1.6.06

A Lula e a Baleia

Eu acho que nós, seres humanos, formamos uns pares meio bizarros que acabam dando muito certo às vezes. Meus grandes amigos e amigas de anos são absurdamente diferentes de mim em alguns pensares e fazeres, no entanto nos damos bem que é uma beleza. Acho que é a cerca de arame farpado do respeito que nos mantém no limite da invasão do espaço alheio. Cerca esta que não se desfaz, mesmo no momento do carinho, do abraço, do choro, do pileque, da confissão. Eu quero tê-los comigo pro resto da vida, independente das curvas sinuosas e das turbulências. Namoros e casamentos acabam, mas amizade fica, porque é maior do que as instituições a que nos obrigamos a participar por pressão social ou tradição, simplesmente chega, se instala e não exige que se tome uma atitude formal com relação a ela. Aproveita-se, respeita-se, doa-se. [e ponto]


Não sei precisar em que momento o amor acaba, só sei que este fim desestrutura demais quem dele faz parte. Foi assistindo a A Lula e a Baleia ontem que me caiu a ficha. Pais que se separam durante a infância ou adolescência dos filhos correm um sério risco de serem responsáveis por danos que continuarão aparecendo por mais 10, 20 anos na vida das criaturas. Talvez porque lidar com um término seja uma terefa egoísta e, por consequência, se você está ocupado em lamber as próprias feridas é humanamente impossível ser pai/mãe protetor e amante mutilado ao mesmo tempo.

Noah Baumbach, dirigiu e roteirizou a história do divórcio de seus pais e fez a corretíssima escolha dos protagonistas. Laura Linney [salve, salve], Jeff Daniels e os jovens Jesse Eisenberg e Owen Kline têm desempenhos tão profundos e contundentes quanto o roteiro que os orienta. Filmado em apenas 23 dias, The Squid and the Whale está naquela categoria de filmes de Gente Como a Gente, Kramer vs Kramer e Laços de Ternura, que têm a habilidade de nos invadir a casa e o passado, revelando fantasmas empoeirados.

Mantenha certa distância.

Na foto do post, Woody Allen e Mariel Hemingway, em Manhattan, de 1979. Um filme a respeito de amor, incompreensões e Nova Iorque.

4 comentários:

  1. Anônimo12:15 PM

    alex
    a mariel que eu tanto amo ...
    obrigado querido :-)
    tacel.

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  2. Anônimo8:05 PM

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