13.5.06

O Fórceps e a Tuberculosa

P.J. Harvey

Dica da loira, filha do dono. Mais aqui.

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Sonhei que vivia nos anos 60, usava terno e sapato brancos e, ao cruzar na rua com uma amiga que há muito não vejo, recebo o seguinte aviso:

- Cuidado com a tuberculosa!
- Como assim? (Pergunto eu, não entendendo nada)
- É preciso que tu tomes muito cuidado com a tuberculosa. Ela está te seguindo. (Isto dito aos sussurros, em voz têmula, sílaba a sílaba, enchendo minha orelha de cuspe)
- Ela quem??? (Olhando para todos os lados, sem ver nenhuma pessoa do sexo feminino tossindo sangue ou com aparência enpalidecida e desvalida)
- Não! Jamais olhe para os lados! Eles vão perceber!
- Mas não era uma tuberculosa? Que história é esta de "eles"?
- "Eles" mandaram a tuberculosa atrás de ti.
- Por quê?
- Tu sabes bem. Por causa do ocorrido.
- Não. Eu não sei. Que ocorrido?
- Olha, Carlos, nós não temos tempo pra isso. Faz o seguinte, entra naquela farmácia ali na frente e compra um fórceps para poderes te defender sem levantar suspeitas.
- Ma-mas...
- Não. Não hesite, faça o que eu estou mandando, Carlos! Eu posso estar salvando a sua pele!
- É que eu não me chamo Carlos.

Ela tira os óculos escuros em formato de olho de gato e com lentes vermelhas, me olha de cima a baixo, faz um gesto impaciente com a mão pra eu levantar a camisa, certifica-se de que eu não tenho um dromedário tatuado no terceiro mamilo, nem sequer tenho um terceiro mamilo.

- Perdão, me enganei.

E sai rapidinho pela rua, fazendo um toc-toc incessante com sua bota branca de cano longo e salto 15, esbarrando acidentalmente numa mulher de cabelos negros, pele extremamente alva, olheiras profundas e uma boina verde, que tossia sem parar. Olhou para trás, mantivemos contato ocular por segundos, antes que o Opala preto de vidros fumê dirigido por Tony Tornado encostasse e a levasse embora.

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