23.1.07

O Oscar já tem dono




Quando diretores de linguagem visual extrema, como Pedro Almodóvar e Alfred Hitchcock, resolveram valorizar mais a sutileza do que o exagero, produziram suas obras mais sofisticadas, Fale Com Ela e Um Corpo Que Cai. A exemplo dos mestres, Alejandro Gonzalez Iñárritu encontrou a sofisticação do seu cinema em Babel através das sutilezas.

O diretor consegue, ao contar quatro histórias pesadas, costurar o caos em que vivemos, como de costume, carregando na dose de ressentimento na hora de responsabilizar os americanos pelas desgraças do terceiro mundo. Os protagonistas das micro-narrativas, cada um a seu modo, são sobreviventes de perdas irreparáveis que só se preocupam em sobreviver, ainda que a duras custas.

Babel é tecnicamente bonito, a câmera passeia delicadamente, como se fosse um par de olhos curiosos e ternos. A trilha sonora incidental é minimalista, mas sem ser chata ou vazia. E os atores, você vai ver, nunca estiveram tão bem.

Algumas revistas e blogs disseram que Babel era confuso. Não é. Esta é a narrativa mais linear e simples de Iñárritu, levando em conta os filmes anteriores, 21 Gramas e Amores Brutos. O objetivo aqui não é pregar peças no espectador, nem desafiá-lo a questionar sua habilidade de compreensão tempo/espaço, mas sim carregá-lo pela mão a visitar o mundo em que vivemos.

Recebeu 7 indicações ao Oscar deste ano, incluindo filme, roteiro e diretor. Falando em Oscar, a surpresa foi Almodóvar não ser indicado pelo seu Volver, muito embora Penelope Cruz tenha repetido sua indicação à atriz, como aconteceu no Globo de Ouro.

A lista completa das indicações aqui.

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