31.3.07

Perdido


Rodrigo Santoro com casaco da seleção brasileira em LOST

Assisti hoje ao episódio de Lost que passou nos Estados Unidos na última quarta-feira. Pela primeira vez nos 14 episódios desta temporada, Rodrigo Santoro tem mais do que duas falas, uma vez que a história dos flashbacks conta como Paulo (Santoro) e Nikki (Kiele Sanchez) chegaram até ali. Há rumores de que os produtores e roteiristas da cultuada série tenham se arrependido amargamente de envolverem mais estes dois novos personagens na trama. Na verdade, o episódio soou artificial e em total dissonância com os 13 que o precederam e termina com Paulo e Nikki sendo enterrados vivos. Como tudo que cerca a mitologia de Lost, não se pode dizer com certeza se este é o fim definitivo da participação do brasileiro na série.

Eu já estava de saco cheio de assistir LOST, mas como Supernatural e Heroes estão de férias, resolvi ficar em dia com o seriado e ver se alguma coisa tinha mudado. Eis o que eu descobri:

+ Claire (a grávida chata) é irmã de Jack.
+ Charlie, mais cedo ou mais tarde, vai morrer de morte trágica.
+ O enredo da série está virando piada.


30.3.07

Fever drops

+ O calor que faz aqui em Porto Alegre está sufocante, ladies and gentlemen da platéia. O moça do tempo me prometeu de pés juntos agora no jornal da noite que amanhã faz no máximo 27 graus. Oremos.

+ E viver nesta estufa gigante com gripes e febres não é lá a coisa mais deliciosa deste mundo.

+ A amiga dá blitz na minha casa, chega sem avisar e passa em revista a geladeira:

- Tu estás gripado, com febre, e almoças e jantas PÍ-TI-ZA???
- ...é. (todo envergonhado)
- Qual o sabor? Tô morrendo de fome!

Que belas amigas....

+ E a vizinha do lado fuma maconha ouvindo Engenheiros do Hawaii no último volume. Eu sempre achei maconha uma droga muito sem classe. Além dos neurônios, deteriora o gosto musical.

Dirigido por Emílio Esteves, Bobby conta a tragetória de 22 pessoas, na noite fatídica do assassinato do senador Robert Kennedy, no luxuoso hotel Ambassador de Los Angeles. Tem aquele clima de bastidores dos filmes de Robert Altman e um elenco estelar: Sharon Stone, Martin Sheen, Anthony Hopkins, Ashton Kutcher, Elijah Wood, Demi Moore, William H. Macey, Christian Slater, Helen Hunt, Laurence Fishburne, Joshua Jackson, Lindasy Lohan e Harry Belafonte, além do próprio Estevez.

O roteiro, também do ator/diretor, é meio ingênuo na homenagem ao irmão famoso de JFK, mas tem uma certa fluência quando vasculha a intimidade daqueles envolvidos nas sub-tramas e alguns momentos emocionantes. A trilha é bem 60's, uma delícia.

Compilation



Muita gente já gravou coisas do repertório do Robertão. Estas são algumas das minhas favoritas:

1. Marina Lima - Por isso corro demais (3:52)
2. Vanessa Da Mata - Nossa canção (3:35)
3. Paulo Miklos - Sua estupidez (4:50)
4. Adriana Calcanhotto - Caminhoneiro (4:01)
5. Fernanda Porto - Sentado À Beira Do Caminho (Ao Vivo) (6:12)
6. Marisa Monte - Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo (5:04)
7. Caetano Veloso - Só Vou Gostar De Quem Gosta De Mim (Ao Vivo) (2:17)
8. Erasmo Carlos e Maria Bethania - Cavalgada (4:29)
9. Nara Leao - Além Do Horizonte (4:08)
10. Elis Regina - As Curvas Da Estrada De Santos (3:39)
11. Gal Costa - Sua Estupidez (4:30)

aqui (clique com o botão direito do mouse, "salvar link como")

29.3.07

As vitrines te vendo passar

Chico Buarque começou ontem a temporada de 5 shows do álbum Carioca aqui em Porto Alegre. Há um móbile gigante em cima da banda, representando a silhueta dos morros do Rio de Janeiro, um telão com a capa do cd Carioca, de onde surge o cantor mirradinho entoando "Voltei a Cantar", de Lamartine Babo. Não demora um minuto para que ele cresça e encante a platéia empolgadíssima do teatro, que tentou, sem muito êxito, cantar a letra de "Morena de Angola". Destaque para "Ela Faz Cinema", "Eu Te Amo" e "As Vitrines". No bis, sambas contidos que levantaram até Tânia Carvalho, ensandecida à nossa frente. Um show de MPB como nos velhos tempos.

+ Só um registro: o elenco, na platéia, era de tirar o chapéu.

27.3.07

Bate-cabelo

300 conta a história de Xerxes, menino demasiadamente quieto de uma tribo amazônica que foi para a Pérsia tentar a vida no mundo do show business. A nado (naquela época as companhias aéreas não tinham promoções como hoje, na verdade, sequer existiam - o que também descarta a possibilidade do pequeno Xerxes querer ser comissário de bordo). Lá aprendeu a arte milenar dos piercings, da dança do ventre e de vender o corpo (o seu e o dos outros). Ganhou muito ouro fazendo shows de transformismo e converteu-se na travesti mais poderosa do oriente. Certa feita, muito entediada, Xerxes, a drag má do leste, em troca de 300 mil favores sexuais, formou um exército de 300 mil fortões satisfeitos e rumou à europa, no que ficou conhecido como a Carnificina World Tour, uma extravagância jamais vista, com elefantes, anões e freaks de todas procedências, muito parecida com a Farewell Tour, de Cher. Lá chegando, apaixonou-se por Leônidas, proprietário de uma franquia bem sucedida de academias de musculação, a Sparta Gym. Tiveram um tórrido caso amoroso, mas o bofe recusava-se terminantemente a assumir a relação, com medo de prejudicar os negócios. Xerxes, furiosa, dizimou os 300 franqueados de Leo (eles já tinham apelidos carinhosos naquela época, veja o grau de intimidade) e, como golpe final, deu entrevista nas páginas amarelas da Veja mediterrânea que acabou com a boa fama do espartano (a capa dizia "Leônidas é bi!"). Além de ver sua reputação jogada na lama, Leônidas foi preso e torturado por suspeita de tráfico de anabolizantes e de corrupção de menores. Na linha branca do candomblé, dizem que Xerxes era "mãe-de-cabeça" de João Francisco dos Santos, a Madame Satã. A semelhança é mesmo impressionante (vide o poster da película).

Fora isso, o filme é bem cuidado visualmente (muito embora, em alguns momentos, pareça um video clip do Evanescence), as cenas de batalha são impressionantes e o físico dos atores é invejável. Pena que a academia de Leônidas faliu.

Uma boníssima sessão da tarde.

Cafezinho



+ Lembra como era assistir a Scooby-Doo, cada dia um mistério diferente, cujo final a gente sempre podia prever? Era bobinho, mas uma delícia. Assim está sendo assistir à segunda temporada de Supernatural. Eu baixo na mula, mas também passa no Warner Channel e no SBT. Se você gosta do estilo, eu recomendo.

+ Só vivendo em Porto Alegre para entender, mas o sol aqui é uma coisa muito louca.

+ Ontem no Jô, Sidney Magal contando que Diana Ross sentou no seu colo no Metropolitan, em algum lugar dos anos 80, foi impagável.

+ Falando no Magal e nos anos 80, achei uma cenas de Rainha da Sucata no Tubo. Dona Armênia fazendo bafão e o clássico suicídio de Laurinha. [o que é a cena intercalada do transexual Cláudia Raia?]

Buenos dias!

26.3.07

Fundamental



Voces já leram, já ouviram falar e tal e cousa, mas eu não canso de dizer como foi legal o show dos Pet Shop Boys. Mas uma coisa me chamou a atenção na platéia: quase ninguém tinha menos do que 25 anos. Claro, as novas gerações, adolescentes em geral, estão ocupados em ser "emo" e passar calor naquelas coisas horrendas que vestem nos domingos de 40 graus à sombra, a maquiagem escura, olhos negros, botas de couro, capotes, tudo preto. O que eles não sabem é que vivem hoje uma tendência patética, um arremedo sem identidade do pós-punk dos anos 80. Sabe Depeche Mode circa 1984? Pois é. Eles eram de verdade. Mas a busca da adolescência por um denominador comum é assim mesmo, não sou eu quem vai censurar.

A pletéia do PSB era mais new romantic do qualquer coisa. Gente que sabia It's a Sin e West End Girls na ponta da língua e que deve ter comprado o novo álbum Fundamental assim que saiu do Gigantinho. E, acima de tudo, um público que não tinha vergonha de nada disso.

Os meninos do 100asas filmaram e eu fiz a montagem de alguns momentos do show:




25.3.07

Betania e Chico




Este aí em cima é Antônio Carlos Falcão, na pele de Maria Betania (assim mesmo, sem h nem acento), fazendo aquele super dueto com Chico Burque de que eu falei aqui no post anterior. Tá vendo como vale a pena?

Se alguém não estiver vendo o vídeo acima, clique aqui.

Imagens: 100asas
Edição bagaceira: eu.

23.3.07

A Doce Bárbara



Povo que está ou vai estar em Porto Alegre, até o dia 01/04, sempre de sexta a domingo, está em cartaz no Teatro de Arena o espetáculo Doce Bárbara, em que Antônio Carlos Falcão faz uma Maria Bethânia impagável. Engana-se muito quem pensa que o cara faz dublagem. Ele canta, fala e gesticula assustadoramente igual à diva baiana, com um repertório centrado nos anos 70. Não bastasse esta delícia toda, ainda tem um "dueto" com Chico Buarque fantástico. No show, Bethânia nos conta que nasceu, na verdade, em Bagé e foi expulsa de casa para morar na Bahia. Eu vou de novo.

Serviço:

Onde: Teatro de Arena – Altos da Borges de Medeiros
Quando: De 09 de março a 01 de Abril – Sexta a Domingo – 21h
Inteira:15,00 / Idosos e estudantes com documentos identificadores : 7,50

22.3.07

Só pra registrar


Estou tonto de sono, com pés que mais parecem tijolos, mas eu preciso dizer que o show do Pet Shop Boys foi um dos momentos mais emocionantes da minha vivência porto-alegrina. E só pra constar: aqui teve Being Boring, que ficou de fora nos shows de Sampa e Rio. Tá?

20.3.07

Socorro!


Da série: INSTRUMENTOS DE TORTURA VISUAL

It's a sin

Na Zero-Hora de domingo, mais especificamente no caderno Donna ZH, o estilista Xico Gonçalves (o nosso Ronaldo Esper/Clodovil) dá dicas de como o homem deve disfarçar os quilinhos a mais e começa o texto assim: "Quem está acima do peso permitido e não está achando nada bom pode disfarçar...". Alguém sabe me dizer que entidade é esta que "permite" ou proíbe o peso das pessoas?

Francamente...

Ah, numa das dicas, ele manda não usar "mocassim decotado", ouviram bem? Eu diria não use mocassim PONTO. Mas eu não entendo nada de moda e também não estou no seleto grupo de profissionais que sabe qual é o PESO PERMITIDO. Anfã.

Olha, Ma Mère é um filme doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente doente e chato que dói.

Coisa linda mesmo foi Ilana Kaplan ontem no Jô. (Obrigado pelo SMS avisando, Señor Coco Loco!) Rolei de rir com as personagens da mãe judia , Glaci Albuquerque e a terapeuta Sônia Lirchman contando que um certo escritor famoso chegou em seu consultório dizendo "eu nasci a 10 mil anos atrás e não tem nada desse mundo que eu não saiba demais". Ela respondeu "Péra aí, vamos baixar a bola, você está com o ego mons-tru-oso, tááá?".

E amanhã tem Pet Shop Boys em Porto Alegre. Segundo nossas fontes, o tracklist em Sampa e no Rio foi o seguinte:

God willing/We’re The Pet Shop Boys
Left to my own devices
I’m with stupid
Suburbia
Can you forgive her
Minimal/Shopping
Rent
Dreaming of the Queen
Heart
Opportunities/Integral
Paninaro
Numb
Se a vide e/Domino dancing
Flamboyant
Home & dry
Always on my mind
Streets have no name
West end girls
Sodom and Gomorrah show

Bis:
So hard
It’s a sin
Go west

Acho que vamos nos acabar. Tenho uma leve impressão. Aqui tem um video do show de sexta, em São Paulo.

19.3.07

Gente Louca S.A.

Half Nelson conta a história de um professor viciado em drogas pesadas, Dan Dunne e sua distante, porém fecunda relação com uma de suas alunas. Os dois, cada qual de um lado do tráfico de drogas, tem na trivialidade miserável da vida de classe baixa seu ponto de convergência. É a miséria humana em 3D. Um filme que exala poesia visual de uma forma simples e eficiente. Não é de se espantar que Ryan Gosling tenha sido indicado ao Oscar de melhor ator este ano. O título se refere a uma estratégia na luta, em que um dos braços do adversário é imobilizado antes do golpe final. Esta imobilidade norteia o roteiro do filme que consegue, sem reviravoltas e transformações, engajar o espectador.




Na tarde chuvosa de sábado, resolvi rever A Bela da Tarde, de Buñoel. Nunca vi Catherine Denenuve tão linda e perversa. Na época, 1967, era considerado uma obra de alto teor erótico, mesmo sem nudez. O erotismo está sempre à espreita na história da jovem e bem casada parisiense Séverine Serizy, cujo desejo sexual encontra-se aprisionado na fantasia, e sua luta para trazê-lo ao plano real. Para tanto, Séverine procura emprego num bordel das 2 às 5, para satisfazer suas fantasias de dominação. A vida dupla acaba trazendo um novo prazer à relação com seu marido mas, inevitavelmente, acaba em tragédia. Cinemão do bom.

O filme chegou a inspirar o título de uma música do sempre horrendo Alceu Valença. Valha-me Deus.



No Brasil, Lady Sings the Blues (1972) chama-se O Ocaso de uma Estrela e foi o Marcelo que gravou pra mim. É Diana Ross no papel de Billie Holiday, bem bêbada, bem drogada, bem tudo. Há alguns bons momentos de Diana, afinal de contas, ela não era tão ruim como atriz também. Este foi o filme que seu então marido milionário, Barry Gordy, presidente da gravadora Motown, deu-lhe de presente. O projeto é inclusive mencionado no filme Dreamgirls. Não há um frame de Lady Sings que não tenha a presença da atriz/cantora, às vezes irrita, mas no geral é tudo muito bem cuidado e a trilha é refinadíssima.

Claro, Billie Holiday era bem gordinha e Diana é um fiapo de gente, praticamente só cabeça, daí fica difícil associar uma à outra.




O diretor Michael Gondry, de O Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, mais uma vez propõe um desafio à racionalidade: a ciência do sono, ou melhor dizendo, dos sonhos.

Gael Garcia Bernal é Stéphane, filho de pai mexicano e mãe francesa que volta a Paris e conhece a vizinha Stephanie (Charlotte Gainsbourg), por quem se apaixona e vive num vai-e-vem intenso de sonho e realidade, onde a água é feita de papel celofane e os carros são de pepelão.

Para promover o filme a Warner Independent Films criou um website onde usuários postam vídeos amadores que representam seus sonhos.

The Science of Sleep é um desafio delicioso.


Quem já viu O Fantasma, do diretor português esquisitão João Pedro Rodrigues, provavelmente não sentiu muita vontade de conhecer o resto de sua obra. A especialidade dele é erotizar o bizarro, sem medir esforços. Em Odete (2005), no entando, Rodrigues pega mais leve nos fetiches sexuais e se aprofunda na loucura da falta de amor. Rui e Pedro são apaixonados e felizes até que este último morre num acidente de carro deixando o companheiro inconsolável. Por uma carência insana, Odete entra na vida de Rui, tentando ocupar o lugar do falecido, usando dos artifícios mais impróprios (incluíndo uma gravidez psicológica). Em inglês, o título de Odete é Two Drifters, referência à canção Moon River, tema do casal de gajos. Filme bonitinho, mas ordinário.

16.3.07

Better than a work of fiction



...e Deus criou a mulher. Baboseira esta de costela. Ela saiu mesmo foi de dentro de dona Angélica que, imagino eu, gritava como louca. Deve ter morrido de calor por passar o verão inteiro com aquele barrigão de Leila Diniz, ainda que em pleno sul. E quem há de adivinhar a reação da vó Nininha quando viu pela primeira vez os olhos alargados que hoje me olham com jeito de quem enxerga o mundo além da redoma insuspeitável? Eles, que marejam por homens, nomes e canções. Na verdade, eles marejam pelo amor e por ele apenas se encharcam de doçura e às vezes tristeza, cercados de mega-cílios que ameaçam alcançar e apontam para o céu. E quem suspeitaria que dentro dela o amor é uma coisa simples? Eu nunca achei que houvesse no amor descomplicação. Até conhecê-la. Ao sentir de perto o carinho dessa mulher você sabe, apenas sabe, que é isso mesmo. Amar é o mais simples dos ardores, a mais descomplicada das filosofias.

Simple.

15.3.07

Ai ai

-O pessoal do Vírtua me logou hoje. Disseram que vão aumentar a minha velocidade.
-Ah é? Pra quanto?
-Quatro megapixels! Não é uma maravilha?

Gargalhadas.

-Do que tu estás rindo, palhaço?

History Boys


Carpe Diem, my ass! The History Boys é o que há. Esqueça A Sociedade dos Poetas Mortos.

14.3.07

Quebra o meu barraco!

Alguém já parou para pensar como seria a versão brasileira de Dreamgirls? Parece que eu nem tenho o que fazer:

Baseado na história não-oficial de ascensão e queda do legendário grupo É o Tchan, estrelado por Ivete Sangalo, Cláudia Leite, Tati Quebra-Barraco e Stepan Nercessian (o pluri-talentoso) e dirigido, é claro, por Tizuka Yamasaki, numa superprodução Globo Filmes. Poderia se chamar DEU A LOUCA NA BOQUINHA DA GARRAFA. Concorreria a várias indicações do prêmio mor do cinema nacional (sic), o Kikito, mas só levaria o troféu de melhor gorda-acessório, com a Tati ovacionada em Gramado. A crítica "especializada" diria "o filme é dela!!" ou "Tá ficando atoladinha. Em prêmios."

Daí, iam fazer campanha para ele representar o Brasil na corrida do Oscar de melhor filme estrangeiro, como foi com Xuxa e os Duendes, incinerando de vez as nossas chances de ganhar um Oscar ainda neste milênio.

Já pensou?

*

13.3.07

Olha o passarinho!


O Lambe-Lambe está fazendo um ano hoje. Feliz aniversário!

Lúpulo

No boteco eventual, eles conversam:

-Ai, amigo, coisa boa estas nossas cervejinhas de final de tarde, né heim?
-Pois é, minha velha, eu tava sentindo falta delas quando sumiste no mês passado.
-Mas tu entendes, não entendes? A vida é assim mesmo. Não adianta a gente se quebrar pela metade. Tem que ir fundo, voltar com o traste, pagar pra ver que era mesmo uma bosta.
-...
-E tem mais. Dou graças a Deus que eu voltei com ele daquela vez, serviu para eu ver que deu mesmo, acabot, ponto. Nem saudade me dá mais, sabias?
-Pedimos mais uma?
-Claaaaro. DANI, MAIS UMA POLAR!

Sorrio.

-Sabes o que eu acho, negrinho? Aquilo deve ser até gay, sabia? Sabia que eu acho mesmo? De verdade?
-É?
-Claro. Nunca vi homem que volta com a namorada e não vem cheio de fogo. Eu quero agora um homem bem, sabe? Resolvido na vida. Não vou mais tolerar esses bagaceiros de 5a.

O garçom chega com a cerveja. Neste momento ela se exalta.

-NÃO QUERO MAIS ISSO!!

-Levo de volta? Pergunta o garçon.
-Nããããã querido, não é a cerveja que eu não quero mais. É namorar pobre. E gay enrustido. A cervejinha é meu alívio na vida.

O moço disfarça, muito sem jeito. E segue bar a dentro.

-Como a atendimento aqui é ruim, né heim? Ficam se metendo nas conversas dos clientes.

Eu tentei dizer alguma coisa. Não lembro o quê.

12.3.07

Eu preciso me internar

Mesmo sabendo se tratar do novo filme de Stephen Frears (Ligações Perigosas), eu não imaginava que A Rainha fosse tão contemporâneo. E muito se engana quem pensa que a personagem principal é Elisabeth II. A rainha aqui é outra, interpretada por ninguém menos que ela própria: Diana Spencer, o fantasma que atormenta Hellen Mirren e todo o elenco do filme. Um Oscar merecidíssimo e inevitável pela caracterização e a profundidade de Mirren. Delicioso é ver também o jogo de cintura necessário para controlar a máquina non stop da mídia inglesa, em jogadas políticas que só provam a inutilidade da monarquia nos dias de hoje.



Woody Allen não está envelhecendo muito bem. Mas também não perdeu a mão. Scoop é um pouco melhor que Match Point, mas não ousa. A impressão que você sente ao sair da sessão é de que o diretor está mais à vontade em retratar os ingleses ricos e famosos nessa sua segunda investida. Scarlett Johansson faz um alter ego de Allen, no gestual atrapalhado e confuso. Hugh Jackman agrada pelo carisma e charme irônico, no papel do aristocrata investigado pela estudante de jornalismo (Johansson), suspeito de ser o "assassino do tarô". Há algumas boas piadas, sacadas momentaneamente geniais e fracas reviravoltas. Diversão leve. Pelo menos não soa pretensioso e artificial com o anterior.




Paris, Je T'Aime é um projeto peculiar. Vários diretores da atualidade foram convidados a dirigir um curta de 5 minutos, cada qual numa localidade diferente da capital francesa. O resultado é, evidentemente, irregular, mas funciona muito bem. Destaque para o seguimento dirigido pelos irmãos Joel e Ethan Cohen (O Homem Que Não Estava Lá), com Steve Biscemi, impagável como sempre. Além deles, dirigem também Gus Van Sant (Elephant), Walter Salles Jr e Daniela Thomas (Terra Estrangeira), Alfonso Cuarón (Filhos da Esperança), Isabel Coixet (A Vida Secreta das Palavras), Wes Craven (Pânico) e muitos outros. A lista de estrelas no elenco é interminável, nem pergunte.



Agora vamos começar a falar sério, meus amigos. Notas Sobre um Escândalo é um duelo de titãs, muito, mas muuito bem escrito. Não se pode entregar grandes detalhes da trama, pois a sacada do filme é justamente a forma com que a história evolui e envolve o espectador. Só dá para dizer sem risco que Cate Blanchett segura confortavelmente bem uma cena de conflito dramático, mesmo que sua oponente seja Judi Dench. O roteirista é Patrick Marber, o mesmo de Closer. Precisa dizer mais? Não leia nada a respeito, não pergunte a quem já viu, apenas assista.




Se você se ofende fácil com sexo explícito, fuja de Shortbus. John Cameron Mitchel (Hedwig) sabia do risco que seria dirigir um filme sobre a sexualidade ambígua dos americanos e da forma confusa com que eles a tratam. Optou, então, por não fazer rodeios. Mostra o sexo como ele realmente é, com penetração, ejaculação, fetiches, orgasmo (ou a falta dele). Ironicamente, o que fala mais alto em Shortbus, mesmo com todo o sexo, é a angústia e a solidão de uma geração tão sem identidade como a nossa. Perto desta realização, as vaginas, seios, pênis e bundas que desfilam pela tela tornam-se sexualmente insípidas e invariavelmente bem menos excitantes, só por este mérito já vale o ingresso.



Introducing Joss Stone, o novo álbum da inglesinha de voz potente, anuncia a chegada de uma nova faceta da cantora. Mesmo com apenas 19 anos, Joss coloca no chinelo muita diva experiente. Prova disso é o primeiro single Put Your Hands on Me.

Um cd para ouvir do início ao fim.



Já a dupla Erasure, conhecida pelo pop grudento dos anos 80, registrou a turnê acústica do ano passado em DVD e CD. On The Road to Nashville reúne canções de álbuns recentes e clássicos do electro pop pelo qual ficaram conhecidos em versões acústicas que beiram o country. Deve agradar fãs nostálgicos e novatos no modo Erasure de ser. Ouça como ficou A Little Respect.

Um aquecimento para o novo álbum da banda, a ser lançado em maio.

8.3.07

Alguém Lembra?

A Spell



Olha a vontade que me dá é nem dizer nada. Afinal de contas, a mulherada se revolta quando a gente fala em dia da mulher, porque não são minoria para ter dia especial, que história é esta e blá blá blá. Mas o blog é MEU e se eu quiser fazer uma coletânea de cantoras power cantando coisas power e faço e vocês não têm nada com isso. E tem mais, nesta tem TRÊS versões de I Put A Spell on You. Tem a inédita da Maria Rita, Essa Mulher, do especial de tv. Tem Annie Lennox ao vivo no Cantral Park, uma Speak Low por MM de estúdio, raridade tb. Fora Neneh Cherry, Shirley Bassey, Bethânia.

Divirtam-se com as amostrinhas:

1. Neneh Cherry - Woman (4:31)
2. Shirley Bassey Meets Booster - Light My Fire (4:44)
3. Nina Simone - I Put A Spell On You (2:37)
4. Maria Rita - Essa Mulher (3:29)
5. Marisa Monte - Speak Low (3:26)
6. Julie London - Sway (2:34)
7. Petula Clark - Downtown (3:05)
8. Natasha Atlas - I Put A Spell On You (3:40)
9. Annie Lennox - I Love You Like a Ball And Chain (4:49)
10. Indigo Girls & Ani Difranco - Midnight Train to Georgia (4:45)
11. Lauryn Hill - Tell Him (4:40)
12. Katie Melua - I Put A Spell On You (live) (5:06)
13. Maria Bethania - Uns Versos (3:00)
14. Pink Martini - Amado Mio (4:49)

Quer tudo? Aqui

7.3.07

Onde andará Gloria Steinem?



Diga uma coisa: você, molér contemporânea (o que se sente uma), o que acha deste negócio de comemorarem dia internacional da mulher amanhã? Como anda você? Está mais para Gertrude Stein ou Martha Medeiros? Já sonhou em ser coelhinha da Playboy? Já abriu as portas da esperança? O que tinha lá? Prefere barriga tanquinho ou a circunferência de uma caixa d'água? Quer milhões de filhos, nenhum ou um casal de gêmeos loiros de olhos azuis? Você é multitask? Queremos saber, companheira!

Só porque eu amo vocês (todos os dias), Annie Lennox.

6.3.07

Cafeína Classics

12 anos após o fim da segunda guerra mundial, a ex-prisioneira de campo de concentração Lucia, interpretada por Charlotte Rampling, hospeda-se em um hotel onde o porteiro (Dick Bogarte) é, na verdade, o ex oficial da SS que tanto a torturou no passado. Precisa dizer que rola um bundalelê sado-masoquista bem bom aí?

Realizado pela diretora italiana Liliana Cavani, este ensaio sobre os paradoxos S&M causou furor na época de seu lançamento, em 1974, e abriu caminho para outros filmes que têm uma ótica feminina extremamente ousada, tratando assuntos que orbitam bem longe da cozinha ou ambientes familiares.

Nós aqui gostamos muito disso tudo.

Eu lembro muito bem do dia em que O Porteiro da Noite passou pela primeira vez na rede Bandeirantes, "finalmente liberado pela censura". Era uma quinta-feira, tarde da noite e meu irmão dizia, todo feliz, "vai passar um filme pornô na tv hoje!" (não há nada de pornográfico, mas em 1985 a gente ainda confundia pornografia com perversidade sexual). Não vou mentir pra vocês. Não entendi patavinas do filme, só posso dizer que passei a sonhar com botas de couro. Foi só depois de assití-lo já adulto que eu entendi uma coisinha ou duas. A respeito das botas.

5.3.07

Rapidinhas sem tirar

Você pediu reedição da Nina Simone remixed? Aqui está. (aquela coisa, né? Clique em FREE, daí na página seguinte, espere a contagem regressiva, insira o código e baixe.)

*Srta. Pat Marie, a meteora, favor comparecer à recepção. Faz 3 dias que eu tento respoder seu e-mail e o UOL manda de volta.

*Hoje começa a nova novela das 8, com muita bossa nova mal tocada, Rio de Janeiro, casais gays, muita gente rica, um monte de gente pobre & limpinha, Isabela Garcia e aquela cambada de atores meia-boca. Vâmu nóis.

Alguém sabe o número do tele-jamanta?

We can be heroes


Minha série favorita do momento, Heroes tem como protagonistas 11 pessoas dotadas de poderes especialíssimos (aqui tudo sobre eles). Imagina se eu não ia gostar. A trama é interessante, a gente fica alucinado conforme descobre os poderes que cada um tem (dos mais esquisitos, garanto) e baba pelo próximo episódio. Eu já assisti 8. No Brasil, passa pelo Universal Channel.

2.3.07

Compilation



Para o fim de semana chuvoso que nos espera, uma coletânea de dar arrepios. Para ouvir no escuro, bebendo, beijando, meditando, sonhando.

Como sempre, versões li-fi de amostra. É só apertar o botão de play ao lado do nome da faixa.

1. Pet Shop Boys - Love Comes Quickly (Blank & Jones Mix) (5:06)
2. Propellerheads feat Shirley Bassey - History Repeating (hip length mix) (3:17)
3. Nina Simone - Feelin' Good (Joe Claussell remix) (6:04)
4. Thievery Corporation - Until The Morning (3:56)
5. Mono - Life In Mono (3:45)
6. Jane Birkin - Harvest Moon (3:03)
7. Corinne Bailey Rae - Enchantment (Amp Fiddler Remix) (3:24)
8. Dave Gahan - I Need You (4:45)
9. Etienne Daho - If (en duo avec Charlotte Gainsbourg) (3:31)
10. Metrô - Olhar (2002) (4:13)
11. Bill Withers - Aint No Sunshine (remix) (5:45)
12. Luscious Jackson - I've Got A Crush On You (3:30)

Ola

Então.

Em Porto Alegre, a massa cinzenta de nuvens anuncia chuvas e trovoadas para o fim de semana. Mas não há razão para desespero. Daqui a pouco tem compilation novinha em folha.

Enquanto isso, assistam ao vídeo mais delícia do YouTube. Ever. Ms. Shirley Bassey, bem 70's, bem tudo.

1.3.07

Contida Violência

Eres humano?

"Um dia, antes de casar, quando sua tia ainda vivia, vira um homem guloso comendo. Espiava seus olhos arregalados, brilhantes, estúpidos, tentando não perder o menor gosto do alimento. E as mãos, as mãos. Uma delas segurando o garfo espetado num pedaço de carne sangrenta - não morna e quieta, mas vivíssima, irônica, imortal -, a outra, crispando-se na toalha, arranhando-a nervosa na ânsia de já comer novo bocado. As pernas sob a mesa marcavam compasso e uma música inaudível, a música do diabo, de pura e contida violência. A ferocidade, a riqueza de sua cor... Avermelhada nos lábios e na base do nariz, pálida e azulada sob os olhos miúdos. Joana estremecera arrepiada diante de seu pobre café. Mas não saberia depois se fora por repugnância ou por fascínio e voluptuosidade. Por ambos, certamente. Sabia que o homem era uma força."

Clarice Lispector, PERTO DO CORAÇÃO SELVAGEM.