24.11.06

1970




Lá no início da década de 90, eu era viciado em Anos Incríveis. Talvez porque a série, além de tratar do amadurecimento do pequeno Kevin e sua família, traçava um retrato quase documental do cenário político e cultural dos anos 60 e 70 com muito bom-humor e uma dose saudável de sentimentalismo nostálgico. Ao final de cada episódio, a gente desligava a tv suspirando de emoção, se sentindo um pouco mais humano. Não se surpreenda se você se sentir exatamente desta forma depois de assistir à O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias (2006), de Cao Hamburger (o mesmo de Castelo Rá-tim-bum), em cartaz por todo o país.

No filme, Mauro ( Michel Joelsas), às vésperas da copa de 1970, é deixado pelos pais na porta do prédio onde mora o avô paterno (Paulo Autran), pois estes vão tirar "férias". Não demora muito ao espectador perceber que eles estão mesmo é fugindo da ditadura. Acontece que Mauro se vê abandonado e conta apenas com a solidarieade dos moradores do prédio, todos judeus, espcialmente Shlomo (Germano Haiut) vizinho de porta de seu avô. A partir daí, o menino precisa se ajustar à nova realidade enquanto espera que seus pais dêem sinal de vida.

A minha primeira reação a filmes protagonizados por crianças é de medo. Geralmente elas são constrangedoramente ruins, talvez porque os diretores brasileiros (especialmente os de telenovelas) não sabem tirar delas atuações de verdade. Não é o caso aqui. Cao Hamburger é hábil em extrair emoções e reações adequadas de seus pequenos atores, sendo que o grande destaque é Daniela Piepszyk, a vizinha Hanna.

Há momentos de genuína beleza e emoção em O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias. Coisa rara no cinema nacional.

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