13.3.07

Lúpulo

No boteco eventual, eles conversam:

-Ai, amigo, coisa boa estas nossas cervejinhas de final de tarde, né heim?
-Pois é, minha velha, eu tava sentindo falta delas quando sumiste no mês passado.
-Mas tu entendes, não entendes? A vida é assim mesmo. Não adianta a gente se quebrar pela metade. Tem que ir fundo, voltar com o traste, pagar pra ver que era mesmo uma bosta.
-...
-E tem mais. Dou graças a Deus que eu voltei com ele daquela vez, serviu para eu ver que deu mesmo, acabot, ponto. Nem saudade me dá mais, sabias?
-Pedimos mais uma?
-Claaaaro. DANI, MAIS UMA POLAR!

Sorrio.

-Sabes o que eu acho, negrinho? Aquilo deve ser até gay, sabia? Sabia que eu acho mesmo? De verdade?
-É?
-Claro. Nunca vi homem que volta com a namorada e não vem cheio de fogo. Eu quero agora um homem bem, sabe? Resolvido na vida. Não vou mais tolerar esses bagaceiros de 5a.

O garçom chega com a cerveja. Neste momento ela se exalta.

-NÃO QUERO MAIS ISSO!!

-Levo de volta? Pergunta o garçon.
-Nããããã querido, não é a cerveja que eu não quero mais. É namorar pobre. E gay enrustido. A cervejinha é meu alívio na vida.

O moço disfarça, muito sem jeito. E segue bar a dentro.

-Como a atendimento aqui é ruim, né heim? Ficam se metendo nas conversas dos clientes.

Eu tentei dizer alguma coisa. Não lembro o quê.

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