27.12.06

A Vida Secreta das Palavras


"Deixe que a palavra seja humilde, porque o mundo não começou com palavras, mas sim com dois corpos abraçados, um chorando e o outro cantando."
Lê Thi Diem Thúy


A diretora espanhola Isabel Coixet tem uma habilidade imprescindível a qualquer bom cineasta: sabe dizer muito mais com imagens do que com palavras. Não que o roteiro de La Vida Secreta seja insuficiente, não é. Acontece que a contenção linguística serve de aliada à narrativa numa história a respeito da insuficiência do falar no processo de cura de feridas muito mais profundas e desconhecidas.

Aquele discurso banal que prega o "desabafar" como principal ferramenta de redenção das chagas da alma, não parece ser eficaz quando aplicado à angústia da solitária Hannah (interpretada magistralmente por Sarah Polley), imigrante de um país do leste europeu, designada como enfermeira de Josef (Tim Robbins), recente vítima de um acidente numa plataforma de petróleo na Irlanda.

O conflito ocasionado pelo encontro dos personagens revela segredos adormecidos que, em escalas diferentes, poderiam ser meus ou seus, aqueles que se escondem num lugar raramente por nós acessado e que nos fazem criaturas cada vez mais solitárias. Há de se romper o medo e a culpa, mas, para que isso aconteça, alguém precisa dar o primeiro passo.

Segundo promete a distribuidora Europa Filmes, o Brasil poderá ver em janeiro A Vida Secreta das Palavras. Se eu fosse vocês, não perderia por nada.

Enquanto ele não chega, assista sem medo ao DVD de Minha Vida Sem Mim, da mesma diretora, estrelado também por Sarah Polley, uma dissertação sobre a vida e a morte, sem fazer delas figuras antagônicas. Na trilha, muita Blossom Dearie e, ainda no elenco, Mark Ruffalo. Precisa mais?

Nenhum comentário:

Postar um comentário