29.11.06

Presentaço




Grande álbum de kd Lang, só com músicas de compositores canadenses, incluíndo a fantástica Bird on a Wire, de Leonard Cohen.

Ei-lo.

P.S. Os presentinhos Cafeína ficam disponíveis apenas por uma semana. Depois disso, não tem choro nem vela.

27.11.06

Grande Guimarães Rosa


"O senhor sabe o que o silêncio é? É a gente mesmo, demais."

Demais indeed.



Warholizer



Retrato pop, no Warholizer.
Dica da Denise.

**

Meu povo, titiu está com rotavírus, acamado, abatido, cheio de manha. Façam cafuné.

24.11.06

1970




Lá no início da década de 90, eu era viciado em Anos Incríveis. Talvez porque a série, além de tratar do amadurecimento do pequeno Kevin e sua família, traçava um retrato quase documental do cenário político e cultural dos anos 60 e 70 com muito bom-humor e uma dose saudável de sentimentalismo nostálgico. Ao final de cada episódio, a gente desligava a tv suspirando de emoção, se sentindo um pouco mais humano. Não se surpreenda se você se sentir exatamente desta forma depois de assistir à O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias (2006), de Cao Hamburger (o mesmo de Castelo Rá-tim-bum), em cartaz por todo o país.

No filme, Mauro ( Michel Joelsas), às vésperas da copa de 1970, é deixado pelos pais na porta do prédio onde mora o avô paterno (Paulo Autran), pois estes vão tirar "férias". Não demora muito ao espectador perceber que eles estão mesmo é fugindo da ditadura. Acontece que Mauro se vê abandonado e conta apenas com a solidarieade dos moradores do prédio, todos judeus, espcialmente Shlomo (Germano Haiut) vizinho de porta de seu avô. A partir daí, o menino precisa se ajustar à nova realidade enquanto espera que seus pais dêem sinal de vida.

A minha primeira reação a filmes protagonizados por crianças é de medo. Geralmente elas são constrangedoramente ruins, talvez porque os diretores brasileiros (especialmente os de telenovelas) não sabem tirar delas atuações de verdade. Não é o caso aqui. Cao Hamburger é hábil em extrair emoções e reações adequadas de seus pequenos atores, sendo que o grande destaque é Daniela Piepszyk, a vizinha Hanna.

Há momentos de genuína beleza e emoção em O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias. Coisa rara no cinema nacional.

21.11.06

Brega Hits - Edição Especial (Atualizado)

Deu vontade de fazer uma coletânea de amor rasgado, brega, ridículo. Prestem atenção nas letras, nas melodias (algumas até bem boas) e, principalmente, na dor destes intérpretes. Dor de amor, esta coisa que tem dentro da gente.




1. Francisco Cuoco - Soleado (3:30)
2. Angelo Maximo-Você Se Lembra (4:33)
3. César Sampaio - Secretária da beira do cais (2:49)
4. Odair José - Eu Vou Tirar Você Desse Lugar (2:59)
5. Altieres Barbiero - Se amar é viver (3:52)
6. Antônio Marcos & Vanusa - Volte Amor (3:52)
7. Ronnie Von - Tranquei A Vida (3:46)
8. Barros de Alencar - Prometemos não chorar (3:39)
9. Fernando Mendes - Você Não Me Ensinou A Te Esquecer (3:53)
10. Evaldo Braga - Eu amo sua filha, meu senhor (3:42)
11. Fernando Mendes - Cadeira de rodas (3:26)
12. Marcio Greyck - Impossível Acreditar Que Perdi Você (3:27)
13. Nilton César - A Namorada que Sonhei (2:25)
14. Marcio Greyck - O Mais Importante é o Verdadeiro Amor (5:04)
15. Ovelha - Sem você não viverei (3:13)
16. Amado Batista - Aeromoça (4:30)
17. Barto Galeno - Bofete na sogra (3:22)
18. Evaldo Braga - Você não presta pra mim (2:31)
19. Carlos Alexandre - Vá pra cadeia (2:17)

Aqui.

Pra quem perdeu o Brega Hits 1, aqui.



1. Wilson e Soraia - Total eclipse do amor (4:47)
2. Jane E Herondy - Não Se Vá (4:17)
3. Amado Batista - Amor Perfeito (3:09)
4. Pimpinela - Siga seu rumo (3:03)
5. Carlos Alexandre - Nosso Amor Virou um Lixo (2:29)
6. Marcio José - O Telefone Chora (3:57)
7. Perla - Fernando (3:39)
8. Wanderléa - Foi Assim (4:18)
9. Rosana - Nem Um Toque (5:11)
10. Vanusa - Paralelas (3:08)
11. Wando - Safada (3:45)
12. Eliana De Lima - Underere (3:27)
13. César Sampaio - Secretária da beira do cais (2:49)
14. Bartô Galeno - No Toca Fita do Meu Carro (3:54)
15. Angela Maria e Agnaldo Timóteo - Nuvem de lagrimas (4:24)
16. Perla - Pequenina (4:30)
17. Bonus Track -Pinpinela - Solo Hay Un Ganador [The Winner Takes it All] (4:56)


20.11.06

Cafeína Classics - Selva de Pedra

Nunca na história da televisão um capítulo de novela teve 100% de audiência. A exceção é Selva de Pedra, de 1972, que teve, de acordo com o Ibope, a totalidade dos espectadores brasileiros ligados no capítulo 152 (em 04/10/72), em que Simone (Regina Duarte) era desmascarada.

Janete Clair baseou-se em Uma Tragédia Americana, romance de Theodore Dreiser, para escrever a história de Cristiano (Francisco Cuoco), Rosana/Simone (Regina Duarte) e Fernanda (Dina Sfat), talvez o triângulo amoroso mais bem escrito na tragetória das novelas brasileiras. Por causa de Selva de Pedra, inclusive, a atriz Dina Sfat (a vilã Fernanda) foi severa e repetidamente agredia na rua.

Foi esta novela que criou o monstro Regina Duarte. A eterna personagem boazinha que, enquanto sob o texto de Janete Clair, tinha certa consistência, ao contrário dos diálogos medíocres e idiotizantes de que é protagonista hoje em dia.

Em 1986, houve a segunda versão de Selva de Pedra, com Tony Ramos, Fernanda Torres e Christiane Torloni, também fantástica. É deste remake a cena abaixo:


19.11.06

Dentro do Mar Tem Rio


"O amor é sede depois de se ter bem bebido." João Guimarães Rosa

Ainda com as cortinas fechadas, Bethânia anunciou sua chegada com o rufar da voz que dificilmente se pode acreditar vir de uma mulher de 60 anos. Assim, de queixo caído, a platéia do Teato do Sesi, em Porto Alegre, recebeu a cantora com cerimônia e devoção quase religiosas. Se ela nos ordenasse que parássemos de respirar, assim o faríamos, sem pestanejar. Maria Bethânia, no entanto, optou por tirar-nos o fôlego com interpretações impecáveis do repertório dos álbuns lançados simultaneamente na semana passada: Mar de Sophia e Pirata. Um para água doce, outro para a salgada.

A dinâmica dos shows de Bethânia não muda muito. Chega pela lateral, lê os textos sentadinha, se apresenta rodopiando na ponta do pé descalço, quase não fala com a platéia, some durante o interlúdio da banda, volta de roupa nova, canta, canta, canta. Não houve, desta vez, "músicas de cantar junto" como, por exemplo, "O que é, o que é? ", "Olhos nos Olhos", "Explode Coração", "Reconvexo" ou "Iluminada", comuns nos últimos shows. Dentro do mar tem rio, a turnê, consiste basicamente dos dois cds novos, em ordem temática, e uma ou duas relíquias da mpb. Mesmo assim, enfeitiça quem o assiste - e não dá muita chance daqueles mal-educados de plantão ficarem gritando elogios desconcertantes ou, o que é pior, pedindo suas músicas favoritas aos berros como "toca Terezinha!!"

Dentro do Mar Tem Rio já passou por São Paulo, tem uma segunda data em Porto Alegre hoje e segue para o Rio de Janeiro (entre 01 e 10), onde encerra a temporada 2006.

De longe, a melhor da noite foi Debaixo d'Água/Agora, de Arnaldo Antunes.

18.11.06

17.11.06

Compilation




1. Señor Coconut - Introdución (1:15)
2. Goldfrapp - Human (Calexico* Vocal Mix) (4:47)
3. Calexico* - Quattro (GoTan Project Remix) (4:48)
4. Serge Gainsbourg - Ballade de Melodie Nelson (Howie B. mix) (7:03)
5. Placebo - Protège Moi (m83 Remix) (3:19)
6. Sade feat. Guru - King of Sorrow Remix (3:48)
7. Nancy Sinatra & Lee Hazelwood - Summer Wine (4:16)
8. Senor Coconut - Smooth Operator (4:03)
9. Tori Amos - A Sorta Fairytale (4:06)
10. Yazz - Never Can Say Goodbye (3:51)
11. Tanita Tikaram - The Day Before You Came (4:25)
12. kd lang - Bird On A Wire (4:28)
13. Michael Stipe - L'hôtel (l'hôtel particulier) (4:27)
14. Nina Persson - Losing my religion (4:14)
15. Rebekah Del Rio - Llorando (Crying) (3:32)


Para Livinha, uma misturança de grooves diversos, em línguas e tons absurdamente contrastantes. Lindo lindo.

Na capa, Shirley Maclaine, em 1963, fotografada por Leo Fuchs, no set de Irma La Dulce.
*Banda californiana, Calexico, leva o mesmo nome de uma cidade na divisa entre California e Mexico (CAL + EXICO). Além, é claro, de inspirar o pseudônimo deste que vos escreve.

15.11.06

The Departed

Martin Scorsese nunca ganhou um Oscar de melhor diretor. E, ainda que seja até possível, eu acho muito pouco provável que ganhe por Os Infiltrados. Afinal de contas, um homem que já dirigiu Taxi Driver, Touro Indomável e Os Bons Companheiros se não foi premiado por nenhum estes três clássicos, não será por um filme desses, tão irregular.

The Departed começa muito bem, apresenta os personagens de uma forma inventiva e movimentos de câmera alucinantes, incorpora a cidade de Boston como um elemento importante na história, tudo isso com uma edição habilidosa e contemporânea. O problema é que lá pelo centésimo minuto (o filme tem 152, imagine você), o espectador já começa a cansar da suposta virtuosidade da narrativa em trazer reviravoltas inesperadas e dos tics nervosos habituais de Jack Nicholson, que há muito faz o mesmo velho histérico e descabelado.

A surpresa - e veja que surpresa - é que Leonardo DiCaprio está muito, mas muito bem, infinitamente melhor do que Matt Damon. Enxerga-se em DiCaprio traços do estoicismo perturbado de Robert De Niro em Taxi Driver, fazendo dele grande concorrente ao prêmio de melhor ator. E, convenhamos, é quase impossível acreditar que Damon ou Mark Wahlberg sejam policiais durões e cruéis.

Algo que chama a atenção de iniciados apenas é o fato de, em duas cenas de Frank Costello (Nicholson) conversando com Billy Costigan (DiCaprio) toca Patsy Cline ao fundo, cantando Sweet Dreams (of you). Aliás, a trilha sonora, como de costume nos filmes de Scorsese, é populada por canções dos anos 60 e 70. Tem Pink Floyd, Rolling Stones, Allman Brothers e Lavern Baker.

E no finalzinho, na última cena, no minuto de número 152, Scorsese dá uma de Howard Hawks (grande diretor de filmes noir dos anos 30 e 40) e usa de uma simbologia cansada e óbvia para dizer que estamos todos nas mãos de ratos sujos e corruptos. Estamos mesmo, mas há formas bem mais legais de dizê-lo.

Fatos:

*Gangues de Nova York e O Aviador são filmes péssimos. Os Infiltrados é melhor.
*Leonardo DiCaprio nunca esteve tão bem, nem em Prenda-me Se For Capaz, seu melhor filme até então.
*Jack Nicholson deveria se aposentar enquanto ainda pode sair graciosamente pela porta da frente.
*Mark Wahlberg precisa com urgência de um corte de cabelo.
*Alec Baldwin fez plásticas que deram errado, que o deixaram parecendo um ex-travesti.
*Os Infiltrados é longo demais.




10.11.06

Para ouvir com as luzes apagadas



1. Blondie - Maria (talvin rythmic remix) (7:26)
2. Bjork - Isobel (Portishead remix) (6:08)
3. Madonna & Massive Attack - I Want You (6:23)
4. Marvin Gaye - Let's Get It On (Da Producers MPG Groove Mix) (4:22)
5. Alison Moyet - The First Time I Ever Saw Your Face (3:17)
6. Cesaria Evora - Besame Mucho (Senor Coconut's Chachacha Remix) (3:49)
7. Shirley Bassey - Slave to Rhythm (5:01)
8. David Bowie - I'm Deranged (3:47)
9. George Michael featuring Mutya - This is not Real Love (4:53)
10. Eva Cassidy - True Colors (4:50)
11. Natalie Merchant - Tell Yourself (acoustic version) (5:09)
12. Agnetha Fältskog - Fly Me to the Moon (2:49)
13. Sheryl Crow - I Shall Believe (5:37)

Aqui.

9.11.06

Corre lá!

Edição de novembro da Revista Piaui
Dica do Marco no post de ontem, a Revista Piauí é um achado. Com reportagens criativas na abordagem e recheadas de bom humor, a Piauí acaba de entrar na segunda edição. Para vocês terem uma idéia, aqui vai um trecho da matéria sobre operadores de telemarketing, uma das profissões mais asquerosas já inventadas, intitulada "Bom dia, meu nome é Sheila - Como trabalhar em telemarketing e ganhar um vale-coxinha", de Vanessa Barbara:

"Cada um tem um headset, o apetrecho formado por fone de ouvido e microfone, acoplado a um dispositivo de discagem com a tecla mute. Essa tecla, que emudece o áudio, é de enorme importância, sobretudo durante crises de tosse ou de riso, como costuma ocorrer quando o cliente diz que esqueceu "o longuinho" (o login) ou que a marca de seu aparelho celular é Pomarola (Motorola)."

Iluminado

Este foi um ano de filmes bem bons, pelo menos para mim. Teve O Tempo Que Resta, de Françoise Ozon; C.R.A.Z.Y., do canadense Jean Marc Vallée; Caché, de Michael Haneke; Volver, de Almodòvar; teve Neil Jordan em Plutão, De Palma com Dália Negra, Miss Sunshine, enfim, filmes que exigem do expectador um pouco de atenção e sensibilidade, mas que, em compensação, divertem e instruem. Daí fica difícil para os meia-boca, não é mesmo? Eu achava que o meu ano de filmes bons estava encerrado.

Eis que então eu fico de boca aberta com a estréia de Liev Schreiber na direção, em Uma Vida Iluminada (Everything is Illuminated, 2005). No elenco, Elijah Wood (o Frodo, de O Senhor dos Anéis), o ucraniano Eugene Hutz (vocalista da banda Gogol Bordello, presente na trilha sonora) e Boris Leskin; além, é claro, da cachorra Sammy Davies Jr Jr, impagável.

Baseado no romance autobiográfico homônimo de Jonathan Safran Foer (que faz uma ponta), o filme narra a busca de Jonathan (Elijah) pela mulher que salvou a vida de seu avô, na Ucrânia, durante a segunda guerra. O visual é um espanto de lindo, a trilha de canções ucranianas, fantástica e os momentos, especialmente nos últimos 30 minutos de filme, conseguem ser daqueles que ficam gravados na retina.

8.11.06

Chegou!

Já está nas bancas, desde o dia 20 de outubro, a nova Rolling Stone Brasil, com a Gisele na capa.

Custa R$ 8,90, super em conta, e tem matérias boníssimas, paradas pop, críticas de música, uma mistura boa de matérias traduzidas da edição americana e originais de jornalistas brasileiros.

Eu não sabia, mas em 1972, por exatos 12 meses, a revista já havia sido editada no Brasil. Uma das então estudantes de jornalismo que trabalhava na redação era Ana Maria Bahiana, que conta ter "queimado muito fumo" escrevendo na publicação.

A linha editorial da Rolling Stone sempre foi de conteúdo. As matérias geralmente são bem longas e completas. Diferente do que estamos acostumados no Brasil.

Dica do tiozinho.

7.11.06

Plásticas da Vida

Eu jurei que não ia mais fazer resumo de novela, mas eu preciso dizer umas coisas a respeito do capítulo que eu acabo de ver de soslaio:

1. Desde quando adolescentes "fazem amor" ao som de música clássica mal-executada pela orquestra Som Livre, com todos os movimentos coreograficamente artificiais daquele jeito?

2. Alguém acredita que o Beija-flor quer mesmo comer Deborah Evelyn-Carpenter?

3. Semana passada, me disseram "a novela é péssima, mas quando a Renata Sorrah abre a boca, salva o capítulo". Em compensação, quando aquele dublador de quinta que faz o marido dela abre a boca, estraga tudo.

4. Este bando de pseudo-atores lendo textinho de última do Maneco só serve pra me lembrar porque eu não assisto novela.

**

Juro que não falo mais.

Medo



Daqui.

3.11.06

Vamos dançar?



Tracklist:

1. Pet Shop Boys - Sunglasses At Night-West End (Remix 05) (4:34)
2. Eurythmics - Sweet Dreams (Are Made Of These) (Steve Angello Remix) (6:10)
3. Culture Club - Miss Me Blind [ David Guetta & Joachim Garraud Remix ] (3:35)
4. Cerrone - Supernature (David Guetta & Joachim Garraud Rmx) (7:44)
5. Pussycat Dolls - Buttons (Dave Aude Button Fly Club Mix) (7:40)
6. George Michael & Mutya - This Is Not Real Love (Moto Blanco Mix)(8:58)
7. Laura Branigan - Self Control 2005 (Royal Gigolos Remix)(4:14)
8. Robin - The DJ Made Me Do It (Dave Aude Did The Club Mix) (8:19)
9. Ultra Nate - Love's The Only Drug (Muzzaik (9:49)
10. Sun - Gone (Moto Blanco Remix) (8:06)

Aqui ó!

Atenção, povo

Daqui a pouco tem compilation!

How Bizarre


O "comediante" Leigh Frances, ontem no Europe Music Awards na Dinamarca, tirando sarro de Madonna. Uma pitada de mau gosto.

2.11.06

Mae West


- Mae West, você iria para cama com um perfeito desconhecido?
- Claro, desde que o desconhecido seja perfeito.

*

- Meu Deus, que jóias lindas!
- Deus não teve nada a ver com isso, queridinha.

*

- Qual é a sua altura, rapaz?
- 2 metros e 18.
- Esqueça os 2 metros e vamos falar sobre os 18.

1.11.06

Little Miss Sunshine

Uma das coisas que mais me admiram na nova safra de diretores norte-americanos é a capacidade de auto-humor que eles têm. Sabem olhar para o próprio umbigo e debochar da sociedade que os criou. Todd Solondz (de Felicidade, 1998), Paul Thomas Anderson (Magnolia, 1999) e Greg Araki (Mistérios da Carne, 2004) fazem isso muito bem em seus filmes. No mesmo caminho estão Jonathan Dayton e Valerie Faris, os diretores de Pequena Miss Sunshine, que até podem ser estreantes no cinema, mas já são referência em direção de videoclip. De Janet Jackson a Smashing Pumpkins, de REM a Paula Abdul, de Offspring a Red Hot Chili Peppers, a dupla dirigiu alguns dos vídeos mais bem acabados visualmente das últimas décadas.

Portanto, não é de se espantar que Little Miss Sunshine seja esteticamente tão coeso, com os amarelos, azuis e vermelhos no seu devido lugar. No que tange ao tema, a dupla também soube escolher bem duas coisas revoltantes na sociedade norte-americana: neurolinguísica e concursos de beleza mirim.


O filme conta a tragetória da família Hoover, cujo pai (Greg Kinnear) é um "especialista" em neurolinguística fracassado, o filho (Paul Dano) é obcecado por Nietzsche e se recusa a falar, a pequena Olive (Abigail Breslin) sonha em ser miss, o avô (Alan Arkin) é viciado em cocaína, o tio (Steve Carell) acaba de tentar suicídio e a mãe (Toni Collette) tenta, muitas vezes em vão, colocar ordem e paz em meio a loucura de todos. A franqueza com os personagens se tratam é admirável. Aliás, franqueza é o que não falta aqui.



Outra questão levantada no filme é a bizarrice dos padrões de beleza venerados pelos americanos. Para ser um vencedor não se pode ser diferente do estabelecido. Pois Dayton e Faris expõem a hipocrisia desse conceito e questionam a sexualização precoce nesses concursos de beleza, em que mães recalcadas e doentes tratam as filhas como se fossem bonecas Barbie, ao seu (mau) gosto.



Mais um daqueles filmes alternativos que vai muito longe, por ser simples, honesto e bem feito.

Quem quiser ver alguns comerciais e videoclips dirigidos pela dupla Dayton/Faris, aqui tem.

*

Quer uma sugestão? Corra à locadora mais próxima e procure Bem-Vindos (Tillsammans, 2000), filme sueco de Lukas Moodysson, que empresta muito da estética usada em Pequena Miss Sunshine.

Tem a menininha de óculos retrô, a Combi e muito amarelo, azul e vermelho.

Além, é claro, de ser um filmaço.