3.1.07

Maria Antonieta




Sofia Coppolla tem no olhar melancólico, quase adolescente, a sua marca registrada. Suas protagonistas, geralmente jovens mulheres com dificuldade de identificação com o mundo à sua volta, transitam com estranhamento pela narrativa e sutilmente buscam conquistar alguma segurança, um lar, uma razão para ficar ou partir. Assim é o personagem de Kirsten Dunst em Marie Antoinette, que deve estrar no Brasil em março de 2007.

O inesperado aqui, além do olhar intimista sobre cenários grandiloquentes, é a trilha sonora, composta por bandas de rock alternativo dos anos 80 e 90. De New Order a The Cure ou Siouxsie and The Banshees, este deslocamento sonoro/temporal dá uma sensação de modernidade e frescor, num gênero de cinema histórico frequentemente enfadonho.

Visualmente, nas tomadas longas de ângulos ora cômicos, ora melancólicos, o filme lembra um pouco Barry Lyndon, de Stanley Kubrick. Mas a edição ágil em algumas cenas traz o espectador de volta ao seu tempo. E parece que é exatamente o que a diretora desejou fazer: contar uma história do século XVIII, com o olhar essencialmente contemporâneo.

De tirar o chapéu.

*

Da trilha, você pode ouvir Fools Rush In com a banda new wave surgida em 1980 Bow Wow Wow que, graças ao filme, voltou a fazer relativo sucesso nos Estados Unidos.

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