6.1.07

Um motel, um abismo


A Wicked Game indeed.

"Todos levamos dentro de nós, à espreita, nossa própria possibilidade de perdição, o abismo íntimo no qual podemos despencar; e frequentemente a chave que abre a porta do fatídico poço é a relação sentimental." (Rosa Montero)


Então é isso? A gente precisa cair muito, aprender a levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima só para poder cair de novo? A busca do parceiro amoroso é um levanta-e-cai constante? E se, de tanto cair, a gente cansa de tentar? E se a solidão barulhenta de um clube lotado/ bar animado/café badalado se revela definitiva e insuficiente para a busca? Não interessa. A gente segue buscando, ainda que em segredo, porque a sede da alma humana é esta: a de amar e ser amado.

Ela me chamou outro dia para uma cerveja. Contou-me do então recente ex-namorado que, numa discussão a respeito de algo absurdamente desimportante, lhe cuspiu na cara, depois de chamá-la de vagabunda. Ora, se lhe cospem na cara (e veja bem, não foi figura de linguagem, cuspiu-lhe a cara mesmo), dá-se uma chance a um sedizente homem desses? Ah, mas ela deu. Por que? "Porque eu não aguento mais procurar, não encontrar e ter que dormir sozinha. Que seja com ele então."

O outro, num café, me contou de umas três quase-relações, desenvolvidas no período de um mês desde nosso último expresso duplo. "Ou não me serve, ou tem aliança no dedo, ou não me quer." Ainda tiveram a petulância de dizer ao rapaz: "Sabe, eu tenho um ex-namorado com quem ainda transo, espero que você não se importe". Páft!

Mas, não nos desesperemos. O cenário das relações amorosas, especialmente depois dos (arg) 30, sempre foi árido. Dia desses chove. A gente só precisa saber nadar.

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