30.10.06

Second-Fair, my well


O rapaz aquele que vocês conhecem não apenas anda "atacado dos nervo", em dieta permanente e ineficiente, passando fome, evitando cigarrinhos, como também recebe, por tempo indeterminado, uma visita com transtorno obsessivo compulsivo. Dava para colocar mais neurose em uma só frase? Luvas de borracha, tapetes, tapetinhos, capachos.

**

A exposição das bolsas La Reina Madre no café da Oca foi uma delícia, mas o melhor de tudo rolou nos bastidores. Só não conto porque, bem, não sou dessas coisas.


Devorando non-stop All Families Are Psychotic, de Douglas Coupland, o mesmo moço aquele de Geração X.

Um livro doente, depravado, imoral e, por isso mesmo, delicioso.

*

Falando em doença e depravação, vejam só como algumas pessoas chegaram a este blog pelas ferramentas de pesquisa:

Ahn?

Medo.

Tá se usando.

27.10.06

Os Brutos Também Amam



As vezes eu acho que nós temos uma imagem muito glamurizada dos apaixonados. A tv, o cinema mainstream e as propagandas nos ensinam que só quem ama são os bonitos. Não é verdade. Ontem, no Press, eu vi um casal bem feio muitíssimo apaixonado. Eram gordos, um deles puxava de uma perna, mas sorriam tão bonito, com tanta verdade, que a ninguém agrediam os olhos.

Semana passada, no mesmo lugar, um outro casal, este composto por moço e moça de propaganda de creme dental, beijava-se apaixonadamente, mas não senti muita verdade ali. Não a mesma que vi ontem. Mas quem sou eu para julgar a verdade de quem ama?

Lembrei muito de Me and You and Everyone We Know (2005), de Miranda July, sucesso na mostra Un Certain Regard, no Festival de Cannes, que fala de gente feia, arte contemporânea, amor e solidão.

E lembrei também de kd Lang cantando Barefoot

When the sun goes down here
And darkness falls
The blanket of winter
Leaves no light at all

You search for shelter
To calm the storm
Shaking with an instinct
Just to stay warm

But I'd walk through the snow barefoot
If you'd open up your door
I'd walk through the snow barefoot

*

Uma sexta-feira linda e apaixonada para todos vocês.

26.10.06

CAFEÍNA CLASSICS The Hunger



Catherine Deneuve e David Bowie em Fome de Viver (1983), primeiro grande sucesso de Tony Scott, irmão de Ridley Scott, e provavelmente seu único filme realmente bom.

LOST

Ontem em LOST, Rodrigo Santoro jogou golf e proferiu uma frase com mais de uma oração. Já é um upgrade.

Kate ama Sawyer. Novidade?

Sawyer tem uma filha. Ohhhhhhhhh!

A grande novidade é que Kate, Jack e Sawyer estão aprisionados numa ilha vizinha e não naquela que conhecemos.


*

Sabem o que é pior? Depois do episódio 6, dia 8 de novembro, a série deve retornar apenas em 7 de fevereiro. Três meses de agonia.

25.10.06

Amigas com Dinheiro

Não é de se espantar que a diretora Nicole Holofcener tenha dirigido episódios de Sex and the City e A Sete Palmos. Percebe-se em Friends with Money (2006) um olhar feminino profundo e intimista, muito comum às séries da HBO. A diferença talvez esteja no fato de Amigas com Dinheiro lidar com questões muito mais reais, sem o glamour que a televisão a cabo requer.

Bebendo da fonte de diretores/observadores como Robert Altman e Paul Thomas Anderson, a história gira em torno da vida de quatro amigas, interpretadas por Cathrine Keener, Jennifer Aniston, Frances McDormand e Joan Cusak. Olivia (Aniston) faz faxina para sobreviver, depois de abandonar o magistério, Jane (McDormand) é uma estilista bem sucedida, porém um poço de frustração, Christine (Keener), roteirista, enfrenta problemas no casamento e Franny (Cusak) é simplesmente rica.

Este foi o filme de abertura do festival de Sundance deste ano e deve ter deixado as platéias americanas em estado de reflexão por alguns instantes. Grande parte do mérito de Amigas com Dinheiro está no fato de não haver nada de muito conflituoso na narrativa, o espectador acompanha o olhar da diretora sobre estas vidas que, como as nossas, geralmente não têm nada de muito especial a oferecer. Lidam com dinheiro, amizade, desentendimentos cotidianos e trabalho, muito embora a tônica do filme gire em torno da questão: será que estas quatro mulheres, cuja amizade começou na adolescência promissora, tornariam-se amigas hoje em dia, mesmo com as diferenças sociais que as separam?

Será?

24.10.06

Felicidade, teu nome é Bethânia

No próximo dia 03 de novembro, Maria Bethânia lança simultaneamente dois álbums: Pirata e Mar de Sophia. E a turnê começa dia 10, no Tom Brasil, passando dias 18 e 19 por Porto Alegre, no teatro do SESI.

Os ingressos já estão à venda pela tele-entrega (51 3231 4142) a partir de hoje. Mas "alijeirem-se", sobram poucos. Preços e outras informações sórdidas aqui.
Eu tenho uma história trágica de sanfonice emagrece/engorda. Em vários, inúmeros momentos da vida, depois de engordar 15Kg, eu corria, fazia dieta e emagrecia 20. Se engordasse 20, corria, fazia dieta e emagrecia 25. O problema é que estar em forma, em todos estes momentos, era condicionado ao olhar dos outros. Para ser mais amado, mais admirado, para me sentir olhado por quem eu amava. Morar por 30 anos em cidades litorâneas, em que as pessoas pressionam a si e aos outros para que sejam o mais próximo do ideal estético das propagandas de cerveja (veja que ironia!) e das novelas acefalíacas da tv, também não ajudou muito.

A verdade é que a balança, dia desses, me mostrou um numerozinho deprimente e eu me dei conta de que, pela primeira vez na vida, eu não me importo tanto com o que os outros vêem, o que me incomoda mesmo é o fato de ter de abrir o botão superior da calça para sentar e sentir meus joelhos gritando de dor depois de uma caminhada mais longa do que o normal.

Quem me olha não percebe porque, felizmente, eu tenho uma estrutura óssea e muscular bem distribuida, mas a coisa tá feia, irmãos.

Então vamos fazer uma dinâmica de grupo? Vamos parar de queixa e aproveitar este dia lindo que faz em Porto Alegre para correr, suar e tomar suquinho de abacaxi bem gelado de recompensa? Vamos?

Então está.

**

Amanhã tem episódio novo de Lost. Segundo o teaser da ABC, ficaremos sabendo de um segredo chocante....


Totalmente Kubrick

Um filme meio inglês, meio alternativo, a respeito de uma história meio verdadeira, de um homem meio esperto que quase se deu bem. Colour Me Kubrick (2006) é bem assim: meio criativo, meio bom, meio genial.

A única coisa que não é meio termo é a atuação de John Malkovich, no papel de Alan Conway, o homem que se fez passar por Stanley Kubrick nos anos 90, enganando a todos por uma rodada de vodca ou um maço de cigarros.

A trilha remete aos clássicos de Kubrick, como Laranja Mecânica, 2001 - Uma Odisséia no Espaco e Barry Lyndon. A edição a fotografia são cerimoniosamente bem cuidadas.

Assista, nem que seja a título de curiosidade.

23.10.06

Os Ovos de Woody Allen

"Eu lembrei daquela velha piada, sabe? O cara vai ao psiquiatra e diz "Acho que o meu irmão enlouqueceu, ele pensa que é uma galinha, doutor". "Por que você não o interna?" perguntou o médico. E o cara responde "pois é, mas eu preciso dos ovos." Então eu acho que é mais ou menos assim que vejo os relacionamentos, eles são totalmente irracionais, loucos, absurdos, mas a gente continua tentando porque precisa dos ovos."

Woody Allen, em Annie Hall (Noivo Neurótico, Noiva Nervosa - 1977)

Eu não sei de onde nós tiramos este parâmetro "escolhativo" a respeito de quem tem o que precisa para nos namorar, mas a gente invariavelmente se dá muito mal até chegar num caso de sucesso. Porque, olha, não basta alguém que te acompanhe nos programas, curta seus amigos, escute teus discos, leia seus livros, faça carinho. Tem que ter freio ABS, direção hidráulica, banco de couro, airbag, seguro contra roubo, trava de segurança, desembaçador traseiro, porta-malas espaçoso, pintura metalizada, computador de bordo e, muitas vezes, ser modelo novo. Porque eu acho que ninguém quer trocar de carro todo ano, então, na hora de comprar, tem que ser um que dure o máximo possível.

Mas tem também aquele velho problema dos carros zero, saiu da concessionária, já vale menos. Depois de conseguir quem se deseja, alguns de nós têm a mania de achar que perdeu a graça, que não tem mais encanto, que o bom mesmo era a conquista, babar nos anúncios de revista, nas vitrines, mas que, depois de estacionado na garagem, vira coisa comum, sem desafios. Estas pessoas não se dão conta de que o desafio mesmo é a manutenção, revisão a cada 3 meses, troca de óleo, lavagem e polimento semanais.

A verdade é que cada um tem o carro que comprou. Nem mais, nem menos.

*
Ouça Love is a Stranger, na voz de Annie Lennox

Love is a danger
Of a different kind
To take you away
And leave you far behind
And love love love
Is a dangerous drug
You have to receive it
And you still can't
Get enough of the stuff


A Scanner Darkly




A Scanner Darkly, de Richard Linklater, virou vedete dos cinéfilos modernos do mundo inteiro por duas razões: o livro homônimo em que foi baseado, de Philip K. Dick (mesmo autor de Blade Runner) e a técnica usada para animá-lo, a rotoscopia, em que as cenas são filmadas com atores de verdade e depois recebem tratamento digital. Visualmente o resultado é impressionante porque, muito embora tenha as cores e movimentos de animação digital, consegue preservar as expressões perfeitas dos atores.

A história se passa no futuro, em 2013, e trata dos malefícios de uma nova droga chamada "Substância D", tão poderosa que divide a personalidade do usuário em duas. A complicação está no fato de Fred (Keanu Reeves) ser um policial infiltrado em um grupo de viciados e também usuário da substância. A trama é, em muitos momentos, confusa e chega a soar excessivamente didática em outros. Além de Reeves, estão no elenco Winona Ryder, Woody Harrelson e Robert Downey Jr, impagável.

Aqui no Brasil, ganhou o título de O Homem Duplo. Vá entender.

19.10.06

FEELIN' GOOD




Pronto. Para esquentar os motores, uma compilation animadex.

1. Masters At Work feat. India - To Be In Love (acapella) (3:11)
2. Nina Simone - Feelin' Good (Todd Terry mix) (6:08)
3. Madonna - Jump (Jacques Lu Cont Mix) (7:44)
4. Goldfrapp - Ride A White Horse (Ewan Pearson Disco Odyssey) (8:33)
5. Pet Shop Boys - Minimal (Toca Discos Sunday at Space Mix) (8:04)
6. Justin Timberlake - Sexyback (Linus Loves Remix) (6:20)
7. New Order Feat. Ana Matronic - Jetstream (Jacques Lu Cont Remix) (8:21)
8. Röyksopp - What Else is There (Jacques Lu Cont Radio Mix) (3:50)
9. Freemasons - Love On My Mind (Joey Negro house mix) (7:58)
10. India - Solamente Una Noche (Rosabel's in love mix) (7:37)

Aqui.

Bom dia!

Sim, super bom dia para todo mundo.

Quero saber uma coisa, vocês fizeram aquela mentalização ultra/mega positiva com os raios violetas às 17:10 de terça-feira?

*

Ontem, no episódio novo de LOST:

|Rodrigo Santoro teve duas falas, "O que?" e "Como?".
|Em compensação, Boone voltou dos mortos para dizer a Locke que ele fez cagada, numa das cenas mais legais da série até agora.
|Os ursos polares voltaram e capturaram Mr Eko.
|Desmond tem poderes sobrenaturais, ele prevê o futuro.



E mais, muito mais.

*

Daqui a pouco, uma CALEXIco. Chill-in Compilation saindo do forno!

17.10.06

TeleMAUketing

Estão ligando há dias aqui para casa, atrás de uma tal de Dona Renata, eu não aguento mais dizer que aqui não mora nenhuma Dona Renata. "Tira do sistema, minha filha!" Mil vezes, amigo ouvinte, MIL! Qualquer dia desses eu vou responder "É ela falando."

Melhor mesmo foi a resposta da FAL.

Self-Portrait Tuesday


Nelly Furtado canta Crazy, de Gnarls Barkley, bem simplinha, acústica, sem fru-frus.

16.10.06

LOST in translation


No episódio entitulado Further Instructions, o terceiro da nova temporada de Lost, Claire surpreenderá um casal de novos personagens no acampamento de Jack. Eis que o casal em questão é composto por Kiele Sanchez e Rodrigo Santoro, nos papéis de Nikki e Paulo.

Até agora, os dois episódios iniciais da terceira temporada centraram-se em Jack, Kate e Sawyer e serviram para que conheçamos melhor "os outros". Neste terceiro, a ser transmitido pela ABC americana na próxima quarta-feira, ficamos sabendo o que rola na praia onde estão os outros sobreviventes, além de vermos um flashback de Boone, morto na primeira temporada.

Desta vez a série será dividida em duas partes: 6 episódios em 2006 e o restante a partir de fevereiro de 2007. O canal AXN começa transmitir LOST em fevereiro.

Santa paciência, Jack!

12.10.06

SOBRE MENINOS E LOBAS

Para ler ouvindo Shirley Bassey

Soledad
Nos seus mais de 40 anos, Lupe, filha de imigrantes espanhóis, já havia descartado a
possibilidade do amor real naquela altura da vida. Enquanto tricotava violentamente
suas inúteis e inúmeras mantas, sua mãe costumava dizer-lhe que a hora de se
encontrar um homem é no período que sucede a puberdade e antecede os 20 anos.
"Enquanto as coxas ainda estão firmes. Nós mulheres somos como mamões, filha, se
ao tocar-nos eles nos sentem a carne mole, nos têm como passadas e morremos podres
em uma gôndula. Solas, niña, solas"

Energia que dá gosto
Com o tempo, passada a morte da mãe, Lupe aprendeu coisas que uma mãe não
ensina. Coisas como o prazer. E passou a aplicar a regra do mamão de uma forma em
que a vantagem era sua. Tinha preferência pela companhia íntima de garotos entre 16
e 20 anos, de coxas firmes e fôlego de campeão. Virou aquilo de que mais tinha medo
na juventude: um predador. Sabia que garotos ainda não eram homens, portanto ainda
não haviam desenvolvido o instinto de caçar a fêmea pelos cabelos, como os
brutamontes que conhecera. Os jovens eram firmes por fora porém tenros por dentro.

...levar estes doces para a vovozinha
Bruno tinha 17 anos, com a aparência física de um jovem bárbaro, entroncado e
sisudo. Os cabelos ruivos encaracolados pareciam arder em chamas de tão vermelhos.
Adorava visitar a avó materna, não que a velha lhe fosse muito especial, mas, em
agradecimento à visita, dava-lha dinheiro e disso ele gostava. E, além do mais, a
comida era deliciosa.

Certa feita, num verão desses abafados de Porto Alegre, voltando do apartamento da
avó, ao abrir a porta do elevador, Bruno avistou uma senhora muito bem arrumada de
quatro no chão da recepção do prédio, catando as compras esparramadas. Chamou-lhe
atenção a fenda da blusa estampada que abrigava mal e porcamente fartos, lustrosos
peitos

- Deixa que eu lhe ajudo!
- Obrigada.

- Você mora aqui? Eu nunca tinha te visto.
- Não não. Vim visitar minha avó que mora no 305.
- Eu me chamo Lupe.
- Prazer, dona Lupe.
- Esquece o dona, filhinho.
- Esquece o filhinho, dona.
- Tudo bem, como é teu nome?
- Bruno.
- Então, Bruno, quer subir para tomar um sorvete? Eu preciso te recompensar pela
ajuda.
- Precisa recompensar não, do- ... quer dizer, Lupe. Mas vou aceitar o sorvete, tá
muito quente.

Chegando no apartamento, Bruno distraiu-se com a quantidade de bibelôs, de todas as
cores e tamanhos, e os quadros de ponto de cruz. Muitos deles.

- Chocolate ou creme? Perguntou Lupe.
- Uma bola de cada.
- Quer calda?
- Tem de caramelo?
- Tem.
- Então, capricha!
- Aqui estão suas bolas. Bem meladas.
- Hum...q delícia. Bem do jeito que eu gosto.
- É a minha especialidade. Disse a loba com olhar malicioso, enquanto acendia um
cigarro.

- Que idade você tem, lindo?
- Quase 18.
- Nossa...um homem praticamente. E impulsionou o tronco para frente, acomodando o
queixo na mão.

O sinal de mensagem do celular interrompe o diálogo. Ela percebe que o semblante do rapaz
mudou drasticamente.

- O que foi, querido?
- É a caçadora.
- Caçadora?
- É. Minha mãe. Se passa das 8 e eu ainda não tiver chegado, ela me atormenta até me
achar. Manda mensagem, liga pros meus amigos, me caça pela cidade toda.
- A tua mãe não tem mais o que fazer não? Um homem feito desses...
- Meu pai já é falecido, ela se preocupa muito comigo. Olha, Lupe, eu preciso ir. Mas
valeu pelo sorvete!

E saiu porta afora. A loba acendeu outro cigarro, olhou para o sorriso da mãe no porta
retrato e percebeu que a foto estava meio caída. Foi arrumá-la e notou que havia algo
escrito nas costas do retrato. "Acepta el absurdo"

Dia da Criança

Daqui a pouco, às 12 horas, horário de Brasília, alguns blogueiros publicarão simultaneamente, suas versões para o conto A Chapeuzinho Vermelho. Interpretações estas sem qualquer compromisso social, educativo ou gramatical.

Preparem-se.

10.10.06

A Dália Negra



O film noir nasceu durante a segunda guerra mundial, refletindo um período de incertezas, conflitos e suspeitas, pois normalmente baseavam-se em romances escritos na era pós-depressão de 1929. Os especialistas clamam que Hollywood importou a estética chiaroscuro do expressionismo alemão dos anos 20 (de filmes como O Gabinete do Dr. Caligari e M. O Vampiro de Dusseldorf) e a adaptou para a temática policial.

A primeira impressão que se tem ao assitir A Dália Negra é de que seja, de fato, um film noir. Há um mistério a ser desvendado, mulheres fatais, heróis perturbados e incompreendidos e aquela sensação de que todos mentem o tempo inteiro. Neste gênero, os ricos são perversos, os policiais, corruptos e os inocentes sempre morrem. Mas, ao menos esteticamente, The Black Dahlia, não chega a se encaixar no gênero. Brian de Palma, com toda sua virtuosidade, se utiliza de planos longos, movimentos de câmera emprestados de Alfred Hitchcock (seu eterno ídolo), para construir uma atmosfera mais amigável às platéias atuais.

E é justamente no momento mais simbólico do filme - que a câmera passeia pelos telhados e relaciona dois fatos que aparentemente não têm nada em comum - que o diretor se revela extremamente habilidoso em unir técnica à narrativa.

Aaron Eckhart e Hilary Swank dão um show de interpretação, ao passo que Scarlett Johansonn e Josh Hartnett demonstram sua imaturidade para fazer papéis que lhes exijam mais do que um rosto bonito.

A trama do filme é baseada num dos crimes sem solução mais famosos da história americana, ocorrido em 1947, em que o corpo da jovem Elisabeth Short foi encontrado partido em dois, severamente espancado. A imprensa da época chamou-a de dália negra por causa de um filme de George Marshal entitulado A Dália Azul, com Alan Ladd e Veronica Lake, de 1946.

Num dos raros momentos de leveza da história, KD Lang canta (lindamente) Love For Sale, de Cole Porter, num bar de lésbicas.

Para saber mais a respeito do crime que vitimou Beth Short, clique aqui, mas prepare-se, as fotos da época chocam muito mais do que o final sangrento do filme.

Dica da redação - quer conhecer melhor o cinema de Brian de Palma? Aqui quatro filmes essenciais: Scarface, Vestida Para Matar, Dublê de Corpo e Olhos de Serpente.


9.10.06

Los Rastros de este Afán


Cara senhora Herrera,

Com um cheiro desses, segundo as revistas especializadas "magnético, erótico, libertador", a senhora deve estar brincando comigo, né? Pois eu gostaria de informá-la que, nem que eu tenha que deixar de comer, hei de ter seu perfuminho novo.

E tenho dito.

Perseguirè.. los rastros de este afán.
como busca el agua la sed.
La estela de tu perfume.
Que me atravesó
Tu suave vendabal
Rumbo a tu recuerdo seguir.
La senda de tu perfume.
Delectra de tu perfume...
No hay soledad, que aguante el envión
El impulso antiguo y sútil del eco de tu perfume.
Perseguirè... perseguirè la senda de tu perfume.
Me atravesó tu suave vendabel, rumbo a tu recuerdo seguir.
La senda de tu perfume... no hay soledad que aguante el envión.
El impulso antiguo y súil del eco de tu perfume
El eco de tu perfume
Regresarás.
La senda de tu perfume.

Bajofondo Tango Club, Perfume


E eu não posso me queixar dos amigos que tenho. O Tiozinho da Foto, passeando num sebo em São Paulo, lembrou de mim ao ver O Cinema Segundo François Truffaut, de Anne Gillain. São entrevistas dadas pelo diretor ao longo dos anos, falando a respeito do seu processo de criação, Hitchcock y otras cositas mas.

Rendeu conversas e muitas risadas.

6.10.06

Volver



Para ler ouvindo Volver

"Existe algo terrível na realidade, mas eu não sei o que é. E ninguém me diz, nem sequer você", se queixa a neurótica Monica Vitti a Richard Harris no final de Deserto Vermelho (de Antonioni), depois de ter dormido com ele.

Assisti ao filme novamente e essa frase me causou muito impacto. Gostaria de aplicá-la à minha pessoa, mas não entra nem à força. Esta seria a minha adaptação:

"Existe algo terrível na realidade, eu sei o que é, mas não quero dizer a vocês", ao menos não de imediato.

"Quando digo "realidade", me refiro à trama de Volver. O filme está finalizado, esta semana as primeiras cópias ficaram prontas, minha aventura acabou e, com ela, a minha procura. Por fim, vislumbro aquilo que queria contar: uma história da Espanha branca que acontece no mesmo lugar, com os mesmos personagens, onde se desenvolve a Espanha negra. Queria contar (no início da filmagem não sabia) que, sem trocar de cultura, cenário, personagens, época e costumes, sem renunciar tampouco à "profundidade" da Espanha profunda, existe uma Espanha que exala luz e bondade. E essa é a que retrato em Volver."

Pedro Almodóvar para a revista Bravo do mês de junho.

Volver é um filme sobre as relações quase mágicas que se estabelecem entre mulheres. Depois de La Mala Educación, de 2004, o diretor espanhol mais famoso do mundo volta ao tema que lhe é mais íntimo: o universo feminino. Nele há espaço para o sobrenatural, culinária, intimidade, confissões e redenção. Não é necessário dizer que as tomadas e ângulos de Volver são de uma beleza estarrecedora, nem que nas mãos do diretor até uma atriz que é essencialmente fraca e exagerada como Penelope Cruz entrega uma interpretação competente. A história gira em torno de três gerações de mulheres que precisam enterrar seus mortos, acertar contas com o passado e encontrar meios de seguirem em frente.

Almodóvar retorna a um tom de narrativa que dosa muito bem o humor e a sensibilidade, como já havia feito em A Flor do meu Segredo (1995) e Tudo Sobre Minha Mãe (1999), num filme que sedimenta seu lugar entre os grandes diretores do cinema internacional.

5.10.06

Are you ready to jump? (atualizado)

Madonna estava em Tóquio, entediada, encontrou uma peruca loira num brechó e pensou: por que não fazer um vídeo amador ao som daquela musiquinha delícia do meu cd?

Ficou assim:



...e se você achou o vídeo oficial pobrinho e prefere um genérico mais bem humorado, dê uma olhada:

4.10.06

Las Cuevas de Lost

O primeiro episódio da terceira temporada de Lost, entitulado A Tale of Two Cities, vai ao ar hoje à noite pela rede de tv americana ABC e promete, como já virou tradição, complicar mais do que explicar. O personagem cujos flashbacks norteiam o episódio é Jack e mostra o médico lembrando de quando suspeitou de que seu pai alcoolista estivesse tendo um caso com sua ex-mulher Sarah. Veremos um pouco mais do lugar onde Sawyer, Jack e Kate estão aprisionados ao som de Petula Clark cantando Downtown. É ver para crer.

Bom mesmo é assistir aos dvds da primeira temporada com o áudio em espanhol.

-Donde está Jack? (pronunciado "iác")
-Se fué a las cuevas!

3.10.06

I wish I had a river

Por indicação do Rogério, fui conferir o novo de Madeleine Peyroux, Half the Perfect World. Na mesma linha de Careless Love, o anterior, mas com a sensível diferença de ter um dueto com KD Lang em River, cover de Joni Mitchell. Evidente que, cantando com KD, qualquer voz desaparece.

A exemplo do álbum anterior, este também tem um cover de Leonard Cohen, desta vez, Blue Alert (no anterior era a sexy Dance Me To The End of Love), alguns standards como Smile e Everybody's Talking e composições originais, com aquele ar de cabaré enfumaçado.

Mas, no repeat, só River mesmo.

It's coming on christmas
They're cutting down trees
They're putting up reindeer
And singing songs of joy and peace
Oh I wish I had a river
I could skate away on

But it don't snow here
It stays pretty green
I'm going to make a lot of money
Then I'm going to quit this crazy scene

I wish I had a river
I could skate away on
I wish I had a river so long
I would teach my feet to fly
Oh I wish I had a river
I could skate away on
I made my baby cry

He tried hard to help me
You know, he put me at ease
And he loved me so naughty
Made me weak in the knees

Oh I wish I had a river
I could skate away on
I'm so hard to handle
I'm selfish and I'm sad

Now I've gone and lost the best baby
That I ever had
Oh I wish I had a river
I could skate away on

I wish I had a river so long
I would teach my feet to fly
Oh I wish I had a river
I made my baby say goodbye

2.10.06

O Ar Que Eu Respiro



Em As Virgens Suicidas, de Sophia Coppola, um dos momentos mais bonitos é embalado ao som de The Air That I Breathe, do The Hollies. Uma das minhas canções de amor favoritas. Talvez porque, mesmo sendo doce, não chega a ser piegas. Ao longo dos anos, ouvi muitas versões diferentes, reuní para vocês aqui, algumas das melhores. Tem a versão que fez mais sucesso de 1974, com o The Hollies, duas versões com Simply Red (Do álbum Blue, de 1998), uma com KD Lang (de Drag, 1997) de cair o queixo e outra bem diferente das primeiras, absurdamente bluesy, com Della Reese (aquela de O Toque de um Anjo).

Para saber mais, uma breve história de como surgiu a música e a entrada da Wikipedia a respeito.

Quer baixar? Aqui. (atualizado)


Acompanhe a letra:

The Air That I Breathe (Albert Hammond and Mike Hazelwood)

If I could make a wish
I think I'd pass
Can't think of anything I need
No cigarettes, no sleep, no light, no sound
Nothing to eat, no books to read

Making love with you
Has left me peaceful, warm, and tired
What more could I ask
There's nothing left to be desired
Peace came upon me and it leaves me weak
So sleep, silent angel, go to sleep

Sometimes, all I need is the air that I breathe
And to love you
All I need is the air that I breathe
Yes to love you
All I need is the air that I breathe

Peace came upon me and it leaves me weak
So sleep, silent angel, go to sleep