10.10.06

A Dália Negra



O film noir nasceu durante a segunda guerra mundial, refletindo um período de incertezas, conflitos e suspeitas, pois normalmente baseavam-se em romances escritos na era pós-depressão de 1929. Os especialistas clamam que Hollywood importou a estética chiaroscuro do expressionismo alemão dos anos 20 (de filmes como O Gabinete do Dr. Caligari e M. O Vampiro de Dusseldorf) e a adaptou para a temática policial.

A primeira impressão que se tem ao assitir A Dália Negra é de que seja, de fato, um film noir. Há um mistério a ser desvendado, mulheres fatais, heróis perturbados e incompreendidos e aquela sensação de que todos mentem o tempo inteiro. Neste gênero, os ricos são perversos, os policiais, corruptos e os inocentes sempre morrem. Mas, ao menos esteticamente, The Black Dahlia, não chega a se encaixar no gênero. Brian de Palma, com toda sua virtuosidade, se utiliza de planos longos, movimentos de câmera emprestados de Alfred Hitchcock (seu eterno ídolo), para construir uma atmosfera mais amigável às platéias atuais.

E é justamente no momento mais simbólico do filme - que a câmera passeia pelos telhados e relaciona dois fatos que aparentemente não têm nada em comum - que o diretor se revela extremamente habilidoso em unir técnica à narrativa.

Aaron Eckhart e Hilary Swank dão um show de interpretação, ao passo que Scarlett Johansonn e Josh Hartnett demonstram sua imaturidade para fazer papéis que lhes exijam mais do que um rosto bonito.

A trama do filme é baseada num dos crimes sem solução mais famosos da história americana, ocorrido em 1947, em que o corpo da jovem Elisabeth Short foi encontrado partido em dois, severamente espancado. A imprensa da época chamou-a de dália negra por causa de um filme de George Marshal entitulado A Dália Azul, com Alan Ladd e Veronica Lake, de 1946.

Num dos raros momentos de leveza da história, KD Lang canta (lindamente) Love For Sale, de Cole Porter, num bar de lésbicas.

Para saber mais a respeito do crime que vitimou Beth Short, clique aqui, mas prepare-se, as fotos da época chocam muito mais do que o final sangrento do filme.

Dica da redação - quer conhecer melhor o cinema de Brian de Palma? Aqui quatro filmes essenciais: Scarface, Vestida Para Matar, Dublê de Corpo e Olhos de Serpente.


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