31.5.07

Na última semana



Faz um tempinho que eu gravei uns dvds com clássicos que eu sempre quis assistir. Nas últimas semanas eu resolvi que ia explorar dois diretores: Douglas Sirk e Hitchcock. O primeiro foi especialista em retratar a sujeira por debaixo do tapete dos subúrbios americanos pós-guerra. Aliás, em Tudo Que o Céu Permite (1955) a câmera passeia pelas ruas sob o céu technicolor de uma forma muito parecida (para não dizer idêntica) ao seriado Desperate Housewives. E as donas de casa dos anos 50 retratadas por Sirk eram, sim, desesperadas e sofriam com o olhar acusador desta entidade misteriosa chamada "sociedade". Em Palavras ao Vento (1956) percebe-se a forte influência do diretor no seriado Dallas, com o executivo do petróleo alcóolatra, sua irmã ninfomaníaca e os dramas familiares que o dinheiro não resolve, só aumenta. Imaginem isso discutido naquela época.

Em O Homem Errado (1956), o mestre do suspense explora muito pontualmente o tema da culpa. Henry Fonda faz o papel de um homem acusado injustamente de assaltar vários estabelecimentos. Seu único crime, no entanto, é parecer-se demais com o verdadeiro criminoso. Hitch é impiedoso com a sociedade moralista que pretende a qualquer custo encontrar a quem culpar, mesmo sem provas concretas. Não é de se espantar que esta seja a realização do diretor mais estudada pelos aficcionados franceses, pois além da forma corajosa com que encara o tema, também apresenta movimentos de câmera revolucionários para a época. Já Terror nos Bastidores não é um dos melhores filmes de Hitchcock, mas tem Marlene Dietrich impagável como a esposa suspeita de ter matado o marido. Mais uma vez o espectador é levado a acreditar numa tese que se desfaz magistralmente no final.

E quanto mais eu assisto aos clássicos, mais percebo que o mundo pouco mudou.

Nenhum comentário:

Postar um comentário