31.12.07

Polindo as grades

Entrevista concedida pelo médico e dramaturgo Pedro Bloch a Clarice Lispector nos anos 70:

Clarice: Pedro, você me parece expansivo, espontâneo. E, no entanto, voltado para dentro de si, no sentido em que você dá aos outros e pouco pede para si. Como é você de verdade?

Pedro: Fiz, uma vez, uma receita de viver que acho que me revela. Viver é expandir, é iluminar. Viver é derrubar barreiras entre os homens e o mundo. Compreender. Saber que, muitas vezes, nossas jaulas somos nós mesmos, que vivemos polindo as grades em vez de libertar-nos. (...) A gente só é o que faz aos outros.

Que a gente saiba em 2008 dar mais amor de verdade. Não confundi-lo com posse, mágoa, frustração, narcisismo, recalque, pena ou rancor. Que a gente seja para os outros e, consequentemente, para nós mesmos muito, muito melhor. Cuide de si, dos outros e divirta-se celebrando a página em branco que você começa a escrever amanhã.

Feliz Ano Novo!

10 filmes que me arrepiaram em 2007

28.12.07

Compilation



Em agosto de 1992, Madonna estava em estúdio com o produtor Shep Pettibone gravando o álbum Erotica. Restava apenas uma canção a terminar, Goodbye to Innocence, com a qual a cantora não estava nem um pouco satisfeita e pediu a Pettibone que bolasse um novo arranjo. Ele assim o fez e mostrou a ela na manhã seguinte. Na hora de colocar os vocais, Madonna, contagiada pela nova batida começou a entoar Fever, assim meio de brincadeira. O resultado ficou tão bom que Goodbye to Innocence acabou descartada do CD para dar lugar a Fever. Foram produzidas várias versões diferentes, das quais destacam-se a versão do álbum e esta apelidada de Edit One, a favorita de Madonna, utilizada tanto no vídeo original quanto na turnê Girlie Show. Assim como o fez com a rainha do pop, Fever seduziu vários intérpretes ao longo dos anos. Alguns deles, como a cubana La Lupe, levaram na brincadeira, outros transformam em um hino de sedução, como Elvis Presley.

Certa feita, num café de Porto Alegre, o Rodrigo sugeriu que eu fizesse uma coletânea só de Fever. Aceitei o desafio e depois de ouvir dezenas de versões, selecionei para vocês as 13 mais legais. Atentem para a Fiebre do espanhol Miguel Ríos, o arranjo fabuloso na original de Sarah Vaughan e os remixes deliciosos no final. Achei adequado que a última compilation do ano tivesse esse tom, para entrarmos 2008 com muita febre.

1. Peggy Lee - FEVER (3:19)
2. Sarah Vaughan - FEVER (2:50)
3. La Lupe - FEVER (2:49)
4. Elvis Presley - FEVER (3:34)
5. Norma Benguell - FEVER (2:11)
6. Bette Midler - FEVER (3:38)
7. Michael Bublé - FEVER (3:52)
8. Miguel Rios - FIEBRE (En Directo) (4:09)
9. Ray Charles & Natalie Cole - FEVER (3:30)
10. Daniel Ash - FEVER (4:26)
11. Madonna - FEVER (Edit One) (4:02)
12. Peggy Lee - FEVER (Gabin Remix) (4:03)
13. Sarah Vaughan - FEVER (Adam Freeland Mix) (4:38)

27.12.07

Novo

Não se assuste. Está tudo muito claro, eu sei. Depois de um ano resistindo, decidi que era hora de mudar para o novo Blogger. Esteticamente, ficou mais difícil. Esta nova plataforma permite que se mude muito pouco do visual do blog. O problema é que no sistema antigo havia zero compatibilidade com as categorias de posts. Se você, por exemplo, clicasse em 'compilations', só poderia ver as 20 mais recentes. Agora pode ver todas, 20 por página. Para ver mais, basta clicar no link 'ver postagens mais antigas'. Ao mesmo tempo em que migrar para o novo Blogger nos resolveu esse problema, criou-nos muitos outros. Mas acho que na vida é assim mesmo. Quando eu faço uma escolha, pago o preço dela. Confesso que gostei desta simplicidade que você vê agora. Foi esta a minha grande lição de 2007: simplificar em prol da praticidade, nem que isso aparentemente complique as coisas.

Prometo em breve facilitar os comentários, rever links e tornar esta brancura Rinso respingada de azul mais animada.

26.12.07

O Orfanato



Talvez o filme mais comentado da atual temporada européia, O Orfato (El Orfanato, 2007), produzido por Guillermo del Toro, concorre a 14 categorias dos prêmios Goya e foi um dos indicados pela academia de cinema espanhola para o Oscar de filme estrangeiro. Além disso, foi o maior sucesso de bilheteria naquele país este ano e deve seguir uma brilhante carreira nas salas do mundo todo. Este mistério sobrenatural recicla de forma inteligente e minuciosa elementos do melhor cinema de terror dos últimos 30 anos, com direito a uma aparição genial de Geraldine Chaplin, fazendo um papel muito parecido com o da simpática velhinha de Poltergeist, numa das cenas mais assustadoras do cinema desta década.

A direção ficou por conta do estreiante Juan Antonio Bayona, muito habilidoso em balancear o suspense com a emoção, já que o filme, no rastro de O Sexto Sentido e Os Outros, também tem uma forte carga dramática. Mas com aquele tempero espanhol que a gente tanto gosta.

Para entrar no clima, indico sem erro A Espinha do Diabo (El Espinazo del Diablo, 2001), de Guillermo del Toro, com Marisa Paredes em plena guerra civil espanhola às voltas com um espírito assombrando seu orfanto. Genial.


23.12.07

Ho ho ho


Que este natal sirva de desculpa para você abraçar bem apertado as pessoas que ama.

21.12.07

Compilation


Uma das notícias de destaque da semana foi o show de despedida da dupla de irmãs Sandy & Júnior. Parece que as meninas agora seguirão em carreira solo. Aproveitei, portanto, para homenagear duplas pop inesquecíveis e suas faixas deliciosas, incluido 2 versões de Something Stupid em inglês e outra em português, de Leno e Lílian, ídolos da Jovem Guarda.

1. Frank and Nancy Sinatra - Something Stupid (2:35)
2. Eurythmics - Don't Ask Me Why (4:14)
3. Banderas - This Is Your Life (4:33)
4. Goldfrapp - Satin Chic (3:28)
5. Pet Shop Boys - I'm With Stupid (3:26)
6. Shakespear's Sister - Stay (Andre Betts 12" Mix) (4:28)
7. Swing Out Sister - Breakout (3:43)
8. Robbie Williams & Nicole Kidman - Something Stupid (2:54)
9. The Postal Service - Against All Odds (4:12)
10. Miranda! - Casualidad (5:32)
11. Fangoria - Si Lo Sabe Dios Que Se Entere El Mundo (3:40)
12. Leno e Lílian - Coisinha Estúpida (2:34)
13. Pimpinela - Olvidame y Pega la Vuelta (Reggaetton mix) (3:25)

19.12.07

Q&A

Eu detesto e-mail em massa, scrap em massa, sms em massa, qualquer coisa de massa (menos de comer). Mas recebi outro dia desses um que consistia em perguntas e respostas a respeito de dúvidas sexuais de principiantes e possíveis (e óbvias) soluções. Como de costume, o e-mail é interminável, mas 2 itens se destacaram:

*Terminei com meu ex porque ele é muito galinha e agora estou com outro. Mas ainda gosto do ex e às vezes ainda fico com ele! O que devo fazer?

R: Quem é mesmo galinha nesta história?

*Sou feia, pobre e chata. O que devo fazer para alguém gostar de mim?

R: Ficar bonita, rica e ser legal. Obviamente.

18.12.07

Mãos de Fada



O argumento de Irina Palm (2007) é no mínimo criativo. Marianne Faithfull é Maggie, uma inglesa aposentada das mais pacatas que, para ajudar a pagar o tratamento médico do neto, encontra emprego em um bordel do SoHo. Não vou revelar o que ela faz lá, mas posso dizer que sob o pseudônimo de Irina Palm vira um grande sucesso entre os clientes.

Este filme é uma daquelas fábulas que retratam personagens forçados pela necessidade a sair da mediocridade. A performance de Marianne Faithfull é surpreendente, muito embora ela esteja amparada por um elenco coadjuvante irrepreensível também. Mais um pequeno filme com grandes resultados.

E para quem não tem idade pra saber quem é Marianne Faithfull, favor pesquisar.

Bebedeira

...eu só lembro de, lá pela 1 da manhã, me pegar dizendo:

- Ainda bem que a Clarice Lispector não jogava búzios.

17.12.07

Levantamento de peso

O amor não pesa. Se está difícil de você carregar é sinal de que isso aí não é bem amor. Tem outras coisas que às vezes se disfarçam de amor, só que elas mais cedo ou mais tarde acabam pesando. É preciso, então, a gente olhar muito bem olhado, de pertinho e com lupa, pra ter certeza do que nos motiva a entrar numa relação. Que seja sempre o apaixonamento e não a necessidade, a solidão, pressa, fome. E mais ainda, veja que difícil, que o apaixonamento seja saudável e bem leve; porque se for pesado ...

Eu vivo dizendo isso para os meus amigos, porque realmente acredito. Quero ver, quando chegar a hora de me apaixonar, se vou conseguir enxergar um palmo à frente do nariz.

14.12.07

Compilation



Uma coleção de remixes de Stuart Price ou Jacques Lu Cont ou The Thin White Duke ou Les Rythmes Digitales. O homem por trás dos melhores álbuns eletrônicos dos últimos tempos.

1. Mirwais - Miss You (The Thin White Duke mix) (4:24)
2. Seal - Amazing (The Thin White Duke mix) (3:31)
3. The Killers - Mr. Brightside (Jacques Lu Cont Radio Edit) (3:39)
4. Justice - D.A.N.C.E. (Stuart Price Mix) (8:05)
5. Kasabian - Me Plus One (Jacques Lu Cont Remix) (8:34)
6. Madonna - Hollywood (The Thin White Duke mix) (7:07)
7. No Doubt - It's My Life (The Thin White Duke Mix) (6:58)
8. New Order Feat Ana Matronic - Jetstream (Jacques Lu Cont Remix) (8:21)
9. Texas - What About Us (Jacques Lu Cont Radio mix)(4:24)
10. Juliet - Avalon (Jacques Lu Cont Radio mix) (3:29)
11. Les Rythmes Digitales - Jacques Your Body (4:12)

13.12.07

System

System é o novo álbum de Seal e talvez o melhor cd pop do ano. Produzido por Stuart Price, o homem por trás de Confessions on a Dance Floor de Madonna, este trabalho é um daqules discos que a gente escuta do início ao fim balançando a cabeça. Especialmente bom para correr e viajar.

O clip de Amazing, o primeiro single, é tão viciante quando o música.

Links para baixar o cd nestes blogs aqui e aqui.


*Amanhã, uma compilation só de remixes do Stuart Price.

12.12.07

Medo da Sombra



O novo filme de Neil Jordan, Valente (The Brave One, 2007) é um soco no estômago de qualquer americano, especialmente se ele morar em Nova York. Para nós brasileiros, é apenas um filme chocante e muito bem feito. A radialista Erica Bain (Jodie Foster) e seu futuro marido David (Naveen Andrews, o Sahid de Lost) são brutalmente espancados por uma gangue, ocasionando a morte do noivo. Depois de passar 3 semanas em coma, Erica acorda para uma realidade onde já não há mais tranquilidade ou inocência. As coisas que lhe validavam no mundo haviam sido roubadas pela brutalidade. Essa raiva toda represada faz com que a protagonista se torne uma espécie de justiceira anônima das ruas de Nova York. O policial Sean Mercer (Terrence Howard) investiga os casos sem saber que a jornalista a quem faz confissões é a criminosa que procura.

Na verdade, Valente é um filme de vingança, mas não como os a que estamos acostumados. A personagem de Jodie Foster, com sua história particular, representa um universo de pessoas cansadas de violência e ressentidas por terem sido roubadas de uma das coisas mais importantes na vida: tranquilidade. E aí vem o medo, dele a violência e completa-se o ciclo vicioso.

Imperdível.

11.12.07

Esse samba no escuro


Apesar de você amanhã há de ser outro dia.

A coisa tá feia nas internas, mas eu insisto.

9.12.07

Banal, mas dói

Ontem, ao dar a primeira mordida numa maçã, mordi também a língua. Hoje virou uma afta minúscula porém dolorosa.

Da série: minha vida não tem graça nenhuma.

7.12.07

The Very Old Police

E o que é o fiasco da Globo em torno do show da falida banda The Police no Brasil? Uma turnê daquelas tipo "reunião da velha guarda" com o agravante de não ter nada de especial. Não há iluminação arrojada, telões ou projeções e até o figurino nada mais é do que a roupa de faxina do Sting. O The Police teve meia dúzia de hits, fez um tipo de música descartável e sem graça, além de ter durado míseros 5 álbuns. Provavelmente a tv Globo tenha planos de passar o show, por isso tanta "cobertura" nos telejornais. A emissora recebeu da Argentina um vídeo do show em que a banda toca e canta SOS e o tem mostrado exaustivamente nos jornais. Será que só eu estou achando essa atenção toda um exagero?

4.12.07

He's Lost Control


Control[2007], é dos filmes mais bem fotografados que eu vi este ano. Não é de se espantar, pois foi dirigido por Anton Corbijn, o fotógrafo e designer holandês responsável pelo visual do Depeche Mode desde os anos 80 até hoje e que também dirigiu video clips de bandas como U2, Echo & the Bunnymen e Red Hot Chili Pepers. Filmado em preto-e-branco (especialidade de Corbijn), Control conta um pedaço da história de Ian Curtis, vocalista da banda Joy Division (o embrião pós-punk do New Order), que engloba o período que vai da sua adolescência até o fatídico 18 de maio de 1980. Retratado de uma forma completamente diferente do transloucado Ian de 24 Hour Party People (A Festa Nunca Termina, 2002), o personalgem ganha uma certa aura poética e misteriosa, já que o roteiro parece ter sido escrito guiado pelas letras de Curtis. Até pode ter sido, afinal de contas, Corbijn baseou-se na biografia escrita por Deborah Curtis, esposa de Ian, musa inspiradora de Love Will Tear Us Apart. Falando em trilha, além de Joy Division, há Iggy Pop, David Bowie, Roxy Music, o ator Sam Riley cantando com o New Order as músicas do Joy e nos créditos finais, um cover de Shadowplay pelo The Killers.

Para fãs da banda e pra qualquer um com vontade de ver um filme bonito.

1.12.07

Compilation



Eu gosto muito destas mocinhas. Uma versão definitiva de Walk On By, clássica do repertório de Dionne Warwick, aqui na voz de Gabrielle (sim, aquela da chatíssima Out Of Reach), Queen Latifah cantando I'm Not In Love e mais um monte de vozes negras de tirar o chapéu. Destaque especial para a nova de Alicia Keys, a hipnótica No One.

1. Gabrielle - Walk on By (3:21)
2. Randy Crawford - I've Never Be to Me (3:34)
3. Sade - Somebody Already Broke My Heart (4:54)
4. Ruthie Foster - 'cuz I'm Here (3:06)
5. Janet Jackson - Love Me [Just Blaze Remix] (4:04)
6. Angie Stone - Here We Go Again (3:32)
7. Alicia Keys - No One (4:15)
8. Joss Stone and Jonny Lang - When Love Comes To Town (8:45)
9. Queen Latifah - I'm Not In Love (4:47)
10. Jill Scott - One Is the Magic # (3:49)
11. Tweet - Sexual Healing (4:47)
12. Lauryn Hill - Sweetest Thing [Mahogany Mix] (4:37)
13. Nina Simone - Do I Move You? (2:23)

28.11.07

Muito Laquê


Segundo a crítica internacioal, Halle Berry e Benicio Del Toro são fortes candidatos a uma indicação para o Oscar pelo intenso Coisas Que Perdemos Pelo Caminho [Things We Lost In The Fire, 2007].

Dirigino pela dinamarquesa Suzanne Bier [de Os Irmãos e Depois do Casamento], este drama tinha tudo para ser uma das coisas mais enjoativas em cartaz. A trama explica como Audrey [Berry] tenta lidar com a morte do marido [David Duchovny] e se vê responsável pelo melhor amigo do falecido, um viciado em heroína [del Toro] por quem a protagonista, claro, se atrai das maneiras mais insólitas.

Bier dirige o filme com mão leve porém habilidosa, passeando com a câmera pelos atores com um olhar curioso e honesto como, confesso, eu não lembro de ter visto recentemente. Coisas Que Perdemos ... tem um ar de filme alternativo, acho que devido à fotografia naturalista, quase documental. Isso enfatiza a realidade dos momentos em família e dos embates afetivos, funcionando como uma forma inteligente de engajar o espectador e, mesmo que por 110 minutos, convencê-lo de que a realidade pode ser triste mas também traz consigo alguma beleza.
Estréia no Brasil em janeiro.


Baseado no original de John Waters, de 1988, esta nova versão de Hairspray serviu pra me lembrar como os musicais são chatos, mas ainda assim exalam um charme muito próprio que só este gênero possui.

Um dos grandes motivos que me levaram a assistir Hairspray [2007] foi para ver John Travolta no papel da mãe obesa Edna Turnblad, vivida no original pela travesti Divine. Realmente, a simpática Edna já vale o filme, mas quem rouba a cena é mesmo Queen Latifah, não apenas por ser aquela com a voz mais agradável [seguida de longe pelo charme felino de Michelle Pfeifer], mas porque é uma atriz de presença magnética.

Quem viu o clássico de John Waters deve encontrar neste remake um gostinho ainda da acidez crítica do enredo e da forma inusitada como os personagens encaram a situação política dos opressivos anos 60 nos Estados Unidos: usando a ingenuidade como disfarce para o deboche cínico e venenoso. Pouca gente sabe, mas o diretor teve a idéia de escrever o Hairspray original depois de ler uma velha nota de jornal a respeito de uma rede televisão racista invadida por um grupo de jovens negros na década de 60.
Ouça Queen Latifah cantando I Know Where I've Been, talvez a melhor canção do filme.

23.11.07

Compilation


Até quem nunca foi em um consegue imaginar o que é música de motel. Sussurros, murmúrios, juras de amor e uma batida envolvente são requisitos básicos para a boa música sexy. Evidente que não se pode falar em melodias sensuais sem mencionar monsieur Serge Gainsbourg, o pai de Je T'Aime Moi Non Plus (aqui em várias versões) e tantos outros duetos sussurados e melodias sedutoras. Selecionei também, autênticas faixas que foram trilha sonora de filmes pornôs nos anos 70. Tem Piero Umiliani, mestre em compor trilhas do gênero Soft Porn; o tema de Atrás da Porta Verde e a clássica das clássicas, Emmanuelle, com Pierre Bachelet.

1. Pierre Bachelet - Emmanuelle (3:10)
2. Piero Umiliani - Fotomodelle (2:18)
3. The Herbaliser - Sensual Woman (4:52)
4. Theme From Behind The Green Door (4:55)
5. Cat Power and Karen Elson - I love you (me either) [je taime mon non plus] (5:17)
6. Black Market - Bonjour (4:22)
7. Serge Gainsbourg & Jane Birkin - Je T'aime Moi Non Plus [Dzihan & Kamien mix] (4:36)
8. Architecture In Helsinki - Souvenirs (2:25)
9. Interstate 76 Theme - Nasty 70's Soul Funk (2:36)
10. Diana Ross - Love hangover - [Joey Negro remix] (7:09)
11. Brian Molko & Asia Argento [Trash Palace] - Je T'Aime, Moi Non Plus (4:20)
12. Cansei de Ser Sexy - Music Is My Hot Hot Sex (3:07)
13. Serge Gainsbourg & Jane Birkin - 69, Année Érotique (3:20)
14. Suba - Tantos Desejos [Modern Quartet & Cibelle Cavalli Mix] (4:13)
15. Millie Jackson - Never Change Lovers In The Middle Of The Night (3:40)
16. Sven Vath feat. Miss Kittin - Je T'aime Moi Non Plus (4:17)
17. Serge Gainsbourg & Brigitte Bardot - Goodbye Emmanuelle (3:20)

21.11.07

Garçonete


Keri Russel será sempre lembrada como a personagem título da série Felicity. Neste Garçonete (Waitress, 2007), no entanto, ela encarna um personagem bastante diferente da garota de faculdade que amadurece a duras custas em Nova York. Aqui ela é Jenna, garçonete de uma casa de tortas no meio do nada, às voltas com a gravidez repentina e o marido violento. A cada tropeço, Jenna inventa uma receita de torta diferente, o que lembra bastante (ênfase no bastante) Como Água Para Chocolate (1993), explicando os ingredientes e romantizando amoras, caldas de morango e amêndoas. Embora simplório em alguns momentos, Garçonete surpreende pela honestidade dos personagens e por não fazer drama desnecessário, o que, na minha opinião, já é um grande mérito para uma comédia romântica.

Numa das cenas mais legais do filme, toca Short Skirt, Long Jacket, do Cake. Lembrei da Joelma.

20.11.07

Compilation - Re-edição


Back by popular demand.

1. Tori Amos - Desperado (4:46)
2. Crowded House - Don't Dream it's Over (Acoustic live) (3:24)
3. Beverley Knight - Angels (Live) (4:41)
4. Sagi-Rei - Gipsy Woman (3:41)
5. Johnny Cash - Personal Jesus (3:20)
6. Depeche Mode - When The Body Speaks (Acoustic) (6:02)
7. Carpenters - Superstar (3:47)
8. Fionna Apple - Criminal (live at MTV) (5:39)
9. Ingrid - Tu Es Foutu (Chillgrid Mix) (3:45)
10. Joss Stone - Jet Lag (Acoustic @ AOL) (4:20)
11. Nelly Furtado - Te Busqué (Feat. Juanes) (3:38)
12. Erasure - Rock Me Gently (4:27)
13. A-Ha - Summer Moved On (Live)(4:40)

19.11.07

Elle ne regrette rien


Eu, por muito tempo na infância, achei que Bibi Ferreira e Edith Piaf fossem a mesma pessoa. Culpa de minha mãe que ao ver Bibi na tv sempre exclamava "Olha a Piaf!". E quando íamos à praia de carro, meu pai colocava a tocar uma fita cassete de "grandes sucessos da canção francesa"; em algum lugar entre Charles Aznavour e Jacques Brel, cantava Piaf sua La Vie En Rose, momento em que minha mãe dizia "Olha, a Bibi!". A confusão se dava porque nos anos 80 Bibi Ferreira encenou por anos o espetáculo Piaf, em que interpretava a cantora francesa mais amada de todos os tempos, um marco do teatro musical no Brasil.

Confesso que quando sentei em frente a tv para assistir a Piaf - Um Hino Ao Amor [La Môme, 2007] esperava o inevitável em cinebiografias: o clichê das cenas de leito de morte, os infames atores mirins retratando uma infância desgraçada e o didatismo exagerado para acompanhar a evolução temporal da trama. Estes elementos de certa forma estão todos lá, mas Piaf é muito mais do que isso. Ora impiedoso com a canastrice/vulgaridade da personagem real, ora muitíssimo respeitoso ao mito, o filme conta uma vida como se ela fosse uma chanson francaise. Se houvesse uma letra, talvez o primeiro verso fosse "veja que desgraça" e os últimos "mas ainda vale a pena viver porque existe o amor". Aliás, a cena final, ao som de Non, Je Ne Regrerte Rien é de levar qualquer bárbaro às lágrimas.

Menção honrosa, claro, para a protagonista Marion Cotillard. Pela desenvoltura com que interpretou esta canção tão dura e exigente que é a vida de Piaf.

16.11.07

Compilation


Uma coletânea com faixas completamente diferentes entre si e muito provavelmente diferentes do que você costuma ouvir. Porque a gente precisa, de vez em quando, tentar o diferente, não é mesmo?

1. In-Grid - Un Homme Et Une Femme (4:03)
2. Gotan Project - Diferente [House Bass Mix] (4:56)
3. Frente - I want you back [Acoustic] (2:22)
4. Eva Cassidy - Ain't No Sunshine (3:20)
5. Beatles w/a cuban twist - Ticket to Ride (3:07)
6. Joss Stone - Baby, Baby, Baby (4:35)
7. Maroon 5 - Wake Up Call [Mark Ronson Remix feat. Mary j. Blige] (3:11)
8. Shakira - Las De La Intuición (3:40)
9. Miranda! - Prisionero (3:28)
10. Juanes - Me enamora (3:14)
11. Moloko - Forever More [Can 7 Safari Mix] (5:21)
12. Nelly Furtado - Do It [Passengerz Radio Edit] (3:39)
13. Dannii Minogue vs Madonna - Don't Wanna Lose this Groove (3:20)
14. The Gossip - Jealous Girls (3:39)

Não esqueça que para baixar é necessário ter o Pando instalado.

bíuriful


O novo de Mary J. Blige, Growing Pains, sai do forno dia 18 de dezembro. Segundo os boatos, o hit de Rihanna, Umbrella, havia sido oferecido à Mary J. em fevereiro deste ano, mas os autores da canção acabaram se rendendo à jovem cantora. Não tem importância, Mary J. Blige tem mais elegância e talento do que Rihanna jamais sonharia em ter, a prova disso é esta foto de divulgação.

13.11.07

UNA MÚSICA BRUTAL


Finalmente o Gotan Project vem a Porto Alegre com sua Lunático Tour. É dia 6 de dezembro, as 21 horas no teatro do Bourbon Country. No site da Opus, que promove o show, ainda não há preço de ingressos. Será que eles aceitam um rim?

Ouça Una Música Brutal, a minha favorita do álbum La Revancha del Tango.

8.11.07

Compilation



Uma compilation especialíssima com canções de amor e desamor, a começar pela inédita de Joss Stone que dá título à coletânea, uma regravação da clássica L-O-V-E, famosa na voz de Nat King Cole, recentemente utilizada no elegante comercial do perfume Coco Mademoiselle, de Chanel, estrelado por Keira knightly. Tem também Dannii Minogue (a irmã pobre de Kylie) com uma Xanadu (sim, aquela) deliciosa, dueto de Juanes com Andres Calamaro, Groove Armada com Angie Stone, The Bird And The Bee e sua cover dos BeeGees e uma Wanda Sá fantástica, cantando uma das minhas músicas de amor favoritas, It's Too Late, de Carole King.

1. Joss Stone - L-O-V-E (2:48)
2. Bruce Lash - Heart of Glass (3:42)
3. Doris Day - Close Your Eyes (with Andre Previn) (3:11)
4. Dannii Minogue - Xanadu (5:45)
5. Paolo Nutini - Last Request (3:43)
6. The Bird And The Bee - How Deep Is Your Love? (3:24)
7. Emilie Simon - I Wanna Be Your Dog (2:40)
8. Emmy Rossum - Rainy Days and Mondays (3:44)
9. Juanes & Andres Calamaro - Minas Piedras (4:05)
10. Pink Martini - Hey Eugene! (3:10)
11. Angie Stone - Baby (4:50)
12. John Legend & Joss Stone - Family affair (3:42)
13. Groove Armada - Feel The Same (feat. Angie Stone) (3:55)
14. The Supremes - Love Is Here and Now You're Gone (2:50)
15. Wanda Sa - It's Too Late (4:27)

7.11.07

C.R.A.Z.Y.

Depois de 8 cafezinhos e 59 minutos tentando provar pro psicoterapeuta que o que constitui o indivíduo ainda na infância é a linguagem e não esta entidade fantasmagórica comumente chamada de "sentimento", achei que estava abafando ao arrematar o discurso com a mais sólida evidência:

-Imagina só que absurdo, se fosse assim, eu teria me tornado um carente insuportável que não saberia reconhecer uma relação sadia nem que me esfregassem na cara!

Ele tenta não sorrir, arregalando os olhos, levanta e abre a porta:

- Até semana que vem.

*Cheguei a ouvir Julio Iglesias, na minha cabeça, cantando Crreissy, crreissy fórr fílin sou lôuliii

31.10.07

Número um

Tantas, mas tantas vezes eu me pergunto: "por que raios a gente é assim?". Quando eu falo "a gente", não me refiro apenas a nós, eu e você que me lê agora, quero dizer todo mundo. Por que é que a gente precisa tanto se afirmar? Dizer que pode, que consegue, que é fodão, que é bom profissional, bom amante, que é corajoso, bom pai, boa mãe, que ganha bem, que é feliz, que "pega" quem bem desejar, que é insubstituível, imbatível, number one. É muito bom ser tudo isso, não me leve a mal, mas dizer o tempo todo me soa falso. Até porque, quando eu ouço isso vindo muito freqüentemente da mesma pessoa, me leva a crer que ela fala tanto para convencer a si mesma de que é aquelas coisas exatamente porque na verdade não acredita sê-las. E me questiono todas as vezes que digo algo do gênero. Me parece que sentir-se melhor em algo não pressupõe alardear, portanto, a questão acaba sendo "por que eu preciso desta afirmação?" ou "por que é tão importante para mim convencer o outro da minha excelência neste ou naquele quesito?". Não há regras que definam isso, claro. É apenas uma observação.

30.10.07

Compilation - Re-edição




Para quem perdeu a compilação de várias versões de Can't Take My Eyes Off You, uma segunda chance, desta vez com o Pando.

1. Boys Town Gang - Can't Take My Eyes Off Of You (5:38)
2. Lee Ritenour - Every Little Thing She Does Is Magic (4:02)
3. Peggy Lee - Fever [Gabin Remix Edit] (4:02)
4. Alba Molina - No puedo quitar mis ojos de ti (3:08)
5. Jorge Drexler - La huella de tu mirada (3:32)
6. George Michael - The First Time Ever I Saw Your Face (5:19)
7. Katie Melua - Just Like Heaven (3:35)
8. Morten Harket - Can't Take My Eyes Off You (3:46)
9. Ryan Adams - When The Stars Go Blue (3:31)
10. Angel Parra Trio - No Puedo Quitar Mis Ojos De Ti (3:50)
11. Blossom Dearie - Someone To Watch Over Me (5:58)
12. Martha Wainwright - Baby love (4:41)
13. The Cardigans - And then you kissed me (5:23)
14. The Supremes & The Temptations - Can't Take My Eyes Off You (3:07)

26.10.07

Compilation


15 faixas para celebrar as voltas que a vida dá. Destaque para We're All Alone, clássica das madrugadas nas rádios FM nos anos 70 e 80. E, como sempre, versões diferentes de sucessos que o povo gosta. Ainda tem o argentino Federico Aubele, com um som elegante que só ele, Bajofondo com Elvis Costello, Isaac Hayes (meeestre!), Julie London, duas Crazy; a de Patsy Cline por Key Starr e a de Gnarls Barkley cantada pelo folk/pop Ray Lamontagne. Uma Beverley Knight de arrepiar, remix de Tracey Thorn do single novo, Grand Canyon, a banda Just Jack fazendo Cardigans e terminamos com uma música que me lembra coisas bonitas, Better Be Home Soon. A música que dá título à coletânea é faixa bônus da edição especial do novo de Gloria Estefan, 90 Millas.

1. Julie London - Go Slow (2:15)
2. Isaac Hayes - The Look of Love (4:38)
3. Kay Starr - Crazy (2:57)
4. Michael Bublé - Kissing A Fool (4:35)
5. Young Will - Your Love Is King (4:01)
6. We're All Alone - Boz Scaggs (4:06)
7. Dusty Springfield - Am I the Same Girl (3:00)
8. Beverly Knight - After You (4:07)
9. Federico Aubele - Esta Noche (4:09)
10. Ray Lamontagne - Crazy (Gnarls Barkley cover) (4:15)
11. Gloria Estefan - Vueltas De La Vida (Bonus Track) (3:38)
12. Bajofondo feat. Elvis Costello - Fairly Right (6:01)
13. Tracey Thorn - Grand Canyon (Ada Vocal) (8:58)
14. Just Jack - Lovefool (Cardigans cover)(3:41)
15. Crowded House - Better Be Home Soon (Acoustic) (3:27)

*Não esqueça que você precisa ter o Pando instalado pra baixar.

25.10.07

Testando

Para quem já tem o pando instalado na máquina, clique em "download" no link abaixo para ter a compilation dos Carpenters. (Viu, Roberto?)

AINDA

sem assunto. Mas amanhã tem compilation nova e vou dar um jeito de re-postar aquela dos Carpenters, sucesso de audiência.

*Quem sabe a gente começa a compartilhar as compilações cafeína usando um programa que eu gosto muito chamado Pando? Assim, não há necessidade de hospedar as compilações em site algum e elas continuam on line sempre. Dêem uma olhada no site e baixem o programa (de apenas 1.6 mb) pra gente já ir se acostumando. Pode baixar que é de confiança, eu uso há um tempão. Com o programa instalado e rodando, você clica no link que eu fornecer aqui e começa automaticamente a baixar. Vamos?

19.10.07

Bang Bang


Neste enfadonho Os Indomáveis (3:10 To Yuma, 2007), o fazendeiro falido Dan Evans (Christian Bale) aceita escoltar o prisioneiro Ben Wade (Russell Crowe) para pegar o trem de 3:10 para Yuma, Arizona, em troca de 200 dólares que o salvarão de perder o rancho onde mora com a família. Previsível como só ele, o filme não sustenta o suspense que envolve a viagem, ameaçada pelo bando selvagem do prisioneiro. O que ele tenta o tempo todo é explicar como os protagonistas desenvolvem uma inesperada admiração mútua que culmina nos minutos finais. Uma refilmagem do original de 1957, Os Indomáveis pretende ser um western "profundo", o problema é que você olha no relógio achando que já se passaram uns bons 40 minutos de filme e na verdade só foram 10. Não se pode negar, porém, que 3:10 To Yuma é uma bela vitrine do talento inegável dos dois protagonistas. Mas é só.

16.10.07

A vida como ela não é


Vendo a grade da nova programação da tv americana percebi que as comédias de situação (as famosas SitComs) estão em baixa. Não há mais sucessos estrondosos de audiência como Friends, 3rd Rock From The Sun, Will & Grace e tantas outras de um passado recente. Não sei se porque elas eram ingênuas demais e, em tempos de guerra, os ianques preferem assistir a séries sobre investigações criminais fantasiosas, dramas médicos ou eventos sobrenaturais que lhes distraiam daquela pirraça desgraçada de seu presidente abobalhado. Também não me espanta que os super-heróis modernos de Heroes estejam em alta. Se você olhar com atenção, percebe que americano gosta mesmo de programas que exaltem seu poderio, seja ele bélico ou de sobrehumana bondade com o próximo (desde que o próximo seja anglo-saxão). Mas uma coisa a gente precisa admitir: os roteiros da televisão americana estão cada vez melhores, mesmo seguindo fórmulas que se tornam óbvias conforme a temporada avança. Vide Dexter, Bones, Desperate Housewives etc e tal. Eles se esforçam com cada vez mais afinco em criar tramas inteligentes.

Já na tv aberta brasileira a situação é calamitosa. As novelas, orgulho do nosso povo, são um desfile bizarro de falta de talento. Custam e geram um rio de dinheiro, só que no final das contas, perpetuam estereótipos ofensivos e não sabem o que fazer direito quando retratam as minorias sociais. Gente rica de novela (a maioria) ou é muito chata ou muito mau-caráter. Gente pobre sofre, sofre, sofre, mas se dá bem no penúltimo capítulo. Homossexuais não beijam nem transam e se forem lésbicas, morrem. De acidente, claro. Soropositivos e trangêneros, então, estes sequer existem. Ninguém fica solteiro e feliz; ou casa ou morre de alguma doença rara. Os mocinhos não fumam, nem bebem, nem traem. As mocinhas só transam por amor e são muito, muito magras. Ainda dizem que novela é um sucesso por aqui porque retrata a realidade.

Os programas de humor, ah, estes são especialmente escrotos e ofensivos. Não consigo imaginar como alguém com mais de 1/2 neurônio acha graça do Pânico, por exemplo. Aquilo pra mim é tripudiar da miséria humana, é testar o limite da crueldade. Mas não me espanta que ele seja visto como um programa "inovador", já que os outros seguem fórmulas caducas de décadas atrás. Miguel Falabella recentemente reeditou o Sai de Baixo com elenco similar, sem a mesma graça. As praças, escolinhas e zorras da vida ainda tentam seduzir o espectador machista com modelos de biquini assediadas por velhos caquéticos, gays estereotipados e senhoras histéricas. Que saudades de TV Pirata e Os Normais!

Eu faço parte daquela parcela gigantesca de brasileiros que não pode pagar por uma tevê a cabo. A única coisa que eu ainda consigo ver em tv aberta é o jornalismo (só vamos deixar bem claro que esta categoria exclui o Fantástico). Acho que ainda há bons programas jornalísticos, até alguns noticiários locais. A Record News, por exemplo, estreou com uma programação variada e cuidadosa, tem documentários, programas de variedades, até um infame show de celebridades nos moldes do horrendo TV Fama, mas ainda assim prefiro assistir a Record News do que ter que aturar o insuportável Fausto Silva.

No final das contas, a melhor solução acaba sendo sempre desligar a tv. Deus abençoe o controle remoto, a internet e o dvd.

15.10.07

Compilation


Love is The Drug sempre foi uma das minhas canções favoritas do Roxy Music. Aqui há mais a fantástica roupagem de Grace Jones e a novíssima versão de Kylie Minogue, presente na coletânea de covers Radio 1 - Established Since 1967 (que celebra os 40 anos da rádio BBC 1). Ainda tem uma do novo álbum do Morcheeba, Annie Lennox saindo do forno, The Gossip pervertendo (ainda mais) George Michael, uma parceria de Jorge Drexler com Kevin Johansen e outras faixas sobre o amor, esta coisa que a gente não consegue entender.

1. Kylie - Love Is The Drug (3:50)
2. Dame Shirley Bassey - Where Is The Love (5:25)
3. Tracey Thorn - Nowhere Near (3:09)
4. Annie lennox - Love is Blind (4:18)
5. Jorge Drexler - La Vida Es Mas Complexa... (3:08)
6. kd lang - Love Is Everything (5:43)
7. Bryan Ferry and Roxy Music - Love Is The Drug (4:04)
8. Joss Stone - Bruised But Not Broken (4:15)
9. Beverly Knight - After You (Radio Edit) (3:59)
10. Morcheeba - Washed Away (Feat. Thomas Dybdahl) (4:22)
11. Dusty Springfield - You Dont Have to Say You Love Me (2:50)
12. Grace Jones - Love Is the Drug (7:10)
13. Gossip - Careless Whisper (3:34)

Aqui. (senha: cafeina)

Bluebirds in the spring

O Marcelo postou uma coletânea deliciosa com 24 versões da mesma música: I Wish You Love (ouça aqui a de Rosemary Clooney, tia do George), que na verdade é a versão em inglês da original, Que reste-t-il de nos amours?, e virou obrigatória no repertório de muita gente bacana. Na minha compreensão, a letra fala de um relacionamento que não deu certo, mesmo com todo amor. Daí, a cantora enumera as coisas boas que deseja ao amado e decreta que é hora de deixá-lo ir.

Não imagino coisa melhor a se desejar a alguém do que amor. E acho que todos desejamos amor quando terminamos um namoro/casamento/relação. Mas também acho que, pelo menos no início, o fazemos da boca pra fora. O que a gente quer na verdade é que sintam a nossa falta, que seja impossível viver sem o nosso amor. E isso não é desejar amor, é querer vingança, desejar sentir-se necessário ao outro. Sempre que eu encarei términos de namoro, virei aquele cliché inevitável, "ó, meu coração está em frangalhos", e estava mesmo. A última vez que isso aconteceu foi a mais grave de todas, talvez porque havia em mim a noção exata de que aquele modelo de relação não me servia, com o agravante, porém, de ainda amar mais do que jamais tivera amado. Mas firmei o pé no "não" e me coloquei, talvez pela primeira vez na minha carreira de relacionamentos, em primeiro lugar.

Apesar de tudo, eu continuei aquela relação sozinho por mais uns bons anos. Perpetuando os momentos afetuosos que ficaram na memória, lembrando, olhando fotos, me torturando no Orkut. Preso numa forma estranha de areia movediça emocional, projetei uma possibilidade de felicidade que nunca se concretizaria. Eu esqueci que estava sozinho nisso tudo, que a gente sempre está. É verdade, a gente sempre está sozinho no final das contas. Mas tem um momento, não sei explicar bem quando, que simplesmente passa. Que você olha para aquela foto antiga e diz/sente "eu te desejo amor". Mesmo. Na verdade, se eu fosse fazer uma tradução para esta música, daria o título de "Vai com Deus".

Quem diria ... tudo isso por causa de uma canção.

11.10.07

Glam Glam Glam

Depois de assistir ao novo vídeo de Kylie Minogue, 2 Hearts (carro-chefe do novo álbum X), não consegui evitar de pensar em como a cantora está sempre no rastro de outros artistas mais antenados. Tanto o vídeo quanto a música lembram muito Ooh La La, de Goldfrapp. O problema é que ele não chega nem aos pés do original. Veja com seus próprios olhos:

9.10.07

Laurel & Hardy


Não sei se acontece com você, mas freqüentemente meus amigos convergem em momentos bem inesperados. Eu combino algo com um e, muito de surpresa, outro aparece. Domingo, uma certa amiga alcoólica - chamá-la-emos de Helena - veio me contar do encontro inusitado que teve com um atacante de um time de futebol do interior gaúcho. A conversa, que continha frases do tipo "ando louca pra dar para um negão" e "eu não sou alcoólatra" foi interrompida pelo interfone. Era um outro amigo, em passagem pela capital, trazendo à tira-colo a inseparável e corpulenta best friend, na plenitude dos seus 140 quilos que apelidaremos de Ilza. Cervejas, muitas cervejas depois, Helena narra uma viagem a Recife e seu espanto com o tamanho e suculência dos camarões lá servidos à beira da praia.

-Aquela gente come camarões fritos enormes às nove da manhã, é um horror!

Nisso, Ilza não se contém e pergunta, com os olhos arregalados, enquanto esfrega as mãos nervosas:

-Ai, que delícia. Comeste um monte né?
-Não, eu sou anoréxica.

Silêncio sepulcral, a jovem Ilza fica verde, azul, amarela, branca. Inclinando a cabeça como Regina Duarte numa novela de Manoel Carlos, meio sem entender, volta a perguntar:

-Mas tu comeste, né?
-Já te disse, guria, eu sou anoréxica, tenho nojo de comida...

Claramente temerosa de ter sido antipática e tentando consertar o climão, completa:

-...mas tu ias A-MAR!

Foi a deixa para eu descer e comprar mais cerveja.

8.10.07

Ronda

Você, amigo, que está cansado de blogs imbecis que refugam notas de celebridades de quinta categoria, muito freqüentemente copiadas de outros blogs and so on, não perca grandes posts dos vizinhos deste barraco:

*O tiozinho tem poema de Mercedes Acosta para Greta Garbo;
*John conta a história de Snowboard, a Branca de Neve anoréxica;
*Marcelo postou uma das melhores coletâneas de todos os tempos;
*Lívia, a amazona paulista, conta seu sonho com Zé de Abreu de vestido verde;
*Nossa Mme. mor lembra de um certo sapo acme;
*Adelaide, pra variar, achou que estava abafando com um garçon;
*E o Egídio nos premia com uma bigornada cinematográfica.

Tá vendo como meus amigos são ótimos?

7.10.07

Sunday Classics


Do musical Charity, Meu Amor (Sweet Charity, 1969), dirigido e coreografado por Bob Fosse, uma perfeição. Big Spender ficou famosa anos depois na voz de Shirley Bassey. Reparem na fotografia e nos ângulos copiados sem sucesso nos vídeos das Pussycat Dolls. Ah sim, Claudia Raia, coitada, também tentou.

5.10.07

Compilation


Uma compilação para se ouvir a todo volume viajando por aí. Tem a nova de Annie Lennox, com participação quase irreconhecível de Madonna e um coro muito famoso de cantoras da atualidade, vários covers bem-sucedidos de canções pop, Andres Calamaro (o Fábio Jr argentino) com 5 Minutos Más, a música em que ele diz "tengo abierto el minibar y cerrado el corazón", um Elvis de arrepiar e a interpretação fantástica de George Benson para This Masquerade. A letra de Bill, de Peggy Scott-Adams é uma delícia, assim como Beverley knight e sua The Queen Of Starting Over. A viagem termina com o jazz eletrônico dos suecos do Koop, com Veulvo al Sur, de Piazzolla.

1. Cyndi Lauper - I Drove All Night (4:11)
2. Mutya Buena - Fast Car (Tracy Chapman cover) (3:08)
3. Nouvelle Vague - Dance With Me (3:40)
4. Andres Calamaro - Cinco Minutos Mas (minibar) (3:35)
5. Crystal Waters - Boy From Ipanema (4:24)
6. Groove Armada - Crazy For You (Madonna cover) (4:20)
7. Fac 15 - Rainy Days And Mondays (5:41)
8. Natasha Beddingfield - Ray Of Light (Madonna cover) (4:13)
9. Beverly Knight - The Queen Of Starting Over (3:47)
10. Peggy Scott-Adams - Bill (4:18)
11. Elvis Presley - Solitaire (4:44)
12. Annie Lennox feat. Madonna - Sing (4:48)
13. George Benson - This Masquerade (8:03)
14. Koop - Vuelvo Al Sur (5:40)

Esta coletânea expirou.

4.10.07

Integralmente


Novo vídeo dos Pet Shop Boys para canção Integral, originalmente do álbum Fundamental, aqui com o remix PSB Perfect Immaculate mix, faixa exclusiva da nova coletânea do dueto [Disco 4] a ser lançada oficialmente na próxima segunda-feira. Além de Integral, o cd contém remixes que os PSB fizeram para The Killers, Rammstein, Madonna, Yoko Ono, David Bowie, Atomizer, além do Maxi-mix para I'm With Stupid, uma das melhores do álbum anterior.

Todas as faixas já estiveram em seus respectivos singles, fazendo de Disco 4 apenas mais uma compilação de remixes. Mas quem se importa?

3.10.07

Sexy Dorothy


Christina Ricci e Samuel L. Jackson na capa da Mean Magazine.

Eu não sou muito dado a gostar de filmes que tratam da redenção do underdog, do marginal, aquela coisa Mágico de Oz trash que o cinema contemporâneo insiste em praticar. Mas Entre o Céu e o Inferno (Black Snake Moan, 2007) me cativou pelo visual ousado e pelo talento bem aplicado de seus protagonistas. Christina Ricci faz Rae, a ninfomaníaca vulgar cujo namorado (Justin Timberlake) parte para o Iraque. Um belo dia, depois de uma orgia caipira, Rae é espancada e abandonada numa estrada onde Lazarus (Samuel L. Jackson) a encontra. Começa então a jornada desses dois párias em busca de seu mágico de Oz, pela estrada de terra vermelha de algum estado do sul americano.

Bem, o diretor é o mesmo de Ritmo de Um Sonho (Hustle & Flow, 2005), daí você já pode esperar que a música desempenhe um papel definitivo no filme. De fato, os toques mágicos da narrativa são embalados pelo blues tradicional, em cenas muito bem editadas. O visual é um capítulo à parte, inspirado claramente nos filmes de blaxploitaiton dos anos 60 e 70, brinca com uma estética de fotonovela amadora mesmo nos momentos mais sérios. Por mais que Samuel L. Jackson seja um grande ator, é Ricci quem tem o trunfo da película. É ela a pequena e sexy Dorothy, acorrentada ao radiador para não dar vazão à sua fúria uterina, forçada a vasculhar os traumas mais escuros da sua mente. O único demérito de Entre o Céu e o Inferno é o insosso Justin Timberlake, incapaz de dar qualquer vigor às suas poucas falas. [Disponível em DVD]

2.10.07

Um Bom Dia

Não sei como ele foi parar lá, mas acordei hoje com meu celular vibrando nas minhas costas. 7 e 10 da manhã, uma certa madame me chamando para tomar café na Cidade Baixa, sob os ipês coloridos que servem de guarda-sol à rua da República. Não costumo dar expediente tão cedo da manhã, mas como o sol estava uma beleza, me disfarcei de gente e fui. A Cidade Baixa, assim como eu, é muito devagar a esta hora da madrugada, o que faz dela uma delícia. Sem buzinaços nem a piazada barulhenta da noite, tudo acontece com mais calma e eu gosto de ver gente sem pressa, restaura a minha fé na humanidade. Ah, o sol.

30.9.07

Sunday Classics


Woody Allen, em 1967, como garoto-propaganda daquelas bregérrimas lentes de encaixar nos óculos.