31.10.07

Número um

Tantas, mas tantas vezes eu me pergunto: "por que raios a gente é assim?". Quando eu falo "a gente", não me refiro apenas a nós, eu e você que me lê agora, quero dizer todo mundo. Por que é que a gente precisa tanto se afirmar? Dizer que pode, que consegue, que é fodão, que é bom profissional, bom amante, que é corajoso, bom pai, boa mãe, que ganha bem, que é feliz, que "pega" quem bem desejar, que é insubstituível, imbatível, number one. É muito bom ser tudo isso, não me leve a mal, mas dizer o tempo todo me soa falso. Até porque, quando eu ouço isso vindo muito freqüentemente da mesma pessoa, me leva a crer que ela fala tanto para convencer a si mesma de que é aquelas coisas exatamente porque na verdade não acredita sê-las. E me questiono todas as vezes que digo algo do gênero. Me parece que sentir-se melhor em algo não pressupõe alardear, portanto, a questão acaba sendo "por que eu preciso desta afirmação?" ou "por que é tão importante para mim convencer o outro da minha excelência neste ou naquele quesito?". Não há regras que definam isso, claro. É apenas uma observação.

30.10.07

Compilation - Re-edição




Para quem perdeu a compilação de várias versões de Can't Take My Eyes Off You, uma segunda chance, desta vez com o Pando.

1. Boys Town Gang - Can't Take My Eyes Off Of You (5:38)
2. Lee Ritenour - Every Little Thing She Does Is Magic (4:02)
3. Peggy Lee - Fever [Gabin Remix Edit] (4:02)
4. Alba Molina - No puedo quitar mis ojos de ti (3:08)
5. Jorge Drexler - La huella de tu mirada (3:32)
6. George Michael - The First Time Ever I Saw Your Face (5:19)
7. Katie Melua - Just Like Heaven (3:35)
8. Morten Harket - Can't Take My Eyes Off You (3:46)
9. Ryan Adams - When The Stars Go Blue (3:31)
10. Angel Parra Trio - No Puedo Quitar Mis Ojos De Ti (3:50)
11. Blossom Dearie - Someone To Watch Over Me (5:58)
12. Martha Wainwright - Baby love (4:41)
13. The Cardigans - And then you kissed me (5:23)
14. The Supremes & The Temptations - Can't Take My Eyes Off You (3:07)

26.10.07

Compilation


15 faixas para celebrar as voltas que a vida dá. Destaque para We're All Alone, clássica das madrugadas nas rádios FM nos anos 70 e 80. E, como sempre, versões diferentes de sucessos que o povo gosta. Ainda tem o argentino Federico Aubele, com um som elegante que só ele, Bajofondo com Elvis Costello, Isaac Hayes (meeestre!), Julie London, duas Crazy; a de Patsy Cline por Key Starr e a de Gnarls Barkley cantada pelo folk/pop Ray Lamontagne. Uma Beverley Knight de arrepiar, remix de Tracey Thorn do single novo, Grand Canyon, a banda Just Jack fazendo Cardigans e terminamos com uma música que me lembra coisas bonitas, Better Be Home Soon. A música que dá título à coletânea é faixa bônus da edição especial do novo de Gloria Estefan, 90 Millas.

1. Julie London - Go Slow (2:15)
2. Isaac Hayes - The Look of Love (4:38)
3. Kay Starr - Crazy (2:57)
4. Michael Bublé - Kissing A Fool (4:35)
5. Young Will - Your Love Is King (4:01)
6. We're All Alone - Boz Scaggs (4:06)
7. Dusty Springfield - Am I the Same Girl (3:00)
8. Beverly Knight - After You (4:07)
9. Federico Aubele - Esta Noche (4:09)
10. Ray Lamontagne - Crazy (Gnarls Barkley cover) (4:15)
11. Gloria Estefan - Vueltas De La Vida (Bonus Track) (3:38)
12. Bajofondo feat. Elvis Costello - Fairly Right (6:01)
13. Tracey Thorn - Grand Canyon (Ada Vocal) (8:58)
14. Just Jack - Lovefool (Cardigans cover)(3:41)
15. Crowded House - Better Be Home Soon (Acoustic) (3:27)

*Não esqueça que você precisa ter o Pando instalado pra baixar.

25.10.07

Testando

Para quem já tem o pando instalado na máquina, clique em "download" no link abaixo para ter a compilation dos Carpenters. (Viu, Roberto?)

AINDA

sem assunto. Mas amanhã tem compilation nova e vou dar um jeito de re-postar aquela dos Carpenters, sucesso de audiência.

*Quem sabe a gente começa a compartilhar as compilações cafeína usando um programa que eu gosto muito chamado Pando? Assim, não há necessidade de hospedar as compilações em site algum e elas continuam on line sempre. Dêem uma olhada no site e baixem o programa (de apenas 1.6 mb) pra gente já ir se acostumando. Pode baixar que é de confiança, eu uso há um tempão. Com o programa instalado e rodando, você clica no link que eu fornecer aqui e começa automaticamente a baixar. Vamos?

19.10.07

Bang Bang


Neste enfadonho Os Indomáveis (3:10 To Yuma, 2007), o fazendeiro falido Dan Evans (Christian Bale) aceita escoltar o prisioneiro Ben Wade (Russell Crowe) para pegar o trem de 3:10 para Yuma, Arizona, em troca de 200 dólares que o salvarão de perder o rancho onde mora com a família. Previsível como só ele, o filme não sustenta o suspense que envolve a viagem, ameaçada pelo bando selvagem do prisioneiro. O que ele tenta o tempo todo é explicar como os protagonistas desenvolvem uma inesperada admiração mútua que culmina nos minutos finais. Uma refilmagem do original de 1957, Os Indomáveis pretende ser um western "profundo", o problema é que você olha no relógio achando que já se passaram uns bons 40 minutos de filme e na verdade só foram 10. Não se pode negar, porém, que 3:10 To Yuma é uma bela vitrine do talento inegável dos dois protagonistas. Mas é só.

16.10.07

A vida como ela não é


Vendo a grade da nova programação da tv americana percebi que as comédias de situação (as famosas SitComs) estão em baixa. Não há mais sucessos estrondosos de audiência como Friends, 3rd Rock From The Sun, Will & Grace e tantas outras de um passado recente. Não sei se porque elas eram ingênuas demais e, em tempos de guerra, os ianques preferem assistir a séries sobre investigações criminais fantasiosas, dramas médicos ou eventos sobrenaturais que lhes distraiam daquela pirraça desgraçada de seu presidente abobalhado. Também não me espanta que os super-heróis modernos de Heroes estejam em alta. Se você olhar com atenção, percebe que americano gosta mesmo de programas que exaltem seu poderio, seja ele bélico ou de sobrehumana bondade com o próximo (desde que o próximo seja anglo-saxão). Mas uma coisa a gente precisa admitir: os roteiros da televisão americana estão cada vez melhores, mesmo seguindo fórmulas que se tornam óbvias conforme a temporada avança. Vide Dexter, Bones, Desperate Housewives etc e tal. Eles se esforçam com cada vez mais afinco em criar tramas inteligentes.

Já na tv aberta brasileira a situação é calamitosa. As novelas, orgulho do nosso povo, são um desfile bizarro de falta de talento. Custam e geram um rio de dinheiro, só que no final das contas, perpetuam estereótipos ofensivos e não sabem o que fazer direito quando retratam as minorias sociais. Gente rica de novela (a maioria) ou é muito chata ou muito mau-caráter. Gente pobre sofre, sofre, sofre, mas se dá bem no penúltimo capítulo. Homossexuais não beijam nem transam e se forem lésbicas, morrem. De acidente, claro. Soropositivos e trangêneros, então, estes sequer existem. Ninguém fica solteiro e feliz; ou casa ou morre de alguma doença rara. Os mocinhos não fumam, nem bebem, nem traem. As mocinhas só transam por amor e são muito, muito magras. Ainda dizem que novela é um sucesso por aqui porque retrata a realidade.

Os programas de humor, ah, estes são especialmente escrotos e ofensivos. Não consigo imaginar como alguém com mais de 1/2 neurônio acha graça do Pânico, por exemplo. Aquilo pra mim é tripudiar da miséria humana, é testar o limite da crueldade. Mas não me espanta que ele seja visto como um programa "inovador", já que os outros seguem fórmulas caducas de décadas atrás. Miguel Falabella recentemente reeditou o Sai de Baixo com elenco similar, sem a mesma graça. As praças, escolinhas e zorras da vida ainda tentam seduzir o espectador machista com modelos de biquini assediadas por velhos caquéticos, gays estereotipados e senhoras histéricas. Que saudades de TV Pirata e Os Normais!

Eu faço parte daquela parcela gigantesca de brasileiros que não pode pagar por uma tevê a cabo. A única coisa que eu ainda consigo ver em tv aberta é o jornalismo (só vamos deixar bem claro que esta categoria exclui o Fantástico). Acho que ainda há bons programas jornalísticos, até alguns noticiários locais. A Record News, por exemplo, estreou com uma programação variada e cuidadosa, tem documentários, programas de variedades, até um infame show de celebridades nos moldes do horrendo TV Fama, mas ainda assim prefiro assistir a Record News do que ter que aturar o insuportável Fausto Silva.

No final das contas, a melhor solução acaba sendo sempre desligar a tv. Deus abençoe o controle remoto, a internet e o dvd.

15.10.07

Compilation


Love is The Drug sempre foi uma das minhas canções favoritas do Roxy Music. Aqui há mais a fantástica roupagem de Grace Jones e a novíssima versão de Kylie Minogue, presente na coletânea de covers Radio 1 - Established Since 1967 (que celebra os 40 anos da rádio BBC 1). Ainda tem uma do novo álbum do Morcheeba, Annie Lennox saindo do forno, The Gossip pervertendo (ainda mais) George Michael, uma parceria de Jorge Drexler com Kevin Johansen e outras faixas sobre o amor, esta coisa que a gente não consegue entender.

1. Kylie - Love Is The Drug (3:50)
2. Dame Shirley Bassey - Where Is The Love (5:25)
3. Tracey Thorn - Nowhere Near (3:09)
4. Annie lennox - Love is Blind (4:18)
5. Jorge Drexler - La Vida Es Mas Complexa... (3:08)
6. kd lang - Love Is Everything (5:43)
7. Bryan Ferry and Roxy Music - Love Is The Drug (4:04)
8. Joss Stone - Bruised But Not Broken (4:15)
9. Beverly Knight - After You (Radio Edit) (3:59)
10. Morcheeba - Washed Away (Feat. Thomas Dybdahl) (4:22)
11. Dusty Springfield - You Dont Have to Say You Love Me (2:50)
12. Grace Jones - Love Is the Drug (7:10)
13. Gossip - Careless Whisper (3:34)

Aqui. (senha: cafeina)

Bluebirds in the spring

O Marcelo postou uma coletânea deliciosa com 24 versões da mesma música: I Wish You Love (ouça aqui a de Rosemary Clooney, tia do George), que na verdade é a versão em inglês da original, Que reste-t-il de nos amours?, e virou obrigatória no repertório de muita gente bacana. Na minha compreensão, a letra fala de um relacionamento que não deu certo, mesmo com todo amor. Daí, a cantora enumera as coisas boas que deseja ao amado e decreta que é hora de deixá-lo ir.

Não imagino coisa melhor a se desejar a alguém do que amor. E acho que todos desejamos amor quando terminamos um namoro/casamento/relação. Mas também acho que, pelo menos no início, o fazemos da boca pra fora. O que a gente quer na verdade é que sintam a nossa falta, que seja impossível viver sem o nosso amor. E isso não é desejar amor, é querer vingança, desejar sentir-se necessário ao outro. Sempre que eu encarei términos de namoro, virei aquele cliché inevitável, "ó, meu coração está em frangalhos", e estava mesmo. A última vez que isso aconteceu foi a mais grave de todas, talvez porque havia em mim a noção exata de que aquele modelo de relação não me servia, com o agravante, porém, de ainda amar mais do que jamais tivera amado. Mas firmei o pé no "não" e me coloquei, talvez pela primeira vez na minha carreira de relacionamentos, em primeiro lugar.

Apesar de tudo, eu continuei aquela relação sozinho por mais uns bons anos. Perpetuando os momentos afetuosos que ficaram na memória, lembrando, olhando fotos, me torturando no Orkut. Preso numa forma estranha de areia movediça emocional, projetei uma possibilidade de felicidade que nunca se concretizaria. Eu esqueci que estava sozinho nisso tudo, que a gente sempre está. É verdade, a gente sempre está sozinho no final das contas. Mas tem um momento, não sei explicar bem quando, que simplesmente passa. Que você olha para aquela foto antiga e diz/sente "eu te desejo amor". Mesmo. Na verdade, se eu fosse fazer uma tradução para esta música, daria o título de "Vai com Deus".

Quem diria ... tudo isso por causa de uma canção.

11.10.07

Glam Glam Glam

Depois de assistir ao novo vídeo de Kylie Minogue, 2 Hearts (carro-chefe do novo álbum X), não consegui evitar de pensar em como a cantora está sempre no rastro de outros artistas mais antenados. Tanto o vídeo quanto a música lembram muito Ooh La La, de Goldfrapp. O problema é que ele não chega nem aos pés do original. Veja com seus próprios olhos:

9.10.07

Laurel & Hardy


Não sei se acontece com você, mas freqüentemente meus amigos convergem em momentos bem inesperados. Eu combino algo com um e, muito de surpresa, outro aparece. Domingo, uma certa amiga alcoólica - chamá-la-emos de Helena - veio me contar do encontro inusitado que teve com um atacante de um time de futebol do interior gaúcho. A conversa, que continha frases do tipo "ando louca pra dar para um negão" e "eu não sou alcoólatra" foi interrompida pelo interfone. Era um outro amigo, em passagem pela capital, trazendo à tira-colo a inseparável e corpulenta best friend, na plenitude dos seus 140 quilos que apelidaremos de Ilza. Cervejas, muitas cervejas depois, Helena narra uma viagem a Recife e seu espanto com o tamanho e suculência dos camarões lá servidos à beira da praia.

-Aquela gente come camarões fritos enormes às nove da manhã, é um horror!

Nisso, Ilza não se contém e pergunta, com os olhos arregalados, enquanto esfrega as mãos nervosas:

-Ai, que delícia. Comeste um monte né?
-Não, eu sou anoréxica.

Silêncio sepulcral, a jovem Ilza fica verde, azul, amarela, branca. Inclinando a cabeça como Regina Duarte numa novela de Manoel Carlos, meio sem entender, volta a perguntar:

-Mas tu comeste, né?
-Já te disse, guria, eu sou anoréxica, tenho nojo de comida...

Claramente temerosa de ter sido antipática e tentando consertar o climão, completa:

-...mas tu ias A-MAR!

Foi a deixa para eu descer e comprar mais cerveja.

8.10.07

Ronda

Você, amigo, que está cansado de blogs imbecis que refugam notas de celebridades de quinta categoria, muito freqüentemente copiadas de outros blogs and so on, não perca grandes posts dos vizinhos deste barraco:

*O tiozinho tem poema de Mercedes Acosta para Greta Garbo;
*John conta a história de Snowboard, a Branca de Neve anoréxica;
*Marcelo postou uma das melhores coletâneas de todos os tempos;
*Lívia, a amazona paulista, conta seu sonho com Zé de Abreu de vestido verde;
*Nossa Mme. mor lembra de um certo sapo acme;
*Adelaide, pra variar, achou que estava abafando com um garçon;
*E o Egídio nos premia com uma bigornada cinematográfica.

Tá vendo como meus amigos são ótimos?

7.10.07

Sunday Classics


Do musical Charity, Meu Amor (Sweet Charity, 1969), dirigido e coreografado por Bob Fosse, uma perfeição. Big Spender ficou famosa anos depois na voz de Shirley Bassey. Reparem na fotografia e nos ângulos copiados sem sucesso nos vídeos das Pussycat Dolls. Ah sim, Claudia Raia, coitada, também tentou.

5.10.07

Compilation


Uma compilação para se ouvir a todo volume viajando por aí. Tem a nova de Annie Lennox, com participação quase irreconhecível de Madonna e um coro muito famoso de cantoras da atualidade, vários covers bem-sucedidos de canções pop, Andres Calamaro (o Fábio Jr argentino) com 5 Minutos Más, a música em que ele diz "tengo abierto el minibar y cerrado el corazón", um Elvis de arrepiar e a interpretação fantástica de George Benson para This Masquerade. A letra de Bill, de Peggy Scott-Adams é uma delícia, assim como Beverley knight e sua The Queen Of Starting Over. A viagem termina com o jazz eletrônico dos suecos do Koop, com Veulvo al Sur, de Piazzolla.

1. Cyndi Lauper - I Drove All Night (4:11)
2. Mutya Buena - Fast Car (Tracy Chapman cover) (3:08)
3. Nouvelle Vague - Dance With Me (3:40)
4. Andres Calamaro - Cinco Minutos Mas (minibar) (3:35)
5. Crystal Waters - Boy From Ipanema (4:24)
6. Groove Armada - Crazy For You (Madonna cover) (4:20)
7. Fac 15 - Rainy Days And Mondays (5:41)
8. Natasha Beddingfield - Ray Of Light (Madonna cover) (4:13)
9. Beverly Knight - The Queen Of Starting Over (3:47)
10. Peggy Scott-Adams - Bill (4:18)
11. Elvis Presley - Solitaire (4:44)
12. Annie Lennox feat. Madonna - Sing (4:48)
13. George Benson - This Masquerade (8:03)
14. Koop - Vuelvo Al Sur (5:40)

Esta coletânea expirou.

4.10.07

Integralmente


Novo vídeo dos Pet Shop Boys para canção Integral, originalmente do álbum Fundamental, aqui com o remix PSB Perfect Immaculate mix, faixa exclusiva da nova coletânea do dueto [Disco 4] a ser lançada oficialmente na próxima segunda-feira. Além de Integral, o cd contém remixes que os PSB fizeram para The Killers, Rammstein, Madonna, Yoko Ono, David Bowie, Atomizer, além do Maxi-mix para I'm With Stupid, uma das melhores do álbum anterior.

Todas as faixas já estiveram em seus respectivos singles, fazendo de Disco 4 apenas mais uma compilação de remixes. Mas quem se importa?

3.10.07

Sexy Dorothy


Christina Ricci e Samuel L. Jackson na capa da Mean Magazine.

Eu não sou muito dado a gostar de filmes que tratam da redenção do underdog, do marginal, aquela coisa Mágico de Oz trash que o cinema contemporâneo insiste em praticar. Mas Entre o Céu e o Inferno (Black Snake Moan, 2007) me cativou pelo visual ousado e pelo talento bem aplicado de seus protagonistas. Christina Ricci faz Rae, a ninfomaníaca vulgar cujo namorado (Justin Timberlake) parte para o Iraque. Um belo dia, depois de uma orgia caipira, Rae é espancada e abandonada numa estrada onde Lazarus (Samuel L. Jackson) a encontra. Começa então a jornada desses dois párias em busca de seu mágico de Oz, pela estrada de terra vermelha de algum estado do sul americano.

Bem, o diretor é o mesmo de Ritmo de Um Sonho (Hustle & Flow, 2005), daí você já pode esperar que a música desempenhe um papel definitivo no filme. De fato, os toques mágicos da narrativa são embalados pelo blues tradicional, em cenas muito bem editadas. O visual é um capítulo à parte, inspirado claramente nos filmes de blaxploitaiton dos anos 60 e 70, brinca com uma estética de fotonovela amadora mesmo nos momentos mais sérios. Por mais que Samuel L. Jackson seja um grande ator, é Ricci quem tem o trunfo da película. É ela a pequena e sexy Dorothy, acorrentada ao radiador para não dar vazão à sua fúria uterina, forçada a vasculhar os traumas mais escuros da sua mente. O único demérito de Entre o Céu e o Inferno é o insosso Justin Timberlake, incapaz de dar qualquer vigor às suas poucas falas. [Disponível em DVD]

2.10.07

Um Bom Dia

Não sei como ele foi parar lá, mas acordei hoje com meu celular vibrando nas minhas costas. 7 e 10 da manhã, uma certa madame me chamando para tomar café na Cidade Baixa, sob os ipês coloridos que servem de guarda-sol à rua da República. Não costumo dar expediente tão cedo da manhã, mas como o sol estava uma beleza, me disfarcei de gente e fui. A Cidade Baixa, assim como eu, é muito devagar a esta hora da madrugada, o que faz dela uma delícia. Sem buzinaços nem a piazada barulhenta da noite, tudo acontece com mais calma e eu gosto de ver gente sem pressa, restaura a minha fé na humanidade. Ah, o sol.