31.8.06

Eco

Eu quero que a tua voz ecoe em mim, num sussuro cuja lucidez se perdeu.
Eu tenho aqui o absurdo do carinho que é só teu.
Eu faço de um jeito estranho raiar no teu dia o sol
Que é só meu.

Eu enxergo em ti a torneira pingando da espera contida
Eu te mostro tocando que a minha mão não é só amiga
Eu beijo gostoso o meio da tua barriga
Eu te sigo morando
Na casa da paixão mais antiga.

Eu escrevo poemas horrorosos.
Mas amo lindo.

Quer poesia boa? Ouça então.

Eu vou te contar que você não me conhece
E eu tenho que gritar isso
Porque você está surdo e não me ouve
A sedução me escraviza a você
Ao fim de tudo você permanece comigo
Mas preso ao que eu criei e não amei
E não a mim
E quanto mais falo sobre a verdade inteira
Um abismo maior nos separa
Você não tem um nome e eu tenho
Você é rosto na multidão
E eu sou o centro das atenções
Mas há mentira na aparência do que eu sou
E há mentira na aparência do que você é
Porque eu não sou o meu nome
E você não é ninguém
O jogo perigoso que eu pratico aqui
Busca chegar no limite possível de aproximação
Através da aceitação da distância
Ou do reconhecimento dela
Entre eu e você
Existe a notícia que nos separa
Eu quero que você me veja nu
Eu me dispo da notícia
E a minha nudez parada
Me denuncia e te espelha
Eu me delato
Tu me relatas
Eu nos acuso e confesso por nós
Assim me livro das palavras
Com a as quais você me veste.

[Fauzi Arap]

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