30.4.07

Solos

Brett Anderson, vocalista da extinta banda Suede acaba de lançar um álbum solo que é um primor. Eu acho que fui gostar de Suede tarde demais. Mas eu também penso que para certo tipo de música a gente precisa estar emocionalmente pronto para poder apreciá-la como ela merece. O primeiro single, Love is Dead, é um arpão no peito. Eu me viciei, no entando, em The Infinite Kiss.

Daqueles cds que você deixa tocando no repeat enquanto trabalha ou dirige e, a cada audição, uma frase se destaca, uma verdade inesperada, e te deixa pensando por horas. Recomendadíssimo.


Para quem tem saudade do Cranberries, Dolores O'Riordan também chega com o primeiro trabalho solo depois do fim da banda. É praticamente um álbum do Cranberries. As letras são iguais, os arranjos e a energia da interpretação. Nota-se, porém, um tom mais maduro na atitude da mocinha, como se pode perceber no vídeo de Ordinary Day. Eu gostei mesmo foi do título do cd: Are You Listening? Ouça Loser para matar a saudade dos velhos tempos.

28.4.07

Adianta?

Ontem minha mãe, que mora a 320 Km de Porto Alegre me ligou para saber se eu estava bem. Dona Cafeína só liga aos domingos, por isso achei estranho. Acontece que à tarde haviam ligado a cobrar para a casa dos meus pais, uma voz chorosa dizendo "mãe, me salva, pelo amor de Deus". Agora você imagina dois velhinhos de 76 anos, com dois filhos morando longe, recebendo um telefonema desses. Claro, se ela tivesse continuado na linha, eles provavelmente pediriam um resgate. Graças à televisão e aos jornais, minha mãe sacou na hora que se tratava de um daqueles seqüestros virtuais, os tais golpes hediondos para extorquir grana dos indefesos.

O fato é que, num caso desses, a gente se torna refém sem mesmo ser seqüestrado. Dizem que eles ligam aleatoriamente, não sabem com quem estão falando e seguem telefonando até encontrar uma vítima que caia no golpe. Mesmo assim, você nunca mais enxerga a vida da mesma forma. Sua tranqüilidade vira refém desses marginais para sempre. É uma forma do mundo te dizer "você nunca está seguro". Daí você lembra do garoto arrastado e assassinado, dos ônibus pegando fogo, dos arrastões e da completa inexistência efetiva da segurança pública .

E pouca gente lembra que cada vez que um usuário compra um papelote de cocaína, uma trouxinha de maconha, uma pílula de ecstasy, sendo rico ou pobre, está alimentando a possibilidade cada vez maior de ser uma vítima. Porque no fundo, no fundo, o comércio de entorpecentes é que faz funcionar esta máquina do vandalismo brasileiro. São vândalos os deputados, senadores e políticos de toda ordem que perpetuam a nossa miséria em troca de uns milhões numa conta bancária em algum paraíso fiscal. Eles também são culpados dos crimes que acontecem todos os dias, de quando roubaram seu carro, de quando te assaltaram na volta do trabalho, daquela vez que você optou por voltar a pé pra casa e foi espancado por causa de um par de tênis.

Já o traficante que comanda o crime via celular do presídio nasceu num mundo diferente do nosso. A gente aprendeu a ler e escrever, tivemos um infância bonitinha, com carrinhos movidos a controle remoto, quebra-cabeças e bonecos Falcon. Ele só teve acesso a essas coisas depois de matar muita gente, depois de obter controle do morro, estuprar, assassinar, enganar. Hoje ele brinca de crime movido a controle remoto, ele quebra a cabeça planejando rotas de tráfico e manipula os bonecos da polícia militar com ameaças e subornos. Pessoas assim chegaram ao mundo com tanta humanidade nas veias quanto nós, a diferença é que eles perdem um pouco dela a cada dia que passa.

Eu me sinto culpado da violência, mesmo sendo refém, mesmo me sentindo o tempo todo como se estivesse com uma arma na cabeça. Eu me sinto responsável por ela. Eu tento votar com a melhor das intenções, quero um candidato que valorize a segurança pública, um que coloque policiamento nas ruas. Mas será que adianta? Será que não estamos construindo uma redoma social que fomenta ainda mais o ressentimento dos que ficam à margem dela? Será que policiamento ostensivo dá educação e saúde para quem já nasce na marginalidade? Existirá a possibilidade de humanização no caos horrendo da falta de alma?

Daqui a uns dias meus pais e eu esqueceremos o ocorrido. Dormiremos mais tranqüilos. Esse é que é o perigo.

"... o que me sustenta é saber que sempre fabricarei um deus à imagem do que eu precisar para dormir tranqüila e que outros furtivamente fingirão que estamos todos certos e que nada há a fazer."
Clarice Lispector, Mineirinho.

27.4.07

Compilation



Eu lembro que há muitos anos havia um comercial de jeans ou alguma coisa parecida com Can't Take My Eyes Off You, na versão do Boys Town Gang. Eu fiquei alucinado por aquilo. Acho que não é só a letra, mas esta melodia incrível que fazem da música um clássico pop. Reuní aqui umas versões diferentes da canção, tem até duas versões em espanhol (ótimas surpresas) e outra cantada por Morten Harket, aquele do A-Ha. Há versões ainda de Lauryn Hill, Pet Shop Boys, Michelle Pfeiffer, Frankie Valli e mil outros, eu sei, mas essas você já conhece. As outras da compilation seguem a mesma linha apaixonada, atentem para Katie Melua na cover do The Cure, um primor.

1. Boys Town Gang - Can't Take My Eyes Off Of You (5:38)
2. Lee Ritenour - Every Little Thing She Does Is Magic (4:02)
3. Peggy Lee - Fever [Gabin Remix Edit] (4:02)
4. Alba Molina - No puedo quitar mis ojos de ti (3:08)
5. Jorge Drexler - La huella de tu mirada (3:32)
6. George Michael - The First Time Ever I Saw Your Face (5:19)
7. Katie Melua - Just Like Heaven (3:35)
8. Morten Harket - Can't Take My Eyes Off You (3:46)
9. Ryan Adams - When The Stars Go Blue (3:31)
10. Angel Parra Trio - No Puedo Quitar Mis Ojos De Ti (3:50)
11. Blossom Dearie - Someone To Watch Over Me (5:58)
12. Martha Wainwright - Baby love (4:41)
13. The Cardigans - And then you kissed me (5:23)
14. The Supremes & The Temptations - Can't Take My Eyes Off You (3:07)

Aqui. (clique com o botão direito do mouse e escolha "salvar como")

26.4.07

Nem eu me aguento



Zora Yonara mandou avisar. Com o sol em Touro, a tendência de as pessoas ficarem muito mais biscates e sexualmente abaladas é grande. Mas a gente não pode sair por aí comendo quem bem desejar. Ou pode?

+

No show do Odair José com MV Bill, Joelma era, de longe, a pessoa mais empolgada da platéia. As fotos ficaram uma porcaria, perdoem. Definitivamente Elke Maravilha, a mestre de cerimônias, não estava lá nos seus melhores dias. Livinha, aquele doce de mulé, dançava só com os olhinhos. Abalaou-se, segundo ela, pela afro-formosura de MV Bill.

+

Para você que não atura mais LOST, que já cansou das reviravoltas fantásticas porém infantilóides, um update: o episódio inédito de ontem terminou com uma moça que caiu de pára-quedas (literalmente) na ilha dizendo que o avião do vôo Oceanic 815 fora encontrado e que não havia sobreviventes. Estarão nosso heróis mortos? Seria esta a nova versão de A Caverna do Dragão? Alguém se importa?

+

Vamos então dançar em supermercados, sair pulando por aí, ser um pouquinho felizes, um pouqinho só? Vamos? Com o elenco de Six Feet Under, porque a gente merece o melhor.

Agenda

Hoje e amanhã acontece em Porto Alegre mais uma etapa do projeto Bossa B. É um show onde se encontram um músico da dita música brega e um artista da jovem guarda da mpb. Hoje tem Odair José com MV Bill e amanhã tem Wando com Rita Ribeiro. Malu, a produtora do evento, garante que haverá uma participação surpresa de uma certa celebridade que foi jurada do Chacrinha como mestre de cerimônias. Esta delícia acontece no Salão de Atos da UFRGS, às 21h. E lá estarei. Abaixo, uns hits do Odair:

Eu vou tirar você deste lugar
Revista Proibida
Pare de tomar a pílula
Deixe essa vergonha de lado



No sábado tem mais um encontro La Reina Madre, trazendo a nova tendência em bolsas bossa nova. Denize, a rainha, me confessou outro dia que não entende como essas pessoas modernosas de hoje em dia vivem sem glamour. Eu também acho assustador este visual "boneca Barbie foi ao inferno e voltou" que as fashionistas wannabe andam usando. Tenho medo dessas franjas irregulares (rá, irregular, sei) e das botas plataforma. Dá vontade de sacudir uma dessas pelo ombro e dizer: "filha, você não é européia e nem uma japonesa de 14 anos! Heloooo!"

Mas, enfim, gostos são gostos. Tô eu aí, a caminho do show do Odair josé e falando mal das porto-alegrinas vanguardinas. Quem sou eu pra falar.

Perdoando Deus



"Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. Talvez eu não possa olhar o rato enquanto não olhar sem lividez esta minha alma que é apenas contida. Talvez eu tenha que chamar de "mundo" esse meu modo de ser um pouco de tudo. Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? Enquanto eu imaginar que "Deus" é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus. Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escadalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe."
Clarice Lispector, Perdoando Deus

Isso é porque hoje em Porto Alegre chove igual chora alguém que perdeu um pedaço imprescindível de si, chove e pára, chove e pára, mas parar mesmo não. Venta demais. Às 3 e 45 da manhã. Das cortinas e portas batendo. Naqueles momentos insones em que a gente pensa: amanhã já é hoje e ai que descaso, que descrença, que cansaço, que falta de luz. Que grito empedrado é este? Se fosse um suspiro, um alívio, uma punchline, mas é um grito. O pior é que não chega a ser um tormento, porque os tormentos a gente expulsa sem pensar, faz parte da fisiologia humana. Mas esta coisa que não é nem branco nem preto nem cinza, eu não sei o que fazer com ela, muito menos que nome dar. É uma afliçao para qual a linguagem me falta. A gente precisa seguir, não é? Não é isso? Seguir. Então tá, "seguir" hoje pra mim será dormir. Ao acordar, Deus há de me fazer o favor de amanhecer outro eu com mais vida.

*Se você pensou que este era um post de auto-ajuda, sinto lhe informar, você se deu mal. Ajuda está em falta.

25.4.07

Quase preto


"AzulOscuroCasiNegro es un estado de ánimo, un futuro incierto, un color. Un color que a veces no reconocemos, que dependiendo bajo qué luz, qué prisma y que actitud se mire, cambia. Un color que nos recuerda que muchas veces nos equivocamos, y a veces las cosas no son del color que las vemos. "

Eu costumo medir a qualidade de um filme pela minha vontade de assistí-lo novamente. As razões pelas quais a gente gosta ou não de uma obra cinematográfica (boa ou ruim, tecnicamente falando) são diretamente proporcionais a sua capacidade de alcançar o que há de mais íntimo e secreto em nós. Às vezes ocorre o contrário, é claro, ela revela tanto daquilo que mantemos trancado no porão dos segredos que acaba causando repúdio.

O maior (talvez único, não sei) prêmio do cinema espanhol, o Goya, teve como grandes vencedores este ano três peliculas: Volver, O Labirinto do Fauno e AzulOscuroCasiNegro, do novato Daniel Sánchez Arévalo, um grande filme sobre pessoas comuns cujos destinos se entrelaçam de forma inusitada e emocionante.

Jorge (Quim Gutiérrez, prêmio de melhor ator estreante) cuida do pai, vítima de uma isquemia cerebral e tenta conseguir um emprego melhor que o atual (zelador). Mesmo com um diploma de administrador, Jorge encontra-se emparedado pela falta de experiência profissional e teme ser obrigado a viver aquela realidade para sempre. Seu irmão presidário, Antônio (Antonio de la Torre), apaixona-se por Paula (Marta Etura). Em menos de 30 minutos, as trajetórias dos personagens se desvendam e se embaraçam de uma maneira muito particular.

AzulOscuro é um daqueles filmes que a gente quer rever imediatamente e mesmo na segunda exibição não perde em nada o frescor de seu impacto, seu drama, seu bom humor.

Eu recomendo.

24.4.07

Discutindo a Relação (versão Marina Lima)

-Pra começar, quem vai colar os tais caquinhos do velho mundo, quem vai?
-Ah, quebrou não tem mais jeito!
-Esta noite eu quero te ter, toda se ardendo só pra mim!
-Mas eu tô grávida, grávida de um avião!
-Eu sei, criança eu sei.
-Eu tô quase lá.
-Não demora muito agora, toda de bundinha de fora.
-É tudo tão difícil que eu não vejo a hora disso terminar.
-Acho que o mundo faz charme e que ele sabe como encantar.
-Eu sei que o amor é bom demais, mas dói demais sentir.
-Mas o que que há com nós? O que que há com nós dois, amor? Me responda depois!
-As coisas não precisam de você. Quem disse que eu tinha que precisar? Tendo você, meu brinquedo, nada machuca nem cansa.
-Esta noite eu quero te ter, te envolver, te seduzir.
-Todo amor vale enquanto brilha. E eu não sei dançar tão devagar pra te acompanhar.
-Então venha me dizer o que será da minha vida sem você?
-Eu não quero deixá-lo na mão e nem sozinho no escuro. Mas os momentos felizes não estão escondidos nem no passado e nem no futuro.
-O que você precisa é de um homem pra chamar de seu, mesmo que seja eu!
-Não, não. Vou seguir o chamado. Onde é que vai dar, eu não sei.

E se encontraram anos depois, num show da Marina.

23.4.07

Salve salve!


Medalha de São Jorge, na voz de Maria Bethânia

Fica ao meu lado, São Jorge Guerreiro
Com tuas armas, teu perfil obstinado
Me guarda em ti, meu Santo Padroeiro
Me leva ao céu em tua montaria
Numa visita a lua cheia

...

Deus me perdoe essa intimidade:
Jorge me guarde no coração
Que a malvadeza desse mundo é grande em extensão
E muita vez tem ar de anjo
E garras de dragão

(Moacyr Luz e Aldir Blanc)

Doidas Demais


Da esquerda para a direita: Santa, Clyde, Isabel, Tori, & Pip.

Finalmente caiu na rede o novo de Tori amos, American Doll Posse. A louquinha do piano voltou com múltipla personalidade. Buscou na mitologia grega cinco personas, cada qual representando um voz feminina com história própria e até blogs. De longe, é Bouncing Off Clouds que ficou no meu repeat. Para ouvir e saber mais do álbum, confira o Myspace da cantora.















Outra que é louca mas também sabe flertar com a modernidade é Yoko Ono. Quase ninguém sabe, mas ela faz música sim. E chega às lojas com dois lançamentos. Yes I'm a Witch é um projeto para o qual foram chamados nomes na cena alternativa para que refizessem antigas canções de Yoko tendo apenas os vocais como base. Tem Cat Power, The Flaming Lips, Antony & The Johnsons, The Apples in Stereo, Jason Pierce do Spiritualized, Peaches, entre outros. A minha favorita é Yes, I'm a Witch, reformada pelos Brother Brothers.

O outro é uma coletânea de remixes dançantes mais antigos que se chama Open Your Box. Tem muitos nomes conhecidos do mundinho eletrônico como Pet Shop Boys (salve, salve), Danny Tenaglia, Peter Rauhofer, Felix da Housecat, Basement Jaxx e Superchumbo. Deliciosa diversão. Walking on Thin Ice com a batida dos PSB é irresistível.


Parece que a idéia de modernizar o repertório de um artista mais antigo com a presença de novas gerações está funcionando. Dionne Warwick, a musa de Burt Bacharach nos anos 60, cuja voz imortalizou "I Say a Little Prayer", "Alfie", "Walk on By" e "Do You Know the Way to San Jose", lançou My Friends and Me, um álbum de duetos com cantoras de vários gêneros, entre elas Gladys Knight, Olivia Newton-John, Mya, Gloria Estefan, Kelis, Reba McEntire, Cyndi Lauper, Celia Cruz, Wynonna Judd, Deborah Cox, e Angie Stone. O resultado é bem irregular, o que não espanta, mas tem uns momentos muito legais. Entre eles, Kelis cantando Raindrops Keep Falling on my Head, Celia Cruz perguntando Sabes el camino a San Jose? e Cyndi Lauper adorável em "Message to Michael". A capa, no entanto, é tão horrenda que eu nem tive coragem de postar aqui.

22.4.07

Mambo Italiano


Sophia Loren, toda fina, européia (louca de inveja), reparando na vulgaridade norte-americana aguda (os peitos) de Jayne Mansfield.

20.4.07

Chega mais perto



Não há dúvida, o charme e a delicadeza de Karen Carpenter cantando (They Long to Be) Close to You são imbatíveis. Mas há também algumas que merecem audição. Atentem para o vozeirão de Isaac Hayes mostrando como se faz. Também tem uma moça de nome impronunciável cantando Close to Me do The Cure que é uma delícia. Aliás, eu acho todo o resto muito bom.

1. Chris Isaak - Wicked Game (live @ rehearsals) (4:49)
2. The Cranberries - Close To You (2:41)
3. I Didn't Know I was Looking for Love - EBTG (4:20)
4. David Gray - Smile Like You Mean It (2:51)
5. Madonna - You Thrill Me (acoustic) (4:24)
6. Daniel Beddingfield - Somebody Told Me (The Killers) (2:50)
7. Erykah Badu - Bag Lady (Extended Version) (5:49)
8. Mary Beth Maziarz - Close To You (2:03)
9. Pyeng Threadgill - Close To Me (The Cure) (4:30)
10. Natasha Bedingfield - Somewhere Only We Know (3:27)
11. Utada hikaru - With or without you(live) (4:47)
12. Will Young - Don't Cha (3:53)
13. Isaac Hayes - Close To You

Baixe aqui (novo link. clique com o botão direito do mouse e escolha "salvar destino como")

Daqui a pouco

...tem compilation saindo do forno. Mas calma que ainda tá crua por dentro.

Nua em pêlo


Uma fotografia é um segredo a respeito de outro segredo. Quanto mais ela te mostra, menos você sabe.
[Diane Arbus]


A aberração é um solitário calejado de ser marginal. Segundo a fotógrafa Diane Arbus, os freaks são os verdadeiros aristocratas, pois já passaram muito cedo na vida por tudo aquilo que os "normais" têm medo. A Pele (2006), é - como segere o título em inglês - um retrato imaginário da fotógrafa. Eu diria até fantástico. Sob a lente delicada de Steven Shainberg (Secretária) virou praticamente um conto de fadas sobre o desejo secreto. "Qual é o seu segredo?" pergunta a insípida Nicole Kidman em vários momentos do filme, na pele da protagonista. É assim que o voyeur se apresenta, ele quer saber o que há de mais subterrâneo em você. O voyeur quer assistir, admirar. Seu êxtase é construído delicadamente, sem pressa nem fugacidade e nunca culmina.

Da mesma forma que o diretor tratou o sado-masoquismo em seu filme anterior, ele desnuda aqui o desejo de ver e ser visto. As portas, olhos-mágicos, corredores e quartos escuros. Não é necessário dizer que a fotografia, trilha incidental e direção de arte de A Pele são primorosos. O que me incomodou um pouco foi a escolha de ter Nicole Kidman fazendo o papel de uma mulher cujo mistério ela não tem capacidade de assimilar, muito menos reproduzir. Eu normalmente gosto de Nicole, não me entenda mal.

Diane era casada com o fotógrafo de moda Alan Arbus, com quem trabalhava, ajudando a medir a luz, compondo o set, arrumando modelos. Até que um dia conhece o vizinho (Robert Downey Jr.), cujo corpo é tomado de pelos devido a uma disfunção rara. Começa aí o processo de transformação de mera ajudante a fotógrafa profissional. Na vida real, Diane foi aluna de Alexey Brodovitch e Richard Avedon, tornou-se um dos nomes mais celebrados da fotografia-arte e morreu sozinha, em 1971.

E você? Qual é o seu segredo?

Tele-Kleenex


Olha, vocês não sabem o que eu pelejei pra fazer esta mulher para de chorar. 70 minutos de palhaçada no telefone.

Acabou meu repertório.

19.4.07

Quem corre por gosto não cansa

Encontro na rua minha amiga aquela, que já terminou e voltou com o namorado abusado umas 546789233351 vezes em 8 meses. Acompanhada dele. DE NOVO. Ela me abraça e diz :

-Ai, amigo, eu TI-VE que voltar com ele. Tu me odeias?

O cara fala:

-Tchau, vou pra academia.

Ela vira pra mim e indaga:

-Será que ele ouviu?

18.4.07

Coisa linda


Bebel Gilberto e mamãe Miúcha cantando Tomara, de Vinícius.

"E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais"

Rapidinhas

+ Tem gente me mandando e-mail exigindo um posicionamento oficial e definitivo. A respeito da novela das 8. Eu só tenho uma coisa a dizer: eu não assisto novela alguma com Isabela Garcia no elenco. Não tenho nervos. Não sei do que sou capaz.

+ Cês estão sabendo, né? Gal Costa vai adotar um bebê. Tutty Vasques, sempre genial, comentou: "Filho adotivo de Gal Costa não vai se chamar Balancê. E não se fala mais nisso!". Ho ho ho.

+ Meu vício agora é Ghost Whisperer. Muito melhor do que Paraíso Tropical.

+ A dupla de irmãs Sandy & Junior terminou. Meu mundo caiu.

+ E o vencedor do BBB, Diego Alemão, desfila em carro aberto pelas ruas de São Bernardo do Campo e é recebido por milhares de fãs. Tem horas que eu não acredito no mundo em que a gente vive. Juro por Deus.

+ Falando em Deus, Ele deve estar dando barrigadas de riso com Nair Bello. Coitado, precisava dar uma relaxada com isso tudo rolando aqui embaixo.

+ Alguém aí já viu o documentário Outros Doces Bárbaros? Tem uma cena com Maria Bethânia caindo de bêbada numa poltrona de avião. E vocês sabem que eu não perco uma bêbada por nada desse mundo, né?

+ Doris Giesse (lembra dela? Não tem importância.) se jogou do 8o. andar do prédio onde morava para salvar o gato que caiu do parapeito. A pergunta cretina: você, amiga leitora, se jogaria do oitavo andar por um gato? Eu tenho uma amiga que se joga de onde estiver. E o gato que se vire.

Era isso.


17.4.07

Beauty and the Freak


Vincent Cassel e a esposa Monica Bellucci, por Jean-Baptiste Mondino. Quase cool. Quase.

In Other Words

Eles ouvem no carro o cd que ele gravou pra ela. Ele canta desastrosamente uns versos de Fly me to the Moon e pára repentinamente.

-Que estranho.
-O que?
-Quando eu canto na minha cabeça eu sou tão afinadinho...

14.4.07

Os Embalos de Sábado de Manhã

Muito cedo nas manhãs de sábado, sou invariavelmente acordado por uma legião de senhoras vestindo jérsey. Eu explico. A prefeitura de Porto Alegre (ou instituição que o valha) realiza aos sábados, desde demasiadamente cedo, uma aula de dança de salão no largo de uma praça a alguns metros do meu apartamento. Lá, um professor vestindo lycra e uma moça de cabelos crespos loiro-diarréia têm, presos à cabeça, microfones de Madonna (Vogue! Vogue!) e proferem ordens de incentivo às empolgadas da diminuta platéia. Arrisco a dizer que não há homens, pelo menos até onde eu consegui enxergar. Geralmente o volume da música desafia a potência das caixas de som e minha capacidade de ignorar o evento. Hoje, como não costumo, resolvi tomar meu café na sacada e conferir a interação. A loira diarrética grita, em gauchês fronteiriço:

-Vamos lá, gurias, danção! Pegão na mão da colega, muita alegria!

Uma senhora de cabelos alaranjados requebra sacudindo as mãos como se delas pingasse água. Dediquei a ela a minha atenção. Dei até nome: Dona Edília. O que mais me espanta em D. Edília é a independência. Durante a troca de pares ela, ao contrário das outras, não sai à caça de uma nova parceira de dança. Fica lá, na sua, curtindo seu Elvis Presley, dançando twist numa nice. Vocês precisam ver a valsa de D. Edíla. Dança, com olhar romântico, com seu parceiro invisível e rodopia, rodopia, rodopia. Um mini-ciclone tropical.

O moço de lycra comanda:

-Querem descansar? BEM CAPAZ!! Vamos dançar lambada!

A velha Edília revira os olhinhos, com cara de ódio. Dá meia-volta e deixa aquele bando de simplórias descadeiradas ao som de Chorando Se Foi.

O Mundo de Sophia


"Quando atuo com Marcello (Mastroianni), eu sou a lua cheia. E ele é a auréola ao meu redor."
Sophia Loren

13.4.07

Can you picture this?




Nesta compilation, três versões de When Doves Cry, do Prince. Mais umas outras bem delícia, para curtir o friozinho que se aproxima. Como toda frente fria que nos assola vem da Argentina, começamos com um tango (muito embora Gotan Project e Chet Baker não sejam nada argentinos). No mais, tem Air, Natalie Merchant, Sheryl Crow e outras delícias. Enjoy!

1. Gotan Project Meet Chet Baker - Round About Midnight(7:22)
2. Depeche Mode - Love In Itself (The Lounge Version) (4:39)
3. Ani Di Franco/Aimee Mann - When Doves Cry (5:36)
4. Burt Bacharach & Sheryl Crow - One Less Bell To Answer (3:32)
5. Joss Stone - Music (Feat. Lauryn Hill) (3:41)
6. Corinne Bailey Rae - Venus As A Boy (2:56)
7. Damien Rice - When Doves Cry (3:47)
8. Manic Street Preachers - Raindrops Keep Falling On My Head (2:54)
9. Michael Stipe & Natalie Merchant - Photograph (3:32)
10. Air - Somewhere Between Waking and Sleeping (3:36)
11. Barenaked Ladies - When Doves Cry (2:29)

Como sempre, clic com o botão direito do mouse, escolhendo a opção "salvar como" AQUI.

11.4.07

Vende-se


Pegou o chapéu, embrulhou o sol,
então nunca mais amanheceu.
Menalton Braff

Estou vazio. De hoje em diante, ao que me parece, não sai mais nada. Tem aquela velha história em qualquer almanaque de psicologia para leigos que diz ser bom o vazio. Falando daqui de dentro ("entro, entro" chega a dar eco) eu posso afirmar: não há nada de bonito em sentir-se oco. Não há móveis, nem revestimento acarpetado, sequer cortinas. Estou, meu amigo, uma casa de praia abandonada em pleno junho. Daquelas que ficam à venda por meses e ninguém se interessa em comprar. "É muito espaçosa, vários cômodos e, quando bate o sol da manhã na janela da sala, ilumina-se como você nunca viu e, muito provavelmente, nunca verá" garante o corretor, cujo esforço em ofertar o imóvel já demonstra um implacável indício de cansaço e desesperança. Alguém deveria aconselhar a ele que não mostrasse a propriedade em dias nublados.

10.4.07

Mondo Cane

A Rádio Cidade, de Tubarão (SC), está fazendo uma promoção muito controversa: promete dar uma cirurgia de implante de silicone à autora da carta mais criativa. O nome da campanha é: ENCHA O PEITO E DIGA QUE É CIDADE.

Uma amiga maldosa brincou que vão mudar o nome da cidade para Piranha. Tsc tsc tsc.



A americana Lacey Hindman, 22 anos, está processando seu parceiro de dança por tê-la deixado cair de cabeça no chão de madeira, durante uma festa num restaurante de Chicago. O advogado da moça alega que ela teria sido vítima de "dança negligente". It's murder on the dancefloor indeed.

Noivo descobre que a futura esposa era travesti e pede anulação de escritura, alegando nunca ter feito sexo com "ela". Eu digo: conta outra!

+ E já que estamos sendo maldosos, olhem isso (atentem para a descrição do assunto seríssimo, à direita).

9.4.07

Os Colorados fazem melhor

Percebe agora a diferença?

Eu li no feriadão alguma coisa de Lygia Fagundes Telles. Digo alguma coisa porque a escrita desta mulher não é qualquer coisa. É alguma coisa de não-sei-o-que muito chocante. Em especial, um conto chamado "Venha Ver o Pôr do Sol". A história é a seguinte: o moço liga, implora para a ex-namorada vê-lo mais uma vez porque ele quer mostrar a ela o pôr-do-sol mais lindo do mundo. A moça, chamada Rachel, vai - muito a contra-gosto, mas vai. Ricardo, o moço, mostra a ela um cemitério abandonado pois o tal crepúsculo inigualável acontece lá. Resultado: era tudo uma armadilha de um amante louco e desesperado para enterrar viva a ex-namorada que o trocou por outro mais rico (e mentalmente instável). Daí você, que também já não anda muito bem de suas faculdades mentais, termina de ler e se pergunta: cumé que é?

Tem coragem? Tem cojones? Leia aqui.

Se quiser uma música que combine, tente esta.

5.4.07

Vem comigo no meu barco azul

As pessoas acham que eu sou louco. De certa forma estão certas. Afinal de contas, quem ouve esta musica para ficar feliz? Só eu, garanto.

+

Coisas que a gente só encontra na web:


Lúcia Luft, ídala das colônias, cantando o hit A Fofoqueira.


Ronnie Von e seu mega sucesso Meu Bem.


No tubo, e só lá, coisas muito finas: Maria Bethânia cantando a minha música, Alcione no Fantástico lançando Não Deixe o Samba Morrer (reparem a gostosura) e Perla, a mulher, o mito, no Programa Carlos Imperial, com Os Rios da Babilônia (e mostrando ser a grande precursora do movimento antropológico bate-cabelo).

4.4.07

A melhor coisa que eu vi este ano (âpdeited)




Alanis Morissette andava muito chata mas com esta ela se redimiu. A mulher é atinada.

+Só um adendo: a razão pela qual eu adorei este vídeo passa longe do fato de ele ser uma paródia do original, simplesmente engraçadinho. Admiro, e muito, quem subverte o massivo e imbecil gosto popular e confere a ele um caráter relevante. Para mim, as cachorras como Fergie, do Black Eyed Peas, não têm graça nenhuma. Muito pelo contrário, elas são, assim como as nossas vocalistas de bunda music, um triste retrocesso na história da construção da identidade feminina na mídia. Gosto de acreditar, no entanto, que o BEP seja uma banda com senso de humor e que My Humps seja uma ironia incompreendida pelo grande público. Mesmo duvidando muito. O que Alanis Morissette fez foi despir a canção da batida infecciosa (e deliciosa, é verdade) original e trazê-la para o seu mundo. E no mundo de Alanis a letra é tão importante quanto a melodia. Daí você, com este arranjo, depara-se com uma letra cheia de imbecilidade e preconceito. E isso não graça nenhuma.

3.4.07

Com licença

A OPINIÃO DE UM ANALISTA SOBRE MIM

'Por coincidência, tive e tenho amigas que são ou foram analisadas pelo Dr. Lourival Coimbra, psicanalista do grupo Melanie Klein. As conhecidas e amigas me contaram que falaram de mim a ele. Imagino como Dr. Lourival deve estar farto de ouvir meu nome. Há dias uma das analisadas por ele esteve aqui em casa e resolvi, como compensação ao desgaste dos ouvidos do analista sobre mim, enviar-lhe um livro meu de contos, Laços de Família. Na dedicatória pedi desculpas pela minha letra que não está boa desde que minha mão direita sofreu o incêndio.

Dias depois a moça apareceu em casa para tomar um café comigo e perguntei-lhe se havia entregue o livro a Dr. Lourival. Ela disse que sim e que, ao ler a dedicatória, ele fizera um comentário. Fiquei curiosa, quis saber o que ele dissera. E fiquei sabendo que, ao ler a dedicatória, Dr. Lourival tinha dito: "Clarice dá tanto aos outros, e no entanto pede licença para existir."

Sim, Dr. Lourival. Peço humildemente para existir, imploro humildemente uma alegria, uma ação de graça, peço que me permitam viver com menos sofrimento, peço para não ser experimentada pelas experiências ásperas, peço a homens e mulheres que me considerem um ser humano digno de algum amor e algum respeito. Peço a bênção da vida.'

Em Aprendendo a Viver, Clarice Lispector, muito sábia, já preconiza: quem tem que saber de nós, somos nós. De nada vale ir ao Dr. Lourival como um motorista imprudente vai à assistência autorizada a cada 5 mil km rodados e continuar atropelando quem vier pela frente.

Press Release

E o mundo dos blogs está em festa, meus amigos. O Tiozinho da Foto saiu na Folha de São Paulo, o Egídio teve uma compilação de seus posts adaptada para o teatro (deve ter sido a coisa mais linda) e agora a Mme. mais amada do Brasil foi matéria da Cláudia (juntamente com a Criada e Livinha,levinha, bem leve, leve). Dai visibilidade a quem merece. É justiça divina, senhores. Quero ver este povo publicado, quero autógrafo e foto de tiete.

2.4.07

88 minutos para Jesus


Imagine uma velhinha aldeã portuguesa, grisalha, toda descabelada, rosto excessivamente bronzeado, olhos arregalados, levemente corcunda e com fungos nas unhas das mãos. Assim é Al Pacino, que completa 67 anos no próximo dia 25, em 88 Minutos, um filme medíocre, pretensioso, com erros crassos de continuidade e uma trama com mais furos do que uma peneira. Claro, eu sabia no que estava me metendo quando sentei em frente à tv, mas achava que o velho Pacino ainda tinha na manga algum resquício de Michael Corleone ou Tony Montana. Bem feito pra mim.






Jesus Camp (indicado ao Oscar este ano) não é um documentário a respeito do jovem exército de crianças evangélicas protestantes americanas, ensinadas que aborto é assassinato e homossexualidade, uma doença grave. Não é tampouco um relato verídico sobre como o extremismo religioso é, por definição, hipócrita. Muito menos uma prova de que boa parte dos norte-americanos ainda vive numa redoma da mentira republicana, que lhes poupa o trabalho de pensar.

Jesus Camp só pode ser, meus amigos, um filme de terror.

Como diria o sábio Bowie, "I'm afraid of Americans".