11.4.07

Vende-se


Pegou o chapéu, embrulhou o sol,
então nunca mais amanheceu.
Menalton Braff

Estou vazio. De hoje em diante, ao que me parece, não sai mais nada. Tem aquela velha história em qualquer almanaque de psicologia para leigos que diz ser bom o vazio. Falando daqui de dentro ("entro, entro" chega a dar eco) eu posso afirmar: não há nada de bonito em sentir-se oco. Não há móveis, nem revestimento acarpetado, sequer cortinas. Estou, meu amigo, uma casa de praia abandonada em pleno junho. Daquelas que ficam à venda por meses e ninguém se interessa em comprar. "É muito espaçosa, vários cômodos e, quando bate o sol da manhã na janela da sala, ilumina-se como você nunca viu e, muito provavelmente, nunca verá" garante o corretor, cujo esforço em ofertar o imóvel já demonstra um implacável indício de cansaço e desesperança. Alguém deveria aconselhar a ele que não mostrasse a propriedade em dias nublados.

Nenhum comentário:

Postar um comentário