3.9.07

Unhas sujas e dentes podres

Os ingleses, não sei se você sabe, são um povo pouco preocupado em manter a dentição bem cuidada e isso não tem a ver com status ou condições financeiras. Do mais pobre ao mais rico, do mendigo ao astro internacional o sorriso inglês é uma coisa desagradabilíssima de se ver. Talvez por isso todo tipo de arte que se produz na Grã-Bretanha seja melancólica ou depressiva: para o artista não precisar sorrir. No caso de London to Brighton, eleito (com muito exagero) pelo jornal The Independent como o melhor filme britânico de 2006, nem o espectador mostra os dentes, a não ser de nojo. É um thriller em que duas prostitutas fogem para Brighton depois de matarem um figurão pedófilo e são perseguidas pelo cafetão furioso. O desfecho é bem impactante, se você tiver paciência para chegar até o fim.

Não é só o Brasil que faz filmes e mais filmes sobre a miséria humana dos lugarejos remotos de seu território. Esta co-produção peruana com distribuição do Canal + espanhol também mergulha no mundo exótico do vilarejo de Manayaycuna, cercado pela Cordilheira Branca, onde não há sequer um telefone. Lá, da sexta-feira santa ao domingo de páscoa, o pecado deixa de existir e os habitantes celebram fazendo tudo que "Deus não permite". É justamente aí que Madeinusa (Magaly Solier), muito esperta, resolve que vai perder a virgindade para o forasteiro bonitão vivido por Carlos J. de la Torre (não me parece coincidência, portanto, que o personagem dele se chame Salvador). O problema é que o pai da moça, prefeito da cidade, estava planejando fazer a mesma coisa com a filha.

A estréia de Claudia Llosa na direção não chega a decepcionar e o visual multi-colorido das festividades retratadas no filme é surpreendente. O que me decepcionou foi a previsibilidade que encerra o longa, muito embora seu desenrolar seja bem cuidado e as atuações de uma honestidade emocionante.


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