29.6.06

Eu Vou Torcer

(Jorge Benjor)

Eu vou torcer pela paz
Pela alegria, pelo amor
Pelas coisas bonitas
Eu vou torcer, eu vou
Pelas coisas bonitas
Eu vou torcer, eu vou

Pelo inverno
Pelo sorriso
Pela primavera
Pela namorada
Pelo verão
Pelo céu azul
Pelo outono
Pela dignidade
Pelo verde lindo desse mar
Pelas coisas bonitas
Eu vou torcer, eu vou
Pelas coisas bonitas
Eu vou torcer, eu vou

Eu vou torcer ...

Pelas coisas uteis
Que voce pode se comprar com 10 reais
Pelo bem estar
Pela compreensão
Pela agricultura celeste
Pelo meu irmão
Pelo jardim da cidade
Pela sugestão
Pelo amigo que sofre do coração
Pelas coisas bonitas
Eu vou torcer, eu vou
Pelas coisas bonitas
Eu vou torcer, eu vou

Eu vou torcer pela paz
Pelo amor, pela alegria, pelo sorriso
Eu vou torcer pela amizade, pelo ceu azul, pela dignidade
Eu vou torcer pela tolerancia, pela natureza, pelos meninos, pelas meninas
Por mim, por voce
Eu vou torcer

**

A mídia não consegue se livrar dos chavões jogo-bonito, Ronaldo-gordo, time-reserva blá blá blá. Quem não gostar que desligue a tv.

**

Esta é a melhor época de se ir ao cinema. As distribuidoras seguraram o lançamento dos blockbusters, dando lugar aos filmes alternativos. Agradecemos.

**

A tv Gauíba, de Porto Alegre, continua usando a mesma vinheta com símbolo da emissora de 20 anos atrás.

A MTV Brasil está cada vez pior, mais idiota e pseudo-politizada. Seria um retrato dos adolescentes brasileiros? Não sei. "I can't help but wonder..." como diria Carrie Bradshaw.

**

Mas, enfim, "é melhor ser alegre que ser triste"...



28.6.06

O Dia em Que Anais Nin Encontrou Karen Carpenter

Coisas meio bobas estas do dia-a-dia. Acordar sentindo cheiro de quem já não é mais, levantar tropeçando em fios, ligar a cafeteira, abrir a janela e ser atingido pela primeira rajada de sol, mascar a própria saliva ainda amarga da noite anterior, tomar café bom-forte-fumegante. Tudo isso sozinho.

O telefone,
a campainha,
quase meio-dia.

Comida. E agora? Qualquer coisa. Quem se importa?

A louça.
O forno,
Detergente.

Já sei. Música. Quem? Sem dúvida, Karen Carpenter. Mas qual? Hurting Each Other se impôs tão absurdamente que eu não tive outra escolha.

A resistência,
o fio,
pão.

Desço, compro, subo.
Desço, compro, subo.
Desço, compro, subo.

E duas malas ainda gordas da viagem me olhando como as câmeras enfrentativas de George Orwell e eu querendo achar aquele canto mágico de 1984 onde elas não me enxerguem.

Abro mala. Roupas amassadas, memórias, presentes, livros, livros, livros. Onde andará Anaïs Nin? No bolso de dentro, abraçada em Jacqueline Suzanne, quem diria...

Karen se cala. Teria sido por respeito a Anaïs? Roupas no armário, silêncio, Isaac Hayes: Walk on by.

Telefone:

-Compraste?
-Comprei.
-Trocaste?
-Troquei.
-Comeste?
-Comi.
-Tudo bem?
-Tudo bem.

O velho Isaac volta a cantar. Apago a luz e é tão melhor ouvir sem ver.

Deito.

E aquele cheiro voltou.

25.6.06

O Show da Vida


Alguém já percebeu que Renata Ceribelli, a repórter do Fantástico, se fosse loira, seria a cara da Paula Toller?

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E a leitura labial que os surdo-mudos fizeram daquelas coisas que os jogadores e técnicos dizem durante as partidas?

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Ai, Jesuis.... o Tony Ramos, vestindo uma calça Saint-tropeito, agora é apresentador?

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E a leitora Eliane Chaves mandou um e-mail ultra-mega-dilícia. Um trecho para vocês terem noção:

"Bem, meio louco esse negócio de escrever para uma pessoa q a gente nem conhece ( e q não faz idéia d q existimos ! ), ha,mas ok, então vou me apresentar...cheguei no seu blog, nem sei direito como, acho q pelo megeras, q, sinceramente, tb não sei como fui parar, mas q visito vez em sempre...sei lá, sabe qdo vc lê o texto de alguém e de vez em qdo passa para dar uma olhada e, de repente, esse de vez em qdo vira rotina e vc nem lembra mais como começou? Pois é, ninguém manda vcs escreverem tão bem...
Na verdade, dou uma navegada pra arejar a cabeça q fica meio quente no trab, então, vcs me fazem companhia em algum momento do dia..."

Lili, obrigado, obrigado, mil vezes, amém. Quando a gente começa a escrever em blog não o faz com o intuito de fazer sucesso com os leitores, acho que nem pensamos muito - ao menos conscientemente - em ter leitores. O conceito de bloggar é absurdamente umbiguista e instintivo, porque as palavras já estão naquele ponto de escorrer da gente e precisamos ter onde deixá-las pingar.

No início é silencioso, quase ninguém conhece, muito menos comenta. Aos poquinhos, encontramos outros com a alma parecida, nos emocionamos, damos risadas e daí o prazer de escrever só cresce.

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E o sonoplasta do Fantástico só agora descobriu Portishead. Em três reportagens só deu Beth Gibbons e sua trupe.

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Ouvindo Ana Caram, a cantora brasileira que mais vende cds no Japão. Bonitinho, a gente nem sente que está tocando.

23.6.06

A Elegância e o Telefone

Será que é isso mesmo? A gente funciona por instinto, mesmo aqueles mais avançados, com bom currículo, sem vícios? Triste, né? Vaidade é uma coisa triste. Não me entenda mal, vaidade aquela de cuidar de si, querer ser bonito e tal é ótima. É da outra vaidade que eu estou falando. Aquela outra é péssima.

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No meu tempo, existia uma certa elegância na paquera. E olha que eu tenho 31 anos, "no meu tempo" não faz tanto tempo assim.

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No meio da tarde, o telefone:


-Alô.
-Oi, quer dizer que tu voltas para o Brasil e nem me ligas?
-Ah... tu mudaste de celular, eu nao sabia teu número novo.
-Agora já sabe.
-...
-E aí? Já posso deixar daquele outro pra casar contigo?
-Posso consultar os universitários?

#Eu juro que não sei lidar com propostas assim#

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Débora Falabella faz uma Sinhá Moça muito enjoada. Lucélia Santos era um bafo.

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Hoje eu viajo 4 horas rumo ao sul, vou comer o melhor churrasco do mundo e, provavelmente, não vou postar. Por isso, fiquem bem, tenham um ótimo final de semana, beijem na boca de quem não deviam, peguem na mão de quem não conhecem, amanheçam nos braços de estranhos por mim, tá?

22.6.06

Desertos

Early Sunday Morning, Edward Hopper


Sam Shepard estrelou e escreveu (junto com o diretor Wim Wenders) Don't Come Knocking (2005) que inexplicavelmente no Brasil ganhou o título de Estrela Solitária.

Ok, é um filme que fala de solidão, só que ao meu ver prevalece a solidão dos lugares isolados, da aridez como metáfora do vazio interno de cada um. Os espectros do passado vergonhoso assombram os cenários inóspitos do interior dos Estados Unidos tal qual o fazem numa tela de Edward Hopper, cuja influência estética se faz presente aqui nas angulosas sombras e nas cores (no céu muito azul, paredes muito vermelhas e areia alaranjada).

Lembra muito Paris, Texas, clássico do mesmo diretor, pois traça a história de uma viagem que na verdade é duas: a de dentro e a de fora. Sarah Polley (do fantástico Minha Vida Sem Mim) conduz seu papel com muita responsabilidade, aparentando ser - no início - um peronagem menor, para culminar no final como um dos destaques da trama.


Fora todo o resto que Wenders sempre fez muito bem, trilha, fotografia, ângulos, edição, os gestos, close-ups, sons. Aquela belezura habitual.

Daí, você que foi ao cinema no meio da tarde, porque ainda pode, sai da sessão e vai tomar um espresso duplo para refletir a respeito. A primeira coisa que passa na cabeça é que o mundo anda rápido demais e a vontade de pedir um silêncio emergencial e um amor tranquilo é inevitável. Mas os ônibus continuam a deixar sua nuvem preta no ar, os carros continuam a não esperar que você atravesse a rua, as pessoas continuam a falar alto nas calçadas, os taxis buzinam indecentemente e tudo segue igual a sempre. Sorte sua que, por duas horas ao menos, você pôde ver como é pegar a via opcioal, experimentar o plano b. É por estas coisas que o cinema é mágico.

21.6.06

Sub-texto


Sabe quando você revê sinais antigos e percebe que o subtexto nem era tão subtexto assim, estava na cara? Só você que não percebeu, entende? E que quando as pessoas querem uma coisa elas movem meio mundo para conseguir, mesmo que seja para depois não acharem nada demais na coisa conseguida, mascar e cuspir fora? E a coisa era você. Sabe como é?

Só divagando, deve ser de tanto ver novela, coisa que eu não fazia há uns 3 anos. Não reparem.

**

Os cílios da Ticcia são uma cousa que não é deste mundo. Sim, com tanta coisa linda na megera, eu fui logo reparar no cílio. Mas não tem como não. Um dia eu tiro foto e mostro.

**

E, apesar de Santo Antônio ser meio funcionário-público-de-má-vontade, Deus é bom.

E basta!

20.6.06

O Mascarado, o Rei e Courtney Love

Senhor Cafeína, meu pai, liga da cidade aquela para falar com a Senhora Cafeína, minha mãe. Logo após desligar o fone, a Senhora minha mãe me olha e diz "Estou preocupada com teu pai. Ele está com uma voz de mascarado ..."

Glossário Cafeinês-Português:

Voz de mascarado: rouquidão ou tom de voz ameaçador.

Ou seja, Cafeíno-pai está com dor de garganta.

**

Enquanto isso, na cozinha, minha tia (na esbeltez dos seus 80 anos) lava a louça ouvindo funk. "Me chama de cachorra que eu faço au au, me chama de gatinha que eu faço miau". Não sabia que Dona Edith era preparada.

**

E na Globo, Courtney Love (e seus 3 queixos) faz caras e bocas do tipo péssimas num filminho medíocre que nem Charlize Theron salva.

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Ah, mas que coisa boa chegar no Brasil juntinho com o horário eleitoral gratuito.

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Aqui tem a única rádio do Brasil que toca Roberto Carlos o dia inteiro: Caiçara AM, a terceira rádio am mais ouvida de Porto Alegre. É uma do Rei e outra de algum artista similar "das antigas" seguida de outra do Roberto e assim por diante.

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Sabe quando você liga, liga, liiiiiga e a pessoa aquela não atende? É sinal de que está na hora de parar de ligar.

**

18.6.06

Música é Perfume

Porque, assim como um cheiro te lembra imediatamente de alguém ou de uma situação, a música funciona da mesma forma. Foi mais ou menos isto que disse Bethânia no documentário Musica é Perfume, de Georges Gachot, que traça paralelamente momentos definitivos na vida da cantora e do Brasil.

Não, você não fica sabendo de fofocas cabeludas a respeito da vida pessoal da irmã de Caetano, nem descobre quem ela namorou, mas, em compensação, é presenteado com momentos mágicos de Bethânia no palco, em estúdio e na privacidade.

Que outra figura teria a tranquilidade de dizer que odeia o pôr-do-sol, "essa coisa meio barro, meio tijolo" ?

Quem mais cantaria "Você Vai Ficar na Saudade", de Benito Di Paula a ponto de transformá-la num delicado secar-de-lágrimas?

Bethânia, é claro.

você cortou o barato do meu amor
você mentiu, iludiu e me deixou por fora
você é culpada do meu samba entristecer
ah eu vou-me embora
agora eu entrego os meus pontos e vou dizer porque
você é mulher e é bonita e eu não posso esquecer
você vai ficar na saudade minha senhora
ah eu vou-me embora
adeus amor eu vou partir


**Ah, sim. Outra hora, com mais tempo, eu conto como está sendo voltar. Só lhes adianto que fui muito bem recebido em todos os lugares a que cheguei.

13.6.06

Another One Bites the Dust


Amigo Bandini,

Fazia tempo que não nos encontrávamos e preciso confessar a minha surpresa de vê-lo tão diferente, tão banal e absurdamente hollywoodiano. Você nunca foi homem de charminhos calculados, de franja caída estrategicamente na função de seduzir. Não, não. Quando eu te conheci, tive a impressão de que você era cool justamente por não se importar. Mais ainda porque você, assim como eu, tinha sempre a alma dividida entre o viver de dentro e o viver de fora.

Camilla e Vera continuam duas loucas de atar, estrangeiras como nós, num mundo pouco disposto a entendê-las nem a elas se fazer entender. Você foi a ponte que ligava o ventre destas duas mulheres. Ah eu gosto tanto de Vera, acho que já te disse.

E ninguém sabia, naquela época, do apetite voraz da falha de San Andreas e poucos se importavam com o pó. Somente o pó estava por todos os lugares. Cobria as palmeiras, sujava o lenço dos tuberculosos, era tossido dos canos de descarga dos caminhões de leite - lembra do leite azedo?

Saí do cinema com os sapatos cheios de areia, e, cruzando a Paulista, pensei em como você mudou, mas ainda assim continua, na essência, o bom e velho Bandini.

**

Segundo Nino me informou ao sairmos da sessão, a tradução de Leminski para Pergunte ao Pó é imperdível, porém a Editora Brasiliense, detentora dos direitos da tradução, a mantém pegando pó num cofre enferrujado. Quando sai de novo? Não sei, pergunte ao pó.

**

Acaba de sair aqui uma edição passável do livro. Está sentada na mesinha, ao lado da cama da Rou, que só leu 3 páginas, a preguiçosa. Pegando pó.

**

Este filme tem a cara de uma música de Natalie Merchant. Qualquer uma delas.


9.6.06

Coitus Interruptus

Quarta-feira, 07 de junho

18.00h Fui no O'Neils me despedir do pessoal. Só dar um abraço em todo mundo, com o intuito de voltar para casa cedo, jantar com meus flatmates e dormir tranquilo.

19:00 Chega meu gerente dizendo que chegou para a festa. "Que festa?" pergunto eu. "A da tua despedida" responde ele.

20:00 Mais 5 colegas que estavam off, chegam já com uma bandeja de shots cada. Tequila, Apple Sours, Sambuca, Southern Comfort and lime e Goldshlager.

22:00 Aqueles que estavam trabalhando pedem à gerente-assistente para sairem mais cedo, já que o pub estava vazio.

23:30 Ela diz que sim.

00:00 Estávamos todos bêbados, alegres, beijando na boca de todo mundo.

01:25 Toca La Camisa Negra, de Juanes. Me vejo cercado por 4 espanholas dizendo umas coisas ininteligíveis e cuspindo na minha orelha.

03:05 Depois de levar um banho de champagne e beijar 80% do staff voltei pra casa.

Quinta-feira 08 de junho

12:00 sol, dor de cabeça, malas a fazer.

13:00 tudo pronto, só falta tomar banho e zarpar.

14:00 "ahh..tem um tempinho ainda" , fiquei escrevendo e-mails para o pessoal que fica, para aqueles que vou encontrar no Brasil e tal.

16:30 Chega o taxi. Rumo ao aeroporto.

17:00 Congestionamento no leste de Londres. Paramos no cruzamento em Stratford.

18:00 Ainda parados no cruzamento em Stratford.

18:35 A moça da companhia aérea quase ri da minha cara ao dizer que estavam todos já a bordo do avião e que de jeito nenhum ela iria me permitir entrar. "Dirija-se àquele balcão lá na frente e agente outro vôo."

18:38 A outra moça me olha com cara de cu dizendo sentir muito, mas o máximo que ela pode fazer por mim é me re-agendar para sábado. Mesmo Vôo, mesmo horário.

Tá bom.

8.6.06

Arrivederci, London, London

Hoje, quando eu entrar naquele avião, te deixo para trás, Londres. Você e sua loucura sempre prestes a explodir, seus punks, sua pompa hipócrita, seu transporte pontual, seus estrangeiros que mal falam sua língua, mind the gap. Seus palácios, centros executivos, Camden Town, Notting Hill, a pobreza de espírito que paira sob Oxford Street, os bares do SoHo, os parques, o sol tímido, calçadas limpas, policiais educados, motoristas mal-educados, Brasileiros e Poloneses brigando para ver qual nação tem mais dos seus pobres e desesperançados cidadãos aqui.

Trafalgar Square, St. Martin-in-the-fields, Tate Modern, meus domingos de manhã cruzando o Pall Mall, o Big Ben olhando tudo de longe, Jubilee Park, Millenium Bridge, vocês farão falta.

Hampstead Heath, não se esqueça de mim.

E vou. Se der te visito um dia. Você não será mais a mesma, nem eu.

Daí eu vôo mais uma vez pelos incontáveis telhados gêmeos univitelinos de Zurique, com chocolate Suíço no colo, e quando acordar estou no Brasil. Voilà!

Me desejem boa viagem.

**

Na foto, cena de Lost in Translation (2004), de Sofia Coppola. Porque estamos todos, em algum momento, perdidos e se achando um no outro.



5.6.06

Le Temps des Loisirs

O mundo fora da minha janela tem umas cores meio opacas. Ironia da vida, é o vidro - pedaço ínfimo do universo - que desbota o mundo. Quem tem que limpá-lo sou eu. Não o mundo, o vidro.

**

Ser observador é uma qualidade e um defeito enormes. Quando é habilidade, é bom, porque graças a ela que eu escrevo aqui. Observar é esporte. Daqueles calmos, que requerem paciência e concentração. No momento em que vira projeção passa a ser um defeito péssimo. O observador se projeta no observado e esquece de viver, de agir, uma vez que para ele, assistir ao outro no processo de "fazer" lhe basta. Mas não. Nunca basta. O outro está vivendo para si e, na prática, não faz diferença concreta na vida do observador. É louco isto. Não se sinta na obrigação de entender.

**

Na foto, PlayTime (1967), de Jacques Tati. Uma obra-prima da estética moderna. Cinemão do bom, em 70 mm, prenunciando a modernidade que nos acomete nos dias de hoje. Triste e solitária.


4.6.06

Alta Noite



Bom, já que aqui no fuso de Greenwich são apenas 3 da manhã, cedíssimo para meus padrões atuais, vamos bater um papo. Pode ser?

*Sobre o fim do Megeras Magérrimas.

Eu cheguei no MMs por acaso e, juro por Deus, passei uma madrugada lendo t.o.d.o.s. os arquivos. Cocei a cabeça, fazendo cara de cinema mudo, pensando "então bloggar pode ser assim?". Foi desta maneira que o antigo Voando Alto virou Cafeína, porque através delas eu entendi a liberdade temática de se escrever num blog.

A Ticcia é meu ascendente e a Ro é minha lua.

Peixes é desconfiado, pisa macio, chega devagar. Vem com calma para ser pra sempre. Peixes preza demais a intimidade e não gosta de quem se faz de íntimo sem ter recebido aval de firma reconhecida em duas vias.

Sagitário e leão já nascem com intimidade. A gente se encontra pela primeira vez sem muitos pudores e entende com facilidade os defeitos do outro, fala na cara, e sai dando risada, um achando que outro não bate bem. Daí se distraem com alguma outra coisa e recomeçam de onde pararam.

Advogadas de profissão, uma é escritora (também chef e quituteira) e a outra psicóloga de plantão (também massagista com local privê e acessora de imprensa), ambas megeríssimas no ver e tratar o mundo, sem muito choro nem vela. E eu acho que aí é que o público do blog se multiplicou tão rápido: dizer com a sofisticação de quem entende da linguagem a verdade cotidiana que a maioria das pessoas não consegue verbalizar. A verdade banal do salto que quebra, do carro que estraga, do namorado infiel, de "Hilda, a gata", do Lord, do patrão incompetente, do regime, a marca da balança, a novela das 8, do estagiário capacho, da manicure, da paquera no posto de gasolina, no elevador, no Forum, na boate, no shopping. E outras verdades cuja profundidade depende da capacidade do leitor de se identificar. As perdas, as mortes, feridas, impossibilidades, traições, dores, mãe, pai, gato e cachorro.

Vai continuar tudo registrado lá. E o Megeras tratou do seu fim da mesma forma que lida com o mundo ao seu redor: sem choro nem vela.

*Sobre Londres

O clima está de verão, meus filhos. Mas verão de Albert Camus, aquele invencível. Sacumé?

*Sobre um amor antigo e inútil

Nada a declarar.

"Caminhamos ao encontro do amor e do desejo.
Não buscamos lições, nem a amarga filosofia que se exige da grandeza.
Além do sol, dos beijos e dos perfumes selvagens,
tudo o mais nos parece fútil."

Albert Camus

3.6.06

Tina, bring-me-the aaaaax!!!

Deus, dai-me paciência. A vontade de me vingar é tão grande que chega a ser feia. Mas, não. Eu sou moço de boa índole, consciente de que cada um tem seu prórpio karma e tudo que se joga no universo, volta para si. Então joguemos coisas boas como compreensão, carinho, só pra dar bom agouro às novas empreitadas.

**

Eu quero me apaixonar. Tô só avisando.

**

Não reparem, mas eu ando meio borderline/bipolar, meio melancólico/histérico. Faz parte do tratamento de choque que é morar nesta cidade.

...e mais outras coisas que vocês não vão querer saber.

**

A questã é a seguinte, meu povo: eu quero pensamentos positivos, viu? Mandem-os todos para cá. Mentalizem, orem, peçam, oooooooohmmmmmmmmmmmmmmmmm.
Pode ser?

2.6.06

Caneta Monga

Ela tem nome de caneta e cara de songa-monga, mas esta neo-zelandesa de 30 anos é uma intérprete das boas. Seu mais recente álbum Birds conta com arranjos sofisticados e vocais distantes que lembram muito o pop francês dos anos 70. Coisa muito cool, colegas.

Experimentem
Say After Me.

Caso gostem, aqui o álbum inteiro.

**

Quem tem problemas em abrir arquivos compactados do tipo .rar, favor tentar o gratuito Winrar. Garanto!

Quem tiver problemas em abrir a caneta monga aí em cima, beixe o Winamp, que abre praticamente todo tipo de áudio.

Procurem no google, deixem de ser preguiçosos.


1.6.06

Da Série MMs

The End

Porque tudo tem um fim.

A Lula e a Baleia

Eu acho que nós, seres humanos, formamos uns pares meio bizarros que acabam dando muito certo às vezes. Meus grandes amigos e amigas de anos são absurdamente diferentes de mim em alguns pensares e fazeres, no entanto nos damos bem que é uma beleza. Acho que é a cerca de arame farpado do respeito que nos mantém no limite da invasão do espaço alheio. Cerca esta que não se desfaz, mesmo no momento do carinho, do abraço, do choro, do pileque, da confissão. Eu quero tê-los comigo pro resto da vida, independente das curvas sinuosas e das turbulências. Namoros e casamentos acabam, mas amizade fica, porque é maior do que as instituições a que nos obrigamos a participar por pressão social ou tradição, simplesmente chega, se instala e não exige que se tome uma atitude formal com relação a ela. Aproveita-se, respeita-se, doa-se. [e ponto]


Não sei precisar em que momento o amor acaba, só sei que este fim desestrutura demais quem dele faz parte. Foi assistindo a A Lula e a Baleia ontem que me caiu a ficha. Pais que se separam durante a infância ou adolescência dos filhos correm um sério risco de serem responsáveis por danos que continuarão aparecendo por mais 10, 20 anos na vida das criaturas. Talvez porque lidar com um término seja uma terefa egoísta e, por consequência, se você está ocupado em lamber as próprias feridas é humanamente impossível ser pai/mãe protetor e amante mutilado ao mesmo tempo.

Noah Baumbach, dirigiu e roteirizou a história do divórcio de seus pais e fez a corretíssima escolha dos protagonistas. Laura Linney [salve, salve], Jeff Daniels e os jovens Jesse Eisenberg e Owen Kline têm desempenhos tão profundos e contundentes quanto o roteiro que os orienta. Filmado em apenas 23 dias, The Squid and the Whale está naquela categoria de filmes de Gente Como a Gente, Kramer vs Kramer e Laços de Ternura, que têm a habilidade de nos invadir a casa e o passado, revelando fantasmas empoeirados.

Mantenha certa distância.

Na foto do post, Woody Allen e Mariel Hemingway, em Manhattan, de 1979. Um filme a respeito de amor, incompreensões e Nova Iorque.