24.8.06

Fricção Crash

-O que foi?
-O quê?
-Tive a impressão de que você ia falar alguma coisa, mas desistiu.
-É.
-Então fala, pô!
-Eu tô com medo. Não, receio.
-De falar?
-É.
-Por quê?
-Não sei. Sei lá...a gente acabou de se conhecer.
-Quem sabe o fato de a gente mal se conhecer não seja bom?
-Pode ser.

Viram-se um pro outro, agora menos ofegantes, mão no peito.

-Quer falar? Eu vou achar mais esquisito se agora você não disser, sabia?
-Tá bom. É que, quando estávamos no bar e você pousou sua mão na minha, perguntando se eu queria outra bebida, eu senti uma fisgada no peito. E pra mim, uma fisgada no peito quer dizer que eu vou me dar mal, entende? Que vou querer mais do que sexo e que cada ato seu vai significar mais do que gesto em si. E aí fudeu.
-Entendo.
-Agora eu falei, pronto. Não entenda isso como uma declaração.
-E você se sente melhor por ter desabafado?
-Um pouco.
-Então, uma coisa de cada vez. Hoje a gente dorme juntinhos, abraçados. Amanhã ainda não chegou. Quando chegar a gente vê.
-Tá.

Acordou com o sol peneirado pela veneziana, esquentando o lençol. A cama vazia. Na sala um post it na tela do computador.

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