28.8.07

Uma Sentença

Morreu o pai do meu grande amigo. Eu nunca me doí por quem morre. Minha grande preocupação sempre foi com quem fica e se vê obrigado a repentinamente formular por que razão aquele que estava ali foi arbitrariamente removido daquele lugar onde sempre esteve. Fala-se demais nela, mas ninguém sabe exatamente o que brotará de si no momento em que a morte vier e te encarar no olho para provar num instante apenas que você não é nada, que você esqueceu do tempo e que só te resta uma coisa temporariamente sem sentido algum chamada vida. E a vida que resta nos parece, naqueles dias irreversíveis, uma frase que você simplesmente não pode escrever. Não que lhe falte a habilidade, mas lhe falta o sentido que ela precisa para existir mas que você não tem para dar. Uma frase, ainda que por um período, sem qualquer propósito. Nós temos esta sentença irrevogável: viver. E continuar escrevendo do jeito que der.

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