24.9.07

Crises de Identidade


As Três Máscaras de Eva (The Three Faces Of Eve, 1957) deu um Oscar de melhor atriz a Joanne Woodward (a senhora Paul Newman) por um papel dificílimo de se fazer: de uma mulher com múltiplas personalidades. Baseado no livro homônimo, escrito pelo psiquiatra Corbett H. Thigpen , o filme investiga a vida da dona de casa interiorana que começa a ter um comportamento agressivo e contraditório, sendo obrigada a procurar ajuda médica.

Uma mistura bem estruturada de drama e suspense, o filme coloca o espectador em dúvida permanente. Será aquela situação uma farsa ou teria mesmo Eve múltiplas identidades em constante combate? Que evento traumático teria então deflagrado a condição? Um grande clássico. A curiosidade é que As Três Máscaras de Eva inspirou a personagem Lara, vivida por Glória Menezes na novela Irmãos Coragem de 1970, segundo conta Daniel Filho.






Com mais ou menos a mesma temática, há Sybil, filme feito para televisão em 1976 que, devido à audiência sem precedentes, ganhou lançamento nos cinemas no ano seguinte. Sally Field é a personagem título, uma jovem professora reprimida que sonha em ser pintora. Aos poucos, Sybil percebe que as múltiplas personalidades que nela habitam estão cada vez mais poderosas. É quando ela encontra a psiquiatra Cornelia B. Wilbur, vivida por Joanne Woodward (a mesma Eva do filme anterior) que fica fascinada pelo caso e começa uma relação médico-paciente no mínimo curiosa. Wilbur, além de médica de Sybil, desenvolve um laço maternal com a paciente. Além disso, há o horror por trás do trauma da protagonista, em cenas finais que até hoje são chocantes e traumatizantes. Na sua versão original, o filme tem 138 minutos, sem nunca dispersar o interesse do espectador. Recentemente foi realizado um re-make de 94 minutos com Jessica Lange no papel principal. Não vi, mas imagino que não seja tão bom.

Já Jason Bourne, o herói sem passado, encontra na terceira prestação da melhor trilogia de filmes de ação dos últimos tempos sua redenção. O Ultimato Bourne (The Bourne Ultimatum, 2007) começa minutos depois do ocorrido em Supremacia Bourne e acompanha o mocinho enquanto ele tenta chegar cada vez mais perto de sua verdadeira identidade, passando por Londres, Madrid, Tânger e Nova York, em cenas de perseguição muito bem apresentadas pelo diretor Paul Greengrass. Nos bastidores, oficiais da CIA rastreiam seu paradeiro e entram em conflito, duas grandes atuações de David Strathairn e Joan Allen.

Matt Damon, além de mostrar as habilidades físicas/ninja, não precisa fazer mais quase nada, ele é Jason Bourne em pessoa.

Nos alucinantes créditos finais, a deliciosa música-tema do personagem, Extreme Ways, de Moby. Não poderia terminar melhor.


*Assista também a Mr Brooks, com Kevin Coster e seu lado negro vivido por William Hurt, o ótimo Síndrome de Caim, de Brian de Palma e Identidade, boníssimo suspense com John Cusack.




Livinha, obrigado pela dica dos primeiros filmes.

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