31.12.06

Get Ready to...

Vamos pular de cabeça em 2007 e dizer um adeus respeitoso a 2006, o ano que foi mas não foi. Eu vou estar com três dos amigos mais queridos, bebendo, comendo e dançando. Depois, só Deus sabe.

E mãos à obra, meus filhos, arregacem as mangas porque não vai ser fácil.

29.12.06

Enquete

Que post do Cafeína você mais gostou em 2006?

Heim?

20 Grandes Filmes de 2006

Vocês já devem ter percebido que eu sou cinéfilo doente. Chegado o derradeiro fim do ano, sobe a febre das infames listinhas dos "melhores", só que eu acho isso meio pretencioso. Claro, a gente pode julgar um filme de acordo com tecnicalidades, com a intensidade das atuações, habilidade na direção, qualidades do roteiro e assim por diante. A lista a seguir, porém, não segue qualquer hierarquia ou ordem, nela estão pura e simplesmente filmes que me emocionaram, propuseram reflexão ou apenas me deixaram boqueaberto com sua beleza.










28.12.06

Frutos do Mar




Para você, amigo leitor bem de vida, que vai tirar férias em alguma praia paradisíaca do Brasil ou do mundo, se empanturrar de ostras, siris, camarão, lagosta, caipirinha e disputar a cotoveladas um lugar na areia, três frutos do mar, patrocinados pela série 007: Ursula Andress em O Satânico Dr. No, Daniel Craig em Cassino Royale e Halle Berry em Um Novo Dia Para Morrer. Qual você prefere?

*

Cassino Royale é um filme de verdade, meus amigos, caprichado, com um bom roteiro e visual moderno. Só é longo demais, 2 horas e 25 minutos. Mas, ver como tudo começou, James Bond em sua primeira missão com 007, fiel ao livro de Ian Fleming, é uma ótima pedida. Sem falar na abertura, a mais legal de todas da série.

27.12.06

A Vida Secreta das Palavras


"Deixe que a palavra seja humilde, porque o mundo não começou com palavras, mas sim com dois corpos abraçados, um chorando e o outro cantando."
Lê Thi Diem Thúy


A diretora espanhola Isabel Coixet tem uma habilidade imprescindível a qualquer bom cineasta: sabe dizer muito mais com imagens do que com palavras. Não que o roteiro de La Vida Secreta seja insuficiente, não é. Acontece que a contenção linguística serve de aliada à narrativa numa história a respeito da insuficiência do falar no processo de cura de feridas muito mais profundas e desconhecidas.

Aquele discurso banal que prega o "desabafar" como principal ferramenta de redenção das chagas da alma, não parece ser eficaz quando aplicado à angústia da solitária Hannah (interpretada magistralmente por Sarah Polley), imigrante de um país do leste europeu, designada como enfermeira de Josef (Tim Robbins), recente vítima de um acidente numa plataforma de petróleo na Irlanda.

O conflito ocasionado pelo encontro dos personagens revela segredos adormecidos que, em escalas diferentes, poderiam ser meus ou seus, aqueles que se escondem num lugar raramente por nós acessado e que nos fazem criaturas cada vez mais solitárias. Há de se romper o medo e a culpa, mas, para que isso aconteça, alguém precisa dar o primeiro passo.

Segundo promete a distribuidora Europa Filmes, o Brasil poderá ver em janeiro A Vida Secreta das Palavras. Se eu fosse vocês, não perderia por nada.

Enquanto ele não chega, assista sem medo ao DVD de Minha Vida Sem Mim, da mesma diretora, estrelado também por Sarah Polley, uma dissertação sobre a vida e a morte, sem fazer delas figuras antagônicas. Na trilha, muita Blossom Dearie e, ainda no elenco, Mark Ruffalo. Precisa mais?

26.12.06

Back to life


Deu. Agora acabou, já é dia 26, passou. Nem doeu desta vez. Acabou a pressão social de a gente ter que ser feliz por umas horas da noite do dia 24. A imposição de sorrir e abraçar aquele familiar odiável, fingindo não ouvir os innuendos recalcados por ele proferidos. Mas a gente não deve esquecer que é uma escolha. O ideal do natal, assim como festa de aniversário, ano novo, formatura, é estar com quem se gosta e com quem gosta da gente. Porque a data, meus amigos, não tem magia nenhuma, sinto desapontá-los. A magia está em querer bem.

21.12.06

Moedas



Eu nunca pensei. Não mesmo. Naquele dia, fui ao supermercado como faço quase todos os dias, sem pensar, sabe? Aquelas coisas que têm a sua ritualística amortecida pelo cotidiano. Eu não era para ainda estar lá quando você passou. Só estava porque a moça do caixa não tinha troco e eu tentei facilitar, catando moedas no fundo do bolso. Se não fosse por elas, por baixar e levantar a cabeça, eu nem teria te visto passar. Mas o fator determinante, moedas ou destino, não importa. (Agora pensando melhor, prefiro acreditar que seja o destino.) E quando te vi de longe, meu olhar congelou, sem descansar até você me ver. Você viu. E ao me olhar, me mostrou uma coisa até então desconhecida. Por que diabos eu nunca tinha sentido aquilo? O tremor do corpo abstrato, o suor invisível de se estar frente à frente com a prova irrefutável de que eu sim posso fazer despertar tremores e suores. Pode não dar em nada, a gente pode nunca mais se encontrar, nem saber como é a voz um do outro. Eu só quero um dia poder te agradecer.

19.12.06

18.12.06

Calor, Madonna e Nip/Tuck



A sensação térmica de Porto Alegre no fim de semana foi a mesma de um caldeirão dos infernos. E o verão nem começou. Nossa Senhora do Ar Condicionado, ventilai-nos.

Só para você que tem HBO (ou sabe baixar da web), a Confessions Tour de Madonna, com show gravado em Londres, é um desbunde jamais visto. Dê um jeito de assistir.

E o natal aí na porta. Do I look like I care?

Daí que você prometeu há anos que iria na formatura do amigo, em Santo Ângelo, interior abafado do estado, e o dito evento ocorre nesta época calorenta do ano, mais precisamente na próxima sexta? Tudo pela amizade, simbora.

Sabe o anonimato, proporcionado pela internet, utilizado por certas pessoas para dizerem desaforinhos? Nem me incomoda. Eu ignoro. O que me revolta é quando a pessoa forja uma identidade, faz perfil falso no orkut, com fotos truncadas, para impressionar, porque está infeliz com quem realmente é. Assim não dá, colega.

A quarta temporada de Nip/Tuck, ainda inédita no Brasil, tem como convidadas recorrentes Jacqueline Bisset e Brooke Sheilds, no papel de uma terapeuta viciada em sexo. As tramas paralelas? Ahhh...nem te conto. Eu só não entendo por que a FOX daqui está tão atrasada.

O pacotão de filmes de fim de ano está cada vez mais gordo (ao contrário de mim, ho ho ho!).Tem A Vida Secreta das Palavras, Filhos da Esperança, O Ilusionista, Marie Antoinette (de Sophia Coppola) e uma penca de clássicos. Me aguardem.

15.12.06

A chave e a Lua




Para Clara Moon, de aniversário.

Eu nunca estava dormindo

"Levo comigo um maço vazio e amassado de Republicana, e uma revista velha que ficou por aqui. Levo comigo as duas últimas passagens de trem. Levo comigo um guardanapo de papel com minha cara que você desenhou, da boca sai um balãozinho com palavras, as palavras dizem coisas engraçadas. Também levo comigo uma folha de acácia recolhida na rua, uma outra noite, quando caminhávamos separados pela multidão. E outra folha, petrificada, branca, com um furinho como uma janela, e a janela estava fechada pela água e eu soprei e vi você e esse foi o dia em que a sorte começou.

Levo comigo o gosto do vinho na boca. (Por todas as coisas boas, dizíamos, todas as coisas cada vez melhores que vão nos acontecer.)

Não levo uma única gota de veneno. Levo os beijos de quando você partia (eu nunca estava dormindo, nunca). E um assombro por tudo isso que nenhuma carta, nenhuma explicação, podem dizer a ninguém o que foi."

Mulher Que Diz Tchau, de Eduardo Galeano.

14.12.06

Globo de Ouro

Foram divulgadas hoje pela manhã as indicações aos prêmios Globo de Ouro. Qual não foi minha surpresa ao ver Penelope Cruz indicada a melhor atriz de drama por Volver. Não que eu não a julgue merecedora, muito pelo contrário. Almodóvar é um diretor de mão cheia e consegue de uma atriz geralmente irritante como ela uma atuação que emociona. Mas é raro uma atriz estrangeira estar nas categorias principais.


Ainda na mesma linha de atores irritantes regenerados pelo talento de bons diretores, Leonardo di Caprio foi indicado não uma, mas duas vezes ao prêmio de melhor ator de drama, por Os Infiltrados e pelo ainda inédito Diamante de Sangue. Eu já havia dito quando escrevi sobre The Departed que o ator havia mesmo subido no meu conceito. Desbancou inclusive o chato Jack Nicholson que tentou roubar a cena no filme de Scorsese mas teve que se contentar com a categoria de ator coadjuvante, junto com Mark Whalberg. Well done, Leo!

Martin Scorsese, coitado, concorre com duas indicações de Clint Eastwood (A conquista da Honra e Letters From Iwo Jima), Alejandro Gonzales Iñarritu (Babel) e Stephen Frears (The Queen).

A melhor filme de língua estrangeira, além de Volver, está O Labirinto do Fauno. Briga de foice. Esta categoria, por sinal, é meio polêmica porque honra os filmes não falados em língua inglesa, o que permitiu que APOCALYPTO, do irritante não-regenerado Mel Gibson, concorresse, apesar de ser uma produção americana só por ser falado em maia.

Meryl Streep concorre a melhor atriz de comédia ou musical por O Diabo Veste Prada e tem como principal adversária Anette Bening por seu papel em Running With Scissors. Correm por fora Toni Collette (pelo delicioso Pequena Miss Sunshine) e Rene Zellweger e, se der zebra, Beyoncé Knowles, a cantora que quer ser atriz.

A cerimônia de entrega dos Globos de Ouro acontece dia 15 de janeiro.

Veja a lista completa dos indicados.

13.12.06

Nip/Tuck



Os dois assistiam, cada um na sua casa, o mesmo episódio da série Nip/Tuck. Ela pela Fox e ele em DVD. A diferença é que ela estava 20 minutos à frente. Conversavam, pois, no messenger.

-Oi.
-Ai, não posso agora. Tá passando Nip/Tuck.
-Tá bom, palhaça. Vai lá que eu vou assistir aqui também.

Pouco depois ela volta.

-A-LE-QUÊS! Tu não tens noção do que vai acontecer. To em choque até agora!
-Calma que eu to na parte que eles encontram a Kimber.
-Mas o melhor é depois quando eles ... Terminou o comercial. Fui!

Finalizado o episódio...

-Ai, to chocada. Semana que vem é último episódio da temporada.
-Ah é? Pra mim o último episódio da temporada é daqui a 10 minutos.
-Palhaço!

Meia hora depois toca o telefone.

-E aí? Quem é the carver???
-Não vou te dizer.
-Aaaaaai, como tu é-ééés.
-Vamos fazer assim, a gente faz uma maratona de Nip/Tuck. Assistimos o último da 3a. e alguns da quarta, que tal?
-Tá. Amanhã?
-Não, só vou poder na sexta.
-Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrr.
-Tá, preciso voltar que ainda não terminou. Beijo, boa noite.

Ouviu-se do outro lado da linha um grunido abafado, seguido de um click.

12.12.06

Para uma praia ao sul da esperança



Sem fantasia
Chico Buarque/1967 (Para a peça Roda Viva, de Chico Buarque)

Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer
Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perder-te em meus braços
Pelo amor de Deus
Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu

Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus

11.12.06

Andares

''... Não foi um milagre , não é outra pessoa , é ela com seus ardores nojentos e é seu coração que levanta esse pesado tosco que é seu corpo. '' Hilda Hilst

Hoje eu ouvi a história de um rapaz que se jogou da janela do oitavo andar de um prédio na minha rua. Aqui pertinho, ali na outra quadra. Ali, ali, onde passeam com boxers e cockers, onde estacionam entregadores de baurú e fofocam as vizinhas sobre a vida alheia. No meio desse viver simplinho do centro de Porto Alegre, jogou-se da janela do oitavo andar um rapaz de vinte e cinco anos. Ninguém sabe dizer porquê. Nem a razão do suicídio nem porque ele escolheu jogar-se da janela ao invés de outro método menos ou mais simbólico. Jogou-se da janela.

Quando eu morava em Florianópolis, meu vizinho de corredor tomou uma cartela de calmantes com amoníaco, confortavelmente fornecidos pela tele-entrega da farmácia mais próxima. Depois de descoberto caído no chão pela namorada, ele durou mais 2 horas, me disseram. Também me contaram que fora por causa da namorada, não por ela em si, mas por ter terminado o relacionamento.

Ainda em Floripa, há 2 anos, uma menina linda, com quem sentei por umas horas tomando café no calçadão, recém chegada de Londres, num dia de loucura, impulsionada pelo colchão, jogou-se de cabeça do primeiro andar, depois de soltar-se do pai desesperado. Ela não queria morrer. Nem bem sabia o que queria, para dizer a verdade.

No dia 29 de outubro de 1983, Ana Cristina Cesar, talentosa poeta, escritora, tradutora, amiga próxima de Caio Fernando abreu, jogou-se da janela do sétimo andar do edifício onde moravam seus pais em Copacabana. Num momento de angústia urgente, como em seus poemas, aquelas eternas despedidas com gosto de gengibre e "um filete de sangue na gengiva", Ana C. não aguentou mais.

Nem tentem me explicar. Eu não pretendo entender. Não quero saber de esquizofrenia, depressão, distúrbios psicóticos, desamor, desatino, desespero, desapego. Hoje eu não vou rezar pelas crianças na África, pelas do Brasil, para o natal ser bonito, só hoje eu não vou desejar que os americanos e brasileiros aprendam a votar, nem vou pedir emprego, dinheiro, amor. Eu vou é pedir a Deus que, na arquitetura divina das vidas nossas, não dê a ninguém a ilusão de ter asas nem lhes permita viver sem esperança.

Do sétimo, do oitavo ou primeiro, a goles ásperos de amoníco, não importa, eu não consigo entender. Não mesmo. E o meu não entender não é porque eu seja pollyana a ponto de achar que viver é lindo, não mesmo. Acho inclusive que viver é doer sem remédio, não há overdose de calmantes que amenize. E para nós, não há escolha. Vivemos. E se nos tentam cortar a vida, se nos assaltam, sequestram, espancam, maltratam, se adoecemos, cerramos o maxilar, buscando garra e vida lá bem dentro, para que não nos falte nem nos tirem. Mesmo sem dinheiro, sem amor, sem pai, sem mãe, sem música, sem filho, sem teto, sem nada. Nem do sétimo, nem do oitavo ou primeiro, não é deste andar que a gente deve se jogar. A gente precisa é se jogar pra frente. E, pelo menos, andar.

10.12.06

Chega mais


Para ler ouvindo a nossa música.

Meu amor,

Preciso te dizer uma grande verdade: sobra, com o tempo, cada vez menos de nós em mim. Não não. Eu ainda consigo sentir teus cheiros se fechar os olhos e pensar com força. Outro dia mesmo te vi ao meu lado dormindo e ouvi teu suspiro frágil ao se remexer na cama, como sempre fizeste, sem nem ao menos estares ali, como coisa viva e real. Mas de vivo e real só havia eu. Eu que agora me reviro com sonhos outros onde tu já não moras. Visitas, mas com menos frequência.

O verão aqui já superaquecendo Porto Alegre, avermelhando as cicatrizes aquelas que tu conheces bem, e as recordações de ti meio tépidas, amornando à temperatura do corpo, enquanto arde todo o resto. Se querias saber de mim, estou bem. Pensando cada vez menos em ti.

Largar da memória de quem se amou (eu já não uso mais o presente, percebeste?) é uma prisão privilegiada dos que se entregaram até o fim. A gente se prende àquele sofrer porque é uma forma de perpetuar o relacionamento. Assim eu fiz contigo estes três anos desde a nossa separação, me grudei ao que eu sentia por ti por não saber viver diferente, por achar que nunca mais poderia ser bom, que já não havia mais a possibilidade de ver o mundo em câmera lenta ao me apaixonar. E se há alguém, Deus ou que nome tenha, que comanda de longe a vida da gente, espero que Ele esteja só esperando para apertar a tecla slow motion de novo.

Pois hoje, sem nem mesmo saberes, eu oficialmente dou um belíssimo pé-na-bunda do que resta de ti em mim.

Vá com Deus.

8.12.06

Boys who like girls who like boys



Filmes que retratam o período da pré-adolescência precisam ser muito cuidadosos na abordagem do assunto, pois neste período da vida o delicado e o brutal frequentemente se misturam. Foi com muito tato que Pablo José Meza dirigiu seu Buenos Aires 100 Km, em cartaz na mostra Uma Viagem por 2006, no Santander Cultural. Apesar de o roteiro se mostrar frágil em alguns momentos, Buenos Aires se sustenta pelo jovem elenco e pela semelhança da vida interiorana argentina com a nossa. Festas de garagem, fofocas de cidade pequena, problemas com os pais, competição, hormônios ... já vimos tudo isso antes e mesmo assim não cansamos.

A história é essencialmente sobre meninos e tudo mais que envolve o amadurecimento típico deles, em famílias absolutamente distintas. Mas feito de uma forma leve e bonita.


Quem gosta do tema, pode procurar em DVD Meninos de Deus (2002), com Jodie Foster e Kieran Culkin e Agora e Sempre (1995), com Melanie Griffith, Rosie O'Donnell, Rita Wilson, Demi Moore, Thora Birch e Cristina Ricci, emocionantes e divertidos, com trilha sonora deliciosa e elenco de primeira.

Para um final de semana bem leve.

7.12.06

O Homem Que Falava Demais

James Stewart em Janela Indiscreta(1954)


James Stuart atuou em alguns dos filmes mais importantes de Hitchcock: Janela Indiscreta, Um Corpo Que Cai, O Homem Que Sabia Demais e Festim Diabólico, talvez por encorporar o bom-mocismo exemplar dos anos 50, o que o tornava perfeito para o papel de herói. Sabia-se porém, que ator era extremista de direita e durante o macartismo (a caça aos possíveis comunistas e subversivos) denunciou vários colegas de profissão, nem todos comunistas, fez com que diretores fossem caçados, atores presos e daí por diante. Em troca deste "favor" ao governo, J. Edgar Hoover mexeu os pauzinhos e conseguiu para Stewart o papel principal em The FBI Story.

Hitchcock nunca mais o quis, nem para servir cafezinho.

6.12.06

El Laberinto Del Toro



O diretor mexicano Guillermo del Toro tem um interesse inexplicável pela guerra civil espanhola, como já havia mostrado no maravilhoso Espinha do Diabo, estrelado por Marisa Paredes, que contava a história de um orfanato mal-assombrado no meio do nada, durante o violento governo de Francisco Franco . Esta mistura de horror real com o sobrenatural se repete em O Labirinto do Fauno, em cartaz no país desde sexta-feira.

Uma menina chamada Ofélia, leitora faminta de contos de fadas, é levada pela mãe grávida à nova casa e apresentada ao novo pai, um coronel do exército do movimento nacional franquista. Acontece que a casa é o moinho com um labirinto no jardim, tal e qual contado no livro de histórias.

A partir daí, o fantástico e o real se misturam de uma forma pouco frequentemente vista no cinema convencional. Os efeitos especiais de cair o queixo, o visual dark e a ênfase que o filme dá aos sons - sejam eles do couro das botas do coronel ou do bater de asas das fadinhas- fazem de O Labirinto do Fauno uma aventura extremamente moderna. E sabe quanto custou tudo isso? US$ 5 milhões. Sim, eu escrevi certo, não estão faltando zeros. Se fosse em Hollywood, com a mesma quantia não se poderia nem pagar o caché dos atores.




5.12.06

Any Day Now


Elvis canta Any Day Now

Eu ando sem muita vontade de falar, perdoem.

*Foto tirada no Café da Oca. Eu achei este Elvis fantástico e pedi para a dona da bolsa me deixar fotografar.

3.12.06



"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como "estou contente outra vez". Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicídio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituímos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência."

Caio F.

*

Glau,

Que coisas loucas estas tipo "hoje é teu aniversário e eu preciso tirar de mim palavras bonitas porque te quero bem demais e és tão linda de todos os lados e dimensões", coisas estas que fazem a gente se emocionar especialmente num dia do ano e de dizer umas coisas que a gente sente vergonha de dizer e sempre sentiu mas nunca deixou de, no olhar e cousa e tal.

O bom desta nossa nova configuração geográfica é que hoje eu posso te abraçar bem forte sem precisar dizer nada.

Feliz aniversário.