30.9.07

Sunday Classics


Woody Allen, em 1967, como garoto-propaganda daquelas bregérrimas lentes de encaixar nos óculos.

28.9.07

Compilation


Não é novidade para quem me conhece o quanto eu sou fã da voz de Karen Carpenter. Nem todo mundo sabe, no entanto, que ela me faz companhia tanto nos momentos mais adversos da vida quanto nos altos de felicidade. É como se fosse um afeto que ninguém mais tem para dar, um remédio miraculoso de auto-medicação. Seria dificílimo dizer que esta pouco mais de uma hora de música é o melhor dos Carpenters, talvez seja mais seguro afirmar que estas 17 faixas são perfeitas, apenas isso.

1. Without A Song (A Cappella Version) (1:00)
2. Sing (3:17)
3. I Need to Be in Love (3:49)
4. Can't Smile Without You (3:23)
5. All of My Life (3:01)
6. Ticket to Ride (4:10)
7. A Song for You (4:37)
8. This Masquerade (4:52)
9. Solitaire (4:39)
10.When It's Gone (4:59)
11.Where Do I Go From Here (4:24)
12.Desperado (3:36)
13.Superstar (3:48)
14.Rainy Days And Mondays (3:35)
15.We've Only Just Begun (3:04)
16.(They Long To Be) Close To You (3:42)
17.Only Yesterday (3:50)

Esta coletânea expirou.

27.9.07

We can be heroes


A premiére da segunda temporada de HEROES foi nesta segunda nos Estados Unidos, em 52 minutos (10 a mais do que o normal) cheios de novidades. O episódio, entitulado Four Months Later (4 meses depois), mostra como os (anti) heróis de adaptaram depois do ocorrido no final da última temporada. Hiro viajou para o passado e foi parar no meio de uma batalha de samurais no Japão e conhece seu ídolo Takezo Kensei, que na verdade é um inglês alcoólatra (eu sei, redundância). Clair e sua família tentam a adaptação numa cidade no sul da Califórnia, a cheerleader conhece na escola um tipo muito suspeito e envolvente. Nathan Petrelli aparece deprimido pela culpa, Matt Parkman consegue a tão desejada promoção a oficial da NYPD e toma conta de pequena Molly, a menina que tem a habilidade de localizar qualquer pessoa. Enquanto isso, o geneticista Mohinder Sureshi é procurado por agente da Companhia que lhe oferece um emprego. Quem está a par do que aconteceu anteriormente sabe que havia uma geração anterior de indivíduos com superpoderes que, não coincidentemente, são os pais dos jovens heróis. Pois estas pessoas são agora ameaçadas de morte, dentre elas a matriarca da família Petrelli e o pai de Hiro. No minuto final, a surpresa: Peter, de cabelo curtíssimo, está vivo e parece ter perdido a memória quando é surpreendido algemado dentro de um container, em um porto na Irlanda.

25.9.07

24.9.07

Crises de Identidade


As Três Máscaras de Eva (The Three Faces Of Eve, 1957) deu um Oscar de melhor atriz a Joanne Woodward (a senhora Paul Newman) por um papel dificílimo de se fazer: de uma mulher com múltiplas personalidades. Baseado no livro homônimo, escrito pelo psiquiatra Corbett H. Thigpen , o filme investiga a vida da dona de casa interiorana que começa a ter um comportamento agressivo e contraditório, sendo obrigada a procurar ajuda médica.

Uma mistura bem estruturada de drama e suspense, o filme coloca o espectador em dúvida permanente. Será aquela situação uma farsa ou teria mesmo Eve múltiplas identidades em constante combate? Que evento traumático teria então deflagrado a condição? Um grande clássico. A curiosidade é que As Três Máscaras de Eva inspirou a personagem Lara, vivida por Glória Menezes na novela Irmãos Coragem de 1970, segundo conta Daniel Filho.






Com mais ou menos a mesma temática, há Sybil, filme feito para televisão em 1976 que, devido à audiência sem precedentes, ganhou lançamento nos cinemas no ano seguinte. Sally Field é a personagem título, uma jovem professora reprimida que sonha em ser pintora. Aos poucos, Sybil percebe que as múltiplas personalidades que nela habitam estão cada vez mais poderosas. É quando ela encontra a psiquiatra Cornelia B. Wilbur, vivida por Joanne Woodward (a mesma Eva do filme anterior) que fica fascinada pelo caso e começa uma relação médico-paciente no mínimo curiosa. Wilbur, além de médica de Sybil, desenvolve um laço maternal com a paciente. Além disso, há o horror por trás do trauma da protagonista, em cenas finais que até hoje são chocantes e traumatizantes. Na sua versão original, o filme tem 138 minutos, sem nunca dispersar o interesse do espectador. Recentemente foi realizado um re-make de 94 minutos com Jessica Lange no papel principal. Não vi, mas imagino que não seja tão bom.

Já Jason Bourne, o herói sem passado, encontra na terceira prestação da melhor trilogia de filmes de ação dos últimos tempos sua redenção. O Ultimato Bourne (The Bourne Ultimatum, 2007) começa minutos depois do ocorrido em Supremacia Bourne e acompanha o mocinho enquanto ele tenta chegar cada vez mais perto de sua verdadeira identidade, passando por Londres, Madrid, Tânger e Nova York, em cenas de perseguição muito bem apresentadas pelo diretor Paul Greengrass. Nos bastidores, oficiais da CIA rastreiam seu paradeiro e entram em conflito, duas grandes atuações de David Strathairn e Joan Allen.

Matt Damon, além de mostrar as habilidades físicas/ninja, não precisa fazer mais quase nada, ele é Jason Bourne em pessoa.

Nos alucinantes créditos finais, a deliciosa música-tema do personagem, Extreme Ways, de Moby. Não poderia terminar melhor.


*Assista também a Mr Brooks, com Kevin Coster e seu lado negro vivido por William Hurt, o ótimo Síndrome de Caim, de Brian de Palma e Identidade, boníssimo suspense com John Cusack.




Livinha, obrigado pela dica dos primeiros filmes.

23.9.07

21.9.07

Compilation


Música para dias de chuva.

1. Tori Amos - Desperado (4:46)
2. Crowded House - Don't Dream it's Over (Acoustic live) (3:24)
3. Beverley Knight - Angels (Live) (4:41)
4. Sagi-Rei - Gipsy Woman (3:41)
5. Johnny Cash - Personal Jesus (3:20)
6. Depeche Mode - When The Body Speaks (Acoustic) (6:02)
7. Carpenters - Superstar (3:47)
8. Fionna Apple - Criminal (live at MTV) (5:39)
9. Ingrid - Tu Es Foutu (Chillgrid Mix) (3:45)
10. Joss Stone - Jet Lag (Acoustic @ AOL) (4:20)
11. Nelly Furtado - Te Busqué (Feat. Juanes) (3:38)
12. Erasure - Rock Me Gently (4:27)
13. A-HA - Summer Moved On (Live)(4:40)

Esta coletânea expirou.

17.9.07

Eles odiavam Warhol

Acaba de chegar ao mercado de dvds Factory Girl, ou se você preferir o título absurdo em português, Uma Garota Irresistível. Como já se viu antes em Um Tiro Para Andy Warhol e Basquiat, aqueles que se envolveram com o pai da arte pop ganharam muito mais do que apenas 15 minutos de fama, quase todos morreram de overdose ou simplesmente caíram no ostracismo depois que Warhol cansou-se deles.

Neste filme, a lindíssima Sienna Miller faz o papel da socialite/modelo/superstar Edie Sedgwick, uma pobre menina rica, violentada pelo pai magnata desde criança que chega à Factory (o estúdio onde Warhol produzia seus filmes e quadros) à procura de diversão e pensa ter encontrado no artista um mentor e companheiro. Guy Pierce faz um Andy muito parecido com aqueles interpretados anteriormente por Jared Harris e David Bowie, indiferente, distante e estoicamente perturbado.

A ruptura se dá quando Edie conhece "o músico" (Hayden Christensen), claramente uma referência a Bob Dylan, causando ciúme em Warhol. A indiferença do mentor faz com que a protagonista se perca na sua própria loucura/carência, recorrendo invariavelmente ao uso de barbitúricos e à heroína.

Narrado em tom de documentário confessional, Factory Girl tem um roteiro meio capenga, mas sobrevive graças às atuações do elenco muito talentoso e ao visual atraente.

Assista também a Um Tiro Para Andy Warhol e Basquiat:



I'm a Serial killer

Ontem, no Emmy Awards, a série Dexter ganhou o prêmio de melhor abertura. Merecidamente:

14.9.07

Compilation


Várias gerações de mulheres que souberam graciosamente fazer rock (se é que isso existe hoje em dia) com muito vigor e melhor que a maioria dos homens. Atentem para Special, do Garbage, que nada mais é do que uma grande homenagem à faixa seguinte, dos Pretenders. Tem também Melissa Etheridge levando um papo de homem pra homem com a platéia antes de cantar lindamente You Can Sleep While I Drive, uma das minhas favoritas do repertório dela.

1. Dolores O'Riordan - Ordinary Day (3:38)
2. Eurythmics - I've Got A Life (3:17)
3. Fiona Apple - Sleep To Dream (4:09)
4. Garbage - Special (3:43)
5. Pretenders - Talk Of The Town (3:13)
6. Melissa Etheridge - You Can Sleep While I Drive (live) (5:38)
7. Sheryl Crow - Soak up the sun (3:18)
8. Moby feat. Debbie Harry - New York New York (3:32)
9. Hole - Celebrity Skin (2:42)
10. PJ Harvey - A Perfect Day, Elise (3:06)
11. Skunk Anansie - Hedonism (3:27)
12. Patti Smith - Because The Night (3:25)
13. Fangoria - Ni Contigo Ni Sin Ti (3:47)
14. Sinead Oconnor - The Emporer's New Clothes (5:18)
15. Moloko - Sing It Back + I Feel Love(live at Glastonbury) (5:48)

Esta coletânea expirou.

13.9.07

The Dead Girl



The Dead Girl (2006) conta cinco histórias que a princípio nada tem a ver uma com a outra, além da morte de uma garota inicialmente não-identificada. Conforme o filme avança, as peças desse aparente quebra-cabeças vão fazendo sentido e percebe-se que cada episódio representa a perspectiva de seus personagens e os laços que os relacionam. O elenco corresponde às expectativas que se tem para uma história complexa. Toni Colette, Giovanni Ribisi, Brittany Murphy, Marcia Gay-Hayden, James Franco, Josh Brolin, Piper Laurie, Rose Byrne, Mary Beth Hurt, só gente de primeira que claramente se esforçou para fazer seu melhor. Eu destaco Toni Colette, como a reprimida Arden que libera seu desejo mais perturbador ao muito taciturno Giovanni Ribisi (quase irreconhecível), Mary Beth Hurt, a esposa frustrada que se descobre casada com um serial killer e uma interpretação fantástica de Marcia Gay-Hayden. Brittany Murphy também surpreende no papel de uma espécie de Courtney Love caipira, a chave de todo filme.

11.9.07

onze de setembro


Há 6 anos.
E você onde estava?

Amor e outros desastres


- Já pensou que essa coisa de "amor verdadeiro" pode ser uma conspiração?
- Uma conspiração?
- Sim, uma conspiração capitalista. Uma mentira programada pela indústria de Filme e Música. Tudo empurrando essa coisa, esse conceito que nem mesmo existe!
- Amor verdadeiro não existe?
- Bem, pense nisso. Onde ele está, além das músicas, livros e filmes? Quero dizer, quem pode honestamente dizer "Eu sempre vou te amar"?
- Whitney Houston?
- Sim. Quando está doidona de crack. O importante é que todo mundo está triste porque estão procurando por essa coisa inexistente ou estão tristes porque acham que se contentaram com menos.
- Eu não estou triste. E acredito em amor verdadeiro.
- Sim, é por isso que ainda está dormindo com seu ex-namorado.

- "Bonequinha de Luxo" está começando. Quer assistir?
- Eu acabei de te dizer que os filmes têm destruído a minha habilidade de amar.
- Eu pensei que isso fosse culpa da sua mãe.
- Bem pensado. Afasta aí. Esse é o seu filme predileto?
- Olhe bem para mim. Não tá na cara?

Love and Other Disasters, de Alek Keshishian (o mesmo de Na Cama Com Madonna e Com Mérito), é uma comédia bobinha na superfície porém muito espirituosa e real quando se dá a ela mais atenção. Talvez você, como eu, hesite cada vez que vê o nome de Brittany Murphy nos créditos principais de uma comédia. Mas esta é realmente muito interessante.

Jacks (Murphy) é editora-assistente da Vogue inglesa e mora com o amigo gay e aspirante a escritor Peter (Matthew Rhys, da excelente série Brothers and Sisters*). O grupo de amigos ainda inclui a divertida Talullah, interpretada pela comediante inglesa Catherine Tate, famosa na Inglaterra. Há uma participação imperdível de Dawn French (da dupla French & Saunders) como uma opulenta psicoterapeuta que atende deitada no divã.

Produzido por Luc Besson e David Fincher, este romance moderno é uma delícia de se ver, inteligente e bem bolado, como os bons e despretensiosos filmes têm de ser.

*A série Brothers & Sisters estréia em outubro no Universal, com um ano de atraso. Recomendo bastante, foi uma das minhas séries favoritas da temporada passada.

10.9.07

Os Longos Braços de Dona Geni

Os olhos de dona Geni eram negros e profundos, circulados todos os dias por olheiras alcantiladas, intensas como sua forma de viver. Talvez pelos traços de sua herança libanesa - o nariz aquilino, as sobrancelhas que avançavam ríspidas como se fossem, a qualquer instante, deslizar com ferocidade pelo nariz e desafiar o interlocutor - tudo que ela dizia soava permanente e irrevogável. Pode ser que desta firmeza toda tenha surgido a minha impressão, ainda criança, de que ela fosse uma mulher ignorante, como me pareciam ignorantes todas as pessoas muito certas de tudo. Mas uma ignorância, quem sabe, inocente, oriunda de um medo constante de não ser amada, razão de muitas ingnorâncias que nos afrontam todos os dias.

Dona Geni, como todas as mulheres cuja natureza lhes impede de ter um filho saído de si, tentava ser um pouco mãe e companheira de cada criança que lhe cruzasse o caminho. Assim foi comigo. Ela e minha mãe eram amigas inseparáveis, foi dona Geni que acompanhou o drama do meu quase não-nascimento através de uma vitrine que separava o corredor opressivo de azulejos azuis da Benificência Portuguesa e a sala de parto. Pela mão dela, aos 4 anos, fui ao primeiro baile de carnaval, aquele em que se veste a criança com fantasias de papel colorido para, no final da tarde, rumarem todos ao mar e sentirem o crepom se desfazer na água e, pressionado pelo vento, deliciosamente acalantar a pele, uma carícia que meu eu-criança sentia solenemente uma vez por ano apenas.

Era exatamente no verão que nossa convivência se tornava mais intensa, muito embora fôssemos vizinhos de quadra tanto na cidade quanto na praia. Só que durante o veraneio, era mais seguro para os pequenos como eu circularem pela rua. Na casa de dona Geni era que se reuniam tanto as crianças quanto os adultos desocupados da vizinhança. Hoje, olhando aqueles tempos com mais distância, tenho a idéia romântica de que respirávamos o verão com mais suavidade, como se a maresia e o sereno naquela época fossem menos apressados. Bastava-nos apenas uma cadeira preguiçosa velha, a roda de chimarrão e o vento. Desta combinação nasciam risadas, histórias e um sentimento quase indescritível de pertencer a algo cujo nome não nos interessava.

Dona Geni nos abraçava a todos com o mesmo carinho e bravura que recebia as turbulências inevitáveis da vida. Se bem me lembro, era um carinho triste de ser mãe de todos e, ao mesmo tempo, de ninguém. Até que um dia, há 10 anos, seu coração parou sem aviso, talvez cansado de tanto bater pelos outros. O meu, quando lembra dela, ainda dispara de alegria e ternura.

9.9.07

Sunday Classics


Cena emblemática da abertura de The Mary Tyler Moore Show (1970–1977), uma das séries mais bem escritas que eu conheço. Este instante retratado acima, em que Mary joga seu chapéu para o ar, foi eleito pela revista Entertainment Weekly como o segundo melhor momento da televisão (perdendo apenas para o assassinato de JFK). Existe hoje, no centro de Mineápolis, uma estátua em homenagem à cena. A série foi exibida pela CBS e teve 168 episódios nas suas 7 temporadas. Não houve um ano sequer que MTM não tenha ganho pelo menos 2 Emmy Awards. Nunca se produziu, na minha modesta opinião, uma sitcom tão bem feita e à frente do seu tempo como esta. Tanto que, ontem mesmo, eu me vi criança de novo assistindo aos episódios da segunda temporada. Claro que só de ver os primeiros segundos da abertura, os olhos já umedeceram.

6.9.07

Compilation


Uma coletânea para recomeços.

1. Bossacucanova Feat. Adriana Calcanhotto - Previsão (3:02)
2. Vanessa da Mata - Quem Irá Nos Proteger (3:50)
3. Billie Holiday - Summertime (Organica Remix) (4:28)
4. Hooverphonic - Shake The Disease (3:59)
5. Dame Shirley Bassey - Can I Touch You There (5:36)
6. Joss Stone - Under Pressure (Queen cover) (4:30)
7. Edie Brickell - What I Am (4:57)
8. Katie Melua - Lucy in the sky with diamonds (acoustic version) (2:45)
9. Tracey Thorn - Get Around To It (6:01)
10. Michael Bublé - Fever (3:52)
11. The Temptations - Papa Was A Rollin' Stone (David Elizondo Mix) (5:06)
12. Beverly Knight - Take Another Little Piece of My Heart (3:31)
13. Sheryl Crow - The First Cut is The Deepest (3:46)

ESTA COLETÂNEA EXPIROU.

4.9.07

Communication



Porque há momentos em que, mesmo com o carinho e atenção dos amigos, você se enxerga incompleto de amor. Surdo e mudo de si próprio.

3.9.07

Unhas sujas e dentes podres

Os ingleses, não sei se você sabe, são um povo pouco preocupado em manter a dentição bem cuidada e isso não tem a ver com status ou condições financeiras. Do mais pobre ao mais rico, do mendigo ao astro internacional o sorriso inglês é uma coisa desagradabilíssima de se ver. Talvez por isso todo tipo de arte que se produz na Grã-Bretanha seja melancólica ou depressiva: para o artista não precisar sorrir. No caso de London to Brighton, eleito (com muito exagero) pelo jornal The Independent como o melhor filme britânico de 2006, nem o espectador mostra os dentes, a não ser de nojo. É um thriller em que duas prostitutas fogem para Brighton depois de matarem um figurão pedófilo e são perseguidas pelo cafetão furioso. O desfecho é bem impactante, se você tiver paciência para chegar até o fim.

Não é só o Brasil que faz filmes e mais filmes sobre a miséria humana dos lugarejos remotos de seu território. Esta co-produção peruana com distribuição do Canal + espanhol também mergulha no mundo exótico do vilarejo de Manayaycuna, cercado pela Cordilheira Branca, onde não há sequer um telefone. Lá, da sexta-feira santa ao domingo de páscoa, o pecado deixa de existir e os habitantes celebram fazendo tudo que "Deus não permite". É justamente aí que Madeinusa (Magaly Solier), muito esperta, resolve que vai perder a virgindade para o forasteiro bonitão vivido por Carlos J. de la Torre (não me parece coincidência, portanto, que o personagem dele se chame Salvador). O problema é que o pai da moça, prefeito da cidade, estava planejando fazer a mesma coisa com a filha.

A estréia de Claudia Llosa na direção não chega a decepcionar e o visual multi-colorido das festividades retratadas no filme é surpreendente. O que me decepcionou foi a previsibilidade que encerra o longa, muito embora seu desenrolar seja bem cuidado e as atuações de uma honestidade emocionante.