infeliz, depois retorna, depois cai de novo, da mesma forma o faz o solteiro.

Não me leve a mal, amar é uma delícia, é sublime, mágico, mas nem sempre estamos amando e nem todo amor é eterno.

**

Agora, convenhamos, fundo do poço mesmo é permitir que amigos arrangem encontros às escuras, eu não conheço um que tenha dado certo. Já passei cada aperto e decepção, já me senti um pernil pendurado no açougue, já inventei desculpa para poder sair de fininho e em todas as vezes me prometi que nunca mais.

**

E tem mais mil coisas ...

outra hora, quem sabe

27.5.06

Rádio

Jump
(Madonna, Joe Henry e Stuart Price)


Rádio Cafeína


There's only so much you can
learn in one place
The more that I wait,
the more time that I waste

I haven't got much time to waste,
it's time to make my way
I'm not afraid of what I?ll face, but
I'm afraid to stay
I'm going down my own road
and I can make it alone
I´ll work it, I´ll fight it,
I'll find a place of my own

Are you ready to jump?
Get ready to jump
Don't ever look back, oh baby,
Yes, I'm ready to jump
Just take my hands
Get ready to jump

We learned our lesson from the start,
my sisters and me
The only thing you can depend
on is your family
And life's gonna drop you down
like the limbs of a tree
It sways and it swings and it bends
until it makes you see

Are you ready to jump?
Get ready to jump
Don't ever look back, oh baby
Yes, I'm ready to jump
Just take my hands
Get ready to, are you ready?

There's only so much you can
learn in one place
The more that you wait,
the more time that you waste

I´ll work it, I´ll fight it,
I'll find a place of my own
It sways and it swings and it bends
until you make it your own
I can make it alone (repeat 7x)
Are you ready to jump?
Get ready to jump
Don't ever look back, oh baby
Yes, I'm ready to jump
Just take my hands
Get ready to jump
Are you ready to jump?
Get ready to jump
Don't ever look back, oh baby
Yes, I'm ready to jump
Just take my hands
Get ready to,
are you ready?

**

Já já estou de volta!

25.5.06

Orwell, Lispector, Deneuve & Piazolla

Tá bom, eu sei. Ando sumido. Mas estava me recuperando fisica e mentalmente do ocorrido narrado no último post.

Outro dia, sentado na frente do laptop, olhei para a minha jaqueta e só então percebi que ela também está manchada de sangue. Daí eu fiquei pensando na violência no Brasil, em São Paulo, nos bandidos que governam as cidades, estados brasileiros e não têm punição nenhuma, porque eles são o poder. E pensei também que aqui em Londres a violência não acontece pela sobrevivência, mas pelo ódio, pelo ressentimento social. E que no Brasil perdeu-se o controle e com os últimos acontecimentos descobrimos que sempre fomos refens, cada um na sua casa ou apartamento achando que é livre. E por essas e outras que eu reverencio George Orwell, taí um visonário no sentido mais exato da palavra. Nosso mundo está virando aquele de 1984 e somos todos massa, cega/surdo-muda.

E eu mudei tanto nos últimos anos. Mas tão pouco no que há de bom em mim. Porque a nossa eterna função de viver há de ser feroz, ainda que sejamos mansos (parafraseando Clarice Lispector) e a gente deve sempre estar pronto a ser melhor, a enxergar o erro e fazer direito. Não importa quantas tentativas sejam necessárias.

Eu queria que a Dra. Roberta Arabiane assistisse a Repulsa ao Sexo, de Polanski, porque eu preciso de alguém com vasto conhecimento do íntimo feminino e de psicologia, para um bate-boca prolongado a respeito do filme. Caterine Deneuve está linda, jovem e péssima atriz, mas isto é o que menos importa.

**

O último álbum de estúdio gravado por Astor Piazzolla chama-se As Cinco Sensações do Tango. Climático, sofisticado e tal e cousa... Recomendamos!






22.5.06

MADONNA, SANGUE E VIOLÃO

E foi assim que madonna chegou ao palco do Forum, em Los Angeles, para a noite de estréia da Confessions Tour, ontem. Cantando Future Lovers (com alguns versos de I Feel Love, o clássico de Donna Summer) enquanto chicoteia os bailarinos de quatro no chão.

Depois teve Like a Virgin num carrossel S&M, Live to Tell pendurada numa cruz enorme, figurinos Saturday Night Fever, Abba, auto-referências, e o melhor de tudo, pra mim, foi Disco Inferno e Music costuradas juntas.

Pra variar, a imprensa em peso bate cabeça para Madonna, só sabem falar que "a rainha está de volta" e rasgações de seda do tipo.

**
Ontem eu fui parar numa festa, cheia de gente estranha, tocava Janis Joplin, Sly and the Family Stone e uns brasileiros baixos fiscalizavam cada cerveja retirada do refrigerador. Acabei apagando num quarto vazio e acordei com gritos e confusão. Ao abrir a porta do quarto me deparo com um careca ensanguentado enxotando as pessoas da casa, enquanto empunhava um violão como se fosse um tacape. Achei oportuno (e urgente!) sair de fininho, sem dar tchau pra ninguém. E quem diz que aparece um ônibus em Londres às 4:40 da manhã!?

Mas tudo bem, a gente precisa mudar de vez em quando pra saber que não está perdendo nada.

E a solidão é palpável em lugares assim. A gente vê pessoas tristes querendo algo que lhes ocupe o tempo, fumando maconha, bebendo, inalando substâncias altamente suspeitas, tudo em busca da dormência, do torpor, da fuga. É o desespero silencioso daqueles que querem sentir mais intensamente a vida, achando que vão abafar a dor. Mas não é bem assim que as coisas funcionam.

Mas, once again, cada um com seus cada um.

**

19.5.06

CAFEÍNA CLASSICS

Laura Mars Poster

Os Olhos de Laura Mars (Eyes of Laura Mars, 1978)

Antes de tirar o projeto do papel, o produtor Jon Peters chamou o novato John Carpenter (aquele que depois escreveu e dirigiu Halloween), autor do argumento inicial do que se tornaria o filme, e disse "Olha, nós gostamos muito da história, mas vamos mudar a identidade do assassino. E o título." Carpenter, que ainda não tinha conseguido fazer que nenhum de seus argumentos virassem filme, concordou na hora. Foi assim que a história original "Eyes" virou "Eyes of Laura Mars".

Laura Mars é uma renomada fotógrafa de moda, autora de um ensaio fotográfico que retratava violentos assassinatos. A trama desenrola-se, evidentemente, quando estes crimes começam a acontecer tal e qual foram fotografados por Mars. Para completar, ela ainda tem premonições dos assassinatos e enxerga com os olhos do psicopata. A mocinha em questão é interpretada por Faye Dunaway (Ídola Cafeína absoluta) com um charme que vocês não têm noção. E o aqui jovem Tommy Lee Jones já mostrava desde muito cedo que só sabe fazer a mesma coisa.

A trilha sonora é recheada de clássicos disco e as fotos creditadas a Laura Mars no filme foram cedidas por ninguém menos do que Helmut Newton. Sim. O grande Helmut Newton.

Jon Peters queria inicialmente produzir Laura Mars para dar o papel principal de prasente à sua esposa na época, Barbra Streisand, que declinou o convite por achar a história violenta demais. Acabou que este é único filme em que Barbra canta a canção principal (Theme from Laura Mars [Prisoner]) mas não atua.



Este tem o selo de qualidade Cafeína.

18.5.06

CASSETE!

Cafeína Mix Tape

Como todos devem saber, pra mim tudo tem trilha sonora. E está quase fazendo um ano que eu estou em Londres, por isso resolvi fazer uma fita pra marcar a minha London Journey. Principalmente porque foi uma jornada de muito amadurecimento, novos amigos, diferentes perspectivas e atitudes. Londres é uma cidade em que o antigo convive com o moderno, o decadente com a vanguarda, por isso uma fita e não um cd. Porque de um lado da fita pode-se ter músicas mais tranquilas e de outro as mais agitadas, porque a fita te dá a oportunidade da pausa ao trocar de lado, porque ela pede de você uma atitude, não é preguiçosa e automática como o cd.

Para quem quiser, óbvio.

It's too late, cantada por Isaac Hayes é cover de Carole King e as acústicas do Texas e Erasure não existem em cd, só nos lados b dos singles de Getaway e Boy, respectivamente.

O Remix de Isaac, da Madonna com Im Nin'alu de Ofra Haza só tem na net, e o remix de Laura, do Scissor Sisters é, como dizem os ingleses, Infectious.

O lado a me acalma, o lado b me deixa feliz.

Lado A aqui e Lado B aqui

Lado A

1. Madeleine Peyroux - dance me to the end of love (3:54)
2. Erasure - Cry So Easy (acoustic - b-side to the BOY single) (2:57)
3. Esther Phillips - I Can Stand a Little Rain (3:24)
4. Eurythmics - who's that girl (live) (3:30)
5. Isaac Hayes - It's Too Late (5:41)
6. Texas - Getaway (acoustic) (3:51)
7. Gotan Project - Diferente (5:22)
8. Leela James - Don't Speak (4:46)
9. Morrissey - The Youngest Was The Most Loved (2:59)

Lado B

01. Depeche Mode - A Pain That I'm Used To (3:57)
02. Texas - Can't Resist (3:48)
03. Scissor Sisters - Laura (City Hi-Fi Vocal Mix) (4:26)
04. Goldfrapp - Ride A White Horse (4:41)
05. Tiga - You Gonna Want Me (3:57)
06. Mylo vs Miami Sound Machine - doctor pressure (dirty radio edit) (3:26)
07. Gnarls Barkley - Crazy (3:01)
08. Martin Solveig - Jealousy (Dj Hallux edit) (6:22)
09. Mary J Blige - Be Without You (Moto Blanco Vocal Mix) (8:43)
10. Madonna vs ofra haza - im ninalu - isaac mix (6:20)

17.5.06

Pink Flamingos

Ontem na tv, no programa DEAD FAMOUS, a equipe de reportagem juntamente com o médium "sensitivo" tentou entrar em contato com o espírito de Andy Warhol. Acabou que quem baixou no homi foi a Divine. Ele fez vozes de travesti e tudo.

Aqui também tem lixo. E como tem!

Joga Bonito

E o gol da vitória do Barcelona contra o Arsenal na liga dos campeões foi marcado por Belleti, 1.76, 68kg, 27 anos e, acima de todas as coisas, bra.si.lei.ro. Ou seja, nós ganhamos de novo. Melhor mesmo seria eu ter trabalhado hoje pra ver a cara de bunda dos hooligans bêbados no momento do gol. Ou voces acham que eu tô muito aí para futebol?

Tá, ok... na copa é óbvio que eu vou virar hooligan, eventualmente alcoolizado. Só quero ver se na Alemanha a gente ganha alguma coisa.

O CINEMA E A MALVADA

Peter Finch em Network

Hoje eu instalei a versão beta do ie e estou adorando. Sim, ele ficou idêntico ao Firefox, mais rápido e prático, tem RSS, mais espaço na tela e funciona com tabs, aquelas abas lá em cima. Sempre que você abrir uma nova janela, ele abre uma aba dentro da mesma janela, o que é muito prático.

**
Vou confessar: Eu achei Paradise Now um porre! Nem aguentei ver até o fim. Mas assim que der eu continuo. Ainda quero falar (bem?) dele aqui.

**

Eu estava conversando com Egídio dia desses e chegamos à conclusão de que os filmes antigos são muito melhores do que os atuais. Como assim, Bial? Não basta ser antigo, evidente. Tem que ser bom, mas me parece que faziam-se filmes muito melhores antigamente. Os roteiros eram muito bem escritos, os atores muito bem treinados e os diretores muito mais inventivos.

Claro que eu adoro a direção e os roteiros do Tarantino, claro que Crash tem atuações fantásticas e direção e roteiro e tudo perfeitos, claro que Almodóvar não faz filme, faz arte. Mas você há de concordar comigo que eles são exceção. Há filmes com argumentos interessantíssimos que viram umas porcarias porque o roteiro final ficou capenga, o elenco era ruim, ou o diretor medíocre.

E aí quando a gente ouve "não se fazem mais filmes como antigamente", pensamos em como os mais velhos sempre acham que no tempo deles tudo era melhor. A verdade é que era mesmo. Não se fez mais um A Malvada, com Bette Davis triunfal dizendo uma pérola atrás da outra ("apertem os cintos, esta será uma noite turbulenta"), ou Rede de Intrigas (foto) e seu roteiro impecável, com Peter Finch num dos momentos mais gloriosos de um ator na tela. A lista é grande.

A triste verdade, porém, é que a maioria das pessoas tem preconceito com filmes mais antigos ("filme velho!") e acabam deixando de assistir a verdadeiras obras de arte. Eu não. Assisto tudo. Não tenho preconceito nem com o velho nem com o muito novo, nem com europeu, americano, oriental, africano, latino-americano, o que for.Mas cada um, com seus cada um.

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15.5.06

RICH BITCH

Meryl Streep veste Prada

Nino,

O Diabo Veste Prada, o filme, tem data de lançamento marcada para dia 30 de junho. E olha só quem faz a editora de moda belzebú. Este a gente vê juntos!

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Alguém pode me explicar direito o que está acontecendo em São Paulo? Medo.

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"Um abajur cor-de-carne, um lençol azul, cortinas de seda..." Alguém aí já parou para pensar em como Menina Veneno é brega?

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- Por que você sumiu? Eu te fiz tanto dano?
- Não sumi, apenas me ausentei de você.
- Eu queria saber falar complicado como você para poder te dar uma resposta.
- Pode ser que para você o meu falar seja complicado, mas o meu sentir sempre foi muito simples. Contigo é o contrário. Eu sumi pra você porque nunca deixei de te amar e continuar em contato faria doer e não permitiria que as feridas fechassem. Eu não queria mais te desejar e nem ter ciúme de quem estivesse contigo. Fui claro? Deu pra entender desta vez?
- Deu. Mas eu não sei o que te dizer. Faz tanto tempo já e eu estou...
- Está namorando, seguiu em frente. Amando outro. Eu sei.
- Mas eu sempre penso em você. Também te amo. Me preocupo, quero saber de ti.
- Não se preocupe, eu me cuido. E vou amar de novo, quando chegar a hora, quando puder ser inteiro e feliz.
- Sabia que eu te admiro? Desde que a gente se separou você está sozinho e segurando a barra como uma fortaleza. Eu não aguentaria 6 meses sem ninguém. Muito menos suportaria sentir tudo isso num país estranho, sem amigos nem família para dividir a dor.
- Há certas dores com as quais a gente se acostuma. Ao ponto delas não nos afetarem tanto. Eu continuo sendo o mesmo cara feliz, entusiasmado, palhaço, amigo, curioso que você conheceu há 5 anos. Só às vezes que você me dói. Numa música, num filme que vimos juntos, em alguém que conta que te viu. Mas é cada vez menos. Eu sou muito tranquilo.
- Eu sei. Sinto saudade da paz que me dava de te ver dormindo.
- É nisso que o teu sentir é complicado.
- Como assim?
- Na dubiedade. Assim você me amarra. Me aprisiona sendo teu. E quando eu estiver quase me libertando, você aparece de novo e me rouba de mim. Tá na hora de acordar, volta para a tua vida aí que ficou te esperando, e me deixa com a minha. Agradeço a preocupação, não me leva a mal com o que eu vou dizer agora, mas eu estou melhor sem você. Eu não queria dizer isso assim escrito, porque não faz juz à minha honestidade ao sentir e você pode entender como desaforo. Eu quero que você, se realmente me ama, fique feliz por eu estar melhor assim. E não me diga mais que o outro não faz o que eu fazia, nem me fale do gosto do meu beijo, nem da nossa intimidade até então imbatível. É muito feio.
- Tá.
- Beijo.
- Beijo.

BOMBA

Instinto Selvagem 2. Uma cara e embaraçosa piada sem graça.

14.5.06

Com M maiúsculo

Toda vez que, no meu aniversário, ia algum amigo/a diferente na minha casa, a minha mãe chegava de mansinho e dava um jeito de juntar a turma e contar do dia em que eu nasci.

Eram aproximadamente 7:30 da noite e minha mãe começou a sentir as contrações. Ligou para Geni (sua fiel amiga e vizinha) e atravessou a rua, rumo à Beneficência Portuguesa. Na saída de casa, cruzou com meu pai e disse casualmente: "Estou indo para o hospital". Meu pai, na tranquilidade do sexto parto, pensou consigo "isso vai demoraaar..." .

Chegando no hospital o médico examina e diz:"Ele está na posição errada, e, se não sair agora, enforca-se no cordão umbilical". Lá vai a Geni correndo em casa buscar a maleta com as roupas e tal. Encontra meu pai tranquilíssimo, fritando bife e assistindo ao Jornal Nacional.

- Vamos que teu filho tá nascendo!
- Tá nada, eu já vi esta novela cinco vezes. Depois do jornal eu vou.
- Depois do jornal vai ser tarde. Eles vão ter que cortá-la. Teu filho está nescendo!

Não há registros se meu pai efetivamente terminou o bife. Minha mãe estava urrando de dor no hospital, Geni já morreu e o próprio se recusa a falar no assunto.

E aí que realmente precisou cortá-la porque eu resolvi vir ao mundo já ocupando espaço. Só que depois de dado à luz, não houve quem fizesse o bebê chorar, roxo, sem batimentos nem qualquer sinal de que fosse reagir.

Neste momento da história, os ouvintes já me olham com cara de acusação, balançando a cabeça e pensando "como tu dás um susto desses na tua pobre mãe?".
E aí o tom da narrativa ganha suspense e pausas dramáticas.

- A enfermeira já estava levando ele embora, o médico já havia me desenganado e tudo!! Foi quando eu ouço uma tossezinha abafada láááá no fundo. Ele estava vivo!

"Uaaau!" Suspira a platéia aliviada, como se não soubesse do fim da história.

- Alguém mais quer croquete?

**

Eu amo a minha mãe. Talvez mais hoje do que quando criança, porque hoje eu identifico os atos de amor por ela praticados no passado com os olhos de quem sabe amar porque foi amado. Quando jovem, eu pensava que ela contava esta história sempre para me envergonhar. Um belo dia, num aniversário há alguns anos, eu perguntei:

- Mãe, por que tu sempre contas isto? Para eu não esquecer do trabalho que dei ao nascer?
- Não. Porque eu quero que as pessoas saibam que tu existires, pra mim, é um milagre.


Páft!


**


FELIZ DIA DAS MÃES PRA TODO MUNDO


.

13.5.06

O Fórceps e a Tuberculosa

P.J. Harvey

Dica da loira, filha do dono. Mais aqui.

**


Sonhei que vivia nos anos 60, usava terno e sapato brancos e, ao cruzar na rua com uma amiga que há muito não vejo, recebo o seguinte aviso:

- Cuidado com a tuberculosa!
- Como assim? (Pergunto eu, não entendendo nada)
- É preciso que tu tomes muito cuidado com a tuberculosa. Ela está te seguindo. (Isto dito aos sussurros, em voz têmula, sílaba a sílaba, enchendo minha orelha de cuspe)
- Ela quem??? (Olhando para todos os lados, sem ver nenhuma pessoa do sexo feminino tossindo sangue ou com aparência enpalidecida e desvalida)
- Não! Jamais olhe para os lados! Eles vão perceber!
- Mas não era uma tuberculosa? Que história é esta de "eles"?
- "Eles" mandaram a tuberculosa atrás de ti.
- Por quê?
- Tu sabes bem. Por causa do ocorrido.
- Não. Eu não sei. Que ocorrido?
- Olha, Carlos, nós não temos tempo pra isso. Faz o seguinte, entra naquela farmácia ali na frente e compra um fórceps para poderes te defender sem levantar suspeitas.
- Ma-mas...
- Não. Não hesite, faça o que eu estou mandando, Carlos! Eu posso estar salvando a sua pele!
- É que eu não me chamo Carlos.

Ela tira os óculos escuros em formato de olho de gato e com lentes vermelhas, me olha de cima a baixo, faz um gesto impaciente com a mão pra eu levantar a camisa, certifica-se de que eu não tenho um dromedário tatuado no terceiro mamilo, nem sequer tenho um terceiro mamilo.

- Perdão, me enganei.

E sai rapidinho pela rua, fazendo um toc-toc incessante com sua bota branca de cano longo e salto 15, esbarrando acidentalmente numa mulher de cabelos negros, pele extremamente alva, olheiras profundas e uma boina verde, que tossia sem parar. Olhou para trás, mantivemos contato ocular por segundos, antes que o Opala preto de vidros fumê dirigido por Tony Tornado encostasse e a levasse embora.

ENCONTROS

Sheltering Sky

Eu preciso dizer uma coisa: na maioria das vezes, estar em boa companhia faz até das coisas mais dolorosas, mais suportáveis ou até mesmo prazerosas. Ir a um lugar que você costumadamente detesta pode ser divertidíssimo se você estiver cercado de bons amigos. Fazer um programa que por definição chega a ser doloroso de tão medonho, pode se tornar uma festa, se com você estiverem pessoas bem humoradas, capazes de tirar sarro da situação. Só para citar uns exemplos bobinhos. Deve ser porque o prazer da companhia independe do lugar. O que realmente pontua o encontro é a cumplicidade e onde ela existe não há tempo ruim.

Cúmplice é aquele que compactua com certas "agravâncias" de viver, e compartilha com você de alguns não-entenderes, determinantes na sua personalidade. Ter este elo quase físico com o outro nos eleva a uma condição de viver mais sublime, até mágica. Faz de nós adultos menos tristes e, certamente, um pouco menos solitários, ainda que apenas pela duração do encontro.

Eu falo isto porque, lendo uns blogs em que cheguei pelo link do link do link, percebi que muito embora existam blogs comentadíssimos, famosos e bem-sucedidos, com firulas, efeitos e fogos de artifício (taí uma palavra importante), não se percebe o leitor sentindo e compreendendo. O que se vê é muita gente querendo participar, comentar, falar besteira, provocar polêmica ou simplesmente provocar.

Aqui não.

E eu não vou forçar a barra para me encherem de comentários, porque eu sei que quem comenta, o faz naturalmente, pelo sentir. Claro que todo mundo que escreve (seja a tolice que for) quer um retorno, uma troca. Doa-se ao outro uma parte de si, nada mais justo receber um afago, uma sacudida, um contraponto. Mas o bom mesmo é quando você sente que o leitor tem um pouco de você nele. Eu sinto um pouco de mim em t.o.d.o.s. vocês que comentam, sem exceção.

Mentalize raios de luz.

É bom. Demais.**Na foto, O Céu Que Nos Protege, de Bertolucci.

12.5.06

DOES THAT MAKE ME CRAZY?

Danger Mouse no Coachella

Prepare-se, se você ainda não ouviu Crazy, que está há mais de um mês no primeiro lugar na parada britânica, ainda vai ouvir muito. Mas muuuito mesmo. Gnarls Barkley, a dupla que canta a canção, é na verdade formada por Danger Mouse (este da foto no Coachella, semana passada) e pelo rapper Cee-Lo. Quando ouvi Crazy pela primeira vez, achei que era do Moby, porque ela tem aquele vocal bluesy tipo os que o Moby usou em Natural Blues.

Só para constar, esta Crazy, não tem nada a ver com o filme C.R.A.Z.Y. de que eu muito falo aqui. No filme, o nome vem de outra canção do mesmo nome, mas de Patsy Cline, dos anos 60.

Eis a letra. Um dia você vai me agredecer.

Gnarls Barkley "Crazy"

I remember when, I remember, I remember when I lost my mind
There was something so pleasant about that place
Even your emotions had an echo and so much space

And when you're out there without care
Yeah I was out of touch
But it wasn't because I didn't know enough
I just knew too much

Does that make me Crazy
Does that make me Crazy
Does that make me Crazy
Possibly

And I hope that you are having the time of your life
But think twice, that's my only advice
Come on now
who do you, who do you, who do you, who do you
think you are, ha ha ha bless your soul
you really think you're in control

I think you're Crazy
I think you're Crazy
I think you're Crazy
Just like me

My heroes had the heart to lose their lives out on the limb
All I remember is thinking I want to be like them.
Ever since I was little, ever since I was little
It looked like fun
And it's no coincidence I've come
And I can die when I'm done

But Maybe I'm Crazy
Maybe you're Crazy
Maybe we're Crazy
Probably

É tanto crazy, né? Gente louca...

Quem quiser ouvir na Rádio Cafeína, tenha paciência. Aperte play e, em seguida, pause. Deixe baixar um minuto e escute sem interrupções.


Rádio Cafeína

11.5.06

EXTRA! EXTRA!

O jornal francês Libération publicou hoje esboços de alguns figurinos encomendados a Jean-Paul Gaultier por Madonna, para a nova Confessions Tour, marcada para começar dia 21 de maio em Los Angeles. Embalos de Sábado à Noite, coroa de Jesus Cristo, Dominatrix Equestre Descontrol, a coisa vai ser boa, meus filhos...

PA(I)Z

C.R.A.Z.Y.

Durante um período da minha infância, domingo era um dia mágico e especial. Primeiro porque era o dia que minha mãe cozinhava, almoço e sobremesa, e segundo porque era o único dia da semana que meu pai, comerciante, não trabalhava. Eu era o primeiro da casa a acordar, levantava bem cedo, por volta das 6:30 da manhã e ia correndo para a sala assistir "Concertos para a Juventude" e depois "The Muppet Show". Em seguida, levantava meu pai, tirava o carro da garagem e me chamava para irmos comprar o jornal de domingo numa banca de revistas perto do correio, a única aberta tão cedo da manhã. Claro, eu não ia apenas pela Zero Hora, mas também tinha direito a escolher uma revista em quadrinhos. Evidente, eu não sabia, mas também não ia meramente pelo gibi a que tinha direito, mas pelo raro momento que meu pai me permitia de sua companhia.

Éramos, já, estranhos um ao outro, só que - sabe como é criança - havia uma curiosidade imensa em estar com aquele homem que eu queria ser quando crescesse. Imaginar que um dia eu também dirigiria um carro, teria uma carteira cheia de dinheiro, compraria o jornal com meu filho. Aos 6,7 anos isto me parecia um ideal plausível e desejável. Além do mais, quando se tem mais quatro irmãos, saber que aquele momento é só teu, te dá uma certa propriedade, um sentimento de pertencer.

Um belo domingo meu pai acordou e, ao me encontrar na sala cantando "ma-nã, ma-nã" com os Muppets, me olhou bem sério e disse "Tu já estás muito grande para ler gibi". Ou, como minha mente de criança entendeu, "Eu não quero mais a tua companhia".

A partir de então, declaramos guerra.

Em C.R.A.Z.Y. (na foto), filme selecionado para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro pelo comitê canadense (muito embora nem tenha chegado à lista final), Zac busca incessantemente conhecer o pai, aproximar-se dele, muito embora acabe também "declarando guerra", pela falta de aceitação.

É só chegando à vida "adulta" que a gente percebe uma coisa que Clarice Lispector dizia, com aquela sua compreensão tão vasta da alma humana, a respeito do adulto: "Todo adulto é triste e solitário (...) a criança, não. A criança tem a fantasia."

Hoje é mais fácil (não que seja fácil, mas sim possível) pra mim entender que meu pai já era, naquela época, adulto, triste e solitário. Eu também era solitário já aos seis, sete anos, mas não era triste, justamente porque tinha a fantasia. Meu pai já não tinha mais um pai e nem isto lhe serviu de estímulo para se fazer mais presente, mais pai para os cinco filhos que tinha. A verdade é que a gente só pode dar aquilo que tem. Bandeira branca, pai.


10.5.06

Almodovar en el cine

Se acaso perguntarem por mim, diga que eu estou ali na sala vendo La Mala Educacion pela quinta vez.

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Eu quero muito, Santo Antônio, que o senhor já vá se organizando para me dar de aniversário (esqueça 12 de junho, mentalize 29 de julho) uma paixão-zinha que seja. Um flerte que acabe em beijo, um primeiro toque acidental-entre-aspas, uma surpresa de identificaçao na intenção do olhar. Não se incomode agora, só estou lhe avisando com antecedência para o senhor já ir manipulando o destino e as fatalidades do amor de modo a cruzar as linhas necessárias para o encontro.

Mas, lhe imploro, meu santo: faça um trabalho bem feito. O senhor tem sido muito meia-boca comigo ultimamente e eu acho isto uma vergonha para uma divindade da sua estatura. Ou me faça uma boa surpresa ou nem se atreva a me mandar cupidinho incompetente fazer o serviço que o senhor faz muito melhor.

Estamos acertados?

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Há momentos em que eu honestamente duvido da minha capacidade de pertencer. A este esquema que nos faz acreditar que trabalhar duro, sacrificar-se, esquecer sonhos, leva à glória divina. Nem sempre, amigo, nem sempre.

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Hoje eu quero ver filme, comer chocolate e pipoca tomando Pepsi. Bem idiota, bem previsível, bem simples.


9.5.06

Parabéns Pra Você



Sister, you've been on my mind
Sister, we're two of a kind
So Sister, I'm keeping my eyes on you

I bet you think I don't know nothing
But singing the blues
Hey Sister, have I got news for you
I'm somethin'
I hope you think that you're somethin' too

Scuffling, I been up that lonesome row
And I seen a lot of suns go down
Oh but trust me
no low life's gonna run you down

So let me tell you something, Sister
Remember your name
No twister's, gonna steal your stuff away
My Sister, we sure ain't got a whole lot of time
So shake your shimmy Sister,
'Cos honey, me sure is feeling fine


Miss Celie's Blues, de Quincy Jones para o filme A Cor Púrpura

8.5.06

CINZA-CHUMBO

Eu vim pra cá em busca de um refúgio que nada mais conseguiu me dar. Sentar na entrada do flat para fumar um, dois cigarros não me sossegou, muito menos me aquietou rolar no desabrigo da cama. Não sei bem do que preciso, porque pouco me conheço, pelo menos não o bastante a ponto de prover remédio para dor que seja.

Não basta a ninguém, melhor dizendo, a mim meramente vagar pela vida. Precisamos, melhor dizendo, preciso sentir (palavra-chave) que tenho uma estrutura fundamental que me liga a Deus (ou que nome tenha) e ao mundo de uma forma que signifique algo além da explicação que a palavra me permite. Este erro (não o desacerto, mas o estado errante, daquele que vaga) é instigante e sedutor quando se busca no universo algo de mais profundo. No entando, ter um lar que te espera no final da perigrinação é de uma (e aqui me falta a palavra/definição, portanto deixo a lacuna).

E meus irmãos quem são? Eu sei quem é minha mãe. Eu sei do meu sentir, o meu amor, onde guardo, quem já viu. Mas e eles? O que sai deles quando a vida os espreme? Pra quem eles ligam quando têm medo? De quem são os braços que lhe fazem falta? Como é que, sob o mesmo teto, com o mesmo sobrenome, se criam cinco quase-estranhos? Em que momento deixamos de tentar?

- Agora, confesso, me deu uma vontade instintiva de pressionar ctrl+a del. Soou o alarme que denuncia aquelas áreas nossas das quais a gente se incomoda de falar -

Mas não. Eu quero dizer isto a vocês. Eu já não me escondo mais, perdi a vergonha de ser. Porque a gente não deve ter vergonha de ser, senão acabamos estranhos também.

A esta altura, você pensa que eu devo ser meio perturbado, que minhas idéias são um tanto incoerentes (iguaizinhas ao meu texto) e perde o interesse. A verdade é que eu sou que nem você, só falo diferente, porque o meu não-entender as coisas é diferente do seu. As minhas imagens tendem a ser meio dark, meu humor beira o escárnio e às vezes não. Tem horas que pra mim, assim como pra você, viver é mais leve, mais simples, preto-no-branco. Outras não. É pesado, nums tons mal-amados de cinza (viu só? Cinza-chumbo se chama assim, porque viver no cinza é pesado) .

E quando pressionar publish post, eu sei (e só sei por sentir) que meus braços desafiarão a matéria e se estenderão ao abraço de quem quiser não-entender junto comigo.

7.5.06

RETALHOS



"Mulher ateia fogo no marido após traição

SÃO PAULO - Uma mulher de 35 anos ateou fogo no marido, de 28 anos, após pegá-lo na cama com a amante. O caso ocorreu em Marília, na região de Bauru. De acordo com a Polícia Militar, Márcia Regina Trecenti, ao chegar em sua casa, encontrou o marido, Marcelo Luiz de Souza, na sua cama, com outra mulher.

Ao ver a cena, Márcia passou a agredir a amante, que conseguiu fugir correndo. Ao querer uma explicação de Marcelo, este se recusou a conversar e disse que iria dormir. Nervosa, Márcia pegou um galão com gasolina, jogou em cima de Marcelo e acendeu um fósforo.

atenção para o detalhe do 'nervosa'."

No McFlurry, da Rou.

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"Informo-lhes que em total solidariedade ao pré-candidato do PMDB à Presidência da Republica, eu também não almocei. Só comi um picolé."

Roberta Arabiane, ENOORME de gorda, no Megeras.

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"Esse post não é sobre o Partido dos Trambiqueiros, não. É pra contar que a jumenta da empregada manchou, estragou, deu Perda Total naquela minha calça de fazenda invocada [tão lembrados? a que tava meio justa nas pernas, parecendo capa de espingarda.]."

Coisa do Guga, o Pedreiro, que acha que tem munição para encher uma capa de espingarda.

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"O amor é que nem grama. A gente planta, a gente cuida, ele cresce, aí vem uma vaca e estraga tudo"

No Wise Up, Give Up, da Lilicita, só no msn...

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"- Como tu te sentes?
- Eu acho que estou me sentido bem e não acho que seja sério ou grave, acho que é fase e acho ainda, que tenho como superar.
(aqui existe silêncio e resignação absoluta)
- De achismos, minha querida, as colônias para os mentalmente interessantes, estão cheias. Volte na semana que vem, quando serás atropelada por um cavalo, garanhão.
- Sim, senhora."

Dita Von Claire, uma das Filhas do Dono.

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" Voltei pelo segundo andar para ir na C&A e na ilha de responsabilidade social do shopping está a ONG
Duas mãos quatro patas, que auxilia animais de rua. Eles são recolhidos, tratados, alimentados e postos para adoção.Fiquei muito tentado ? na página deles tem fofuras que sofreram o diabo. Cada história de cortar o coração. Por enquanto, só comprei a camiseta que ilustra o post. Fofa, não? Por só vinte dinheiros você está ajudando os bichinhos. Menos que um DVD da Cher!"

No Blog do Marcelo.

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"AZUUUUUUL, QUASE ROXA.
Ao contrário do que se desejaria, as temperaturas mínimas no estado estão em decréscimo no decorrer da semana. Sabendo que: 1) Ticcinha tem um casamento às dez e meia da manhã em Bento Gonçalves (serra) para o qual mandou fazer esfuziante vestido azul e que 2) a temperatura esperada é de 8ºC, a previsão é que compareça à cerimônia um picolê de hortensia de estola.

Valei-me minha nossa senhora da gangrena."

Ticcia, no Megeras.


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Como você pode observar, tem gente muito mais criativa do que eu na rede. Pra quê, então, fazer post novo, se você pode colar textos bons de um bando de pessoas mais interessantes??

Hein??

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E na Rádio Cafeína, a música numero um na Inglaterra há 4 semanas:



Rádio Cafeína

4.5.06

CERCADO DE LUZ

Nós, seres que se dizem humanos, somos muito descuidados com o que é frágil. A gente caminha na rua e deixa passar, não vê que às vezes, jogada no asfalto, convalesce uma flor que caiu de alguma cesta, de um arranjo, de um bouquet. Ou quem sabe alguém ganhou de um ser amante que não era ser amado e jogou ali para mostrar desprezo. Ou a Clara foi colher uma para dar à mãe e vieram duas. Daí, não dá. Duas não. Joga-se uma fora. Ou a moça, de hora marcada no dentista, não sabia da alergia seríssima do doutor e imediatamente jogou a flor pela janela. Talvez a diarista descuidada, limpando a sacada do sétimo andar, defenestrou a pobrezinha. Quero ver quando a patroa chegar.

E não mais que de repente passa alguém, condolido pela dor do outro (em momentos, tão sua também) e decide colher a margarida jogada no asfalto.

Caio, sempre ele, tão louco, brincando com o significado folclórico das cores, dizia que margarida é sofrimento cercado de paz por todos os lados. Amarelo é desespero e branco é paz. Eu já acho que branco é luz.

Margaridas, boa casa nova!

3.5.06

PAROLE



Cláudia, bem vinda a este universo de glamour, sexo, drogas e baixaria que é a blogosfera. Não se deixe cegar pelos flashes e pela fama. Boa sorte e obrigado pelo link!

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Aviso aos navegantes da raposa de fogo: este blog não funciona direito no Firefox. Por conta disso, vocês perdem de ver alguns posts como este e este, só para citar os mais recentes. Já chamamos a Taninha da técnica e parece que o defeito se dá por conta de uma pecinha quebrada no template. Ligamos para a assistência técnica, mas, como este blog ainda é Telefunken (e, convenhamos, não se fazem mais tubos de imagem como este), a tal peça já saiu de linha. Ou seja, a esperança agora é encontrar uma usada num desmonte. Toda esta explicação para dizer: vai demorar!

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O vesgo da foto sou eu, pouco antes de começar a fumar, por isso a pele tão boa.

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Hoje na Rádio Cafeína, "Parole, Parole", do Kid em momento inspiradíssimo.


Rádio Cafeína


2.5.06

C.R.A.Z.Y.

C.R.A.Z.Y.

Imagine um filme que conte a história da sua vida, sem tirar nem por, com fatos, idades e até músicas coincidentes. Pra mim foi o canadense C.R.A.Z.Y., que estreiou nos cinemas aqui da Inglaterra sexta-feira passada.

Agora eu não posso mais falar porque eu preciso voltar pro corpo, de onde eu saí na metade do filme.

Fique na companhia de Patsy Cline.



Rádio Cafeína

1.5.06

VICIADOS EM CAFEÍNA


Liz Taylor e Warren Beaty tomando café em Jogo de Paixões (The Only Game in Town, 1970), de George Stevens.

Ele viciado em jogo e ela em homens. Os dois em cafeína.

DA MORTE

Passado o hiato de trezentos e muitos dias nebulosos em que mergulhou em profunda dissonância com quem realmente era, acordou com muita dificuldade. Pálpebras pesadas recusando-se a deixar entrar os jatos de luz do sol que jorravam no quarto, depois de perfurarem o linho das cortinas marrons. Sol. Finalmente já conseguia agora manter os olhos abertos. Sol. Olhou e pensou alguma coisa a respeito do sol, provavelmente algo de outra vida.

Suave. Seus pés e mãos já não eram mais ásperos, tampouco lhe doiam as costas e joelhos. Tal era o deslumbre com a ressureição do físico que demorou a perceber a leveza. Vazio. A leveza de se estar com o espírito em paz, de não se sentir só, de não angustiar subitamente a proximidade do outro. E de não morrer a cada distância estabelecida pela brutalidade de viver.

Brutal. Assim lhe pareceu aquele período em que a vida, esta entidade sádica e prepotente, se mostrou mais intolerável. Viver, em momentos, lhe parecia realmente, incrivelmente, intolerável. E a aí se morre para ela. Porque morrendo se tem a chance de recomeçar. Morrer é ganhar o presente da pausa. Do parar, da chance de sentir com calma cada corte, cada roxão por você guardado em lugares inalcançáveis pela obviedade do cotidiano.

Batida. Não havia mais aquele som irritante e incessante da batida do coração lhe assombrando como um relógio antigo prestes a despertar, ou uma bomba-relógio prestes a explodir. Nunca se sabe. Em épocas é um despertar, em outras, a explosão. Viver é não saber.

E estar pura e simplesmente existindo naquele quarto inundado por feixes alaranjados bastava. E sentou no chão, recostando-se na cama, fitando a porta, na outra extremidade do cômodo. Onde existe uma porta, há uma passagem, um caminho, um espaço. E se alguém a colocou ali, é porque o trânsito era necessário. Seria?