29.9.06

Hit and Run



Vivendo na normalidade burra do dia-a-dia, aquela de virar a chave na fechadura, levar o lixo pra rua, fazer café, tomar banho, a gente não tem a real noção do peso que é viver. A banalidade nos distrai de afazeres mais profundos, de abrir outras portas, dispormo-nos de outros dejetos, bebermos da verdade amarga e fumegante, limparmo-nos do ressentimento e da dor.

É, em si, viver, um atropelamento. Brutal. Ora eu sou vítima, ora culpado. Mas sempre morro. Sirenes de ambulância ou transeuntes voyeristas não mudam o fato. O fato é que vivo. O fato é que morro.

Todos os dias. Todos os dias.

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