30.8.06

Abre aspas

"A grande desgraça é que as lembranças não bastam para comfortar os amantes. Nunca aplacam. Ao contrário: servem só para espicaçar as chagas daqueles que foram condenados à lepra do amor não correspondido."

Se eu te amasse e você viesse visitar a minha cidade a trabalho, me convidasse para jantar e me contasse do namorado novo, eu subiria no teu quarto de hotel, olharia as fotos da viagem que você fez com ele, falaria do trabalho, das coisas que gostamos e voltaria para casa. No meio do caminho, entretanto, sentiria uma urgência de bater na tua porta e, sem falar palavra que fosse, te empurrar pra dentro num beijo faminto. Vontade apenas. Não faria. Meu defeito é ter escrúpulos.

No dia seguinte, deixaria na portaria do hotel uma cópia deste livro com um pedaço de papel dizendo "Para leres nas tuas viagens. Porque, sim, eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, só não suportaria ouvir um não."

Se eu te amasse.

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