8.2.07

Profilaxias da vida

Duas mocinhas na minha frente, numa fila de papelaria.

-E aí, estás gostando?
-Ai, amei.
-Mesmo?
-Sim, ele é tão querido, conversa comigo, faz tudo a seu tempo, com cuidado. Ainda diz que, se começar a doer, é pra eu gemer que ele pára. Não é fofo?
-Ah, eu já prefiro mais quando não fala muito e termina logo o serviço. Não gosto de conversadores nesta hora, até porque, a gente com aquela coisa na boca, nem consegue responder.

A moça do caixa levanta os olhos com cara de pavor.

-Mas distrai, poxa.
-Na-na-ni-na-não. Comigo tem que ser pá e pum! E, de mais a mais, este negócio de doer é assim mesmo, tem que doer, ninguém vai morrer por causa de uma dorzinha.

O segurança na porta, dá um sorrisinho desavergonhado.

-Dorzinha pra você, que está acostumada! Eu tenho verdadeiro horror de sentir dor.

Todos na fila fingem seriedade. Uma senhora ordena aos berros que o filho pequeno vá procurar a caixa de lápis de cor faltou na cestinha. "Mas, mãããe, a gente pegou os lápis de cor, esqueceste??" "Este não serve, vai trocar que eu tô mandando!"

-Tu és fresca, minha filha. (em voz alta)
-Sou mesmo, se tem uma coisa que me apavora é dentista.

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