12.7.07

An invicible summer

Durante o tempo em que morei na capital inglesa, havia - como você bem deve imaginar - momentos de tristeza e solidão atrozes. Não sei se em outros lugares do mundo a sensação é parecida com a que se sente em Londres, mas lá especificamente o desamparo caminha lado a lado com a fome de viver as coisas imediatamente. A vida noturna, os shows, os bares, os clubes famosos acontecem muito rápido, sempre se tem onde ir. O Ice Bar, a Heaven, Fabric, Ministry of Sound, as pessoas e a música acontecendo e existindo muito ligeiro, imediatas.

O meu barato, no entanto, era um pouco diferente. Aquele rush que acelera a cabeça nas pessoas na noite pra mim acontecia sempre que eu entrava na Tate Modern. Eu sei que soa estranho, mas era especificamente lá (e não em outros museus ou galerias) que eu encontrava o meu êxtase. Nos últimos tempos, mais precisamente no inverno, eu descia do metrô na estação de St. Paul's, atravessava a Millennium Bridge, corria pra dentro da Tate e sentava irremediavelmente na frente do Jackson Pollock intitulado Summertime: Number 9A:

Com seus quase 6 metros de largura, Summertime era, ao menos para mim, inesgotável. Talvez uma expressão do meu desejo secreto de que fosse (ainda que apenas na alma) sempre verão.

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