21.5.07

Máquina de moer carne



Nos anos 70 e 80 aos cinemas de rua entraram em decadência por conta do surgimento das grandes redes de cinema dos shopping centers nos Estados Unidos (fenômeno este que contaminou o resto do mundo anos mais tarde). Restaram aos antigos proprietários dois tipos de público ainda não atendidos pelos cinemas multiplex: o de filmes pornôs e os aficcionados por cinema trash. Para este último grupo fazia-se maratonas com crème de la crème do que havia de mais grotesco no imaginário adolescente: zumbis, banhos de sangue, divagações de mal gosto a respeito do sobrenatural e, é claro, mulheres sensuais que invariavelmente iniciavam o filme participando de orgias dantescas para depois serem brutalmente assassinadas. Tais filmes eram exibidos geralmente em double features, ou seja, 2 pelo preço de um. As salas eram chamadas de Grindhouses pela quantidade de sangue esguichado pela tela.

É este tipo de cinema que os amigos Quentin Tarantino e Robert Rodriguez homenageiam em Grindhouse, um double feature moderno com cara de filme b setentista. A primeira parte, dirigida por Rodriguez, chama-se Planet Terror e conta uma história sem pé nem cabeça que envolve armas tóxicas, mutilação, zumbis e uma heroína com uma metralhadora no lugar de uma das pernas. Death Proof, a de Tarantino, presta tributo aos roadmovies de suspense, aqueles em que um misterioso carro preto assombra e mata jovens inconseqüentes em alguma cidadezinha do Texas. Mas não se engane com a pobreza dos argumentos, deve ter dado muito trabalho para Grindhouse parecer tão tosco. É tudo muito estiloso e caprichado, até os cortes cuidadosamente amadores e os avisos que vez por outra pipocam na tela, coisas do tipo: "o seguinte rolo de filme foi perdido". Há, inclusive, tailers fictícios dirigidos por gente como Rob Zombie e Eli Roth, de O Albergue. Boa diversão para quem tem senso de humor e estômago forte.

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