28.2.07

Eu não gosto do bom gosto



É tão bonito a gente ser feliz. Viver no escuro às vezes também não é má idéia. Pode se passar a vida inteira sem se ter noção das incapacidades, limitações e defeitos e, ainda assim e especialmente por isso, ser incondicionalmente feliz. Que fácil olhar para o outro e dizer "é culpa sua, agora te vira". Pronto. Mãos lavadinhas, alma tranqüila, sono bom. Dá até tempo de pensar na roupa esperando por ser estendida no varal, no bar aquele que você ainda não foi porque estava com a cabeça cheia de preocupações (que, obviamente, eram responsabilidade do outro e não sua, porque você não tem problemas), por que não?

Então tudo bem. Tudo são escolhas, simples assim. A pessoa que escolhe se envolver com um traste que lhe bate na cara, judia, tortura, estava procurando um pouco de drama na vida, uma justificativa para sair de vítima, ó, coitadinha. Que dó. Viu só? Até ela, com o roxão no olho e mancando de uma perna, se deu bem. Estão os amigos, família, vizinhos, prestando solidariedade e atenção à sua volta. "Tia, conta de novo do dia em que ele tentou te esgoelar, eu adoro aquela parte!" "Tá bom, mas depois desta você vai dormir, que já é tarde."

Ah, como a gente escolhe, né não? A gente escolhe se envolver quando tem vontade e, quando não tem, sai bem feliz com os amigos, bebe, brinca e come nos lugares da moda, vestindo a última. A gente só ouve música que os pobres mortais vão conhecer pela FM daqui a um ano, a gente já viu tudo, faz cara de blasé para tendências da hora, a gente não liga no dia seguinte, se assim nos apetecer, porque o problema está nos outros, esqueceu? A gente não tem tempo para a carência dos outros. A gente quer mesmo é academia 24 horas, porque pra ficar lindo não tem hora, e malhar com nossos ipod, porque quem ipod, pode. Pode tudo. Tríceps, bíceps, coxa e panturrilha. Ai, meus Nike Shox! Aquilo na sola não é amortecedor, minha gente, é a catapulta que vai nos arremessar além. 600 reais por um tênis-catapulta é uma barganha!

Que bom, leitor amigo, se você sabe das coisas. Fica tudo mais fácil. Sabe onde é o norte e onde é sul, não se perde nunca. A bússola é você. Os outros? Ah, sigam-me os bons, pros mais ou menos eu não tenho paciência. Porque saber mais ou menos não adianta, né? Aliás, fazer nada mais ou menos adianta. A gente recicla (latinhas, plástico, papel), assiste documentários nos espaços culturais, toma café com publicitários, advogados, jornalistas, pula de pára-quedas. A gente, nós modernos, os filhos da nova república, com nossos segundos cadernos, não estamos aí para brincadeira. Somos de esquerda, mesmo a esquerda sendo direita. A gente lê Maiakovski e assiste ao Big Brother. Em pay-per-view, que a gente pode!

Mas, um belo dia, resolvem acender a luz e a gente vê quê. Daí não tem mais volta.

Ouça filosofia calcanhottiana muderna

27.2.07

Estrambótica!


"La TV es goma de mascar para los ojos."
Rossy de Palma

O meio



"Começamos lindamente e terminamos bem. O problema é o meio"

Meu povo, o Egídio está de casa nova com o Mínimos Óbvios, mais um template Cafeína. Umas divagações da vida privada, uns olhares curiosos em direções inesperadas. Parace que este moço vive a vida mais intensamente ao sair do cinema. E parece que ele está constantemente saindo do cinema.

26.2.07

Oscar


Óia, pode ser que tenham resolvido premiar a babaquice de Os Infiltrados, dar um prêmio de consolação para Dreamgirls, os telespectadores da rede de tv aquela terem sido obrigados a aguentar o José Wilker e seus comentários ignorantes, além de começar a transmissão com um atraso de 45 minutos. Mas o mundo não é tão injusto.

Pela TNT, a transmissão tinha a sapiência irônica de Rubens Ewald Filho, mostrou direitinho a entrada das estrelas pelo tapete vermelho e dava para assistir com o som original, sem dublagem.

As escolhas para os Oscar de ator e co-adjuvante foram muito acertadas e Hellen Mirren é mesmo uma rainha. O roteiro de Pequena Miss Sunshine não era lá o melhor de todos, mas não se pode acusá-lo de falta de originalidade. Chegou uma hora em que eu pensei que O Labirinto do Fauno sairia com o maior número de premiações, muito embora tenha decepcionado ao perder o de melhor filme de língua estrangeira. E Milena Canonero, a figurinista de Marie Anotoinette com seu prêmio mercido e o discurso emocionado? Adorei.



Mas a glória mesmo foi ver Melissa Etheridge passando a perna naquelas musiquinhas horrendas de Dreamgirls ao levar para casa o prêmio de melhor canção por I Need to Wake up, de Uma Verdade Incoveniente, aquele de Al Gore, vencedor também de melhor documentário longa. Vocês viram a apresentação das músicas de Dreamgirls? Imaginem-se trancados num cinema com aquelas três gritando como gatas no cio por 2 horas e 15 minutos. Deu pra entender?

Quando eu vi o trio Lucas, Spielberg e Coppola no palco para anunciar melhor diretor e Jack Nicholson (disfarçado de Jaba The Hut) para melhor filme, deu para sentir no ar o cheiro de marmelada. Não tem nada não. Scorsese, fez filmes fantásticos numa galáxia distante e merece um reconhecimento. Por mim, Babel levava os dois. É um filme muito mais pertinente e contemporâneo. Quem vai lembrar de Os Infiltrados daqui a 10 anos?

Neste ano não teve pra ninguém, as mais lindas da noite foram, sem dúvida, Cate Blanchett e Kate Winslet. Tiraram o fôlego não só com a beleza, mas também com a classe. Catherine Deneuve, aos 63 anos, colocou muita americana de 20 no chinelo. E dos homens, Hugh Jackman e Clive Owen, cabeça à cabeça.

Por outro lado, alguém me explica o que era Celine Hedionda cantando para Ennio Morricone?? O velho só olhava com cara de pavor pensando "isso aqui é o Oscar ou o Eurovision?"

Rubens Ewald chamou Penelope Cruz de "passarinha", por causa do seu vestido com saia de penas. Ho ho ho.

Para terminar, eu só quero dizer que Ellen DeGeneres é a comediante mais legal do mundo. E era só.

23.2.07

Presentim para o Fim de Semana

O novo álbum de Tracey Thorn, do Everything But The Girl, é uma colagem de tudo de mais divertido que se fez nas últimas décadas e, impressionante, soa novinho em folha.

Baixa pra você ver.

Abaixo, o vídeo de It's All True, com direito a um equalizador humano no final.









Estes meus amigos...

-Tô arrasada.
-Que houve?
-Lembra do cara-que-não-ligou ?
-Lembro.
-Passou por mim ontem e virou a cara.
-Bom, então agora ele é o cara-que-vira-a-cara. Pior pra ele.
-Que mundo injusto. Por que ele não pode ser o cara-que-dá-as-caras?
-Por que daí tu não ias querer, filha. Capisce?
-Capisco. Umpf!

**
-E como foi o carnaval?
-Mais ou menos...
-O tempo estava uma bosta, né? Aqui em Porto Alegre também choveu horrores.
-Não é por isso. Eu achei que ia encontrar um monte de gente bonita e saudável lá, ledo engano...
-Como assim? Só tinha gente feia e doente?
-Não, palhaço. Eu to falando de homem sarado, gostoso, saudável.
-Ah. Então explique-se. Saudável é uma coisa, sarado é outra completamente diferente.
-Ai, não dá pra conversar contigo mesmo!

**

-Palhaçada!
-Cuma?
-Me inscrevi num site de relacionamentos e todos os perfis dizem a mesma coisa: "procuro alguém sem neuras, que cuide do corpo e da mente. Pessoas acima do peso, nem tente."
-Hauhauhauhau. Coloca no teu perfil "procuro alguém que saiba escrever direito."
-Hahahaha. Pior são as preferências dos dementes: cantora: Whitney Houston, filme: "Peter Adams - O amor é Contagioso"
-Eu não acredito. PETER Adams?? PETER?? Hauhauhauhau
-E tem mais. Autor: Glória Perez.
-Impressionante como este povo lê...
-E agora a campeã: Cozinha: a da minha casa, que é bem espaçosa.
-Hauhauhauhau.
**

21.2.07

Vergonha, sangue e a Bíblia



Foi divulgada recentemente no website oficial da cantora esta foto de Tori amos, para o novo álbum American Doll Posse, a ser lançado em maio. Como de costume, percebe-se um olhar irônico afiado sob o American Way of Life.

Numa das mãos, a Bíblia, na outra a palavra "shame" (vergonha) e muito sangue rolando pelas pernas.

Aqui no Brasil pouco se sabe de Tori, mas a cantora tem milhões de fãs no mundo inteiro e 8 álbuns (um melhor que o outro) na bagagem.

Logo no início da carreira, com o primeiro álbum solo Little Earthquakes, Tori ganhou o mundo com seu piano que mais parecia uma extensão de si e suas letras quase que exageradamente pessoais. Numa delas, por exemplo, entitulada Me and a Gun, Tori narra um estupro que sofreu de um fã, na saída de um bar onde se apresentara.

No seu quarto disco de estúdio, From The Choirgirl Hotel, há momentos pesadíssimos em letras que falam de morte, perda, violência. From the Choirgirl...foi composto logo após a cantora perder um filho que esperava do engenheiro de som Mark Hawley, dois dias antes do natal. No entanto, o álbum marca também o início de uma pesquisa musical mais de vanguarda, experimentações com elementos eletrônicos, como em iieee

Em Scarlet's Walk, de 2002, a cantora narra um passeio abstrato pelos Estados Unidos pós 11 de setembro, com seus umbiguismos, vergonhas e esquisitiçes. O primeiro single, A Sorta Fairytale, fez relativo sucesso na MTV e nas rádios, no videoclip, a participação do ator Adrien Brody (O Pianista).

Ao que tudo indica, American Doll Posse tem tudo para ser outro discão.

Aqui a foto em alta-definição. Roubada do Teco Apple.

20.2.07

Censura Livre


Em inglês, a expressão "correr com tesouras" é utilizada para descrever um ato perigoso, no qual o praticante está fadado a se dar mal. Adverte-se sempre para que as crianças não corram com tesouras nas mãos, pois podem (e, provavelmente irão) se machucar. É mais ou menos o que ocorre com o protagonista de Running With Scissors, em cartaz nos cinemas do país (mentira minha, só entra em cartaz dia 23 de março. Ô atraso, viu?). A trama é, na verdade, uma coleção de memórias de Augusten Borroughs, autor do livro homônimo, cuja mãe louca o abandonou a cargo da família de seu terapeuta, numa casa em que a árvore de natal fica montada o ano inteiro e a mobília, exposta no jardim. Deu pra entender a loucura ou precisa mais?

Anette Benning faz o papel da mãe desvairada que sonha em ser poeta famosa, talvez seu melhor desempenho até agora. Ainda no elenco Gwyneth Paltrow, Joseph Fiennes, Alec Baldwin e Joseph Cross (na foto, à esquerda) no papel do autor Borroughs (na foto, à direita). Não perca seu tempo com Dreamgirls, se tiver que escolher um bom filme da temporada, assista a este.

Ouça, da trilha, Catherine Feeny cantando Mr. Blue

*

Eu sou, desde sempre, um fã incondicional de documentários. Não sei se This Film Is Not Yet Rated chegará algum dia ao Brasil, mas quem gosta de cinema deve assistí-lo pois o filme investiga o sistema de classificação dos filmes lançados nos Estados Unidos, mais ou menos o que a censura fazia aqui na época da ditadura.

O problema é que a organização responsável, a MPAA, é composta por censores cujos nomes permanecem no anonimato e as regras são um mistério. Não se sabe, por exemplo, por que Atá-me, de Pedro Almodóvar, recebeu classificação X (a mesma de filmes pornôs) e O Resgate do Saldado Ryan, cujas cenas de violência explícita extrapolam qualquer parâmetro daquelas vistas até então no cinema, recebeu apenas um R (restrito).

Em Meninos Não Choram, para que o filme recebesse um R e, portanto, pudesse ser lançado em cinemas do país inteiro sem que a sua audiência fosse comprometida, a MPAA exigiu que o orgasmo de Chloe Sevigny fosse "mais curto" porque as protagonistas da cena eram ambas mulheres, ao passo que o estupro violento da personagem de Hilary Swank permanceu intocado.

Ao que parece, os Estados Unidos, representados por "pais preocupados", ocupam-se mais em censurar o sexo do que a violência. Acham mais feio Victoria Abril transando com Antônio Banderas do que as cabeças sendo decepadas em Sin City. Violência gratuita pode, sexo não. E eles ainda se perguntam por que a América é o país mais violento e hipócrita do mundo.

16.2.07

Tijolada



O pedreiro me encomendou uma coletânea, dia desses. Daí resolvi reunir aquelas músicas dos anos 80 e 90 que a gente ouvia em propagandas de cigarro, jeans, supermercado, madrugadas de rádio fm, flashbacks e coisa e tal. Quem lembra delas?

(Como sempre, para ouvir amostra grátis, clique no botão de play ao lado)

1. Europe - The Final Countdown (5:09)
2. Daryl Hall & John Oates - I Can' t Go For That (5:09)
3. Love And Rockets - I'm So Alive (4:13)
4. Doobie Brothers - Long Train Running (Cool disco remix) (3:40)
5. Foreigner - Waiting For A Girl Like You (4:49)
6. Kenny Rogers & Sheena Easton - We've Got Tonight (3:50)
7. John Miles - Song For You (4:14)
8. Laura Branigan - Self Control (4:05)
9. Olivia Newton-John - Magic (4:30)
10. Neneh Cherry - Buffalo Stance (5:41)
11. Pet Shop Boys - Always On My Mind (3:55)
12. Rick Astley - Together Forever (3:29)
13. Rockwell & Michael Jackson - Somebody's Watching Me (3:59)
14. Taylor Dayne - Tell It To My Heart (3:39)
15. Terence Trent D'Arby - If You Let Me Stay (3:14)

Pode baixar aqui.

Verão

The best things in life are free...


Um Beijo

que tivesse um blue.
isto é
imitasse feliz
a delicadeza, a sua,
assim como um tropeço
que mergulha surdamente
no reino expresso
do prazer
Espio sem um ai
as evoluções do teu confronto
à minha sombra
desde a escolha
debruçada no menu;
um peixe grelhado
um namorado
uma água
sem gás
de decolagem:
leitor ensurdecido
talvez embevecido
"ao sucesso"
diria meu censor
"à escuta"
diria meu amor
sempre em blue
mas era um blue
feliz
indagando só
"what's new"
uma questão
matriz
desenhada a giz
entre um beijo
e a renúncia intuída
de outro beijo.

Ana Cristina César

14.2.07

Nuvens, espaços azuis, pérolas no fundo do mar


Ao som de Johnny Love


"Demora tanto que só depois de passarem três mil dias consigo olhar bem dentro dos seus olhos e é então feito mergulhar numas águas verdes tão cristalinas que têm algas na superfície ressaltadas contra a areia branca do fundo. Aqualouco, encontro pérolas. Sei que é meio idiota, mas gosto de pensar desse jeito, e se estou em pé no ônibus solto um pouco as mãos daquela barra de ferro para meu corpo balançar como se estivesse a bordo de um navio ou de você. Fecho os olhos, faz tanto bem, você não sabe. Suspiro tanto quando penso em você, chorar só choro às vezes, e é tão freqüente. Caminho mais devagar, certo que na próxima esquina, quem sabe. Não tenho tido muito tempo ultimamente, mas penso tanto em você que na hora de dormir vezemquando até sorrio e fico passando a ponta do meu dedo no lóbulo da sua orelha e repito repito em voz baixa te amo tanto dorme com os anjos. Mas depois sou eu quem dorme e sonha, sonho com os anjos. Nuvens, espaços azuis, pérolas no fundo do mar. Clack! como se fosse verdade, um beijo."

Caio Fernando Abreu - O Estado de S. Paulo, 16/03/88

13.2.07

Compilation




Para todas as coisas que poderiam ser tão simples. A gente complica demais. Para escutar três das canções, simplesmente clique no botão de play. Atentem para a versão de Lizz Wright de Stop, que virou Don't Tell Me na voz de Madonna.

1. KCentric feat. Calendar Girl - January Kiss (KCentric Phone Mix) (3:43)
2. Carla Bruni - Those Dancing Days Are Gone (3:41)
3. Cibelle - About a Girl (3:03)
4. Eldissa - Stayin Alive (3:30)
5. Fun Loving Criminals - I'm Not In Love (4:36)
6. Lizz Wright - Stop (3:32)
7. Madeleine Peyroux & William Galison - The Way You Look Tonight (3:04)
8. Smoma - My Baby Just Cares For Me (3:27)
9. Nina Persson - Desafinado (4:37)
10. Towa Tei feat. Bebel Gilberto - Private Eyes (3:50)
11. Right Said Fred - Those Simple Things (5:08)
12. Seals & Crofts - Summer Breeze (Gap mix) (4:05)
13. Hooverphonic - 2Wicky (4:43)
14. Tracey Thorn - Grand Canyon (6:09)
15. Schneider TM - The Light 3000 (4:03)

Aqui

11.2.07

5 coisas que vocês não sabiam sobre mim

Encomendado pela Gláucia.

1. Nem tudo que eu relato neste blog aconteceu de verdade;
2. Se eu beber vodca ou gin, me torno extraordinariamente excitado;
3. Quando eu tinha 2 anos e meio de idade, subi no telhado na casa de meus pais usando uma escada cuja distância entre os degraus era maior do que minhas pernas. Até hoje ninguém sabe explicar;
4. Eu admiro demais as pessoas que não são o que parecem ser;
5. Aos 6 anos eu já fazia coletâneas em fitas BASF e obrigava minhas primas a escutarem.


Sim, este sou eu.

9.2.07

Correntes

A desclassificada da Adelaide acha que eu não tenho mais o que fazer e me convocou pra uma corrente. Como, nos próximos 20 minutos, eu não tenho nada pra fazer mesmo, vou responder.

5 coisas que eu quero fazer antes de morrer

*Conhecer a Leda Nagle
*Aprender a dirigir (eu sei, é patético)
*Acordar e ver o Mediterrâneo (o mar, seus palhaços) da janela
*Ganhar para escrever
*Bater um papo mediúnico com Caio Fernando Abreu e Andy Warhol

5 coisas que eu faço bem

*Dar colo
*Falar de cinema
*Beijar na boca
*Bolo de chocolate
*Imitações

5 coisas que eu mais digo

*"Eu tenho verdadeiro horror de..."
*"Que delícia..."
*"Tu sabias que...?"
*"Não me carteia!" (não me enche o saco)
*"Putz!"

5 coisas que eu não faço

*Fazer sala para gente que não me deixa à vontade
*Ignorar quem precisa de mim
*Me prostituir sexual ou ideologicamente
*Sexo sem vontade
*Comer frutos do mar

5 coisas que me encantam

*Certos olhares
*Bondade
*Inteligência (avec elegance, por supuesto)
*Maria Bethânia cantando qualquer coisa
*Ouvir "eu te adoro/amo" e sentir sinceridade

5 coisas que eu odeio

*Mediocridade
*Mel Gibson/George W. Bush/reacionários religiosos de qualquer tipo
*Violência
*Radicalismos
*Espertalhões de plantão que sempre querem passar na frente dos outros

Não vou recurtar ninguém, porque eu acho sacanagem....

8.2.07

Profilaxias da vida

Duas mocinhas na minha frente, numa fila de papelaria.

-E aí, estás gostando?
-Ai, amei.
-Mesmo?
-Sim, ele é tão querido, conversa comigo, faz tudo a seu tempo, com cuidado. Ainda diz que, se começar a doer, é pra eu gemer que ele pára. Não é fofo?
-Ah, eu já prefiro mais quando não fala muito e termina logo o serviço. Não gosto de conversadores nesta hora, até porque, a gente com aquela coisa na boca, nem consegue responder.

A moça do caixa levanta os olhos com cara de pavor.

-Mas distrai, poxa.
-Na-na-ni-na-não. Comigo tem que ser pá e pum! E, de mais a mais, este negócio de doer é assim mesmo, tem que doer, ninguém vai morrer por causa de uma dorzinha.

O segurança na porta, dá um sorrisinho desavergonhado.

-Dorzinha pra você, que está acostumada! Eu tenho verdadeiro horror de sentir dor.

Todos na fila fingem seriedade. Uma senhora ordena aos berros que o filho pequeno vá procurar a caixa de lápis de cor faltou na cestinha. "Mas, mãããe, a gente pegou os lápis de cor, esqueceste??" "Este não serve, vai trocar que eu tô mandando!"

-Tu és fresca, minha filha. (em voz alta)
-Sou mesmo, se tem uma coisa que me apavora é dentista.

7.2.07

Karen Carpenter e Leda Nagle

Uma das vozes mais incríveis da música pop, na minha opinião, é a de Karen Carpenter. Eu lembro muito claramente da primeira vez que a ouvi, num comercial de tv cantando Only Yesterday (naquele natal, eu pedi de presente um disco deles, infelizmente acabei ganhando um do Balão Mágico, que era mais "coisa de criança"). Hoje, depois de ler a respeito do impacto que os Carpenters exerceram numa América sedenta por música pop açucarada, é possível perceber a ironia daquelas interpretações tão sofridas, capazes de ultrapassar toda a babaquice aparente que a dupla representava na época.

Em 1987, o então estudante de cinema Todd Haynes (hoje consagrado pelos longas Velvet Goldmine e Longe do Paraíso), realizou o documentário curta-metragem entitulado Superstar - The Karen Carpenter Story, como trabalho de conclusão de curso. Todas as dramatizações do filme foram feitas com bonecos Barbie e Ken, talvez como um alerta para a idealização da magreza e perfeição estética que se impõe nas crianças desde muito cedo. O que aconteceu foi que Richard Carpenter, o irmão das franjas aloiradas, não gostou nada do resultado e conseguiu cassar os direitos de distribuição do filme. Hoje em dia, Superstar virou peça de colecionador, mas, você sabe muito bem, com a internet não existe mais raridade, tudo se encontra. Aqui no Google vídeo, você assiste ao documentário na íntegra. Menção honrosa para a caracterição das bonecas Barbie, retratando os estágios de degradação da pele da moça pela anorexia. É trashy mas é bom.


**


E não esqueça, se você está ou mora no Rio de Janeiro, tem Denize, a pernambucana bossa-nova, com suas bolsas retrô/vanguarda e seus acessórios necessários em ipanema neste fim de semana.

Pode ir que eu garanto. A moçoila é um primor de dulçura e latinidad e tem coletâneas cafeína exclusivas na manga para embalar a mulherada em desespero, disputando bolsas a cotoveladas.

Portanto, amiga leitora carioca, substitua esta bolsa de palha fedorenta que você tem aí por uma de viludo e tecidos nobres, de estampas ixcrusivas e insinuantes de La Reina Madre. Te asseguro que com estas você não corre o risco de encontrar uma zinha qualquer usando outra igual. Já pensou, que papel?

P.S. Mandem beijo pra Leda Nagle.

6.2.07

Clara Nunes, Iemanjá e a lama

Eu tenho uma reação muito inesperada cada vez que volto à casa dos meus pais. Desta última, no feriado de Iemanjá (veja você, aqui não é Bahia, mas dia 2 de fevereiro é feriado festejadíssimo) revirei fotos antigas, trouxe algumas, inclusive, e voltei a experimentar sons da minha infância e juventude. Fiz coisas legais, fui à praia, comi tudo de mais gostoso que tem por lá, matei saudades da família e cousa e tal. Mais especificamente, ouvi, com meus irmãos, muita Clara Nunes. A letra de uma das músicas encaixou-se como uma luva na memória de algumas pessoas que eu lá conheci.

Você pode tirar alguém da cidade pequena, mas você não tira a cidade pequena de alguém. Este ranço interiorano que as pessoas têm (inclusive eu) de sumirem da sua vida, ignorando tudo que vocês viveram, o quanto se gostaram, as que te amaram, as que brincaram contigo na infância, as que compartilharam da sua adolescência, as que foram o primeiro grande amor etc.

Pode ser que nos falte humildade de reconhecer que somos todos, do mesmo jeito, feitos para o mundo e que seria muito mais fácil se encarássemos a jornada sabendo que podemos contar um com o outro, de uma forma doce e verdadeira, sem receio de dizer nem de fazer. A verdade, me parece, é que certos gostares têm data de validade. Especialmente quando você, no encontro inusitado, percebe que te olham de cima e falam a teu respeito que já não pode mais, que foi. Estas coisas a gente percebe no olho. O engano de pensar que se está num degrau acima é perigoso demais. E não, o céu não é o limite. O limite somos nós.

Clara Nunes, Lama. Rodando a Bahiana.

"Pelo o curto tempo que você sumiu
Nota-se aparentemente que você subiu
Mas o que eu soube a seu respeito
Me entristeceu, ouvi dizer
Que pra subir você desceu
Você desceu

Todo mundo quer subir
A concepção da vida admite
Ainda mais quando a subida
Tem o céu como limite

Por isso não adianta estar no mais alto degrau da fama
Com a moral toda enterrada na lama"

1.2.07

Táááá?



Não é de hoje que o espetáculo Terça Insana é febre nacional. Com seu humor ácido e o talento dos comediantes que integram o elenco, a comédia abocanha mais e mais fãs por onde passa. Capitaneado por Grace Gianukas, a peça corre o país em turnê permanente, além de se apresentarem toda terça-feira no Teatro Avenida em São Paulo. A sexta temporada já tem data marcada para estrear, 6 de fevereiro. Se você mora em Sampa, não perca.

No vídeo, a personagem Sônia Lirchman, psicoterapeuta pós-graduada em psicologia, pedagogia e parapsicologia, interpretada pela gaúcha Ilana Kaplan, uma das comediantes mais legais que eu conheço. Infelizmente não há registro de Ilana, presente no elenco de 2003 a 2006, no dvd oficial da Terça Insana. Gianukas, que produz e dirige o projeto, promete um segundo dvd ainda no primeiro semestre deste ano e estuda proposta de alguns canais a cabo para um programa de tv.

*Atentem para o new age brega de Enya tocando no início do vídeo.