3.4.07

Com licença

A OPINIÃO DE UM ANALISTA SOBRE MIM

'Por coincidência, tive e tenho amigas que são ou foram analisadas pelo Dr. Lourival Coimbra, psicanalista do grupo Melanie Klein. As conhecidas e amigas me contaram que falaram de mim a ele. Imagino como Dr. Lourival deve estar farto de ouvir meu nome. Há dias uma das analisadas por ele esteve aqui em casa e resolvi, como compensação ao desgaste dos ouvidos do analista sobre mim, enviar-lhe um livro meu de contos, Laços de Família. Na dedicatória pedi desculpas pela minha letra que não está boa desde que minha mão direita sofreu o incêndio.

Dias depois a moça apareceu em casa para tomar um café comigo e perguntei-lhe se havia entregue o livro a Dr. Lourival. Ela disse que sim e que, ao ler a dedicatória, ele fizera um comentário. Fiquei curiosa, quis saber o que ele dissera. E fiquei sabendo que, ao ler a dedicatória, Dr. Lourival tinha dito: "Clarice dá tanto aos outros, e no entanto pede licença para existir."

Sim, Dr. Lourival. Peço humildemente para existir, imploro humildemente uma alegria, uma ação de graça, peço que me permitam viver com menos sofrimento, peço para não ser experimentada pelas experiências ásperas, peço a homens e mulheres que me considerem um ser humano digno de algum amor e algum respeito. Peço a bênção da vida.'

Em Aprendendo a Viver, Clarice Lispector, muito sábia, já preconiza: quem tem que saber de nós, somos nós. De nada vale ir ao Dr. Lourival como um motorista imprudente vai à assistência autorizada a cada 5 mil km rodados e continuar atropelando quem vier pela frente.

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