5.6.06

Le Temps des Loisirs

O mundo fora da minha janela tem umas cores meio opacas. Ironia da vida, é o vidro - pedaço ínfimo do universo - que desbota o mundo. Quem tem que limpá-lo sou eu. Não o mundo, o vidro.

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Ser observador é uma qualidade e um defeito enormes. Quando é habilidade, é bom, porque graças a ela que eu escrevo aqui. Observar é esporte. Daqueles calmos, que requerem paciência e concentração. No momento em que vira projeção passa a ser um defeito péssimo. O observador se projeta no observado e esquece de viver, de agir, uma vez que para ele, assistir ao outro no processo de "fazer" lhe basta. Mas não. Nunca basta. O outro está vivendo para si e, na prática, não faz diferença concreta na vida do observador. É louco isto. Não se sinta na obrigação de entender.

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Na foto, PlayTime (1967), de Jacques Tati. Uma obra-prima da estética moderna. Cinemão do bom, em 70 mm, prenunciando a modernidade que nos acomete nos dias de hoje. Triste e solitária.


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