24.7.07

Das coisas simples

Outro dia ouvi alguém dizer que nada na vida é simples. Que tudo, então, que vale a pena é complicadíssimo de se conquistar. A mesma pessoa, coincidência ou não, era cheia de certezas a respeito dos atos de viver, estudava em minúcias o funcionamento das coisas à sua volta em busca de controle, o qual aparentemente jamais teria se não soubesse os pormenores teóricos daqueles assuntos que compunham seu mundinho de pretos muito pretos e brancuras Rinso. Me perguntei se não seria o ato de complicar os processos uma forma humana de tornar a vida mais desafiadora e, por conseqüência, mais interessante.

Quem sabe é uma sociopatia virótica dos centros urbanos isso de tornarmos as vias que levam à felicidade tão absolutamente complexas. Quem garante que os momentos mais felizes não surgem de apenas respirar uma manhã de domingo em que o sol não precisa brilhar do lado de fora pois já nos basta a luz interior? Quem diria que às vezes o amor não precisa bater à porta de ninguém porque sempre morou ali? E isto, caro leitor, é uma das grandes verdades do universo: o amor mora em mim e em você. E ele não brilha mais ou menos porque o dia é ensolarado ou porque a luz é de neon e tampouco mora em pessoa alguma criada pelo seu imaginário. Brilha do encontro, mas daquele encontro sem artimanhas nem manipulações. Da conjunção pura e simples de acordar, respirar e sorrir dizendo "bom dia, meu amor!".

É simples assim. Ou não.

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