
A esta altura do ano passado, depois das indicações do Oscar serem divulgadas, só se falava em Closer. A bola da vez em 2006 é O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee, que estréia nos cinemas do Brasil esta semana. Coincidentemente ou não, ambos são filmes de impacto emocional inegáveis. Enquanto que o mérito de Closer é o texto, o de Brokeback é o subtexto, aquilo que não é dito, o que se sente. Garanto que o incauto expectador saído do cinema vai guardar muita coisa para si, depois de estimulado pelo amor em conserva que é este filme. Sim, voce leu bem, em conserva, armazenado a vácuo no peito, pronto para servir quando for conveniente ou possível, viável.
Com 8 indicações aos prêmios da Academia, Brokeback Mountain conta a história de dois homens que se conhecem no confinamento social da vastidão que é a montanha Brokeback, no Wyoming, enquanto precisam tomar conta de um rebanho de ovelhas. O isolamento traz a necessidade de se estabelecer uma certa intimidade que, num momento de embriaguez, leva ao sexo. Poderia ficar só nisso, como ficam inúmeras relações da vida cotidiana, mas, nesta história, sexo é a menor das coisas. Se voce pensar bem, sexo é raramente um problema, ele apenas acontece, por instinto ou necessidade. Já o amor, meus amigos, quando chega, a gente não pode fazer que não o vê ou sente. E aqui ele chega sem avisar e se recusa a partir.
A narrativa começa nos anos 60 e se extende por mais de 20 anos, lançando luz sobre a clandestinidade de uma relação que, a princípio, nos parece fadada ao fracasso. Ennis, o cowboy calado, durão e problemático, é interpretado por Heath Ledger com uma precisão comparável àquela de Steve McQueen em seus áureos tempos, ao passo que Jake Gyllenhaal confere a seu personagem, Jack, uma delicadeza inerte e corajosa. A colisão destes elementos tão antagônicos, somada à marginalidade da relação entre dois homens, faz de Brokeback um filme sobre a impossibilidade prática do amor, muito mais do que um filme a respeito dois cowboys gays, como nos sugere a mídia.
Ang Lee consegue tirar dos atores, especialmente Michelle Williams (da extinta série Dawson's Creek), atuações silenciosas e contidas, porém eficazes. E é exatamente no silêncio e no subtexto que o roteiro é mais poético e verdadeiro. Quando não se fala nada, se diz muito mais. Por isso agora me calo.
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Ouvindo sem parar o novo de DJ Tiga, Sexor a ser lançado dia 6 de fevereiro. Bom de doer, meus amigos. 






























