21.12.06

Moedas



Eu nunca pensei. Não mesmo. Naquele dia, fui ao supermercado como faço quase todos os dias, sem pensar, sabe? Aquelas coisas que têm a sua ritualística amortecida pelo cotidiano. Eu não era para ainda estar lá quando você passou. Só estava porque a moça do caixa não tinha troco e eu tentei facilitar, catando moedas no fundo do bolso. Se não fosse por elas, por baixar e levantar a cabeça, eu nem teria te visto passar. Mas o fator determinante, moedas ou destino, não importa. (Agora pensando melhor, prefiro acreditar que seja o destino.) E quando te vi de longe, meu olhar congelou, sem descansar até você me ver. Você viu. E ao me olhar, me mostrou uma coisa até então desconhecida. Por que diabos eu nunca tinha sentido aquilo? O tremor do corpo abstrato, o suor invisível de se estar frente à frente com a prova irrefutável de que eu sim posso fazer despertar tremores e suores. Pode não dar em nada, a gente pode nunca mais se encontrar, nem saber como é a voz um do outro. Eu só quero um dia poder te agradecer.

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