9.10.07

Laurel & Hardy


Não sei se acontece com você, mas freqüentemente meus amigos convergem em momentos bem inesperados. Eu combino algo com um e, muito de surpresa, outro aparece. Domingo, uma certa amiga alcoólica - chamá-la-emos de Helena - veio me contar do encontro inusitado que teve com um atacante de um time de futebol do interior gaúcho. A conversa, que continha frases do tipo "ando louca pra dar para um negão" e "eu não sou alcoólatra" foi interrompida pelo interfone. Era um outro amigo, em passagem pela capital, trazendo à tira-colo a inseparável e corpulenta best friend, na plenitude dos seus 140 quilos que apelidaremos de Ilza. Cervejas, muitas cervejas depois, Helena narra uma viagem a Recife e seu espanto com o tamanho e suculência dos camarões lá servidos à beira da praia.

-Aquela gente come camarões fritos enormes às nove da manhã, é um horror!

Nisso, Ilza não se contém e pergunta, com os olhos arregalados, enquanto esfrega as mãos nervosas:

-Ai, que delícia. Comeste um monte né?
-Não, eu sou anoréxica.

Silêncio sepulcral, a jovem Ilza fica verde, azul, amarela, branca. Inclinando a cabeça como Regina Duarte numa novela de Manoel Carlos, meio sem entender, volta a perguntar:

-Mas tu comeste, né?
-Já te disse, guria, eu sou anoréxica, tenho nojo de comida...

Claramente temerosa de ter sido antipática e tentando consertar o climão, completa:

-...mas tu ias A-MAR!

Foi a deixa para eu descer e comprar mais cerveja.

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