13.8.07

Inevitável


Ando me perguntando, muito impaciente com a vida, se tudo que nos acomete é efetivamente obra do que chamamos de destino. Existirá mesmo a inevitabilidade natural dos acontecimentos? Será que a gente se apaixona por quem está previamente destinado a amar e era isso, pronto, pt Saudações? Conseguiríamos, se assim fosse nosso desejo, limitar o amor a uma medida cordial e burocrática, com dosagem bem definida? Claro que eu não sei a resposta para nenhuma dessas perguntas. Também não compreendo como se dão as ditas "viradas" na vida de um cidadão que planejara a vida inteira ser médico, mas por obra do destino tornou-se escritor, como Moacir Scliar, por exemplo. E se você se afundar em teorias que tentam explicar a nossa percepção dessa assustadora entidade filosófica do inevitável perceberá a total ausência de entendimento. A única coisa que se sabe de concreto é esta: você é hoje o produto de todos os invitáveis que já lhe aconteceram e se tornou a criatura que passou por eles, com mais ou menos arranhões. O que o destino quer de nós, me parece, é que o recebamos com um pouco de boa vontade e uma razoável energia, porque ele acontece, você querendo ou não.

"Se um dia, a vida lhe der as costas... passe a mão na bunda dela." Nelson Rodrigues

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