30.7.06

Um pedaço de luar



Passava das onze da noite num boteco no centro de Porto Alegre, numa das noites mais frias dos últimos anos. Esta. Depois de ouvir o meu bolero da última quase-relação, a mulher mais louca e desvairada que eu conheço acende um cigarro e, soltando a fumaça que dança por suas recém pinçadas mechas loiras , filosofa:

-Como tem gente louca neste mundo, né?

Pedimos mais uma, a primeira das quatro saideiras. Contei pra ela que em 1988, Sean Penn enfiou a cabeça de Madonna no forno e ligou o gas. Dizem. O amor é louco, o desamor mais ainda.

Batucamos baixinho. Entre-por-esta-porta-agora-e-diga-que-me-adora. Silêncio. Ela olhava para rua e eu fitava um bife na chapa e viajava na fumaça. Imagino que ambos pensávamos você-tem-meia-hora-pra-mudar-a-minha-vida. Olhamos juntos para o relógio patrocinado pela marca de cigarros.

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" Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro."

Mário Quintana, o moço de cem anos. Parabéns, leonino.

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Eu havia me sentenciado à reclusão da toca no dia dos 32. Na ante-véspera eu a convidei para um café. Ela não podia, "quem sabe almoçamos no sábado?" perguntou. Cheguei a escrever "sábado não posso". Apaguei.

"Para Alex,
que não tem medo de amar,
que traga sempre consigo,
quer à terra, quer no mar,
um par de asas nos bolsos
e um pedaço de luar."

Dela.

De presente, um título lindo, um amor que acaba mal. Mas um mal do bem.

Glau, Rogério e Clara, vocês chegaram. Sejam bem-vindos.

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