16.8.07

M de Madonna



Você pode até achar que Madonna não canta nada, que é péssima atriz, que é 'puro marketing', e mais um monte de coisas que muito provavelmente vem lendo na mídia há muitos anos. O que não se pode negar é que Madonna é A artista pop. Nunca houve e, pelo andar da carruagem, nunca haverá ninguém igual a ela. Madonna definiu a forma como os artistas hoje se apresentam ao vivo, forçou os limites dos gêneros, misturou música, teatro, cinema e literatura nos seus espetáculos e criou a própria linguagem, isso tudo em 1987, na sua primeira turnê mundial, a Who's That Girl Tour, recorde até então de sucesso comercial e de crítica. Dali por diante, só ela quebra seus recordes. Outros artistas vendem mais, claro, mas nenhum consegue manter-se na vanguarda como ela.









Não é de espantar que o formato do videoclip seja um dos invólucros mais expressivos na carreira da artista. Pegue, por exemplo, qualquer vídeo pop feito hoje em dia e você há de encontrar elementos emprestados de Express Yourself, Like a Prayer, Vogue, Justify My Love, Human Nature, Bedtime Story, Ray of Light, Don't Tell Me ou Hung Up. Não tenhamos a ilusão de que Madonna faça tudo sozinha, mas ela escolhe a dedo com quem quer trabalhar. E escolhe bem. Sabe David Fincher, o diretor de Se7en (1995)? Foi ele quem dirigiu Express Yourself em 1988 e Vogue em 90. E Jean-Baptiste Mondino, o grande fotógrafo francês? Ele que teve a idéia de fazer Justify My Love, Human Nature e Don't Tell Me.



Mas eu continuo insistindo: Madonna é muito melhor ao vivo. Eu tive a sorte de assistir ao Girlie Show num momento histórico, a maior platéia pagante da cantora num show só seu: 120 mil espectadores, num Maracanã hipnotizado por aquela figura minúscula ao longe. Fazia 43 graus naquele novembro de 93 e ninguém no estádio sentia nada além de empolgação e devoção. Quem viu Madonna ao vivo sabe que ao sair do estádio todos sentem que ganharam mais do que o valor do ingresso pode pagar. Para minha total surpresa, o público brasileiro (que via de regra não fala inglês) cantou cada palavra de La Isla Bonita, mal se ouvia a voz da cantora.

Ainda teve uma palhinha de Garota de Ipanema, em inglês, tudo bem.




Hoje, aos 49 anos, Madonna leva na manga o título de maior artista pop do mundo. Seu álbum mais recente, Confessions on a Dancefloor, debutou em primeiro lugar em 29 países, vendeu estimadas 8 milhões de cópias e deu a ela o maior número de prêmios recebidos em apenas um ano. O single de Hung Up é o único da história da indústria musical a ser número um em 41 países, de acordo com o Guinness Book. A Confessions Tour, um espetáculo musical sem precedentes, foi a turnê mais lucrativa de uma artista feminina na história. Talvez porque Madonna saiba que seu forte é a pista de dança. Ela detém o recorde das paradas dance da Billboard com 37 singles no topo, seguida muito de longe por Janet Jackson com 17.

Mesmo depois de 250 milhões de álbuns e singles vendidos, 49 anos de idade e 3 filhos, esta leonina está cada vez melhor.

E não venha me dizer que ela não tem talento.

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