15.10.07

Bluebirds in the spring

O Marcelo postou uma coletânea deliciosa com 24 versões da mesma música: I Wish You Love (ouça aqui a de Rosemary Clooney, tia do George), que na verdade é a versão em inglês da original, Que reste-t-il de nos amours?, e virou obrigatória no repertório de muita gente bacana. Na minha compreensão, a letra fala de um relacionamento que não deu certo, mesmo com todo amor. Daí, a cantora enumera as coisas boas que deseja ao amado e decreta que é hora de deixá-lo ir.

Não imagino coisa melhor a se desejar a alguém do que amor. E acho que todos desejamos amor quando terminamos um namoro/casamento/relação. Mas também acho que, pelo menos no início, o fazemos da boca pra fora. O que a gente quer na verdade é que sintam a nossa falta, que seja impossível viver sem o nosso amor. E isso não é desejar amor, é querer vingança, desejar sentir-se necessário ao outro. Sempre que eu encarei términos de namoro, virei aquele cliché inevitável, "ó, meu coração está em frangalhos", e estava mesmo. A última vez que isso aconteceu foi a mais grave de todas, talvez porque havia em mim a noção exata de que aquele modelo de relação não me servia, com o agravante, porém, de ainda amar mais do que jamais tivera amado. Mas firmei o pé no "não" e me coloquei, talvez pela primeira vez na minha carreira de relacionamentos, em primeiro lugar.

Apesar de tudo, eu continuei aquela relação sozinho por mais uns bons anos. Perpetuando os momentos afetuosos que ficaram na memória, lembrando, olhando fotos, me torturando no Orkut. Preso numa forma estranha de areia movediça emocional, projetei uma possibilidade de felicidade que nunca se concretizaria. Eu esqueci que estava sozinho nisso tudo, que a gente sempre está. É verdade, a gente sempre está sozinho no final das contas. Mas tem um momento, não sei explicar bem quando, que simplesmente passa. Que você olha para aquela foto antiga e diz/sente "eu te desejo amor". Mesmo. Na verdade, se eu fosse fazer uma tradução para esta música, daria o título de "Vai com Deus".

Quem diria ... tudo isso por causa de uma canção.

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