13.6.06

Another One Bites the Dust


Amigo Bandini,

Fazia tempo que não nos encontrávamos e preciso confessar a minha surpresa de vê-lo tão diferente, tão banal e absurdamente hollywoodiano. Você nunca foi homem de charminhos calculados, de franja caída estrategicamente na função de seduzir. Não, não. Quando eu te conheci, tive a impressão de que você era cool justamente por não se importar. Mais ainda porque você, assim como eu, tinha sempre a alma dividida entre o viver de dentro e o viver de fora.

Camilla e Vera continuam duas loucas de atar, estrangeiras como nós, num mundo pouco disposto a entendê-las nem a elas se fazer entender. Você foi a ponte que ligava o ventre destas duas mulheres. Ah eu gosto tanto de Vera, acho que já te disse.

E ninguém sabia, naquela época, do apetite voraz da falha de San Andreas e poucos se importavam com o pó. Somente o pó estava por todos os lugares. Cobria as palmeiras, sujava o lenço dos tuberculosos, era tossido dos canos de descarga dos caminhões de leite - lembra do leite azedo?

Saí do cinema com os sapatos cheios de areia, e, cruzando a Paulista, pensei em como você mudou, mas ainda assim continua, na essência, o bom e velho Bandini.

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Segundo Nino me informou ao sairmos da sessão, a tradução de Leminski para Pergunte ao Pó é imperdível, porém a Editora Brasiliense, detentora dos direitos da tradução, a mantém pegando pó num cofre enferrujado. Quando sai de novo? Não sei, pergunte ao pó.

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Acaba de sair aqui uma edição passável do livro. Está sentada na mesinha, ao lado da cama da Rou, que só leu 3 páginas, a preguiçosa. Pegando pó.

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Este filme tem a cara de uma música de Natalie Merchant. Qualquer uma delas.


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